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segunda-feira, 27 de julho de 2020

HOJE, 27.07.2020 E ESTA SEMANA DEVERIA EVOCAR-SE O JUBILEU DA MORTE DE SALAZAR

(Uma das legendas que figuram junto à sepultura de Salazar. Aqui é evocada uma razão, em nome de milhões de Portugueses. Cada um fará, hoje, e nos tempos que se seguem a sua própria interpretação. Que o Altíssimo perdoe a todos os que já partiram)
O dia / semana em que faz 50 anos que deixou este Mundo. Por esta data tão redonda, em teoria deveríamos estar a celebrar com pompa e circunstância a memória de alguém que governou Portugal durante 40 anos, tendo recuperado o País de um grande atraso económico e devolvendo-lhe segurança. Só que, com Salazar, tudo foi relativo. A segurança não foi para todos, a economia e educação também não foram. E com pena minha; não me apetece escrever muito mais sobre o assunto.


O museu que há muito lhe pensam dedicar não tem tido permissão por parte da Assembleia por ser contestado (e acho bem) por muitos portugueses. Todavia penso que não se deve tentar impedir um museu que trate do Estado Novo e da época em que Salazar exerceu o poder. São dois projetos diferentes.

Neste segundo projeto, que apoiamos, cabe também, a vida, a figura e a política de Salazar. Tudo deve ser tratado, lado a lado, ou em conjunto. Que nos apresentem estas temáticas sem censura nem elogios bacocos.
Esperamos por este segundo projeto, como forma de elevação democrática, onde caberá fazer a defesa do que é defensável e a crítica isenta e sem revanches; ainda que possamos compreender a dor dos próprios e das famílias que sofreram na pele, apenas por discordarem das políticas, quer fossem corretas quer erradas.
 
Palavras-chave: Estado Novo, jubileu, Salazar
 
 
 

 
 
 
 
 

 

 
 
 

 

terça-feira, 12 de março de 2019

BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL (BNP) (II)

BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL (BNP)
EX REAL BIBLIOTECA PÚBLICA
 
 Donzela junto à portaria do grande auditório. Destaca-se o ideal de novo, tal como pretensamente “novo” era o Estado da altura. É a juventude promissora de vida, ao serviço da Nação. António Duarte traça com virtude a nudez elegante e natural. Estética modernista, da segunda geração de autores, exposta no espaço público. É uma arte ao Serviço, através da imagem que mostra os seus dotes mas com uma expressão de quem tem noção da missão. O olhar um nada cabisbaixo transmite essa responsabilidade, um certo contraste, entre um corpo altivo e bem exibido.
Palavras-chave: arquivologia, Biblioteca Nacional de Portugal, biblioteconomia, História, arte nova, Estado Novo
       Em 1796 é criada a Real Biblioteca Pública. Faz presentemente 223 anos de existência. Tal como o nome indica, a biblioteca instalada no Terreiro do Paço permitia o acesso ao público. Presume-se que a todo o público interessado. Note-se que era caso raro, a nível mundial, as bibliotecas disponíveis para todo o público interessado. Exceção feita às Bibliotecas: Mazarino, em França; Trinity College, em Dublin / Irlanda e poucos mais casos haverá.
       Com a Reforma protestante e a contra Reforma católica, seguidas pelas Revoluções liberais, as escolas e a cultura começam a estar disponíveis aos interessados. Releve-se que esse embrião de cultura também havia sido tomado pelas escolas jesuíticas.
«Os padres jesuítas tinham sólida formação cultural e estavam dispostos a todo e qualquer sacrifício para defender os princípios cristãos […]».
Note-se que esse impulso resultara da resposta católica às reformas protestantes e não são alheias as «orientações filosóficas das teorias de Aristóteles e São Tomás de Aquino, principalmente no que se refere à ideia de universalização do ensino […].
Contudo, “[…] a educação jesuítica não satisfazia o Marquês de Pombal, primeiro-ministro de Portugal de 1750 a 1777, porque as escolas da Companhia de Jesus atendiam aos interesses da fé, enquanto Pombal se preocupava em atender os interesses do Estado […]. Dessa forma, retirou a Igreja Católica do domínio da educação em Portugal e mandou fechar todas as escolas que estavam sob domínio dos padres jesuítas, e as bibliotecas dos conventos foram abandonadas ou destruídas. […]. A educação passou a ser administrada pelo Estado […]. (Cf BERNARDES, Luana, ob. cit.)
Para colmatar a perda do ensino jesuítico, Pombal faz a sua própria reforma do ensino, sobretudo em Coimbra e cria, em Lisboa, o Colégio dos Nobres. Diga-se, aliás, com escassos resultados práticos, até que as instalações na Cotovia, (atual Rua da Escola Politécnica), acabam por transformar-se em ensino para a ciência; primeiro como Escola Politécnica virada para a sociedade burguesa e depois como Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Com o tempo e o evoluir da República, a Escola vai-se democratizando. 
«Os Colégios de Jesuítas no mundo […] a decisão de alargar o ensino aos estudantes não religiosos contribuiu de maneira decisiva para o crescimento extraordinário dos Colégios da Companhia de Jesus pela Europa fora […] mas nenhum lugar é tão receptivo como Portugal […]. O antigo mosteiro de Santo Antão, na Mouraria, é a primeira Casa que os Jesuítas possuem no mundo inteiro (em Janeiro de 1542); em Coimbra, fundam um Colégio junto da universidade […]. No princípio os estudantes recorrem à Universidade de Coimbra para obter o diploma, mas a pouco e pouco, passa o próprio Colégio a conceder os graus universitários e a criar as suas próprias escolas públicas […].
Em 1551, Inácio de Loyola escreve a Simão Rodrigues pedindo-lhe para criar o ensino público em varias cidades de Portugal […] A primeira escola pública dos Jesuítas é aberta na já citada Casa de Santo Antão, em 1553, com grande sucesso. É a primeira vez que se propõe ensinar a título gratuito; por outro lado, a pedagogia utilizada é considerada inovadora para a época». (cf. SOUSA, Jesus Maria, Ob. cit.).
Remarque-se que este ensino assenta, grosso modo, em memórias documentais e bibliotecas. Muito deste acervo encontra-se ainda na BNP.  
No “reinado” do Marquês de Pombal (1750 – 1777) é desmembrado este impressionante contributo cultural. É certo que o próprio Marquês está ligado à sua própria reforma do ensino, após a queda da instrução jesuítica. Porém, a experiência mostra que a cultura escolar e pedagógica é algo de estrutural; está sujeita a retrocessos e os novos paradigmas demoram a ser implementados.
D. Maria I funda a Real Biblioteca Pública, em 1796. A rainha vinha denotando uma preocupação com a cultura. Em 1779 patrocinara a Academia Real das Ciências. Nela são investidos o Duque de Lafões (presidente) e o Abade Correia da Serra (secretário). D. Maria I e D. Pedro III fazem questão em se declarar «protetores» da Real Academia. Em seu torno são criadas classes de «Ciências e de Belas Letras». Mas a Academia não se limita ao espaço fundacional de Lisboa. Apoia a «plantação de oliveiras por todo o país e a criação de uma aula de Zoologia, orientada pelo Padre Joseph Mayne». (Cf. Academia das Ciências de Lisboa, et al. Ob. cit.).
O padre José Mayne e as suas “aulas maynenses” vão dar origem a um importante museu, hoje ainda existente na Academia de Ciências. Foi considerado, em tempos, como de interesse nacional. Ainda na Academia é instalada uma outra biblioteca, para lá da Real Biblioteca Pública. Esta biblioteca da Academia ainda revela imponência e beleza nos nossos dias.
       Entretanto as condições da Real Biblioteca na Praça do Comércio tornam-se pouco adequadas. A zona do Chiado, ao mesmo tempo: popular, burguesa e aristocrática, é preferida para instalação da Biblioteca. Aproveita-se o legado do ex Convento de São Francisco, vago aquando da extinção das Ordens religiosas. É aqui reinstalada e reanimada a Real Biblioteca Pública. Com o esmorecer do primeiro liberalismo, as crises de finais de regime monárquico e da I República, a biblioteca vai-se degradando, precisando urgentemente de obras e novos espaços. As carências e os graves problemas de conservação acabam por cair sobre o Estado Novo que manda estudar a viabilidade da reorganização e reinstalação. Os estudos técnicos mais credíveis apontam para uma obra de raiz, em vez das onerárias obras que seriam necessárias no Chiado. Opta-se por uma solução totalmente nova.
Ganha o projeto de Entre Campos/Campo Grande associado ao Campus da Universidade Clássica. Decisão tomada e projeto realizado entre 1950 e 1955. O Arquiteto Porfírio Pardal Monteiro é o escolhido. Desloca-se a alguns países da Europa, a fim de optar por uma boa construção e solução biblioteconómica eficiente. O seu sobrinho António Pardal Monteiro acaba por lhe suceder, quando Porfírio falece. As obras estão praticamente finalizadas em 1968 e em 1969 a nova biblioteca é reinstalada e posta em funcionamento. O projeto resulta arrojado para a época.  
Secção de baixo-relevo do pórtico principal, onde é possível observar figuras destacadas da História de Portugal. A autoria é do escultor Leopoldo de Almeida.
O depósito central tem 13 pisos e é algo inovador na arquitetura Lisboeta do tempo, sobretudo a nível de edifícios públicos. Somente o edifício do atual Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (ex Palácio das Corporações na Praça de Londres) se apresentava com mais altura do que a torre adjacente da Biblioteca Nacional.
A BNP incorpora obras da Real Mesa Censória e diversos conventos extintos em 1834. Cito aqui, em especial, um dos maiores bibliófilos de sempre e a nível mundial - frei Manuel do Cenáculo que está na origem da prospeção interna e internacional de tudo o que era editado e na aquisição de variadíssimas obras do seu tempo. A BNP ainda preserva cerca de 1600 títulos anteriores ao ano de 1500, sendo estes designados com o nome de incunábulos, isto é, algumas edições são anteriores e outras, imediatamente, posteriores à revolução da imprensa de Gutenberg.
Mais de 15.000 códices (manuscritos em pergaminho ou madeira) compõem as edições raras, preservadas na BNP. 
 
Em termos de supra coleções ou fundos documentais definimos cinco:
       1-Bens culturais organizados em fundos e coleções de “documentos dos séculos XI a XX”. Arquivos da administração central e local, judiciais, notariais, de família e eclesiásticos, sobretudo das Ordens Religiosas.
2-“Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC)”. São cerca de 200 espólios de escritores e outras personalidades, dos séculos XIX XX.
3-“Cartografia e Iconografia”: Cerca de 124.000 títulos.
4-“Música”: Coleção com mais de 50.000 peças dos “séculos XII a XX”, entre partituras, impressas ou manuscritas, libretos, programas e cartazes.
5-“Leitura para Deficientes Visuais”: O serviço de Leitura para Deficientes Visuais possui e produz, desde 1969, obras em Braille e livros sonoros. Cerca de 13.000 peças são destinadas ao serviço público para Deficientes Visuais.  
 
O projeto do Museu do Livro foi transformado em espaços temáticos de exposições temporárias. 
A descrição e a gestão documental assenta na base de dados informatizados - PORBASE, versão 5. Outrora uma plataforma difícil de operar, mesmo para os técnicos. Atualmente, a versão 5 em ambiente Windows é uma plataforma de dados “amigável” que contém o catálogo em linha e muito mais. A BNP Colabora e coopera com as Bibliotecas Nacionais das antigas províncias ultramarinas.

Quanto a autores ligados à construção e decoração da BNP referimos onze nomes, entre outros:

1- Porfírio Pardal Monteiro – realiza o projeto de arquitetura.
2- António Pardal Monteiro – substitui o seu tio, por morte, na condução dos trabalhos.
3- Leopoldo de Almeida – escultor dos baixos-relevos da fachada principal.
4- Lino António – executa os frescos do átrio principal.
5- Guilherme Camarinha – é o responsável pela tapeçaria da sala de leitura geral, em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre.
6- Raúl Lino – na supervisão das obras de arte. 
 
Das seguintes obras, todas ao ar livre, no recinto fronteiro da BNP
7- Álvaro de Brée – escultor português, especialmente ligado a Barcarena / Oeiras e Lisboa, executa a figura de Eça de Queirós.
8- Joaquim Martins Correia – executa a escultura de Fernão Lopes. (Não confundir este escultor com o professor escultor Joaquim Emídio de Oliveira Correia, mais conhecido por Joaquim Correia).
    Idem – escultura de Gil Vicente.
9- Euclides Vaz – escultura de Luís Vaz de Camões.
10-António Duarte – esculturas exteriores em bronze (donzela e rapaz), uma das quais aqui se reproduz no início deste artigo.
 
11-Raúl Lino – na supervisão das obras de arte. 

Referências acedidas em 11.03.2019:
--ACADEMIA das Ciências de Lisboa, et al. – “Academia das Ciências de Lisboa https://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_das_Ciências_de_Lisboa )
--ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Em visita de estudo à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP)
--BERNARDES, Luana “Escolas Jesuítas”  https://www.todoestudo.com.br/historia/escolas-jesuitas
--FRANÇA, José Augusto, et al. – “A arte em Portugal no século XX” ; “António Duarte” https://pt.wikipedia.org/wiki/António_Duarte
--MANUFACTURA de Tapeçarias de Portalegre, et al. – [Guilherme Camarinha desenha e coordena a tapeçaria da sala de leitura geral] http://www.mtportalegre.pt/pt/artists/view/10/2  
--PASCOAL, Ana Mehnert et al.  Baixo-relevo de Álvaro de Brée ‘Três Musas’-  http://memoria.ul.pt/index.php/Baixo-relevo_de_%C3%81lvaro_de_Br%C3%A9e_%E2%80%98Tr%C3%AAs_Musas%E2%80%99 
--SOUSA, Jesus Maria – “Os Jesuítas e a RATIO STUDIORUM.- Funchal: Universidade da Madeira”, 2003. Também disponível em http://www3.uma.pt/jesussousa/Publicacoes/31OsJesuitaseaRatioStudiorum.PDF 
--WIKIMEDIA et al. – “Lino António” https://pt.wikipedia.org/wiki/Lino_António

segunda-feira, 17 de abril de 2017

145. COMUNICAÇÕES DE PORTUGAL: Contextualizando Patrimónios - Expo` I República - Estado Novo - Prenúncios de Democracia


001 Dois momentos. Memórias menos gratas para a I e II Repúblicas que, contudo, preservam. Alguns símbolos do passado mantiveram-se na paisagem urbana. Veja marco postal do lado esquerdo.
Lado direito. – marco dos anos 40. É possivel que ainda haja alguns nas ruas de Portugal.

As situações de instabilidade política, social e económica; o contexto internacional da grande depressão de 1929, bem como os confrontos ideológicos que levam à guerra civil espanhola e contribuem, directa ou indirectamente, para a implantação do Estado Novo.

002 Heliografia morse.

Tanto a I República quanto a Ditadura Nacional, pós 28 de Maio de 1926, procuram apoio nas relações internacionais. Nesta óptica surgem os acordos que levam à criação da Companhia Portuguesa Radio Marconi, em 1925, para a comunicação com o mundo, através da telegrafia sem fios, bem como ligações telefónicas, a começar entre Lisboa e Madrid, em 1928.

003 Lanternas de sinais morse.

Desde o início, o Estado Novo procura, a par da reorganização das finanças públicas, o desenvolvimento das infraestruturas. Se a introdução da televisão foi algo tardia (1957), já nas restantes telecomunicações, nomeadamente a rádio, a telegrafia sem fios, a radiotelefonia e a radiodifusão são introduzidas e desenvolvidas no tempo oportuno, em relação com o exterior e com o desenvolvimento do país.

004 Rede de pombais de comunicações militares.

O Estado chama ao seu controle e propriedade, os meios de comunicação. Assim, em 1935 é inaugurada a Emissora Nacional. Os CTT – Correios Telégrafos e Telefones iniciam a partir de 1937 a construção de vários edifícios pelo país.
005 Guglielmo Marconi com uma comunidade de técnicos de Alfragide/Oeiras e damas portuguesas 
Em 1936 é criado o Instituto Superior Técnico que vem lecionar matérias atinentes às telecomunicações, algumas das quais fazem parte do ex Instituto Industrial de Lisboa, situado nos espaços onde hoje tem sede a Fundação Portuguesa das Comunicações e o Museu.


006 Telégrafo / telefone combinado (conceito de dois em um). Construído com inovação nas Oficinas de Material de Guerra da República Portuguesa. Relaciona-se com o CEP – Corpo Expedicionário Português

Em 1940, a exposição do pavilhão das comunicações dos CTT, APT e Marconi destaca-se na área das ciências e das técnicas. Ainda neste ano é assinado um convénio com a CPRM, para facilitar as comunicações com os territórios ultramarinos portugueses.


007 Central Telegráfica de Lisboa operando maioritariamente com telégrafos Hughes, modelo piano transmissor.

Lisboa e Porto deixam de ter o exclusivo da atenção no que respeita à telefonia. Assim, em 1942, começa o serviço automático no grupo de redes de Coimbra.

Em 1945, o velho sistema telegráfico morse a funcionar em quase todo o território (comarcas e concelhos) assiste à introdução das redes de teleimpressores, vulgo gentex/telex. Em 1946 as comunicações, em que se inserem os CTT, são tuteladas pelo Ministério das Comunicações.

007 Técnicos de Instalações Exteriores (vulgo Guarda-Fios) em arranjo / manutenção de linhas de alta frequência.

Em 1950, as coroas territoriais de Lisboa e do Porto têm um milhão de telefones e em 1952 é possível falar ao telefone via rádio, de Lisboa, até Goa.

Em 1956, as inovações e a indústria portuguesa de telecomunicações começam, paulatinamente, a cobrir o território nacional. Vilas e muitas aldeias das províncias começam a ter serviço telefónico.

Em 1964 Portugal comunica com a Europa e Estados Unidos, inclusivamente com a transmissão de imagens via satélite Intelsat. Em 1969 novos cabos submarinos possibilitam melhores comunicações internacionais.


009 Boletineiros para entrega de telegramas nas residências e escritórios.

Em 1972 o GECA (Grupo de Estudos de Comutação Automática) reestrutura-se e recebe a designação de CET (Centro de Estudos de Telecomunicações) e, além de continuar a inovar e apoiar a indústria portuguesa, dá também o impulso decisivo para a criação da Universidade de Aveiro que, por sua vez, passa a ser parceira no desenvolvimento das tecnologias de comunicações.

Palavras-chave: I República, CET – Centro de Estudos de Telecomunicações, correios, telecomunicações, Estado Novo, história, Portugal, Universidade de Aveiro

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Da história das telecomunicações na I república”; “Da história das telecomunicações no Estado Novo (1926-1974)”; ”Da História das telecomunicações na Democracia (1974-2010)” in Fundação Portuguesa das Comunicações; Alfredo Anciães; Alva Santos; Cristina Weber; Isabel Varão; Joel de Almeida; Júlia Saldanha; Margarida Mouta e Ricardo Cordeiro. Lisboa: Fundação Portuguesa das Comunicações, [2010]

 -ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Expo temporária.- destaques dos 100 Anos de Comunicações na República”. Guia para-catálogo do Património Museológico da Fundação Portuguesa das Comunicações. FPC, 2010

-Imagens gentileza: Fundação Portuguesa das Comunicações / CDI / Museu / Património

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

25. PROTO-MUSEU POSTAL E BIBLIOTECA

 “Pode haver memória e inteligência sem amor, mas não pode haver amor sem memória e inteligência” (1)



Edifício da FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações que substitui o antigo Museu Postal, entre outros Patrimónios

Para organizar e preservar a primeira recolha do Museu Postal e Biblioteca foram reservados em 1878 dois pequenos móveis, o que denota um interesse (fora de tempo ou “après la lettre”) do gosto, tipo gabinete de curiosidades. O Museu Postal começa, por assim dizer, com um pequeno móvel contendo apenas trinta espécimenes de eleição, porventura os que apresentavam uma estética mais apelativa, não excluindo contudo a memória da função técnica. Outra particularidade: Este Museu surge-nos desde logo associado a um outro órgão de memórias e descrições, i. é, a Biblioteca Postal, instalada num móvel idêntico ao do Museu Postal.

Reconstituição de imagem de telegrafia visual com auxílio do telescópio. O operador telegráfico da Marinha Portuguesa situava-se no posto do topo da Torre de Belém. Daqui ele recebia e/ou retransmitia informações de e para outros postos. IMG in Arquivo da Fundação Portuguesa das Comunicações

Subsistem ainda estes dois móveis, etiquetados de  origem e preservados, constituindo assim o "core memory" ou o primeiro cartão de identidade da função de transportes e comunicações postais, telegráficas e de faróis. Integram, hoje, o Museu das Comunicações, também o Arquivo Histórico e a Biblioteca postais e de telecomunicações. Este património sobreviveu ao museu estático da época, à vitrificação de raridades, de coisas belas, de valor contemplativo e artístico, ao que tudo parece indicar, para ser usufruído  por uma minoria de individualidades - técnicos superiores, gestão de topo e visitantes diferenciados.

Caracterizou-se o primeiro período do Museu pelos ideais de romantismo, contudo acompanhado por um certo surto de desenvolvimento das comunicações e da ciência, de que são exemplos os seguintes acontecimentos:
-Em 1870 é lançado o cabo submarino de Portugal a Inglaterra;
-1871 realizam-se no Casino Lisbonense as famosas Conferências Democráticas. Cria-se a Aliança Democrática Socialista (então influenciada pelo socialismo utópico europeu) e é publicada a obra Causas da Decadência dos Povos Peninsulares que Antero de Quental expôs brilhantemente nas Conferências do Casino. Ramalho Ortigão inicia a publicação das Farpas;
-1872 iniciam-se os primeiros movimentos grevistas portugueses. Saem a lume os Fidalgos da Casa Mourisca, de Júlio Dinis e a Teoria do Socialismo, de Oliveira Martins, bem como A Teoria da História Literária Portuguesa, de Teófilo Braga. No pensamento político e de cidadania é iniciada a publicação do jornal socialista, O Pensamento Social;
-1873 conclui-se a linha-férrea de Évora a Estremoz;
-1875 é fundada a Sociedade de Geografia de Lisboa - instituição também ligada ao processo de recolha e preservação de memórias; Oliveira Martins funda a Revista Ocidental. Eça de Queiroz publica O Crime do Padre Amaro e Camilo Castelo Branco inicia a publicação d` As Novelas do Minho
-1877 é construída a ponte de D. Maria Pia, no Porto e é publicado O Helenismo e a Civilização, de Oliveira Martins.

Em 1878 surge a criação destes órgãos de memória e documentação: Museu e Biblioteca postais e de telecomunicações. Ainda neste ano são lançadas as ambulâncias postais no caminho-de-ferro do leste; norte e sueste e são criados os bilhetes-postais. A Biblioteca é dotada com 400 volumes e o Museu com os ditos 30 espécimes.
Por esta altura a Direção Geral dos Correios reforça as “ordens para que os carteiros nunca se apresentem em serviço sem o devido uniforme [...] renovam-se os contratos para o serviço de transporte de malas transatlânticas com as companhias «Royal Mail Steam Packet» e «Pacific Steam Navigation» [...]. Por navios receberam-se de differentes paizes 21:336 cartas [...], 349 jornaes e impressos […]”. Ainda entre 1876/78 “O aumento na cifra dos impressos selados [e jornais …] é muito notável” com um número que atinge as 3.018:005 unidades. (2)
Sobre as telecomunicações e seu contexto tecnológico precedente e posterior à criação do Museu Postal (3):
-Na primeira década do século XIX é criada a telegrafia visual/semafórica que durará até 1855, data em que surge a telegrafia elétrica (4);
-Destas telegrafias foram integrados alguns espécimes do século XIX no Museu Postal, tais como: Relés, translatores, transmissores, besoiros, bússolas, comutadores, para-raios, despertadores, avisadores, recetores, telégrafos, coesores, coladores, reóstatos, galvanómetros, óculos de elongação, dispositivos de regra de Ampere, magnetos, fusíveis, isoladores, pilhas, tubos de Crooks, máquinas pneumáticas, demonstradores de condutibilidade, pontes de Wheatstone, bobinas de indução e aparelhos de campo girante.
-Outra curiosidade: Em relação às primeiras dezenas de espécimenes recolhidos pelo Museu Postal verifico que todos são da função telegráfica/telecomunicações e não da função postal, como seria de esperar, atendendo à designação de Museu Postal (5);
     -Em 1879 Teófilo Braga publica as Soluções Positivas da Política Portuguesa e inicia-se a edição do semanário Voz do Operário, ligado aos manipuladores do tabaco.
     -Em 1882 instala-se em Portugal a 1ª rede telefónica pública;
     -1886 surge o Mapa-Cor-de-Rosa e toda a crise a ele relacionado e;
     -Em 1890 o Ultimato inglês.
É neste cadinho de desenvolvimento técnico e cultural que se cria um Museu, que adjetivo de proto-Museu no sentido de primeiro esboço museológico e biblioteconómico na temática das tecnologias de comunicações.
Contudo, a vertente romântica e as crises de finais do século começam a ceder a preocupações do dia-a-dia. Nesta ótica, o Museu vitrificado num móvel, vai permanecer estático durante décadas.

      É também altura do pensamento filosófico positivo, seguido pela arte e pensamento modernista. Este estilo e mentalidade não foram de bom sinal para as memórias e patrimónios tradicionais. 

      As crises económicas, os movimentos políticos e as necessidades primárias a satisfazer vão condicionar a ação do que não se apresenta imediatamente rentável. Fica, assim, pendente o desenvolvimento do Museu da temática  postal, telegráfica e faróis, até aos anos 30 (do século XX). Nesta altura o projeto museológico é repensado pelo Estado Novo como se nunca tivesse existido uma ideia e ações conducentes à criação de um museu na área dos transportes e comunicações.

Os altos responsáveis do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e CTT (entre meados dos anos 30 a 1947) demonstraram, pois, uma desconsideração e/ou desconhecimento da herança patrimonial precedente; ou quiçá, a súbita vontade, de partir para uma realidade “nova” sem referência ao projeto museológico anterior, terá sido propositada no sentido de apagar as marcas herdadas dos Governos e Regimes precedentes (6).

Notas:

(1) A esta citação acrescentaria ao substantivo “memória” a adjetivação: oral/documental/genética, porque considero que o amor não resulta somente da inteligência mas também de uma memória que vem sendo impressa nos genes pela evolução. E com isto não quero dar mais ênfase à teoria evolucionista do que à criacionista, nem vice-versa. (cf. A. Anciães in http://beckerhistoria.blogspot.pt/2009/12/documentomonumento-le-goff-historia.html?showComment=1418480414533#c1584711386110503503, acedido em 13.12.2014)

(2)DIRECÇÃO Geral dos Correios; BARROS, Guilhermino Augusto de – Relatório Postal do Anno economico de 1877-1878 […], p. 156-157; anexo ao cap. X, p. II. Este Relatório apresenta informação prolixa em números e organização da Direcção Geral dos Correios nos anos em que foi criado o que nós designamos por proto-Museu Postal e sistema documental que em 1947 dariam origem ao Museu dos CTT.
(3)O proto-Museu Postal não deixa transparecer na sua designação a vertente  de telecomunicações, tendo em conta que a totalidade das 30 peças com que foi criado eram da função de telecomunicações. (cf. inventário das 30 primeiras peças inventariadas no Museu das Comunicações, sucessor do Museu Postal).
(4) Em certos casos o uso desta telegrafia visual/semafórica, não elétrica, estendeu-se por mais alguns anos.

(5)Cf. I Livro de Inventário do Património Museológico do Museu das Comunicações / Fundação Portuguesa das Comunicações.


Referências bibliográficas:
-AFONSO, A. Martins – Breve História de Portugal. Porto: Porto Editora, Ldª, 3ª ed., s.d.;

–ANCIÃES, Alfredo; ALMEIDA, Joel de; CORDEIRO, Ricardo; MOUTA, Margarida; SALDANHA, Júlia; SANTOS, Alva; VARÃO, Isabel; WEBER, Cristina - Comunicar na República: 100 Anos de Inovação e Tecnologia. Lisboa: FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações, 2010; 
-ANCIÃES, Alfredo
"Da História das Telecomunicações na I República" in ANCIÃES, Alfredo et. al. - Comunicar na República: 100 Anos de Inovação e Tecnologia. Lisboa: FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações, 2010; 
-Id. "Da História das Telecomunicações no Estado Novo" (1926-1974);
-Id. “Património museológico de telecomunicações: Criação e gestão em contexto”. Lisboa: FPC Códice Ano XI Série II, 2008, págs 52-67;
-Id. O Museu dos CTT. Lisboa: Arquivo UNL, 1988/1989. Disponível também em Arquivo do Grupo dos Amigos do Museu das Comunicações;
-BARROS, Guilhermino Augusto de – Relatório do Director Geral dos Correios, Telegraphos, Pharoes e Semaphoros relativo ao anno de 1889 precedido pela continuação da Historia dos Correios até ao fim de 1888 e uma memoria historica acerca da telegraphia visual, electrica, terrestre, maritima, telephonica e semaphorica, desde o seu estabelecimento em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1891;
-CTT - O Museu dos CTT Português. Lisboa: Ed. dos Serviços Culturais dos CTT, 1973;
-DIRECÇÃO Geral dos Correios; BARROS, Guilhermino Augusto de – Relatório Postal do Anno economico de 1877-1878 precedido de uma memoria historica relativa aos correios portuguezes desde o tempo de D. Manuel até aos nossos dias. Lisboa: Lallemant Frères, Typ. Fornecedores da Casa de Bragança, 1879.
-SERRÃO, Joel – Cronologia Geral da História de Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 4ª ed., 1980  
Documentos Web acedidos em 13.12.2014
-ABREU, José Guilherme – “A problemática do monumento moderno” in http://www.apha.pt/boletim/boletim1/pdf/Aproblematicadomonumento.pdf
-Gabinetes de Curiosidades – in http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabinete_de_curiosidades
-Le GOFF, Jacques in 
-NAYARA, Emerick “Le Goff, Jacques – Documento Monumento” in http://www.ebah.pt/content/ABAAAewPYAJ/38096406-le-goff-j-documento-monumento,

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

18 RAIZES E FUNDAMENTOS PARA UM FUTURO MUSEU NACIONAL DAS COMUNICAÇÕES E TRANSPORTES



Para que a jornada da vida valha a pena, arranja tempo para brincar, ler, viajar, trabalhar, cuidar, descansar, divertir, amar e comunicar. (Pensamentos AA, 2014)

Organização e Política Museológica ao Tempo do Estado Novo

Em 19 de julho de 1952, a cerca de cinco meses após a exoneração de Mário Gonçalves Viana, I conservador, é nomeado o II conservador-chefe. Trata-se de António Mora Ramos que esteve à frente do Museu dos CTT até 6.8.1958, tendo-se desencadeado com este conservador um processo algo semelhante ao do I conservador, devido às mesmas questões de acumulação de funções e de vencimento, como professor do ensino técnico. Deste modo, também Mora Ramos opta por deixar o Museu e os CTT.

No tempo em que Mora Ramos dirige o museu, inaugura-se a 1ª exposição, patente a todo o público, na Rua das Picoas, nº 7, 2º andar onde são expostos espécimes da coleção postal. A primeira exposição com espécimes de telecomunicações viria a ter lugar no ano seguinte (1959), num edifício dos CTT da Rua Castilho e já com a Dr.ª Maria da Glória Pires Firmino, que viria a ser designada conservadora-chefe, substituindo António Mora Ramos.

Em relação à secção de telecomunicações Mora Ramos deixou a exposição pronta a ser exibida, tanto quanto nos informa o seguinte extrato: “No campo telegráfico e telefónico tem já o museu instalações definitivamente montadas, com os aparelhos aptos a funcionar, prontos a mostrar aos empregados e ao público como executam o seu serviço. Foi um trabalho que levou anos, mas, de facto, valeu a pena” (1).

E prosseguindo esta transcrição de Mora Ramos podemos verificar que, não obstante o museu “começar apenas a definir os seus contornos”, são várias as realizações que se devem a este conservador que subiu, “palmo a palmo” a escala socioprofissional, a trabalhar e estudar simultaneamente. Diz-nos Mora Ramos quase no início da sua gestão do Museu que: “Muitas outras montagens estão em curso ou aguardam ocasião – miniaturas de transportes, de instalações técnicas, de serviços, representações esquemáticas, etc.” (2) 

Além destas realizações referidas pelo próprio Mora Ramos, destacamos: A transferência do museu, em 1954, da Rua de São Mamede (ao Caldas), nº 17 para instalações mais espaçosas na Av. Fontes Pereira de Melo nº 26 – 1º; a montagem do setor postal no 2º andar da Rua das Picoas, nº 7 – A, cuja inauguração se realizou em 1958; a preparação e montagem do setor de telecomunicações na Rua Castilho, nº 15 – 2º, cuja inauguração, desta exposição a que Mora Ramos dedicara tantos esforços, não teve o prazer de assistir, uma vez que foi exonerado, a seu pedido, de conservador-chefe do museu em 6 de agosto de 1958, tendo a exposição de telecomunicações da Rua Castilho sido inaugurada no ano seguinte ao da sua exoneração (1959).

Integravam esta exposição, além dos espécimes autênticos de telecomunicações, miniaturas e vária documentação iconográfica, motivo pelo que consideramos uma exposição deste género, pela primeira vez patente ao público, bastante ilustrativa.

Enquadra-se a ação deste II conservador do museu no seguimento da ação do seu predecessor. No entanto a realização de Mora Ramos é mais notória sob o ponto de vista da integração na política museológica vigente, no que respeita aos valores corporativistas, ao passo que a ação do I conservador Mário Viana, se consubstanciou mais nos aspetos técnicos inerentes à refundação do museu, identificação e inventariação dos espécimes que haviam sido acumulados durante muitos anos sem quaisquer referências documentais. Terá sido um verdadeiro “quebra-cabeças” identificar e caraterizar objetos de que “já nem os velhos se lembravam”, como chegou a referir o professor Mário Viana na sua palestra sobre o museu (3).

Na circular nº 33/A de 1947, ano da nomeação de Mário Viana, sob o título Organização do Museu dos CTT podemos verificar o seguinte:

“Estando, presentemente, em organização activa o Museu dos CTT, no qual se devem recolher e catalogar, além de todo o material em uso, todos os aparelhos e utensílios antigos ou postos de parte susceptíveis de documentarem, de uma forma viva e expressiva, a múltipla e extensa actividade da nossa corporação, é de absoluta conveniência fazer recolher ao referido museu tudo quanto, de qualquer maneira, ofereça interesse para a história dos CTT em Portugal”. (4)

Já no Regulamento do Museu dos CTT publicado em ordem de Serviço nº 5501, 1, de Março de 1955 (5) (tempo do II conservador Mora Ramos) o ponto 2 da secção I faz especial referência a “O Valor Psico-Pedagógico de um Museu Profissional”, integrando-se na respetiva época do Estado Novo/Corporativo.

O texto da palestra é ilustrativo: “Trata-se não apenas de uma palestra, mas de mais uma das muitas dezenas de palestras que a Administração-Geral, ao serviço de uma constante política do espírito, já realizou”(6).

Estas declarações são indicativas do aproveitamento em termos sócio-político-ideológicos da ação estatal esperada pelo museu. Referindo-se aos novos funcionários, o conservador Mora Ramos diz que deveriam passar, aquando da admissão, por um estágio no museu, a fim de conhecerem o passado e o presente da “Casa” que iriam servir: “Interessa, sobretudo, que cada funcionário (…) veja e sinta que é um elo da cadeia, um pormenor indispensável no arranjo do conjunto. Interessa sobretudo, que encontre na grandeza da Administração o estímulo indispensável para levar avante o seu próprio trabalho, com entusiasmo, com dinamismo, com justificado orgulho!”[;] “Este Museu vivo que corresponde a uma necessidade da nossa época e da nossa Administração, este Museu que, se Deus quiser, permitirá criar uma colectiva consciência profissional” (7).
Do acima exposto e de outros postes relacionados, poderemos concluir que o atual Museu das Comunicações (herdeiro do Museu Postal, Museu dos CTT, Museu CTT das Comunicações e para-museus: dos TLP, CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi e Teledifusora de Portugal) está em condições de se reorganizar e ocupar um lugar de Museu Nacional (e na museologia nacional) de que este Portugal quase milenário, tanto carece para preservação eficaz dos Patrimónios de Comunicações e Transportes. Nenhum outro museu sectorial o poderá fazer com tanta pertinência e abrangência. Estes tempos de privatizações exigem-no. Deixar andar, assobiando para o lado, como se nada se passasse será incúria. Mais tarde “é sempre tarde de mais” como diz Pedro Abrunhosa num dos seus temas.

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Notas:

(1) RAMOS, António Mora – O Valor Psico-Pedagógico de um Museu Profissional. Lisboa: Ed. dos Serviços Culturais dos CTT, 1954, p. 18

(2) RAMOS, ob. cit. p. 19

(3) VIANA, Mário Gonçalves – Um Museu dos CTT: Objectivos – Organização – realização – Funcionamento. Lisboa: Ed. dos Serviços Culturais dos CTT, 1949, p. 58

(4) CTT Circular Nº 33/A de 1947, ano da nomeação de Mário Viana, sob o título Organização do Museu dos CTT

(5) Trata-se do primeiro regulamento formal do Museu dos CTT

(6) RAMOS, ob. cit., pp. 5-6

(7) RAMOS, ob cit., pp. 9-11

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos - O Museu dos CTT. Lisboa: Arquivo UNL, 1988/1989. Disponível também em Arquivo do Grupo dos Amigos do Museu das Comunicações.
 
-CTT Circular Nº 33/A - Organização do Museu dos CTT, 1947

-RAMOS, António Mora – O Valor Psico-Pedagógico de um Museu Profissional. Lisboa: Ed. dos Serviços Culturais dos CTT, 1954

-VIANA, Mário Gonçalves – Um Museu dos CTT: Objectivos – Organização – Realização – Funcionamento. Lisboa: Ed. dos Serviços Culturais dos CTT, 1949