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quarta-feira, 3 de junho de 2020

JUNHO TRADIÇÃO E COMEMORAÇÃO


 
 
 
 

 
 
 
 
  
 
 



Neste mês, distinguimos o primeiro templo no Mundo, edificado em louvor do Sagrado Coração de Jesus.
A Basílica da Estrela foi mandada construir pela rainha D. Maria I em cumprimento de uma promessa: dar à luz um herdeiro para o trono de Portugal.

Mateus Vicente de Oliveira, juntamente com Reinaldo Manuel dos Santos foram os arquitetos.

Joaquim Machado de Castro, o escultor da imaginária da fachada.

Pompeo Batoni e Pedro Alexandrino de Carvalho pintaram os maravilhosos quadros no interior.

José Abreu do Ó foi o entalhador.

Desdobrando por vários dias, temos em Junho:

1 Dia da Criança e da Imprensa.
A primeira do mês é dedicada à temática do Meio Ambiente; 4 Pentecostes

5 Ecologia; 7 Liberdade de Imprensa; 8 Mundial dos Oceanos;

9 Internacional dos Arquivos; 10 Anjo e Dia de Portugal, Língua Portuguesa e Camões;

11 Corpo de Deus; 12 Correio Aéreo Nacional (no Brasil);

13 Santo António

14 Mundial da consciencialização da violência contra a pessoa idosa

19. Especial dia do Sagrado Coração de Jesus, em 2020, estendendo-se a temática por todo o mês.

21 Internacional do aperto de mão; 24 S. João; 25 Emigrante;

26 Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura;

28 Renovação Espiritual; 29 São Pedro e São Paulo; Papa, Telefonistas e atendimento; 30 Mundial das Redes Sociais.

Palavras-chave: arte, festas juninas, Junho, Portugal

Imagens: Arquivo pessoal AA e gentilezas - Basílica da Estrela, Fundação Portuguesa das Comunicações, Igreja de São Bento de Massamá, Junta de Freguesia de Carnide - Lisboa

Fontes em linha:

--ANCIÃES, Alfredo Ramos - “Carnide – Lisboa: Os Santos e as Festas Populares” https://cumpriraterra.blogspot.com/2017/06/carnide-lisboa-os-santos-e-as-festas.html

--ANCIÃES, Alfredo Ramos - “Fernando de Bulhões – Singular Santo e Doutor Cognominado António” https://cumpriraterra.blogspot.com/2018/06/fernando-de-bulhoes-singular-santo-e.html

--ANCIÃES, Alfredo Ramos - “Festas Juninas – do Paganismo ao Popular” https://cumpriraterra.blogspot.com/2015/06/45-festas-juninas-do-paganismo-ao.html

--ANCIÃES, Alfredo Ramos -  “Festas Populares – raízes pagãs e religiosas” https://cumpriraterra.blogspot.com/2016/06/76festas-populares-raizes-pagas-e.html

--ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Língua Portuguesa” https://cumpriraterra.blogspot.com/2020/05/lingua-portuguesa-e-comunicacao.html

--ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Língua Portuguesa / Geolíngua” https://cumpriraterra.blogspot.com/2016/06/11-lingua-portuguesa-geolingua.htm  

--CALENDARR Portugal et al. – “Calendário Junho”


--FERNANDES, Márcia, et al. - “Datas Comemorativas” https://www.todamateria.com.br/datas-comemorativas-de-junho/

--REVALARE, et al. - “Datas Comemorativas Junho” https://www.datascomemorativas.me/2020/junho

sábado, 16 de maio de 2020

O MÊS DE MAIO E O CENTÉSIMO ANO

Palavras-chave: comunismo, Deutsche Welle, Guerra Fria, João Paulo II, Lech Walesa, modelo soviético, Rádio Argel, Rádio Europa Livre, Rádio Portugal Livre, Rádio Moscovo, regime nazi, Rádio Bucareste, VOA – Voice of América, Rádio Voz da Liberdade .
 
Porque lembrar é preciso. O mês de maio está carregado de datas simbólicas. Em 08.05.1945 dá-se a capitulação do regime nazi em Berlim. Completam-se assim 75 anos em que este totalitarismo é vencido; contudo, ali se escuda um outro regime que pretende dominar o Mundo.
Devemos a vitória sobre o regime nazi aos milhões de intervenientes: soldados, ativistas e sociedade civil dos países aliados.
As forças soviéticas dão a sentença final ao nazismo alemão, com a destruição praticamente total de Berlim. Porém, a capitulação derradeira da ideologia e forças nazis só se dá em 15 de agosto de 1945 com o lançamento de bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasáqui.
 
Os regimes totalitários: fascistas e comunistas continuam por mais umas décadas em vários países.
Neste mês de maio de 2020 são de lembrar e celebrar os 155 anos (17.05.1865-17.05.2020) da criação da União Telegráfica Internacional e os 100 anos do nascimento de João Paulo II (18.05.1920-18.052020), como o trabalhador chave que granjeia as condições para a implosão do bastião totalitário pró e soviético.
Devemos também destacar a ação das Rádios: a Deutsche Welle (Onda Alemã) que nos tempos do “Muro de Berlim” (inícios dos anos sessenta e finais dos anos oitenta) foi determinante para a queda da URSS e sua musculada ação nos países satélites. Ligada à temática da Guerra Fria as diversas rádios: “Rádio Europa Livre”, “VOA – Voice of América” e várias rádios locais e nacionais emitiam informação e propaganda com a qual enalteciam os países do mundo tipo capitalista / ocidental. Em contraponto desacreditavam políticas e modus vivendi dos países do bloco de leste, baseados na influência da URSS com sua ideologia auto classificada de socialista e comunista, que na realidade dos termos nunca terão implementado. A informação radiofónica de tipo Ocidental destinava-se sobretudo aos países sujeitos às políticas do bloco de leste, bem como aos países onde chegava a contra-informação radiofónica emitida no referido bloco.

Veiculada pelo este bloco, a informação e propaganda era concretamente emitida pelas rádios: Rádio Argel, Rádio Portugal Livre (emitindo de Bucareste, capital da Roménia), Rádio Moscovo, Radio Bucareste e Rádio Voz da Liberdade (emitindo de Argel para Portugal).
Verifica-se, assim, que cada bloco (leste e ocidental) na chamada Guerra Fria tinha as suas redes de radiofónicas. Esta situação dá origem ao desenvolvimento tecnológico das radiocomunicações e a uma economia ligada a este sector.
Para citar um caso concreto, a localidade de Glória do Ribatejo e algumas outras da região, no concelho de Salvaterra de Magos viviam preponderantemente ligadas à importante estação da RARET RA(dio) RET(transmissão).
A par desta «guerra» de informação e propaganda no espectro de ondas hertzianas, outras influências se registavam.
Se tivéssemos apenas de referir três nomes, quanto a nós os mais notórios, na influência para o derrube dos blocos da Guerra Fria e do modelo soviético, estes nomes seriam Karol Wojtyla – Papa João Paulo II que faz no actual mês de Maio de 2020 (dia 18), um século do seu nascimento. Os outros dois nomes são, Mikhail Gorbatchov – oitavo e derradeiro líder da União Soviética e ainda o conterrâneo de João Paulo II - Lech Walesa.
A luta e ação de Karol / João Paulo II e Lech Walesa estão reconhecidas. Ambos são cidadãos de uma Polónia controlada pela URSS, ambos foram operários e, tudo parece indicar que pela primeira vez, os operários ascenderam aos mais altos cargos.
O primeiro - operário, sempre dedicado em tudo o que fazia, tornou-se Papa ; O segundo operário, tornou-se Presidente da Polónia, o que só foi possível após o derrube do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria.
Provavelmente sem a intenção propositada de derrubar regimes, João Paulo II, galvaniza sentimentos e ideias que levaram ao fim da URSS. Karol / João Paulo II não pode ser esquecido, nem menosprezado, no exato mês e ano do seu centenário.
 Ele foi a pedra angular para o final do imperialismo soviético e dos colonialismos ideológico-materialistas com desideratos geoestratégicos.


Fontes em livros:
-CARVALHO, José de – João Paulo II. O Papa dos Afectos. Lisboa: Glaciar, 2020
Fontes de artigos em livros:
-ANCIÃES, Alfredo Ramos. “Da História das Telecomunicações no Estado Novo (1926-1974)” in Comunicar na República 100 Anos de Inovação e Tecnologia. FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações. Lisboa: FPC, 2010
-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Da História das Telecomunicações na Democracia (1974-2010)” in Comunicar na República 100 Anos de Inovação e Tecnologia. FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações. Lisboa: FPC, 2010
Fontes em linha:
--ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Semana Mundial da Rádio: A TSF e a Rádio pública no Antes de 25 de Abril de 1974” https://cumpriraterra.blogspot.com/2020/02/semana-mundial-da-radio-tsf-e-radio.html
--GORBATCHOV, Fundação et al. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Gorbatchov
--JOÃO, Carlos; “Adeus Sines! O centro emissor da DW em Portugal encerra” https://www.dw.com/pt-002/adeus-sines-o-centro-emissor-da-dw-em-portugal-encerra/a-6636099
--LEITE, José Augusto, et al. - “RARET – RAdio RETransmissão” https://restosdecoleccao.blogspot.com/2014/07/raret-radio-retransmissao.html
--RAMOS, David; acidigital - “Como São João Paulo II ajudou a derrubar o Muro de Berlim?” https://www.acidigital.com/noticias/como-sao-joao-paulo-ii-ajudou-a-derrubar-o-muro-de-berlim-78691
-- WALESA, Lech Institute, et al. - https://pt.wikipedia.org/wiki/Lech_Wałęsa  
 
IMAGENS - Fontes: 001 Antena Rotativa em Sines. Gentilesa in DW in httpswww.dw.compt-002adeus-sines-o-centro-emissor-da-dw-em-portugal-encerraa-6636099; 002 ANACOM Barcarena - Ft AA; 003 João Paulo II. Gentileza in Acidigital; 004 João Paulo II com Mehmet Ali Ağca . Gentileza in rr.sapo.pt; 005 Lech Walesa em 2009. Getileza in httpspt.wikipedia.orgwikiLech_Wałęsa; 006 Glória do Ribatejo placa - FT AA: 007 Gorbatchov, Mikhail em 1986. Gentileza in httpspt.wikipedia.orgwikiMikhail_Gorbatchov; 008 Glória do Ribatejo dá o nome a Avenida dos Estados Unidos da América em reconhecimento de ali ter sido instalada a RARET - Ft AA; 009 Antenas musealizadas numa rotunda de Glória do Ribatejo - FT AA; 010 Glória do Ribatejo torna-se sede de Junta de Freguesia - FtAA; 011 Uma casa no Centro de Glória do Ribatejo - FT AA; 012 Toponímia em Glória do Ribatejo. FT AA; 013 RARET Placa indicadora - Ft AA; 014 RARET No meio do nada havia uma caixa multibanco para os funcionários - FT AA; 015 Museu da Rádio na ex Rua do Quelhas. Ft in desdobrável Museu da Rádio; 016 RARET. À  entrada o meus amigos Augusto e Artur - FT AA; 017 RARET terrenos com cancela na entrada - FT AA; 018 Café Sport Clube Glória do Ribatejo- FT AA; 019 Rádio da marca Philips, de mesa e portátil- FT AA; 001A SAO Gabriel Padroeiro das Telecomunicações. Gentileza in httpswww.radioamador.comoracao-do-radioamador

quarta-feira, 22 de abril de 2020

520 ANOS DA CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA E 500 DE CORREIO PÚBLICO

(001 Reconstituição imagem miniatura do Museu das Comunicações. Nau de Gaspar de Lemos que transportou a Carta de Pero Vaz de Caminha. Gentileza da Fundação Portuguesa das Comunicações)
Porque faz nestes dias quinhentos e vinte anos da Carta de Pero Vaz de Caminha.

(002 Imagem gentileza de Celia Santana et al. in ob. cit.)
Ao que tudo indica, a primeira carta a nivel mundial, a merecer transporte expresso, do Pascoal Monte, até ao Reino de Portugal; antes mesmo de existir correio institucionalizado, sendo que este ano de 2020, se celebram também, os cinco séculos do Correio Público, criado por D. Manuel I.  
003 Conjunto escultórico em homenagem à primeira chegada oficial de Portugueses / Europeus ao Brasil, em 1500
A 22 de Abril do ano 1500. Pedro Álvares Cabral avista um monte. Era na época pascal e, por isso, lhe deu o nome Monte Pascoal, atribuindo o novo sinal da esperança, às Terras de Vera Cruz.
Após a alegria, quando se deu o avistamento do Monte Pascoal, seguiu-se o encontro de povos de diferentes vivências: Índios e europeus conviveram, segundo os registos escritos, pela primeira vez na História da Humanidade.  
004 Do mesmo conjunto escultórico à Estrela – Lisboa
Pero Vaz de Caminha foi o autor da descrição desses momentos, em carta ao rei d. Manuel I.
« Senhor:
Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer. Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo: […]» (1)
(Para mais descrição V. fontes infra).   
005 Do mesmo conjunto escultórico ...
Faz hoje, dia 22 de Abril, a soma de 520 translações solares, da chegada oficial às Terras Brasílicas. Seguiu-se a celebração da primeira eucaristia no continente sul-americano, junto a uma cruz improvisada.
A Carta de Pero Vaz de Caminha simboliza essa primeira abordagem: pacífica e etnográfica, oficialmente relatada. Daí a classificação da Carta de Pero Vaz de Caminha pela UNESCO como “Memória do Mundo”, equivalente a monumento imaterial de valor mundial.  
006 Do mesmo conjunto ...

007 Do mesmo conjunto ... 
008 Do mesmo conjunto … com a figura de Cabral

«[…Para] avaliar, passar juizo, sobre o papel impar que a carta  e o correio seu veiculador – tiveram durante séculos na história da humanidade, como documento histórico e como documento humano. Espelho de nações. E espelho de almas, das quais a carta permanece permanente inigualável testemunho» (Apresentação do livro “Cartas de Autores Portugueses”, ob. cit. Pelo Sr. Eng. José Carlos Viana Batista – Presidente do Conselho de Administração dos CTT e TLP, 1987).

«Se cartas não fossem cartas, muitas vezes escreveria a V. M. como desejo, mas porque o são o não ouso fazer, pois a não leva o vento, como palavras e plumas, antes se guardam tão bem, porque todo o tempo se pode pedir razão de como se escreveram e porque as escreveram. (…) [sic]» (Garcia de Resende a D. Francisco de Castelo Branco, 20.11.1535). In “Cartas Autores de Portugueses”, ob. cit p. 9)

P.S. Comemora-se, também, em 22.04.2020, o 50º «Dia da Terra».

Palavras-chave: 500 Anos de Correio Oficial, Brasil, Carta de Pero Vaz de Caminha, Encontro de Culturas, História, Pedro Álvares Cabral, Portugal
…………………
(1)Primeiras linhas da Carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei D. Manuel I aquando da chegada de Pedro Álvares Cabral e da Armada por si comandada, à Terra de Vera Cruz / Monte Pascoal, no dia 22 de Maio de 1500.

Fontes em livro:
--ANCIÃES, Alfredo; MOURA, Fernando; SANTOS, Alva et. al.- [Catálogo dos] “Cinco Séculos de Comunicações em Portugal”.- LISBOA: Fundação Portuguesa das Comunicações / Museu das Comunicações, 2005
--FONTE, José Ribeiro da – Cartas de Autores Portugueses.- Lisboa: Correios e Telecomunicações de Portugal, 1987
Fontes em linha, acedidas em 22.04.2020:
--ANCIÃES, Alfredo Ramos “MINHAS MEMÓRIAS: Museu dos CTT na Rua de D. Estefânia entre Abril de 1983 e Maio de 1985”.- https://cumpriraterra.blogspot.com/2020/04/034-minhas-memorias-museu-ctt-na-rua-de.html
--CAMINHA, Pero Vaz de – “ A Carta de Pero Vaz de Caminha”.- Disponibilizada pelo Ministério da Cultura, Biblioteca Nacional de Portugal.- http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/carta.pdf
--CAMINHA, Pero Vaz de –  “A Carta de Pero Vaz de Caminha”.- Portugal: Acervo Digital do Livro  http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/carta.pdf
--CRISTOFORETTI, Samantha.- “Os 50 Anos do Dia da terra celebrados entre crises do clima e da pandemia”.- ESA; Público.pt.- https://www.publico.pt/2020/04/22/ciencia/noticia/50-anos-dia-terra-celebrados-crises-clima-pandemia-1913082
--SANTANA, Celia et al.- “Gaspar de Lemos”.-https://en.wikipedia.org/wiki/Gaspar_de_Lemos
--WIKIPEDIA.org et al.- “Dia da Terra”.- https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Terra
Nota: A proveniência das imagens 001 a 002 encontram-se referenciadas na legenda ; 003 a 008 são provenientes do Arquivo pessoal AA.

terça-feira, 14 de abril de 2020

AS REVANCHES DA HISTÓRIA E DA ACTUALIDADE: HOLANDA / ESPANHA & PORTUGAL


Caríssim@s

Junto envio mais esta lição de História; não feita por mim, mas que me foi enviada por e-mail de FMFR em 13.04.2020 e que eu subscrevo.

«Corrijam, os conhecedores, se for caso disso.

… nada como uma extraordinária «Lição de História»
«A GUERRA IBERO-HOLANDESA

Não vou discutir a questão dos Eurobonds, que já é velha e em que a posição dos diversos países europeus não mudou. O que me ocorre comentar é o acinte do ministro holandês para com a Espanha.
Porquê em especial a Espanha?

Há coisas da História que ficam na memória colectiva dos povos, não tanto enquanto memória dos factos, mas como memória emocional, em ódios e estimas. E o facto é que há na Holanda um ressentimento secular contra Espanha e também contra Portugal, como se constata em blogs e ciber-grupos quando se fala dos Descobrimentos ibéricos. Donde vem isso?
É que a Espanha e a Holanda travaram uma guerra durante 80 anos, entre 1568 e 1648! A qual acabou com a vitória holandesa na Europa, mas a derrota no Ultramar espanhol. É uma longa história, que não vou desenvolver, mas referir apenas que, sem justificação, a Holanda alargou essa guerra a Portugal, no que foi sem dúvida a primeira guerra imperialista moderna da História europeia.
Por cá é pouco conhecida, como tudo o que respeita à História do nosso império ultramarino, mas essa guerra foi a guerra mais longa que Portugal travou na sua História, a seguir à guerra contra os mouros.
Basicamente, a Holanda procurou roubar a Portugal o seu império ultramarino. Começou por piratear sistematicamente os nossos galeões e caravelas, e no Oriente tirou-nos tudo o que pôde - Ceilão, as Molucas (actual Indonésia, de que só nos deixou Timor), o comércio com o Japão, e só não nos tirou Macau por que o imperador chinês nos protegeu, ao contrário do imperador japonês.
Na África tirou-nos o Cabo, não conseguiu tirar Moçambique, mas tentou também tirar-nos o Brasil e as colónias da África atlântica. Que foi onde a guerra foi mais acesa e longa.
A guerra no Brasil foi pela apropriação das plantações de açúcar, e durou 65 anos. Foram os próprios brasileiros quem derrotou e expulsou os holandeses, embora estes tenham depois ido plantar açúcar na Guiana. Como o açúcar brasileiro (que todos os outros depois copiaram no Haiti, em Cuba, etc.) era uma agro-indústria inviável sem os escravos africanos, a Holanda tomou-nos São Tomé e Príncipe, a Mina na costa da Guiné, e em 1640, quando já não éramos súbditos dos espanhóis e portanto sem desculpa, Luanda. Mas apenas Luanda, nunca conseguindo desalojar os portugueses das suas posições no interior, graças aos nossos aliados africanos e também à ajuda brasileira.
Também no Brasil, como em Angola, os holandeses nunca conseguiram passar de algumas cidades costeiras para o interior. No interior dominaram sempre os portugueses, os luso-brasileiros, e em Angola os luso-africanos. No Brasil os luso-brasileiros mantiveram cercadas as cidades costeiras sob domínio holandês, desbaratando-os quando tentavam penetrar no interior. E foram os brasileiros quem financiou, construiu e equipou a armada que foi a Luanda e a São Tomé recuperar aquelas fontes de escravos para as plantações de açúcar. A historiografia brasileira oficial considera que foi nessa guerra que se forjou a sua nacionalidade, com a luta combinada de destacamentos luso-brasileiros brancos, tropas índias, e tropas negras formadas por ex-escravos. Todos juntos contra os holandeses. A questão religiosa foi importante, neste desfecho da guerra luso-holandesa. A aversão calvinista dos holandeses aos ícones religiosos católicos, aos santinhos e aos andores com a Nossa Senhora, às relíquias sagradas e ao Papa, não colhia apoio entre africanos e índios cristianizados pelos estimados jesuítas. Pelo contrário, escandalizava-os. A Holanda perdeu essa guerra no Atlântico, portanto, mas ficou ressentida.
Nota: a Holanda era a parte norte de uma nação mais vasta, os "países baixos", cuja parte sul acabou por ficar do lado espanhol. Não só com a maioria católica do sul que não se revia no calvinismo holandês, como de parte dos próprios protestantes de outras igrejas, dada a intolerância calvinista. Essa parte sul acabou por conseguir a sua independência em 1830 e é desde então a Bélgica. Com quem Portugal sempre se deu bem.

A História tem muita força...»
 
Palavras-chave: Comunidade Europeia, covid`19, crise 2020, Espanha, Eurobonds, História, Holanda, Portugal  

Continuação de boa Páscoa.
Com os meus cumprimentos & académicos.
AA

sábado, 16 de novembro de 2019

IV - NOTAS PARA UM PERCURSO SOCIO-MUSEOLÓGICO


IV - Notas para um percurso socio-museológico da Quinta do Castelo e Consolata: Centro Missionário Padre Paulino.
Palavras-chave: África, bem cultural, Consolata, Centro Missionário Padre Paulino, fratrimónio, Historia, matrizmónio, Portugal, Ribeira de Barcarena, Ribeira das Jardas
Entre os bens culturais fratrimoniais em que participam os irmãos da Consolata e a população da envolvência, através da organização em hortas comunitárias, como se de uma cooperativa informal se tratasse ; e os bens da natureza que podemos classificar como matrizmónios, tais como: a Ribeira das Jardas / São Marcos / Barcarena, os terrenos, vegetação, aves, animais e o próprio clima do local. No conjunto apresentam-se os bens físicos e imateriais (incluem-se nestes bens imateriais, o clima e as relações de associação e amizade).
Os visitantes merecem uma visita, de preferência orientada por um(a) guia especializado(a) e orientado(a) por uma educação fratrimonial, conhecimentos básicos de biologia, agricultura, história e/ou museologia social. Através desta Quinta e da Irmandade da Consolata podemos fruir dos bens locais e até sermos contemplados com a descrição de viagens históricas ou da atualidade relacionadas com o espaço da Quinta, a arte plástica e o percurso de vida dos seus ex e atuais proprietários ou usufrutuários.
Na Quinta da irmandade da Consolata podemos apreciar os bens aqui produzidos e disponíveis (físicos ou imateriais), adquirir bens de consumo (mel, licores, informação, artesanato, …) e até fazer uma viagem virtual ao Próximo Oriente, África e Ásia. Parece muito o que se propõe com uma visita à Quinta do Castelo / Consolata: Centro Missionário Padre Paulino. No mínimo podemos beneficiar de uma apresentação dos temas relacionados com estes espaços: Economia e organização. Arte, embora com poucas peças, estas são, em meu entender, muito relevantes. Também podemos saber mais sobre a vida dos residentes e dos proprietários de hoje e de outrora. (Cf. Quinta do Castelo, Actividades Socioculturais in https://www.facebook.com/groups/1765418447076872/ )
 
Quanto a Mouzinho de Albuquerque

Encontrámos a referência, de que estas terras, hoje da Consolata: Centro Missionário Padre Paulino (t.r. http://www.consolata.pt/onde-estamos/) foram pertença das famílias “Albuquerque”. (cf. http://www.consolata.pt/1183 ; http://www.consolata.pt/centros-missionarios/)
Nesta condição, referem algumas fontes (cf. https://rouxinoldepomares.blogs.sapo.pt/tag/agualva) que aqui permaneceu prisioneiro, ainda que pontualmente, o célebre Gungunhana, ex Régulo ou Imperador da região de Gaza - Moçambique. Sendo, ao que consta, a família de Mouzinho proprietária nestas terras e ainda Mouzinho o principal responsável pela “tomada” deste irmão africano na vila de Chaimite. Torna-se, assim, possível e verossímil, o acolhimento deste chefe Moçambicano na Quinta do Castelo, antes de ser transferido para os Açores.
Mouzinho teve um percurso de formação: militar, administrador colonial e governador do distrito de Lourenço Marques (atual Maputo) – Moçambique, o que lhe confere um estatuto de relevância pessoal e social.
Em África podemos considerá-lo um distinto africanista, se comparado com outras figuras de governos europeus que contestaram em finais do século XIX e inícios do XXº a administração portuguesa. Não que essas figuras europeias fossem a favor das independências mas porque reivindicaram e, em boa parte conseguiram, eles próprios, estabelecer-se em África na condição de colonizadores e homens de negócios.
A questão do “Mapa-cor-de-Rosa” imposto por países europeus e o “Ultimatum” da Inglaterra a Portugal são dois episódios e dois processos documentais que ilustram o desiderato do imperialismo. Só que Portugal, mormente em regiões costeiras, já se encontrava em África, com mais ou menos administração, desde finais do século XV.
Mouzinho foi uma figura que prestou serviço público pela nação portuguesa, numa altura muito difícil e em contexto das políticas europeias - não de uma Europa unida, que ainda não se vislumbrava mas sim de uma Europa de nações, competitivas e, grosso modo, imperialistas.
Releve-se que no continente africano havia grandes extensões habitadas por povos ou tribos, que em muitos casos se opunham, entre si. A indefinição de fronteiras, um certo fratricídio das famílias de líderes locais; em contraposição a certa cobiça por nações europeias, são fatores que levam à transferência de comunidades da Europa que ali se estabelecem e instalam com administrações e equipamentos de defesa ou bélicos. Os europeus rasgam vias de comunicação e exploram recursos. Só que, a estes benefícios, bem ou mal, a historiografia veio classificá-los de obras do colonialismo e imperialismo.
Não estamos aqui a tecer críticas negativas ao conceito de colonialismo, até porque esta filosofia administrativa se estendia ao interior dos próprios territórios europeus. Exemplo: Na primeira metade do século XX e durante algumas décadas, ainda existia o conceito de “colono” mesmo em relação a regiões interiores de Portugal Continental Europeu. Nesta ótica foram chamadas, ainda no século XX, famílias das Beiras para colonizar o sul de Portugal.
O mapa da imagem supra mostra o desígnio do controlo britânico «a rota do Cabo ao Cairo». Data de 1913. Os ingleses conseguiram o controle de uma boa parte do continente africano. O «Mapa cor-de-rosa» na imagem infra mostra o desígnio da pretensão de Portugal com uma faixa de «Angola à contracosta». Portugal conseguiu, depois de muita negociação com os países europeus interessados, administrar Angola, Cabinda e Moçambique e não todo a área constante neste «mapa cor-de-rosa» datado de 1886.
Nos contextos de colonização, Cecil John Rhodes (1853-1902) foi um inglês (“homem de negócios, político e explorador” (cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cecil_Rhodes) que preconizou o imperialismo e o colonialismo. «Organizou a anexação pelos ingleses de um extenso território. Iniciador da guerra anglo-bóer (1899-1902).”
Consta ainda que Rhodes doou mil espingardas a Gungunhana para combater os Portugueses. Contudo Paiva Couceiro e Mouzinho de Albuquerque conseguiram vitórias, mesmo com homens em muito menor quantidade. Nestas disputas, Gungunhana, um chefe que alguma historiografia o classifica como imperador de Gaza - refugia-se (ou abriga-se voluntária e teatralmente) na localidade de Chaimite, deixando aos Portugueses a possibilidade de administrar o território, o que veio a acontecer, não obstante a disputa entre Europeus.
A questão da cobiça das extensas reservas naturais estava em causa, até para ajudar a alimentar as guerras mundiais que se seguiriam. Longe já iam os tempos da Renascença, da curiosidade em saber que mundos havia em Além-Mar, da procura de glórias pessoais e da expansão dos valores do Cristianismo.
O poeta moçambicano Mia Couto escreve e edita: «As Areias do Imperador - Mulheres de Cinza», faz descrições com certo interesse, embora não desprovido do sentimento laudatório de nacionalismo e de anti colonialismo. Nesta ótica desclassifica Mouzinho de Albuquerque para dar relevância a Gungunhana e, sobretudo, às resistências populares locais de Moçambique.
Se Gungunhana voltasse a esta vida, talvez fizesse humor do seu próprio destino. A forma como foi, ou se deixou capturar, as lutas fratricidas e tribais ; a não existência de um território de fronteiras definidas ; a não existência do conceito de Nação e Estado soberano, em África, no século XIX. Tudo isto permitiria a um Gungunhana "ressuscitado" alguma ironia em relação com o estatuto de atual de herói, embora que a título póstumo.