segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

PARA UM ESTUDO DA HERANÇA CULTURAL JOÃO DE DEUS

       Nesta abordagem trabalhamos sobre a seguinte temática numerada de 1 a 12. Eventualmente esta lista de itens poderia dar origem a colecções museológicas e biblioteconómicas.
Img1 Imóvel residência da Casa Museu João de Deus
1-Imóvel que serviu de residência a João de Deus. Especialmente o andar que acolheu amigos em torno da didática e pedagogia. Justamente a Rua João de Deus, nº 9, faz jus ao educador.
Img2 Rua de João de Deus - toponímia
A designação de Calçada Nova da Estrela foi substituída pelo “Edital municipal de 24/02/1897 passando a denominar-se Rua de João de Deus.
Img3 Casa Museu João de Deus -Portaria
Recorde-se que João de Deus falecera no ano transato (1896). Não demorou que a artéria mais percorrida por João de Deus levasse o seu nome e uma placa memorial sobre a portaria da sua Casa.
Img4 Busto de João de Deus
Img5 João de Deus In Memoriam

2-Imóvel de Interesse Público (IIP) assim classificado, incluindo os logradouros, a arte e as legendas de exterior …
Img6 Museu João de Deus Bibliográfico Pedagógico e Artístico
Img7 João de Deus - Logótipo da Associação
… bem como a estrutura e decoração interior adaptados às funções: culturais e de animação, especialmente nas áreas do ensino / aprendizagem, museologia, biblioteconomia e integração social, conforme é missão da Associação. Estes bens na Av. Álvares Cabral, números, 69, 69A e 69B servem de base à Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) para a educação e cultura relacionada com a Obra de João de Deus.
Img8 João de Deus - Escola Superior na Avenida Álvares Cabral - Lisboa 
       O edificado conta com espaços múltiplos, albergando um museu, uma biblioteca, um arquivo, uma escola superior de educação e jardins-escolas. A autoria do projeto inicial na Avenida Álvares Cabral, data de 1913. O projeto do imóvel é da autoria do arquiteto Raul Lino.
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       Saber mais: Raúl Lino nasce em Lisboa, 1879 e morre na mesma cidade, em 1974. Lino tem no seu curriculum um "Prémio Valmor de Arquitectura" e um "Prémio José de Figueiredo", entre outros. O projecto da Casa dos Patudos, 1905 Alpiarça, atual museu, que foi residência de José Relvas e a Casa Quinta da Comenda, 1903 (Obs. Para não confundir, esta Casa é a da Arrábida e não a homónima de São Pedro do Sul).

Em cerca de 70 anos de atividade Raúl Lino produz mais de 700 obras. Deixa-nos uma marca especial, associando a tradição com a modernidade. 

3- Correspondência e objectos pessoais de João de Deus e João de Deus Ramos (filho do primeiro). Importante espólio que retrata as pessoas denominadas “... de Deus” e respetiva obra.

4- Bustos, pinturas, desenhos .Tipologias de artes relacionadas com a Obra e acervos culturais.

5- “Métodos de Iniciação à Leitura e ao Cálculo”. Suportes emblemáticos da Obra. A partir de 1877, difunde-se o "método João de Deus" e em 1882, o Parlamento decreta o uso da Cartilha Maternal nas escolas. A obrigatoriedade seria mantida até 1903. Esta Cartilha foi precursora entre várias outras, e até aos finais dos anos 1930 um dos livros com maior tiragem em Portugal e no Brasil.

6- Manuscritos e informação de Teixeira de Queiroz, sogro de João de Barros, outro importante pedagogo a nível nacional (séc. XIX-XX).

7- “Cartas enviadas a João de Barros”, genro de Teixeira de Queiroz, nascido na Figueira da Foz, 1881 - Lisboa, 1960) (+79 anos). Tratando-se de outro poeta pedagogo a Associação de Jardins-Escola João de Deus (AJD) incorpora as referidas cartas nos seus bens culturais.

8- Obras e referências de Ladislau Patrício, médico, humanista e escritor (Guarda, 1883 - 1967 (84 anos).

9- “Grande colecção de Jornais e Publicações Periódicas” que permitem uma análise abrangente da Associação João de Deus e o contexto em que se desenvolve.

10-Correspondência  c/ Maria Amália Vaz de Carvallho  (MAVC). Nasceu em Lisboa, 1847 e faleceu na mesma cidade em 1921. Autora polígrafa, poetisa, activista feminina, autora de crónicas e de crítica literária.
Img9 Palácio de Pintéus onde MAVC escreveu o seu primeiro livro – “Uma Primavera de Mulher”
Mulher de ética e educação. Estudiosa, defensora e valorizadora do papel da mulher. Foi inclusive a primeira mulher a ingressar na Academia Real das Ciências de Lisboa. 
Img10 Palácio de Pintéus onde MAVC passava férias e escrevia
MAVC escreve o seu primeiro livro “Uma Primavera de Mulher,  1867”, no palácio de família em Pintéus – Santo Antão do Tojal; em 1880 “Mulheres e creanças;Cartas a Luísa”,  1886, entre outras obras. Em 1933 – o nome da antiga Escola D. Maria Pia (actual Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho para o ensino feminino, onde se realizaram os primeiros cursos de lavores, de tipografia, comércio e telegrafia) é  alterado para a designação que contempla o nome de Maria Amália.
Img11 Palácio de Pintéus - Santo Antão do Tojal
Em 1993, o município de Loures criou e atribuiu o "Prémio Maria Amália Vaz Carvalho", nas áreas da “Educação e Sociedade”. Este prémio continua a ser atribuído.
 

11-Gonçalves Crespo. Embora não pareça, à primeira vista, haver grande referência à obra de G. Crespo na Casa João de Deus, incluímo-lo neste estudo de bens culturais de memórias e coleções por ter sido marido de Maria Amália durante 9 anos. Estando MAVC bem representada na Casa Museu João de Deus e com quem o próprio João de Deus colaborou, a temática nº 11 não será despicienda.

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       Saber mais: . Gonçalve Crespo nasce em 1846 nas proximidades do Rio de Janeiro, morre em Lisboa, 1883 (37 anos). Cônjuge de MAVC; jurista e poeta de influência parnasiana. Tudo parece indicar que G. Crespo participou nas tertúlias intelectuais da época, sendo as memórias acarinhadas pelo Museu e Biblioteca da Associação Jardins-Escola João de Deus.
       Crespo foi correspondente da Academia Real das Ciências e redator do Diário das Câmaras e Jornal Commercio de Lisboa, entre várias outras funções. Considerado brasileiro no Brasil e Português em Portugal, Crespo foi uma figura notável. Como escritor enquadra-se nas estéticas realista, parnasiana – naturalista. Contudo e por vezes, comuta com a estética romântica. Sente a saudade do Brasil, da sua mãe e das suas gentes, manifestando esses sentimentos na poesia.
Na política foi deputado pela Índia e trabalhou no Diário da Câmara dos Pares. Infelizmente vem a falecer prematuramente aos 37 anos vítima de tuberculose.  
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       12-Métodos de Iniciação à Leitura e ao Cálculo”. Esta temática conterá os autores de métodos antecessores a João de Deus e, quanto possível, os métodos até à actualidade.

Palavras-chave: Associação de Jardins-Escolas João de Deus, Gonçalves Crespo, João de Deus, Maria Amália Vaz de Carvalho, Museu João de Deus Bibliográfico Pedagógico e Artístico

 

Créditos imagens: 1 a 3; 6 a 11 AA Alfredo Anciães; 4 a 5 Elizabeth Sá

Referências consultadas e reacedidas em 25.02.2019:


-AZEVEDO, Sanzio de - Parnasianismo na poesia brasileira -- https://pt.wikipedia.org/wiki/Parnasianismo 



-CML et all – “Edifício do Jardim-Escola João de Deus” - http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/edificio-do-jardim-escola-joao-de-deus


-CML et al. - “Toponímia de Lisboa: A Estrelinha da calçada” --  https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/12/09/a-estrelinha-da-calcada/ 


-FILHO, Francisco da Rocha - “Gonçalves Crespo, poeta de além-mar” -- http://www.poeteiro.com/2018/05/goncalves-crespo-poeta-de-alem-mar.html


-GIL, Fernanda - “Palácio da Comenda - Quinta da Comenda, Arrábida” -- https://www.youtube.com/watch?v=U3pSVLzKvIo


-GOMES, Nádia Carina da Conceição - “Casa dos Patudos” - https://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_dos_Patudos  


-LOUAIZA, Benito Almaguer Luaiza -  “Origem da Didáctica” -https://www.monografias.com/pt/trabalhos3/pedagogia-e-didatica/pedagogia-e-didatica2.shtml )

-PORTUGAL: Património Cultural et alClassificação de Bens Imóveis e fixação de ZEP -- http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/classificacao-de-bens-imoveis-e-fixacao-de-zep/

-SOURIAU, Maurice – “Histoire du Parnasse”  --  https://pt.wikipedia.org/wiki/Parnasianismo

-UOL Educação et al – Gonçalves Crespo poeta brasileiro https://educacao.uol.com.br/biografias/goncalves-crespo.htm?cmpid=copiaecola 

-WIKIPÉDIA Foundation [PT] at al ROLDÃO, Helena et al – “Maria Amália Vaz de Carvalho” - https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Amália_Vaz_de_Carvalho

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Instituto de S. João de Deus – Casa de Saúde do Telhal (ISJD / CST)


 

Palavras-chave: Casa de Saúde do Telhal - Sintra, Museologia, Proximidade; Psicologia, Psiquiatria, São João de Deus
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A funcionar desde 1893 no espaço rural de uma antiga quinta.

O Papa Pio IX nos anos sessenta do século XIX encarrega Bento Menni (beatificado e canonizado por João Paulo II, respetivamente em 1985 e 1999) de restaurar a Ordem Hospitaleira de São João de Deus em Espanha e só depois Bento Menni passa para Portugal, já nos finais do século XIX, seguindo-se o México, países onde as Revoluções Liberais haviam deixado marcas de extinção ou de quase apagamento.

Chegado ao Telhal Bento Menni, funda a Casa com diversas dificuldades político-religiosas. Com a implantação da República perdera-se a formação de Noviciado e a possibilidade de fazer votos institucionais. Contudo, passado o desvario persecutório às Instituições Religiosas, a Casa acaba por ser inteiramente restaurada, em 1921, ainda no tempo da I República. Um tal Frei Elias com muita diplomacia e bondade acaba por docilizar os ímpetos dos mais ardentes republicados de 1910.

Estão actualmente internados no Telhal cerca de duas centenas de doentes do sexo masculino. No que toca à medicina, não é mais uma obra do género de Rilhafoles ou do antigo Júlio de Matos. No Telhal os doentes entram em difíceis situações e com a continuação dos tratamentos (um tanto na tradição do fundador) são muitas vezes confundidos com pessoas consideradas não doentes. É nesta óptica que poderemos apreciar a actual exposição temporária do Museu São João de Deus de Psiquiatria e História (MSJD-PH)  e em que a museologia apresenta séries de retratos de pessoas, doentes e familiares onde por vezes é difícil ou mesmo impossível detetar quem é quem - se doente, se são. Acrescente-se que este Museu preserva cerca de 10.000 peças da sua relação histórica e se encontra bem organizado, depois de ter sido fundado nos anos 20 do século XX, com a designação de Museu da Loucura, nome não abonatório se pensarmos na loucura propriamente dita. Outras designações mais apropriadas virão.

Talvez o nome quisesse também sugerir o pensamento de São João de Deus, em que, para ele, louco é entregar-se ao sentimento da misericórdia e entrega aos pobres, como uma entrega a Cristo.

Numa segunda fase o museu é designado por Museu Ergoterápico (sendo que ergo vem do grego e significa trabalho manual), logo com o significado de museu de terapia manual ou pessoal. A terceira e actual designação Museu São João de Deus de Psiquiatria e História (MSJD-PH) acaba por estar conforme aos tempos modernos. Respeita o valor histórico da Instituição, sendo também uma mais-valia para a História Local e Geral.

Neste Museu podemos apreciar 7 (sete) coleções, a saber: 1 Arte Sacra; 2 Arte Psicoterápica; 3 Medicina; 4 Enfermagem, 5 Farmácia, 6 Etnografia e 7 Fotografia.

A Capela (também há quem lhe chame Igreja) da Instituição situa-se ao lado do Museu e tem igualmente um grande interesse. Deveria, em nossa opinião, estar integrada e ser coorganizada com o Museu. Trata-se de uma unidade de assistência aos devotos. Concentra importante valor informativo, documental, artístico e de assistência aos doentes. A sua ligação orgânica ao Museu não será despicienda.

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Na coleção artística o Museu integra peças da antiga Escola Secundária Apostólica que esteve aberta ao público em boa parte do século XX. Destaque-se que na pintura o Museu apresenta obras executadas pelos próprios doentes e colaboradores da Casa.

A título de exemplo, poderemos apreciar os seguintes artistas que foram doentes na Casa de Saúde do Telhal

Abel Salazar (nasceu em Guimarães, 1889 – morreu em Lisboa, 1946) notável médico, professor, investigador inclusivamente no homónimo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Também foi pintor onde a temática do social é evidente. Podemos conotá-lo como precursor da corrente neorrealista. Abel Salazar acaba por sofrer um esgotamento e recorre aos tratamentos na Casa de Saúde de São João de Deus do Telhal. A obra polivalente encontra-se sobretudo na sua Casa-Museu Abel Salazar, em Matosinhos.

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Outro artista de relevo, doente no Telhal (ISJD / CST) foi: Mário Eloy de Jesus Pereira. Nasce em Algés, 1900 e morre em 1951. Importante pintor da corrente modernista. Passa pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1913, mas com o seu temperamento de boémio acaba por abandonar a instituição. Parte para Madrid e Sevilha, visita e estuda os museus, sobretudo o Museu do Prado. Em Portugal é motivado, durante algum tempo, pela estética penumbrista de Columbano Bordalo Pinheiro.

Nos anos 20, a corrente modernista cativa-o. El Grego, Césanne, Van Gogh, Picasso e Matisse são objecto do seu estudo.

As correntes do impressionismo ao expressionismo e ao cubismo com as temáticas sociais são uma inspiração. Nos anos 30 colabora com Almada Negreiros na revista Sudoeste. Recebe o prémio Amadeo de Sousa Cardoso. Nos anos 40 realiza quadros com temas do suicídio, morte e sofrimento. É internado com gravidade no Telhal em 1945. Tem mais 6 anos de vida mas a obra denota sobretudo momentos dramáticos nas representações. O Museu de Arte Moderna no Chiado guarda alguns trabalhos. Em 1996 a Coordenadora Raquel Henriques da Silva dirige uma exposição documentada com um precioso e extenso catálogo.

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Stuart de Carvalhais, nosso vizinho, cuja memória permanece inclusivamente na denominação da Escola Secundária de Massamá, foi outro utente internado no Telhal. Stuart nasce em Vila Real, em 1887 e morre em Lisboa, 1961. É um artista multifacetado em várias áreas, nomeadamente na pintura, no desenho, na ilustração, na caricatura e na banda desenhada, entre outras expressões. Trabalha com Jorge Colaço ainda na primeira década do século XX e no jornal O Século.

Na segunda década abraça as revistas humorísticas, nomeadamente a Sátira. Realiza exposições. Vai até Paris, onde expõem em parcerias. Com a mudança do regime monárquico para o republicano, reaproxima-se de Portugal. Casa-se com uma varina – Fausta Moreira. Na banda desenhada realiza o Quim e Manecas durante mais de 30 anos, até início dos anos cinquenta. Outras publicações periódicas por onde passa contam-se: A Revista Ilustração, A Corja, O Espectro, A Choldra, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, e outras. Trabalha conteúdos para postais ilustrados. Recebe o prémio de pintura Domingos Sequeira e expõe no SNI Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo no Palácio Foz, em Lisboa. Porém, começa a ser vencido pelo alcoolismo e pelas carências económicas. É então que recorre a materiais menos indicados em termos de durabilidade e de qualidade. Chega a pintar sobre papel vulgar, tábuas de caixotes, com pigmentos em que utiliza até o café e o vinho.

Residiu em Queluz na Rua Conde de Almeida Araújo, tendo a sua casa tradicional sido objecto de concurso público em 2009, sem que as entidades públicas tivessem exercido o direito de preferência. Mais uma casa datada e de referências de autor prolixo se perde com a consequente demolição. A Casa de Saúde do Telhal preserva alguns trabalhos ali elaborados que são datados de uma altura quando o autor já se encontra em fase crítica.

A Casa de Saúde do Telhal representa para Stuart de Carvalhais e tantos outros utentes uma Mãe apiedada que se entrega quando a esperança se abate nos círculos familiares e de vizinhança.

Fontes:

-ÁLVARES, Valentim A. Riesco, fr. ; WALD, Emerich Steiger, fr. – Imágenes de San Juan de Dios. Roma: Ed. Curia Generalizia Ordine Ospedaliero di San Giovani di Dio, 1995

 

ANCIÃES, Alfredo Ramos – São João de Deus: Um Santo Português e Ibérico. Uma Obra e Um Contexto Museológico in https://cumpriraterra.blogspot.com/2019/02/sao-joao-de-deus-um-santo-portugues-e_11.html

 

-FILIPE, Nuno Ferreira, O.H. – São João de Deus: Um Homem Que Soube Amar. Lisboa: Edições Paulistas, 3ª ed., 1990

 

-RTP1 et al - Portugal em Direto – Casa de Saúde do Telhal. 125 Anos ao Serviço do Apoio a Doentes com Problemas de Saúde Mental in https://www.facebook.com/cst.telhal/videos/348665852390525/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

SÃO JOÃO DE DEUS. UM SANTO PORTUGUÊS E IBÉRICO. UMA OBRA E UM CONTEXTO MUSEOLÓGICO


(Um dos pavilhões da Casa de Saúde do Telhal / Sintra)
Palavras-chave: Casa de Saúde do Telhal; Instituto São João de Deus, Portugal, Psicologia, Psiquiatria
O menino que viria ser santo nasce em Montemor-o-Novo, no Alentejo. Batizado com o nome de João Cidade. Seu pai vendedor de produtos locais e a mãe doméstica, como quase todas as outras mulheres que não iam para o Convento ou não pertenciam à nobreza.
Aos 8 anos, o menino João Cidade desaparece. Consta que foi “levado pelo vento”.
Encontrámos outras interpretações. Os pais de João tinham raízes judaicas e na altura acharam melhor que o menino crescesse noutra parte da Península por considerarem que estaria mais seguro. Entre a teoria do mistério “levado pelo vento” e a da segurança encomendada, pode haver uma terceira razão, a de que poderá ter sido raptado com intenções de ser usado e vendido. Recomeça a sua vida como ajudante de pastor em Europesa, na Andaluzia espanhola. Quando chega à idade adulta, de tão educado e boa imagem queriam casá-lo com uma filha dos patrões. João não estava virado para o matrimónio e vai à procura de outra vida, integrando-se nas fileiras militares.
De um modo geral Espanha mantinha muitas lutas, sobretudo de fronteiras. João aceita ser soldado em prol do Imperador do Sacro Império Romano-germânico, Carlos V que mantinha um diferendo de territórios com o também poderoso rei Francisco I de França. Passada esta fase, João Cidade vai para Gibraltar e conhece um nobre português que caíra em desgraça presumidamente por motivos de crenças religiosas e/ou políticas. Em Ceuta o nobre fica falido e deserta para terreno mourisco. João Cidade terá então trabalhado em precárias condições, quiçá na construção das muralhas da cidade. Retorna à Andaluzia e torna-se livreiro, vendendo e doando livros de temática religiosa.
Guterres Lasso, de Málaga, um cavalheiro e cavaleiro da Ordem de Santiago recebe João quando este aparece a pedir esmola. O Cavaleiro fica encantado com a simplicidade e a candura do pobre João Cidade. Estabelece-se uma amizade que vai ser muito benéfica. João recorre frequentemente a quem tem posses para conseguir donativos e saldar dividas realizadas em proveito dos pobres e doentes.
Num intervalo da sua vida regressa a Montemor-o-Novo passados cerca de 30 anos de ausência mas os pais já tinham morrido e praticamente ninguém o reconheceu. Regressa a Espanha. João nascera a 8 de março de 1495 e falece no mesmo dia e mês do ano 1550. Esta coincidência e a capicua 55, número de anos da sua vida, são interessantes; bem como o período que permanece na História, ou seja, toda a primeira metade do século XVI. João assiste a contrastes tremendos. São interstícios da História, os finais da Idade Média, os Descobrimentos, os inícios da globalização; o encontro de outros povos, outras terras; as Reformas religiosas e os limiares dos renascimentos culturais, em geral.
Particularmente, as exigências das Reformas Protestante e Católica, sendo esta também chamada Contra-Reforma, no sentido em que há as grandes reações às primeiras, quer no campo teórico, quer no militar, no inquisitorial e do Santo Ofício. Devemos ter em conta que no campo inquisitorial há um sério aproveitamento dos poderes políticos laicos. Os reis chegam a comprar à Igreja de Roma a autorização e introdução dos Tribunais do Santo Ofício.
Em 1517, tem João 25 anos, surgem as exigências de Lutero, que já vinham de traz por exigências de alguns teólogos reformistas-precursores e dos príncipes alemães. Precisamente nesta altura João Cidade ainda não se interessaria pelo mundo eclesial mas em seu torno já havia mexidas nas igrejas e nas mentalidades. Não tarda a surgirem os místicos espanhóis nas terras por onde anda João Cidade. João D`Ávila, o pregador e filósofo escolástico vem a ser Doutor da Igreja, considerado o “Apóstolo da Andaluzia” e tornado santo. Os seus sermões foram determinantes na mudança de vida de João Cidade. 
Em seguida vêm João da Cruz, Teresa D`Ávila e Pedro de Alcântara, também tornados santos. Surgem já na última fase da vida de João Cidade mas as fontes filosóficas e de interpretação do religioso vêm das décadas anteriores.
No Convento dos Cardaes pudemos, no ano transato, observar a azulejaria com a história destes místicos - São João da Cruz e Santa Teresa D`Ávila. E na vizinhança, no Convento de S Pedro de Alcântara, encontra-se a iconografia deste santo com toda uma expressão que nos informa sobre os sentimentos e as mentalidades da época na Península Ibérica.
João Cidade adere com todo o empenho às práticas caritativas cristãs após um arrebatamento de consciência, depois de ouvir um dos sermões proferidos por S. João de Ávila. De tal forma João Cidade fica transformado que doa todos os seus bens aos pobres e apregoa pela cidade que devemos tomar o caminho da misericórdia, incluindo o perdão e a fratrimonialidade. Tão veemente se expressa que é considerado louco e internado num hospital para alienados, onde o tratamento destes doentes é severo e desumano.
O citado sermão foi para João Cidade uma espécie de epifania em que lhe é revelado o mistério salvífico e lhe é mostrado o próprio Cristo na figura dos pobres e doentes.
Questões de mentalidade tradicional religiosa levam a crer que os loucos são seres possuídos pelo diabo, logo uma entidade que não merece bom tratamento. João sofre na pele todo este sofrimento que lhe serve de experiência e aprendizagem. É com os pobres e os loucos que João vai crescer em espiritualidade e em métodos curativos.
A “loucura” de João seria a comovente caridade cristã de amor. João aprende que os pobres e doentes mentais, o que mais precisam é de compreensão, diálogo, compaixão e assistência alimentar. E vai conseguir com o seu acolhimento uma relação e assistência aos alienados que podemos considerá-lo um precursor nas áreas da psi. Aplicando os métodos do acolhimento, da tolerância, da empatia e da proximidade, João avança séculos nas áreas da psiquiatria e das doenças psicossomáticas.
As práticas de Freud e Carl Roger confirmam que as doenças da psique numa mente perturbada geram doenças físicas. São os traumas, os rancores, as mágoas, a incompreensão e as misérias que geram estas doenças e que João de Deus com a sua experiência, fé e entrega consegue minimizar. João dedica-se a estas causas de comunicação e dignidade através da audição, da compreensão, da alimentação e da enfermaria. Como não pode fazer tudo sozinho, adopta e divulga o lema: “fazei o bem, irmãos, para o bem de vós mesmos”.
Outra frase chave que lhe é atribuída designa-se pela expressão: “tudo perece / só a boa obra permanece”.
Por outras palavras e mui resumidamente os seus métodos assentam na fé, esperança e caridade, ou seja, no tríptico clássico do cristianismo, cuja caridade permanece essencialmente na compaixão e no amor (amor que não exige ser, necessariamente, recíproco) pelo próximo. Os últimos anos da sua vida já são acompanhados pela Cúria Romana. Com o empenho desta figura ibérica, nascida em Montemor-o-Novo nasce uma Obra a que foi dado o seu nome.
A Ordem Hospitaleira de S. João de Deus tem hoje uma história indeclinável no campo da saúde. Está implantada em mais de 80 casas-hospitalares de 45 países da Europa e do Mundo. Pôde e pode a Igreja católica demonstrar que se empenhou e empenha na Reforma eclesial.
João Cidade, convertido/transformado em João de Deus veio em boa hora.



Fontes:
-ÁLVARES, Valentim A. Riesco, fr. ; WALD, Emerich Steiger, fr. – Imágenes de San Juan de Dios. Roma: Ed. Curia Generalizia Ordine Ospedaliero di San Giovani di Dio, 1995
-FILIPE, Nuno Ferreira, O.H. – São João de Deus: um Homem que soube amar. Lisboa: Edições Paulistas, 3ª ed., 1990
-RTP1 et al - Portugal em Direto – Casa de Saúde do Telhal. 125 anos ao serviço do apoio a doentes com problemas de saúde mental in https://www.facebook.com/cst.telhal/videos/348665852390525/




sábado, 12 de janeiro de 2019

DO LOCAL AO UNIVERSAL


Uma questão de Organização

Palavras-Chave: barbarismo, Bento de Núrsia, Escolástica, Europa, Império, matriz, Roma

Pensamos que uma das razões do quase desconhecimento de Escolástica e Bento se deve ao politicamente correto das igrejas, Estado e ensino. O sistema de ensino, ele próprio dependente das políticas de Estado e Governos, não arrisca a ir mais além nos conteúdos. Estas Organizações têm receio em ser mal interpretadas, sobretudo após a separação dos poderes entre Igreja/ Santa Sé e Estado. Idem através das relações com Povos de outras matrizes culturais que não a matriz tipicamente ocidental.

Assim, igrejas, seminários e escolas vivem um certo equilíbrio e distanciamento, o que influencia as pessoas, os estudantes e os investigadores. Grosso modo não se ousa desenvolver teses sobre que espécie de Europa existiria sem o embrião de organização e ensino, criado e implementado por Bento e sua irmã Escolástica.

Estes irmãos gémeos arriscaram criar uma nova forma de ação comunitária e de educação, replicada milhares de vezes pelo espaço europeu.

O movimento prosseguido através das práticas e Regras de São Bento promoveu uma ideia de salvação, não só de almas, como de sustentação de vidas em carências múltiplas pela falta de segurança e de apoio resultante das invasões bárbaras e da decadência do Império Romano.

A história das comunidades conventuais, iniciada com Bento de Núrsia e Escolástica tem mais de 1500 anos de existência (cerca de 498 a 2019).

 

Consideramos aqui cinco pilares essenciais para percebermos a contribuição que o legado de Bento e Escolástica nos deixaram; a saber:

 

I-Oração, II-Trabalho, III-Ação comunitária, IV-Educação, V-Expansão

 

Sem a lenta revolução beneditina, certamente, não haveria Europa, tal como a conhecemos; esta Europa que está em crise mas, ainda assim, é hoje em dia apetecível por gentes de outras geografias; um espaço que veio a “dar mundos ao mundo” e um espaço a que Gilberto Freyre acrescenta com a seguinte frase: «O mundo que o português criou».

Sem prosápias civilizacionais, pensamos que o Mundo poderia estar mais equilibrado: 1 em riquezas, 2 em segurança e 3 em respeito pelo ambiente.

Arriscamos referir cinco marcos históricos para o nascimento e evolução da Europa e para o Mundo, sobretudo o mundo de tradição ocidental europeia:

 

I-Criação de um modelo sociocomunitário por Bento de Núrsia, após a queda de Roma em setembro do ano 476. As Regras que Bento vai criar são, em boa parte, decalcadas nas escrituras bíblicas, já então disponíveis e traduzidas para latim por São Jerónimo (*).

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(*) «Por volta do ano 374, ele [São Jerónimo] foi para a Palestina, onde estudou hebraico e a interpretação da Bíblia. Inspirado por Deus, traduziu todos os livros da Bíblia para o latim, cuja tradução denominou-se “Vulgata, pois o latim era a língua universalmente falada na época»


 

Bento interpretou que o Mundo Ocidental de fim de ciclo imperial romano, tal como o conheceu não tinha qualquer interesse nem viabilidade. Ao criar do início os Conventos na parte ocidental da Europa e redigir o documento organizado em 7 pontos:

 

Título : «REGRA MONÁSTICA

Índice: [1]PRÓLOGO, [2]COMEÇA O TEXTO DA REGRA, [3]OS INTRUMENTOS DAS BOAS OBRAS, [4]OBEDIÊNCIA E SILÊNCIO, [5]HUMILDADE, [6]ORAÇÃO. POBREZA. RECEPÇÃO SOLICITUDE PARA COM OS IRMÃOS. ORDENAÇÃO DO ABADE. DISPOSIÇÕES DIVERSAS e [7]CONCLUSÃO»).

 

Regras estas que seriam a disciplina dos conventos, masculinos e femininos. Da teoria e prática da “Regra Monástica” vai nascer uma organização social - religiosa que vai ter, paulatinamente, reflexos e aplicações na vida dos povos europeus e na expansão para outros continentes.

 

II-Clóvis, o primeiro rei franco convertido, através da sua esposa, é contemporâneo de Bento. Reconhece o valor da organização beneditina e incentiva o seu aproveitamento: Pela prática, pela fé, pelas necessidades de segurança, pela economia e pelo rumo. Os conventos beneditinos vão replicar-se pelo mundo ocidental então conhecido.

 

III-Carlos Magno, já no século oitavo, pensa novamente recriar o império romano do ocidente. Tarde demais. No entanto também reconhece na organização conventual baseada nas regras de Bento de Núrsia, uma importante estrutura e incentiva a prossecução e a difusão entre as comunidades.

 

IV-Já no século onze, o Conde D. Henrique de Borgonha e o seu filho D. Afonso Henriques vêm assumir o comando de um movimento de autonomia e conquista ou reconquista (depende dos pontos de vista). Um novo País está prestes a surgir. O reconhecimento como reino vem a ser feito pelo Papa, até porque: quer o Conde D. Henrique, quer o seu filho incorporam nas suas tropas o contributo de ordens monásticas, algumas tornadas religiosas-militares e religiosas-hospitalárias.

 

V-A expansão para lá do território peninsular começa a torna-se com alguma evidência com D. Dinis que reconverte a Ordem Templária na Ordem de Cristo e inicia programas de fomento da marinha, matas para madeira, construção naval e agricultura.

Com o apoio e organização conventual, os Estados Peninsulares e da Europa laçam-se nos descobrimentos, achamentos, relações comerciais e sociais com os povos. Estas ações vão resultar na globalização.

 

Em nota de conclusão: Os contributos de Bento e Escolástica são quase desconhecidos porque há uma separação pela Concordata e um certo afastamento de práticas e de pontos de vista, evitando os Estados laicos uma coabitação e um alinhamento convergente de ideias com as comunidades religiosas. Jogam pelo dito politicamente correcto.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

DA SALVAGUARDA COMO PROCESSO


Nota Prévia: O recente furto de azulejos do ex Mosteiro de S. Dinis está na ordem do dia de alguns Media e das preocupações de todos os que amam a cultura e os bens culturais de Portugal. Constata-se que não foram tomadas as devidas providências de acautelamento e que a Salvaguarda dos Bens Culturais não é ainda entendida por quem de dever e de direito.



Impunha-se que - com a política de transferência das “Meninas de Odivelas” – do Instituto de Odivelas e dos Serviços do Exército Português que funcionaram, grosso modo, entre 1900 e 2015, transferidos para o Largo da Luz em Lisboa - fossem tomadas medidas para acautelar/salvaguardar os bens que entretanto foram ficando sem a devida vigilância. Daí que a nossa análise estratégica do museu e organizações afins deva ser recordada, nomeadamente no campo da:

 


SALVAGUARDA COMO PROCESSO E NÃO APENAS COMO MERA PONTUALIDADE RECTÓRICA

A salvaguarda materializa-se em ações antecipadas de proteção jurídica e legislativa e diretamente sobre as peças físicas e as peças não tangíveis (ou imateriais), para que um determinado Bem não corra perigo de furto, roubo, vandalismo, dispersão, abandono e degradação.

A salvaguarda implica estudo e, se possível, a classificação dos bens nas instituições de proteção do Património Cultural, por exemplo na DGPC - Direcção-Geral do Património Cultural.

Deve agir-se, tão breve quanto possível, sobre os Bens que estão em perigo real, ou previsível. Deve ter-se em conta os fatores de segurança, a meteorologia, os trabalhos/obras e até os modelos económicos e políticos desfavoráveis; exemplo: o excesso de liberalização económica que leva ao desleixo e à privatização dos Bens de Interesse Público.

A salvaguarda revela-se frequentemente em S.O.S. na medida em que se apresenta como ação urgente.

A salvaguarda é a ação ou ações de salvar em primeiro lugar, acrescida das ações de guardar / vigiar e proteger. (Cf. Vídeo gentileza - chavestv1; You Tube et al – "Museu das Termas Romanas-Chaves" in https://www.youtube.com/watch?v=iCiaAuIB5Xk)

O caso da salvaguarda do “Balneário Romano em Chaves” constitui um conjunto de ações típicas na medida em que permite salvar todos os Bens reveladas. Casos houve, como o do achado do Palácio do 1º Marquês de Marialva e 3º Conde de Cantanhede (a) sob o Largo de Camões em Lisboa que constituiu, em minha opinião, uma salvaguarda minguada na medida em que foram recolhidas algumas peças nas escavações mas relativizou-se o conjunto do edificado arqueológico.

…………………..

a)O Marquês de Marialva, António Luís de Meneses foi o patrocinador e financiador do Convento e comunidade de São Pedro de Alcântara (Lisboa) como voto de agradecimento por ter ganho a Batalha dos Montes Claros, ligada ao movimento de Restauração da Independência de Portugal.

 

Idem para o “Fundeadouro Romano de Olisipo” sob a Praça de D. Luís I e também em relação ao Largo do Coreto de Carnide (onde existira uma ermida dedicada ao Espírito Santo. Oficialmente este Largo é chamado Rua Neves Costa) entre outros casos, onde a pressão económica e/ou a urgência em prosseguir as obras projetadas terão acabado por atenuar o valor cultural e consequentemente os trabalhos arqueológicos.

As propostas de musealização entram no âmbito da salvaguarda, incluindo a deslocação dos objetos encontrados (especialmente os mais sensíveis) para locais com melhores condições de preservação.

À salvaguarda prosseguir-se-ão ações de estudo, organização, conservação preventiva, restauro, divulgação, exposição e comunicação.

O documento que venho apresentando para a análise sistémica de patrimónios, organizações museológicas e documentais, servirá para enquadramento de casos reais, como o exemplo seguinte:

Termas Romanas na Cidade de Chaves

Trata-se de uma nova descoberta de equipamento e peças encontradas em bom estado de conservação por se ter dado o acaso de soterramento súbito devido à ocorrência de um sismo há cerca de dezassete séculos.

A Câmara Municipal interveio imediatamente após a descoberta, aquando das obras para um parque de estacionamento automóvel. Desde logo foi notado o relevante valor social do achado e prosseguiram-se as escavações arqueológicas.

Após cerca de dez anos de intervenções, parece aproximar-se o momento da abertura ao público de mais um equipamento museológico considerado raro em todo espaço do antigo Império Romano.

Tal como em Pompeia, ainda que por motivos diferentes (num caso a erupção de um vulcão e no outro um abalo sísmico), o acidente natural permitiu encontrar esqueletos humanos e peças em contexto. Contudo após a alteração das condições que permitiram a conservação in situ torna-se agora necessário acondicionar, conservar e eventualmente restaurar as peças do ex edificado e as móveis, tais como: “anéis, pulseiras” e espólio diverso.

Além de todo o trabalho de salvaguarda prevê-se abrir um museu no local com a ajuda a fundos comunitários. Este equipamento poderá, em minha opinião, juntar-se a outras estruturas termais, junto ao rio Tâmega, também provenientes do Império Romano e que já eram previamente conhecidas, contudo sem a monumentalidade dos recentes achados.

Outra peça ou núcleo museólogo que se lhe poderá juntar é a ponte romana local, integrando os Bens Culturais relacionados entre si, no contexto temporal e social.

Este conjunto de Bens da época romana poderá ser complementado com acréscimo de informação, como se de um museu polinucleado se tratasse. Permitirá às populações locais e aos visitantes um redobrado interesse.

O estudo detalhado dos Bens Culturais aponta para a reposição da funcionalidade dos equipamentos. Nunca se deve abandonar a guarda, deixando os espaços e os Bens de Interesse Social devolutos ou coisa parecida.

 

Palavras-chave: conservação, documentação, informação, musealização, salvaguarda

 

Fontes acedidas em 11.01.2017 e 04.01.2018:

--ANCIÃES, Alfredo  -


--DN et al - «Sismo "congelou no tempo" balneário romano em Chaves», - http://www.dn.pt/artes/interior/sismo-congelou-no-tempo-balneario-romano-em-chaves-5444320.html , 5.10.2016 ;

--DN, et al - «Chaves candidata-se a 800 mil euros da Europa para fazer museu» http://www.dn.pt/artes/interior/chaves-candidata-se-a-800-mil-euros-da-europa-para-fazer-museu-5444504.html, 15.10.2016 ;

--MOREIRA, Cristina Faria “Azulejos do século XVIII estão a ser roubados do Mosteiro de Odivelas”, Jornal Público, 03.01.2019, também disponível em  https://www.publico.pt/2019/01/03/local/noticia/roubados-centena-azulejos-mosteiro-odivelas-1856590

--PORTUGAL, Lusa et al – “Azulejos do séc. XVIII furtados do Mosteiro de Odivelas”, também disponível em https://www.noticiasaominuto.com/pais/1173203/azulejos-do-seculo-xvii-furtados-do-mosteiro-de-odivelas

--PORTUGAL, Youtube et al  https://www.youtube.com/watch?v=-jG-n4Kj11g , 21.11.2014

--PORTUGAL,  Chavestv1 et al - Museu das Termas Romanas https://www.youtube.com/watch?v=iCiaAuIB5Xk

--PORTUGAL - IGESPAR, I.P. Extensão de Trás-os-Montes et al – «Balneário Termal Romano (Chaves)» http://www.patrimoniocultural.pt/media/uploads/arqueologiapreventivaedeacompanhamento/chaves.pdf , sd.;

PORTUGAL, Igreja – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - https://www.snpcultura.org/ordem_cister_heranca_cultural_portugal_europa.html

WIKI et al - https://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_de_São_Dinis , acedido em 04.01.2019