quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

124.Portugal Turístico e Museal: DA SALVAGUARDA AO RESTAURO E REQUALIFICAÇÃO


Nota prévia. A salvaguarda, que tratámos no ponto 07. (V. in http://cumpriraterra.blogspot.pt/2017/01/122da-salvagurda-e-divulgacao.html) refere-se a uma forma específica de preservação. O texto seguinte reporta-se ao ponto:

08. Da Salvaguarda ao Restauro

Uma das formas de preservação do património material começa com o projeto dos edifícios, adequados às funções de guarda, acomodação, movimentação e exposição de peças. A preservação é prosseguida com ações, tais como: a instalação e acomodação de peças, o manuseamento, o transporte, as rotinas diárias ou frequentes de vigilância, temperatura, humidade e limpeza.

 A segurança e acondicionamentos: anti-fogo, anti-roubo, anti-inundação e o controlo da incidência da luz também fazem parte da preservação.

O Restauro: pode apresentar-se de forma ética, discernível e com critérios baseados na autenticidade e documentalidade. Quando uma peça é restaurada, embora com o sentido de lhe restituir o brilho, a pintura e completar componentes em falta; sem atender ao testemunho do tempo e outros sinais, estamos perante um restauro não discernível (não notado) e não ético.

O restauro não deve cobrir os sinais de assinaturas e marcas de manufatura/fabrico, números de série ou de tipo e outras marcas de origem ou que sendo posteriores trouxeram uma mais-valia informativa para a vida das peças. Uma imagem em que lhe foi adicionado um componente em falta, deixando visível o sinal da ligação no lugar em que se efetuou a intervenção, está mais de acordo com o restauro ético do que se a mesma imagem apresentar tentativas de encobrimento da operação. O caso infra da reprodução do retrato de Camões omitindo os sinais da assinatura e as marcas da parte rasgada constitui à luz do restauro científico e ético uma fraude.

Depois de efetuado o restauro - não ético, não discernível e não científico ficamos com o problema da incerteza de como era a peça no seu estado original. A aposição e colagem de frações perdidas ou partidas, em pedra, argila, metal, pergaminho, papiro ou papel devem ser discerníveis no resultado final. Isto é, deve-se perceber visualmente que as peças foram submetidas a restauro e reposição dos seus componentes. Além disso, o restauro deve ser acompanhado de um processo em que figure a descrição e as imagens do estado prévio, bem como as fases intermédias, até ao resultado final.
O conservador restaurador deve dialogar com o proprietário e/ou responsável (e vice-versa) das peças a restaurar. Ambas as partes chegarão a consenso, sendo este consenso baseado na ética profissional, na supervisão regulada oficialmente, em especial quando o património está classificado ou tem valor relevante para as populações.

 Um exemplo de salvaguarda, preservação e Conservação

Mais do que preservação, conservação e restauro ético e discernível, tratou-se de uma alteração profunda no núcleo antigo da minha aldeia. Vejamos como resultou e qual foi o processo de modificação visual deste Adro que simboliza reunião, comunicação, festa, lazer e saudade, sobretudo na época do Verão com a chegada de conterrâneos migrantes, emigrantes e outros.

Por altura da publicação de um post. em 2015, o meu colega e amigo Artur Alexandre comentou:

- «Acho bonito [esse Largo], mas penso que as renovações quando são feitas de certa maneira, acabam com a identidade dos locais».

Ao que respondi: Caro amigo Artur (…), houve aqui, de facto, uma profunda alteração. Contudo, eu próprio estou de acordo com as modificações, acompanhadas pela Câmara Municipal de Penedono, coadjuvadas pela Junta de Freguesia de Beselga e pela população local, cujas entidades acharam por bem pronunciar-se. Os conterrâneos, vizinhos e visitantes têm-se mostrado satisfeitos com o resultado final porque neste espaço havia várias casas em ruína, que ninguém desejava restaurar com as volumetrias, funcionalidades obsoletas e praticamente irrecuperáveis.

Em teoria, e sem uma análise in situ, o meu amigo Artur parece ter razão na sua alegada perda da identidade do local. Acontece que os equipamentos, neste caso, as habitações e lojas, não só mudaram de donos, como mudaram de funções. O que antes servia como habitações, lojas para produtos da terra, gado e comércio; deixou de ter essas valências e perderam utilidade. Contudo, foram salvaguardadas algumas marcas físicas de outrora, reconstruídas e encostadas nos fundos do Largo.

Entre essas marcas/peças contam-se:

-“BALCÃO DO SENHOR ANÍBAL”;

-“JANELA DA CASA DA SENHORA DALINDA”;

-"ALVENARIA DA CASA DA SRª DALINDA";

-"PIA DOS PORCOS DA SRª DALINDA"

-“BALCÃO DA CASA DO SR. AMÂNDIO PAIXÃO"

-“PIA DAS GALINHAS DO SR. JOSÉ SAPATEIRO"

-SÍTIO DAS GALINHAS

-“CHÃO DA TABERNA DO SR. JOSÉ CHAVES”.

Todas estas marcas estão apresentadas com as respectivas legendas informativas.

Veja infra a sequência de fotos: do pretérito e atualidade.

Ainda o caso do retrato do nosso Poeta Mor Luís Vaz de Camões
Atribuído à autoria de Fernão Gomes, apresenta-se o antes e o depois do restauro (ou será reprodução?) não ético e não discernível. Por quem e quando terá sido executada esta cópia? Só uma análise científica, incluindo o método do “carbono 14” poderá dar uma resposta aproximada quanto à época da sua execução. A falta de ética patrimonial e documental começa aqui. Porém, temos que dar o desconto da época em que terá sido executada tal cópia, quando não haveria ainda as entidades reguladoras e formadoras.

É de constatar que no retrato reproduzido, até a indicação do nome do autor foi omitido.

Com sorte, temos as duas imagens, a do antes e depois. As cópias e as reproduções podem até apresentar-se atrativas; podem até ter a função didática e de preservação do original (embora duvidemos que esta tenha sido a intenção da criação das cópias). Acontece que, por vezes, são apresentadas falsas cópias (falsas porque nem sequer respeitam o original, foram baseadas num embuste reprodutivo) e vendidas a alto preço como se fossem originais.
&

Junto anexo imagens da renovação, em parte remodelação (há quem diga requalificação) e restauro do Adro da aldeia: freguesia de Beselga, paróquia e orago de Santa Cruz de Beselga, co-orago Divino Senhor dos Passos, concelho de Penedono, distrito de Viseu.

Uma seleção de imagens do antes e durante o processo de intervenção:
























Uma seleção de imagens após a intervenção, em que se perceciona essencialmente o espaço público e a nova utilização social:



 
No lugar físico de sete casas irrecuperáveis apresenta-se hoje um largo e equipamento social em torno da Igreja / Adro e Praça que constituem uma referência memorial e festiva para a população.








Abaixo apresentam-se algumas peças/marcas de outrora, encostadas nos fundos do novo Adro / nova Praça.










































Imagens: Alfredo Anciães; gentileza da página facebook Comissão de Festas de Beselga “ https://www.facebook.com/comissaofestas.beselga, Fátima Beco e Livraria Santiago http://www.livrariasantiago.com/popup_image.php?pID=10474&osCsid=8e1739b7d0583681e966dbdf8da47475

Fontes bibliográficas:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos - Portugal Telecom / Fundação das Comunicações: A Conservação Preventiva do Património Museológico de Telecomunicações (dados de situação e subsídios para o seu melhoramento). Lisboa: Fundação das Comunicações, 1994

----------Sobre as Condições Termo-Higro e Luminotécnicas. Lisboa: Fundação Portuguesa das Comunicações, 2002

----------Subsídios para a Elaboração de um Plano de Conservação e Restauro da Documentação em Suporte de Papel no CDI dos CTT. Lisboa: CDI dos CTT, 1991

-CASANOVAS, Luís Efrem Elias – “Seminário sobre Conservação Preventiva”. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 1989

-CRESPO, Carmen; VICENTE, Vinas – The Preservation and Restoration of Paper Records and Books. Paris:¨UNESCO, Unisist, 1984

-ESTEVES, Lília Maria – “Fichas de Agentes Biológicos que Atacam Material Bibliográfico e Documental”. Trabalho Elaborado para o Laboratório Central do Instituto José de Figueiredo. Lisboa: Instituto José de Figueiredo, 1984

-GUILCHEN, Gael – Climat dans les Musées: Mesure, Fiches Techniques. Roma: ICCROM, 1980

-INSTITUTO do Emprego e Formação Profissional, et al – “VII Exposição Conservação do Património Cultural, VII Exposição 4 a 9.12.1993”. Lisboa, Forum Picoas, 1993

----------“Conservação do Património Cultural: I Feira das Indústrias de Conservação do Património Cultural, V Exposição Venda, Forum Picoas, 30.11 a 8.12. 1991”. Lisboa, 1991

-PARKER, Thomas A. – Estudio de un Programa de Lucha Integrada Contra las Plagas en los Archivos y Bibliotecas. Paris: UNESCO: UNISIST, 1989

-PATROCÍNIO, Celina do – “Notas da Cadeira de Conservação e Restauro do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Universidade de Lisboa – Luís de Camões”. Lisboa: 1991

-THOMSON, Garry – “The Conservation of Antiquities: Developments in Planing” in Cahiers d`Histoire Mondiale, vol XIV, 1.UNESCO, 1972

---------- - The Museum Environnment. Londres: Butterworths, 1981

 Documentos em linha:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos - “Da Salvaguarda e Divulgação” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2017/01/122da-salvagurda-e-divulgacao.html


-WIKIMEDIA / Wikipédia et al – [Retrato de Camões restaurado] https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Cam%C3%B5es

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

123 TURISMO E MUSEOLOGIA EM LISBOA: ENTRE A HISTÓRIA E AS LENDAS

A visita de Grupo ao Príncipe Real / São Pedro de Alcântara teve lugar no dia 9.01.2017 em colaboração com a Universidade Sénior e União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão.



Imagem do palácio romântico neo-árabe ou dos três torreões

Analisámos sinais físicos e imateriais representativos dos valores históricos, culturais e museais (a) da portugalidade e do território em que nos revemos no terreno, entre as populações, nos hábitos e nas expressões; nas peças artísticas, na geografia e na toponímia.
....
(a)
Seria pertinente e salutar que a ação museológica fosse implementada nestas áreas. Levar o Museu Aberto e Social ao Bairro. Teria todo o sentido que os Museus da zona descessem à rua implementando/comutando (permutando, comunicando) conhecimentos que a museologia tradicional e social confere; em conjugação com os poderes autárquicos e Organizações patrimoniais. Os museus da zona trabalhando com e para as populações poderiam sugerir a musealização dos patrimónios extra muros com mais e melhor informação in loco, com a reconstituição de peças de arte mutiladas ou desaparecidas, como é o caso de vários bustos no patamar inferior do Jardim de São Pedro de Alcântara.
Na visita apresentámos o que foi possível, atendendo ao tempo e ao espaço, às perguntas e às respostas.

Entre as marcas da herança cultural abordadas, várias mereciam uma apresentação mais detalhada, outras marcas e equipamentos passaram ao lado sem serem contempladas com uma leve descrição.

Contudo, parte da informação que preparámos, e não conseguimos expor, pode ser consultada nos endereços e links incluídos neste artigo.

A referência ao povo indígena (extrímnico ou pré celta) que, em nossa opinião, contribuiu para a distinção do povo que hoje somos, tem primado pela ausência no sistema clássico de ensino formal.

Daí, quando nos referimos às origens de Lisboa e do território litoral atlântico, coincidente com o atual Portugal, Galiza, Bretanha Francesa, Ilhas Britânicas e Irlanda; duas atitudes se perfilam:

1)ou se fica mais interessado e atento ao discurso inusitado no sistema de ensino formal;

2)ou, pelo inverso, quando nos referimos ao tempo pré-clássico, o interesse diminui, quiçá, por não haver suficiente investimento arqueológico, museológico e arquivístico e algum desinteresse pela parte do referido ensino formal.
Ulisses em São Pedro de Alcântara, contorcido a olhar idealmente para o Sul e o Ocidente (sudoeste). Porque será que o seu rosto se contorce para estes horizontes? A resposta "estará nas Estrelas" e na HISTÓRIA dos Extrímnico/Lusófonos, reconhecidos e enformados pelas raízes gregas. A obra de Homero (onde Ulisses é personagem primeiríssima) é especialmente adotada por Camões, Fernando Pessoa e pelo atual Frederico Lourenço.

Na visita a São Pedro de Alcântara, entre a toponímia, a arqueologia da paisagem e a série de bustos da idade pré-clássica, clássica e renascença, não podíamos deixar de apresentar referências aos povos precedentes: antes das invasões bárbaras seguidas por fenícios, gregos, romanos; novamente bárbaros, mouros/árabes, europeus medievais, portugueses da Renascença e dos Descobrimentos, representados, alguns, em peças artísticas na Colina de São Roque.

Começámos no Príncipe Real com a referência ao povo pré celta (ou Extrímnio). Pressentíamos que não iríamos ter tempo nem condições em S. Pedro de Alcântara, perante a empolgante paisagem da colina miradouro.

No final da visita uma parte do grupo opta por prosseguir o percurso, por sua livre iniciativa, a fim de fruir a cidade, ora valorizada com a informação apresentada no programa de museologia tradicional nova e social, ora pelos artigos entretanto publicados nesta plataforma. (V. entradas bibliográficas e seus links).


QUEM ERA ULISSES REPRESENTADO NO MIRADOURO / COLINA DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA?
Recordamos o busto do célebre Ulisses, uma das marcas artísticas que terá deixado curiosidade, entre o grupo, e cuja influência, presencial ou simplesmente lendária, terá contribuído para o nome de Lisboa.
 
A lenda refere ainda que Ulisses teria a intenção de fundar por estas geografias do Arco Atlântico (b) um território/nação chamado Ulisseia. A História (com “H” grande) não registou tal nome mas as influências gregas, prosseguidas pela romanidade prolongam-se e entranham-se na Civilização Ocidental ao ponto de em 2016 termos assistido à atribuição do "Prémio Pessoa", referente à tradução e reedição de duas obras de Homero, pelo labor, dedicação e saber do português Frederico Lourenço.
...
b)Sobretudo na parte de influência marítima de Portugal, mas possivelmente alargado à Galiza, Bretanha Francesa, Ilhas Britânicas e Irlanda
D. João de Castro, Vice-Rei da Índia, o mesmo que deu e empenhou tudo em favor das suas tropas, de Portugal e da cidade-fortaleza de Diu, Património Mundial da Humanidade

A vida de Ulisses entrelaça-se com a História da Grécia Antiga, nomeadamente na Odisseia, obra que reflete o nome de Odisseu (em grego); ou Ulisses (em latim) e exalta a civilização helénica.

Ulisses é o herói principal do cerco a Troia. Homero seu criador esmera-se na estratégia, nos seus dotes oratórios, quiçá inspirado pelo museion e pelas suas deusas/musas inspiradoras. Ulisses consegue persuadir os seus correligionários e enganar os opositores troianos.

Ulisses imagina o célebre assalto a Troia que vale o desenlace com a vitória na conquista da cidade.

Ulisses é o principal guerreiro camuflado no cavalo artificial, construído como oferta ardilosa aos troianos. Depois da conquista e libertação de Helena resolve regressar à sua terra e enfrenta perigos mil.

Numa versão lendária (quiçá, representativa de uma realidade possível), Homero deambula e chega ao extremo do continente euroasiático (o tal Arco Atlântico extrímnico, pré-céltico ou celtóide). Encontra aqui um povo singular na descrição de Festus Rufus Avienus que se serve de fontes, nomeadamente de Ptolomeu e de Estrabão, entre outras mais antigas.

Ainda segundo a lenda, Ulisses é tentado pela sedução da rainha do povo indígena nestes promontórios e estuário do Tejo. A custo liberta-se da rainha Ofiúsa (c) que o tenta raptar. Na perseguição pela costa e mar adentro, Ofiúsa e o seu povo provocam abalos terrestres e marítimos, tendo-se assim originado mais uma das versões da formação das 7 colinas de Lisboa.
...
(c)Mistura de serpente e mulher, ou simplesmente tatuada com os totens serpentiformes alusivos à cultura do povo celta ou pré celta.

No regresso atribulado à sua ilha de Ítaca, envelhecido, cansado e desfigurado; em primeira instância só Argus, o seu cão fiel, o reconhece.

E PARA FERNANDO PESSOA, QUEM ERA ULISSES?

«[…] ULISSES

Este, que aqui aportou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos bastou.

Por não ter vindo foi vindo

E nos creou.

 
Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundal-a decorre. / […]» 

Extrato do poema a Ulisses in Mensagem, grafia/texto original, p. 19 (d)
....
(d)Para uma outra interpretação deste poema simbólico de Portugal histórico, presente e futuro. Veja ainda SOUSA, Rejane (ob.cit.)

 E assim concluo com:

 Musas e inspiração

Território, Povo, Geo Língua,

Mar, História, descrição,

Pátria, Presente, vastidão
Princípio, Futuro, Nação.
Fontes bibliográficas:

-MORAIS, Gabriela –Lenda da Fundação de Portugal, Irlanda e Escócia, 3ª ed. Lisboa: Apenas Livros, 2011;

-Id. Lisboa Guarda Segredos Milenares: Santa Brígida Uma deusa Céltica no Lumiar. Lisboa: Apenas Livros, 2011

-PESSOA, Fernando – Mensagem. Lisboa: Livraria do Dr. Pedro de Moura e Sá, 1934

 Fontes em linha, acedidas em 17.01.2017:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “090. Museus Museion Musas e epopeias em Contexto” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/08/90museus-museion-musas-e-epopeias-em-um.html ;

-Id. “104. Uma Visita a Lisboa em tempo de Santos” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/10/104-uma-visita-lisboa-em-tempo-de-santos.html ;

-Id. “105. Uma Visita à Sétima Colina de Lisboa”: Quando as Perguntas são tão Interessantes quanto as Respostas” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/10/105-uma-visita-setima-colina-de-lisboa.html ;

-Id. “106. Visita à Sétima Colina de Lisboa Inclui Entre outros e Importantes Atrativos, a Comemoração de um Tricentenário” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/11/106-visita-setima-colina-de-lisboa.html ;

-Id. “107. Localidades e Patrimónios Tangíveis e Virtuais” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/11/107-localidades-patrimonios-tangentes-e.html ;

-Id. “109. Jardim e Miradouro de São Pedro de Alcântara” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/11/109-jardim-e-miradouro-de-sao-pedro-de.html ;

-Id. “110. A Centralidade e o Nome de Lisboa – Portugal para lá do Mito Conto e Lenda” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/11/110-geografia-centralidade-de-portugal.html ;

-Id. “112. Sétima Colina de Lisboa foi Precursora” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/11/112-setima-colina-de-lisboa-foi.html ;

-ID. “115 Bairro Alto / Sétima Colina Curiosidades” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/12/115-bairro-alto-setima-colina.html ;

-Id. “117. Portugalidade: Relação com Patrimónios Culturais e Assistenciais” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/12/117-portugalidade-relacao-com.html ;

-Id. “118. Patrimónios e Fratrimónios na Colina de São Roque” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/12/118.html ;

-Id. “121.Trindade: A Mais Antiga Fábrica de Cerveja” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/12/121trindade-mais-antiga-fabrica-de.html .



-MORENO, Roberto - “Fundação Geolingua na Televisão RTP de Portugal, em 2004.mp4” https://www.youtube.com/watch?v=OhW0YSmLXt8

-QUEIRÓS, Luís Miguel - “Frederico Lourenço: Prémio Pessoa para o Tradutor de Homero e da Bíblia” https://www.publico.pt/2016/12/09/culturaipsilon/noticia/-e-o-premio-pessoa-2016-1754215

-SENA-LINO, Pedro - “Ofiusa [Lenda da Fundação de Lisboa]”  http://cronicasdebizancio.blogspot.pt/2015/05/ofiusa.html

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

122. SALVAGUARDA PATRIMONIAL: DESTAQUE PARA AS TERMAS ROMANAS DE CHAVES


 Análise Estratégica do Museu ou Organizações afins:
7. A SALVAGUARDA

Materializa-se em ações antecipadas de proteção jurídica/legislativa e diretamente sobre as peças físicas, ou não tangíveis (imateriais) para que um determinado património não corra perigos de furto, roubo, vandalismo, dispersão, abandono e degradação.
A salvaguarda implica estudo e, se possível, a classificação dos bens nas instituições de proteção do património. Deve agir-se, tão breve quanto possível, sobre os bens que estão em perigo real, ou previsível. Deve ter-se em conta os fatores de segurança, o tempo meteorológico, os trabalhos/obras e até os modelos económicos e políticos desfavoráveis; exemplo: o excesso de liberalização económica que leva ao desleixo e à privatização dos bens de interesse público.

A salvaguarda revela-se frequentemente em S.O.S. na medida em que se apresenta como ação urgente.
A salvaguarda é a ação ou ações de salvar em primeiro lugar, acrescida das ações de guardar / vigiar e proteger.
Vídeo gentileza  chavestv1; You Tube et al – "Museu das Termas Romanas-Chaves"


O caso da salvaguarda do “Balneário Romano em Chaves” constitui um conjunto de ações típicas e plenas, na medida em que permite salvar todas as peças patrimoniais reveladas.

Casos houve, como o do achado do Palácio do 1º Marquês de Marialva e 3º Conde de Cantanhede (a) sob o Largo de Camões em Lisboa que constituiu, em minha opinião, uma salvaguarda minguada na medida em que foram recolhidas algumas peças nas escavações mas relativizou-se o conjunto do edificado arqueológico.  
Idem para o “Fundeadouro Romano de Olisipo” sob a Praça de D. Luís I e também em relação ao Largo do Coreto de Carnide (oficialmente chamado Rua Neves Costa)  entre outros casos, onde a pressão económica e/ou a urgência em prosseguir as obras projetadas terão acabado por atenuar o valor patrimonial e consequentemente os trabalhos arqueológicos.

A proposta de musealização, também entra no âmbito da salvaguarda, incluindo a deslocação dos objetos encontrados, especialmente os mais sensíveis para outros locais com melhores condições.

À salvaguarda prosseguir-se-ão ações de estudo, organização, conservação preventiva, restauro, divulgação, exposição e comunicação.

 O documento que venho apresentando para a análise sistémica de patrimónios, organizações museológicas e documentais, servirá para enquadramento de casos reais, como o exemplo seguinte:

Trata-se de uma nova descoberta de termas romanas na cidade de Chaves com estruturas encontradas em bom estado de conservação por se ter dado o acaso de soterramento súbito devido à ocorrência de um sismo há cerca de dezassete séculos.
A Câmara Municipal interveio imediatamente após a descoberta, aquando das obras para um parque de estacionamento automóvel. Desde logo foi notado o relevante valor social do achado e prosseguiram-se as escavações arqueológicas.

Após cerca de dez anos de intervenções, parece aproximar-se o momento da abertura ao público de mais um equipamento museológico considerado raro em todo espaço do antigo Império Romano.
Tal como em Pompeia, ainda que por motivos diferentes (num caso a erupção de um vulcão e no outro um abalo sísmico), o acidente natural permitiu encontrar esqueletos humanos e peças em contexto. Contudo após a alteração das condições que permitiram a conservação in situ torna-se necessário acondicionar, conservar e eventualmente restaurar as peças do ex edificado e as móveis, tais como: “anéis, pulseiras” e espólio diverso.

Além de todo o trabalho de salvaguarda prevê-se abrir um museu no local com a ajuda a fundos comunitários. Este equipamento poderá, em minha opinião, juntar-se a outras estruturas termais, junto ao rio Tâmega, também provenientes do Império Romano e que já eram previamente conhecidas, contudo sem a monumentalidade dos recentes achados.
Outra peça ou núcleo museólogo que se lhe poderá juntar é a ponte romana local, integrando os patrimónios com relação, entre si, no contexto temporal e social.

Este conjunto de património da época romana poderá ser complementado com acréscimo de informação, como se de um museu polinucleado se tratasse. Permitirá às populações locais e aos visitantes um redobrado interesse.

O estudo detalhado deste espólio, turismo, ecomuseologia e economuseologia poderá, eventualmente, apontar para a reposição da funcionalidade termal do património e equipamento em referência.

…………………..
(a) O Marquês de Marialva, António Luís de Meneses foi o patrocinador e financiador do Convento e comunidade de São Pedro de Alcântara (Lisboa) como voto de agradecimento por ter ganho a Batalha dos Montes Claros, ligada ao movimento de Restauração da independência de Portugal.

Tags: Chaves, Lisboa, musealização, património, salvaguarda
Fontes:

Outras fontes, acedidas em 11.01.2017:

-DN Artes, et al - «Sismo "congelou no tempo" balneário romano em Chaves», - http://www.dn.pt/artes/interior/sismo-congelou-no-tempo-balneario-romano-em-chaves-5444320.html , 5.10.2016 ;
-------- «Chaves candidata-se a 800 mil euros da Europa para fazer museu» http://www.dn.pt/artes/interior/chaves-candidata-se-a-800-mil-euros-da-europa-para-fazer-museu-5444504.html, 15.10.2016 ;

-IGESPAR, I.P. Extensão de Trás-os-Montes et al – «Balneário Termal Romano (Chaves)» http://www.patrimoniocultural.pt/media/uploads/arqueologiapreventivaedeacompanhamento/chaves.pdf , sd.;

-chavestv1; You Tube et al – Museu das Termas Romanas-Chaves https://www.youtube.com/watch?v=iCiaAuIB5Xk

 -CHAVESTV1; MOURA, Paulo - «TIME-LAPSE - Cobertura Balneário Romano Chaves – Portugal» https://www.youtube.com/watch?v=-jG-n4Kj11g , 21.11.2014

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

«PARTI PARA UMA NOVA VIAGEM»


Partiu para uma nova viagem um Homem realmente Bom, como se pode ler na nota do cartão póstumo aqui anexo. Retirou-se por altura do ex-Presidente Mário Soares. O seu corpo esteve na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Avenida de Berna, Lisboa, onde foi realizada vigília e missa de corpo presente. Foi a incinerar em Barcarena no dia 9.1.2017.
 
Meu colaborador superior, no sentido em que o conheci como gestor de Serviços. Primeiro na DMCCA - Direcção de Marketing e do Património Cultural do Conselho de Administração e no GIACICA (Gabinete de Imagem e Acção Cultural Institucional do Conselho de Administração) dos CTT, em finais dos anos 80`s. Mais tarde em 2005/2006 na Fundação Portuguesa das Comunicações. Nesta última Organização colaborámos diariamente, durante vários meses.
O Dr. Carlos Bernardo era um Homem de baixa estatura física, media cerca de 1,60m, se tanto, no entanto e como diz o jargão popular, os homens não se medem aos palmos. Como pessoa boa, íntegra e culta era gigante.

Vivia mal com a iniquidade e a corrupção que conhecera no país e nas empresas. Vária do conhecimento público, até pela imprensa; outra referida em meios mais pequenos. Por não se prestar a iniquidades e corrupções foi, algumas vezes, transferido de serviços.
Quando no final do ano transato telefonei para marcarmos o almoço habitual de Natal do nosso grupo, atende-me a esposa informando-me que o marido estava com problemas de saúde.

Amigo do seu amigo e com grande consideração por e em quem confiava. No último período de trabalho em que colaborámos assiduamente, o Dr. Carlos Bernardo estava destacado com a função de controlar o meu trabalho e equipa.
Deu-se a incidência de, por caso inédito na História das telecomunicações, as tecnologias serem completamente alteradas em poucos anos, produto da reconversão do analógico em digital, numa época de explosão da utilização destas tecnologias.

Por esta razão e ainda:
pela privatização das empresas; pela separação das áreas de correios e telecomunicações; pelas políticas culturais adotadas com a criação de uma FPC (Fundação Portuguesa das Comunicações); pelo desenvolvimento da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações); pela criação de uma Fundação Portugal Telecom e por via da minha própria passagem à aposentação, foi imprescindível tratar da conferência, catalogação e entrega do património de Comunicações aos CTT, à PT, à ANACOM e à FPC.

Uma quantidade inédita de mais de dezassete mil registos informativos, só de telecomunicações, correspondentes a cerca de cinquenta mil peças, tudo a realizar em tempo record, relativamente ao megaprojeto. Como a função de controlo se revelava desnecessária, o Dr. Carlos Bernardo não perdia oportunidade de ajudar na desinstalação, reinstalação e transporte de peças das áreas de reserva e acomodação para as mesas de catalogação e vice-versa, sem quaisquer preconceitos de sujar mãos e roupa.
Se já eramos respeitadores e de confiança mútua, com o projeto de patrimonialização e entrega às entidades, ficámos mais amigos e nunca deixámos de festejar a amizade sobretudo nos finais de ano.

Foi, pois, com muita dor que me despedi fisicamente do Homem Bom.
“Boa viagem” caro Amigo e boa estada perante o Altíssimo.
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Tags: ANACOM, CTT,  FPC, Fundação PT, memória, património de comunicações, saudade