quinta-feira, 27 de novembro de 2014

24 ACERVOS DE COMUNICAÇÕES NEO-LIBERALISMO & TECNOCRACIA


 

“[…] Por curiosidade achas que esses acervos de que falas estão mais seguros em depósitos? Bem ao que parece continua-se só com boas intenções face às políticas museológicas […]. Ainda vendem o acervo aos Chineses!” (1)
Não é linear que os acervos estejam mais seguros, fechados a sete chaves, em depósitos. Uma situação que deu que pensar deu-se quando o Museu dos CTT fechou em 1985 por causa de alegados problemas de perigo de incêndio, infiltrações ou inundações no ex-edifício sede, situado na Rua de D. Estefânia, números 173-175. Porém, isso de encerrar portas, repentinamente, à exposição “permanente” e regressar tudo a depósitos foi, em nossa opinião, apenas um pretexto para mudar de política museológica, transferindo responsabilidades das empresas de capitais públicos e de tradição estatal para a figura institucional de Fundação das Comunicações. Esta política tornou-se mais evidente com a substituição da saudosa conservadora-chefe - Drª Maria da Glória Pires Firmino, enviando-a para Macau durante um certo período de tempo, alegando que iria fazer um estudo para a criação dum Museu dos CTT naquele Território. No seu regresso a conservadora deparou com várias mudanças, inclusivamente no seu próprio gabinete de trabalho. Parte do conteúdo da exposição “permanente”da Estefânia só voltou a reabrir meses mais tarde no Largo da Trindade/Lisboa e o próprio Museu dos CTT passou a designar-se - Museu CTT das Comunicações, alterando-se também a forma de gestão e os dirigentes de topo. Criou-se, então, uma comissão organizadora para uma Fundação das Comunicações. Atualmente o sucessor do Museu dos CTT, ao qual se juntaram novos patrimónios, passou a designar-se Museu das Comunicações, gerido pela FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações. Por sua vez, os fundadores e financiadores da Fundação são os CTT, a PT e a ANACOM (ex-ICP - Instituto das Comunicações de Portugal). Cada uma destas entidades é proprietária dos patrimónios que fazem parte da sua própria história e que se interliga com a história das populações e do uso das tecnologias comunicacionais. “Tanto património” para quê? Haverá quem pergunte, como já aconteceu, e queira ver reduzido o mesmo património. A resposta é a seguinte: A maioria dos museus apenas expõe, a cada momento, pequena parte do acervo que gere. A parte mais substancial 90%, ou mais, fica em reservas, algumas das quais são visitáveis, devidamente equipadas e organizadas. É nestes espaços para-museológicos que se guardam os acervos para alimentar as exposições, sejam de curta, média ou de longa duração.

A observação de Lucinda é importante.

- Ainda vendem o acervo aos Chineses!.

Com a vontade em fazer dinheiro a qualquer preço e reduzir custos de manutenção, nada espanta! Quanto ao Chineses não temos nada contra este povo. A ideia da edição destes postes com a temática dos patrimónios de comunicações nasceu justamente do receio de que os acervos, alguns deles com dezenas ou centenas de anos, possam ir parar, não se sabe ao certo a onde, nem a quem, por razão da mudança de proprietários e das empresas do setor. A nossa preocupação centra-se na ideia de que não é lícito que sejam alienadas peças de interesse nacional e regional, científico e cultural que ajudaram e ajudam a reconstituir identidades e plasmam a história do povo português. As peças correm o risco de poder ser alienadas e nós, cidadãos e amigos do Museu das Comunicações, estamos empenhados em sensibilizar para que sejam consideradas parte do património cultural português, adquirindo o Estado a sua propriedade e tratando da sua gestão. Convém também que o Poder Político, os Sindicatos, os Colaboradores, ex-Colaboradores e as Populações contribuam em solidariedade, passa-palavra e divulgação na Imprensa e on-line. O País ficará, sem dúvida, mais pobre e menos interessante  se deixar sair do seu controle estes acervos que representam atividades de comunicações pluri-seculares e a relação dos portugueses e de Portugal com o Mundo.


Com votos de um Bom Advento / Bom Natal.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

23 POSTAL DOS CORREIOS

 
À Albion me liguei

Quando bem refleti

De enlace me vi

Com os imensos brasis.

De súbito reparei

Que parte de mim separei.

Que sinistra amputação!

Alta agora irei ter
 
Desta de(cisão);
 Postar vou sem omissões

Que aos CTT de Portugal quero voltar

Com o irmão Telecomunicações.
 
& 
 
Neste tempo de incertezas, como bom seria a recriação dos CTT maioritariamente (51%) públicos. Como alguém dizia juntos podemos.

Com a recriação dos CTT (correios e telecomunicações) recuperar-se-ia parte da soberania perdida. Exerçamos, pois, a cidadania, divulgando / defendendo (SOS) Patrimónios que operámos um dia.

Bons tempos de pré-Natal. Que sejam também de esperança para as famílias, empresas de comunicações e patrimónios ativos; 

Ação e esperança também para os patrimónios de cultura, ciência e técnica adquiridos no tempo e no seio de empresas públicas e/ou com capitais públicos, como foram os CTT; PT, ex-Marconi, ex-Teledifusora de Portugal, RDP/Antena 1, RTP, ANA e TAP.
 
Um Abraço.
 
AA 

sábado, 8 de novembro de 2014

22 GUERRA PENINSULAR E LINHAS DE TORRES: UMA PERSPETIVA BASEADA NAS IDEOLOGIAS ENTRE O MERCANTILISMO E O LIBERALISMO

As Linhas de Torres (sistema de comunicações, fortificações, fossos, redutos, paliçadas, destruições/"terra queimada") situam-se no concelho de Torres Vedras, donde lhe vem o nome, mas também nos concelhos vizinhos de Vila Franca de Xira, Arruda, Sobral de Monte Agraço, Loures, Mafra, Oeiras e Almada. Inserem-se na terceira invasão francesa à Península Ibérica, mais especificamente para a defesa da capital do reino de Portugal (1).
Como causas remotas  das invasões francesas podemos referir a evolução do capitalismo: do mercantilismo ao liberalismo económico, concebendo o mercantilismo como uma forma de economia intervencionada pelos Estados com procura e dominação de mercados e territórios.
O mercantilismo dos finais do século XVIII chocou com as teorias e práticas do liberalismo, dado que este sistema económico e político defendia o livre acesso aos bens e o seu mercado. Deste modo, a França que se achava prejudicada no seu comércio, sobretudo o de acesso e distribuição por via marítima, opõe-se a outras potências com marinha. A batalha de Trafalgar (1805) entre a França napoleónica e Espanha contra a Inglaterra é um exemplo.  
As invasões francesas são o seguimento de uma política que visa controlar mercados e territórios e constituir o seu próprio império. Neste aspecto o liberalismo económico está em contradição com o primado do liberalismo político e parece assemelhar-se ao moribundo mercantilismo.
A terceira e última invasão a Portugal decorre entre Novembro de 1810, até Abril de 1811, continuando depois em Espanha e envolve, não só o espaço geográfico à volta da capital onde se situam as Linhas, mas também as Beiras, Trás-os-Montes  e especialmente a Estremadura. Indirectamente afecta todo o país, quer pelo desvio de bens, quebra de negócios e receitas fiscais, quer pela mobilização de recursos humanos. 
No processo de “ajuda” à Península Ibérica, os Ingleses ganham tanta hegemonia que mais tarde haveria de contribuir para revoltas e mesmo para a revolução republicana em Portugal com a adopção de um novo hino nacional onde constavam inicialmente as referências “contra os bretões (e não contra os canhões) marchar, marchar”.
A partida da corte portuguesa para o Brasil data da primeira invasão (1807) e a independência do Brasil é potenciada pela revolução francesa, pela difusão das ideias liberais, pela própria estada da corte no Brasil e pela pressão da abertura do comércio directo do Brasil com as nações estrangeiras.
As linhas de Torres permitiram poupar Lisboa a uma nova perda do controle do território, conforme acontecera aquando da primeira invasão e poderia levar à perda da independência, como se verificou em Espanha. Segundo o parecer dos Ingleses que comandaram o projecto das Linhas de Torres, estes trabalhos constituiram uma das maiores obras, a nível mundial, que permitiram a obstrução da passagem do exército napoleónico. Por este motivo, estas Linhas têm vindo a ser recuperadas como um património nacional e de interesse internacional.
Os Ingleses, especialmente os virados para a  História, a Arquitectura Paisagística e Militar  são os mais entusiastas no estudo e nas visitas às Linhas de Torres. Porém, e não obstante a barreira destas Linhas que vão do Tejo (Vila Franca / Loures) ao Atlântico (Torres Vedras, Ericeira, Mafra), as principais causas da retirada do exército francês foram as dificuldades de aprovisionamento de bens para alimentar um grande exército de homens, cavalos e outros animais de tracção e carga.
Uma outra razão da derrota francesa deve-se às condições de avanço no terreno através de péssimos e estreitos caminhos da época, onde as carruagens de transportes de equipamento frequentemente avariavam ou simplesmente não avançavam por não caberem nas vias e trilhos portugueses. Talvez por esta razão Wellington, o principal estratega inglês da construção e defesa das Linhas de Torres optou por concentrar o grosso das tropas e recursos nas linhas de Torres, próximas da capital e do mar onde a Armada Britânica tinha primazia de manobra e poder.
Wellington Foi criticado por algumas patentes militares e membros do governo por ter contribuído para o quase desguarnecimento do restante território e fronteiras portuguesas, optando pela política de “terra queimada”, mandando destruir bens de consumo, moínhos, casas e outros bens, a fim de privar o inimigo de condições de abrigo e subsistência. Mandou igualmente retirar as populações, concentrando-as na capital onde viveram miseravelmente e em muitos casos com a separação ou perda do agregado familiar.
Durante a terceira invasão, entre a chegada, estada e a retirada deram-se confrontos no Rio Côa, Almeida (2), Buçaco, saque de Coimbra, Alenquer, Sobral de Monte Agraço, Dois Portos, Seramena (Sobral), Alhandra e Bulhaco (V.F. Xira), Runa, Cartaxo, Ponte do Abade, Vila da Ponte, Rio Maior, Pombal, Redinha, Casal Novo, Foz do Arouce e Sabugal.   
Mas nem só de batalhas e combates com mortos e feridos, privações e fomes se fez a História das invasões. Chegou a haver difusão de ideias políticas e de cultura, participações em folclor, ópera, episódios de cavalheirismo entre tropas das duas facções nos períodos de acalmia, tal como convites aos oficiais inimigos para assistirem a peças de teatro e animação. O cômputo geral foi, essencialmente, de enormes perdas de vidas e feridos, não só em combate mas pelo cansaço, doenças, fome e frio. Os recursos alimentares e equipamentos foram em grande parte destruídos, tudo pela ambição de riquezas e para ampliar os espaços de hegemonia e negócios.
A ciência e a técnica foram incrementadas, nomeadamente no conhecimento do território, através da elaboração de cartas e posições geodésicas. As telecomunicações desenvolveram-se no tempo da revolução Francesa e das invasões. Inventaram-se sistemas de telegrafia com recurso a códigos e telescópios (exemplos de telégrafos óptico/visuais desta altura: francês de Chappe, inglês com sistema de bolas e português de Ciera) 
Em Portugal, o telégrafo de Ciera constituíu um avanço tecnológico pela maior facilidade em comunicar. Esta aptidão, resultante da necessidade e da vontade em inovar, haveria de ser prosseguida no tempo, tendo sido o nossso país um dos pioneiros em inovações tecnológicas nas comunicações.
As lutas, de corpo-a-corpo e em campo aberto, passaram a desenvolver-se com o recurso à artilharia, infantaria e telecomunicações, permitindo afastar as frentes de combate e dar a possibilidade de tratar dos feridos, recolhendo-os para enfermarias e hospitais.
As difusão das ideologias liberais também estão ligadas às invasões francesas, bem como à consequente queda do absolutismo. As independências de vários países na América Central e do Sul, influenciadas pelos EUA e pela Europa, muito devem aos movimentos revolucionários e aos interesses comerciais de países que queriam ter mais liberdades para abastecimenos, vendas e trocas de produtos evitando pagamentos de taxas alfandegárias.
(1)   Por questões de espaço passamos por cima da 1ª e da 2ª invasão, tendo de antemão que as mesmas foram prejudiciais para Portugal e para a própria França com as várias derrotas que sofreu. A Inglaterra que se bateu em batalhas navais, na Peninsula Ibérica e outros teatros de guerra da Europa, conseguiu aumentar a sua hegemonia que durou até praticamente à segunda Guerra Mundial.
(2)    Que se rendeu devido ao acidente da explosão do paiol.
Fontes de apoio:
A última campanha napoleónica contra Portugal. 1810-1811 / Coronel José Custódio Madaleno GERALDO. Disponível em http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=578, adedido em 18.09.2011
As Linhas de Torres Vedras / Carlos Guardado da SILVA. Disponível em http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/as_linhas_de_torres_vedras_carlos_guardado_da_silva.pdf, acedido em 18.09.2010
As Linhas de Torres Vedras. Invasão e Resistência. 1810-1811 / Cristina CLÍMACO. Lisboa: Edições Colibri, Câmara Municipal de Torres Vedras, 2010
Associação Napolenónica Portuguesa. Disponível em http://linhasdetorres.wordpress.com/2008/03/28/associacao-napoleonica-portuguesa/, acedido em 19-10.2011
Associação Napoleónica Portuguesa e Grupo de Recriação Histórica de Almeida. Disponível em  http://linhasdetorres.wordpress.com/2008/04/15/associacao-napoleonica-portuguesa-e-grupo-de-recriacao-historica-de-almeida/, acedido em 19.10.2011
Bicentenário do Corpo Telegráfico 1810-2010 / major-general António Luís Pedroso de Lima, et. al. s.l.: Blueprint, Ldª, 2010. Também disponível em http://www.exercito.pt/historiatm/Documentos/Livros/Bicenten%C3%A1rio%20do%20Corpo%20Telegr%C3%A1fico%201820-2010.pdf, acedido em 14.10.2011
Bocage poeta da liberdade. Extraído da exposição bibliográfica dos 230 e 190 anos do seu nascimento e morte. Câmara Municipal de Setúbal, Daniel Pires. Disponível em http://purl.pt/1276/1/liberdade.html, acedido em 26.09.2011
Bocage [poeta neo-clássico, arcádico, pré-romântico, pró-revolucionário e anticlerial] Disponível em http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm, acedido em 28.09.2011
Bicentenário do Corpo telegráfico 1810-2010 / major-general António Luís Pedroso de Lima et al. s.l.: Blueprint, Ldª, 2010. Disponível também em http://www.exercito.pt/historiatm/Documentos/Livros/Bicenten%C3%A1rio%20do%20Corpo%20Telegr%C3%A1fico%201820-2010.pdf, acedido em 14.10.2011)
Fundo de Arquivo Pessoal do general Jean-Gabriel MARCHAND disponível em  http://daf.archivesdefrance.culture.gouv.fr/sdx-222-daf-bora-ap/ap/fiche.xsp?id=DAFANCH00AP_275AP, acedido em 09.10.2011
Francisco António Ciera / Maria Helena Dias. Disponível em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p48.html, acedido em 11.09.2011
Gomes Freire de Andrade. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Gomes_Freire_de_Andrade), acedido em 15.09.2011
História da guerra e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal, compreendendo a história diplomática, militar e política deste reino desde 1777 até 1834 / José Luz Simão SORIANO. Lisboa: Lisboa: Imprensa Nacional, 1866-1990). Disponível na BNP - Biblioteca Nacional de Portugal e referências em http://www.archive.org/details/historiadaguerr09sorigoog, http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Z019e0h6cMUJ:pt.wikipedia.org/wiki/Luz_Soriano+historia+da+guerra+e+do+estabelecimento+do+governo+parlamentar+em+Portugal+compreendendo+a+historia+diplomatica+militar+e+politica+deste+reino+desde+1777+ate+1834+Jos%C3%A9+da+Luz+Simao+soriano&cd=3&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt, http://purl.pt/12103/1/ acedidos em 20.09.2011
Histoire de la guerre de la péninsule et dans le midi de la France depuis l`année 1808 jusqu`à  l `année 1814" / William Francis Patrick NAPIER. Paris: Treutel et Wurtz, 1828-1844. Disponível também em  http://books.google.co.uk/books?id=VCZKepmKxwEC&printsec=frontcover&dq=bibliogroup:%22Histoire+de+la+guerre+dans+la+p%C3%A9ninsule+et+dans+le+midi+de+la+France,+depuis+l'ann%C3%A9e+1807+jusqu'%C3%A0+l'ann%C3%A9e+1814%22&hl=pt-PT&ei=BFR3TqKUGsOb1AXd2ryXCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false, acedido em 19.09.2011
La mémoire des campagnes napoléoniennes au Portugal (1807.1811). Au croisement des sources orales, écrites et iconographiques / Tereza Caillaux de ALMEIDA. Disponível em http://www.msh-clermont.fr/IMG/pdf/04-CAILLAUX_27-38_br.pdf, acedido em 12.10.2011
La mission de Lagard policier de l´empereur pendant la guerre d`Espqagne 1809-1810. Edition des depeches concernant la Peninsule Iberique / Nicole GOTTERI. Paris: Publisud, 1991
L`armée du Portugal ou o desconcerto de um exército: Preparação e concretização de uma expedição a Portugal. 1810-2010 Linhas de Torres Vedras. Comemoração bicentenário.  Torres Vedras: Nov. 2009 - Nov. 2010 / Cristina CLÍMACO. Disponível em  http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/l_armaee_du_portugal_ou_o_desconcerto_de_um_exaercito_cristina_claimaco.pdf, acedido em 03.10.2011
Liberalismo económico. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_econ%C3%B3mico, acedido em 29.08.2011
Mártires de Arrifana. Disponível em: http://joelcleto.no.sapo.pt/textos/Comercio/MassacreemArrifana.htm, acedido em 19.10.2011
Mémoires de Masséna redigées d`après les documents qu`il a laissée et ceux du dépôt de la guerre et du dépôt des fortifications / General Jean Baptiste Fréderic KOCH. Paris: Paulin et Lechavalier, 1848-1850
Memoires sur les Lignes de Torres Vedras élevées pour couvrir Lisbonne en 1810. faisant suit aux Journaux des sièges entrepis par les allés em Espagne / John T. JONES. Paris: Anselin, 1832
Mémoires sur ma campagne du Portugal 1810-1811 / general Jean Jacques Germain PELET-CLOZEAU. Paris: Librairie Historique F. Teissèdre, 1999. Resumo disponível em  http://www.clavreuil.fr/editions.php?p=17, acedido em 12.10.2011
Mémoires sur ma campagne du Portugal (1810-1811) annotées par Christian Schneider / general Jean Jacques Germain PELET-CLOZEAU. Paris: Editions Historiques Teissèdre, 2003
Memórias de Massena. Disponível em http://www.guardamor.com/livro.php?id=892, acedido em 11.10.2011
Memórias de Massena - Campanha de 1810-1811 em Portugal / António Ventura. Lisboa: Livros Horizonte, 2007
Mercantilismo. Disponível em  http://www.infopedia.pt/$mercantilismo, acedido em 29.08.2011
O Absolutismo. Aliança entre o Trono e o Altar. Disponível em: http://www.pime.org.br/missaojovem/mjhistdaigrejatrono.htm, acedido em 28.08.2011
O portal da História. Cronologia das invasões francesas, 1810 a 1813. Disponível em: http://www.arqnet.pt/portal/portugal/invasoes/inv1810.html, acedido em 28-08-2011
Recueil choisi des dépêches et ordres du jour de feld Maréchal duc Wellington / Colonel John GURWOOD. Bruxelles: Meline, Cans et Cie, 1843. Edição impressa disponível na BNP - Biblioteca nacional de Portugal.
Souvenirs / Louis Samuel BÉCHET DE LÉOCOUR. Paris: Teissedre, 1999
Sé Catedral da Guarda e invasões francesas. Disponível em http://www.guiadacidade.pt/pt/poi-catedral-da-guarda-14600, acedido em 19.10.2011
Telecomunicações militares: Inovação e Soberania / José Vegar, Estados-Maiores do Exército e da Força Aérea disponível em http://www.fpc.pt/FPCWeb/docs/20820.pdf, acedido em 14.10.2011
Telégrafo Português de Francisco António CIERA na Atalaia - Vila Nova da Barquinha - Abrantes no ano de 1810. Disponível em http://atalaia-barquinha.blogspot.com/2010/02/o-telegrafo-de-ciera-ano-1810-abrantes.html, acedido em 14.10.2011
Telégrafo Português de Francisco António Ciera no ano de 1810. Disponível em http://coisasdeabrantes.blogspot.com/2011/03/abrantes-militar-telegrafo.html, acedido em 14.10.2011
 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

21 MUSEOLOGIA ENTRE O ESTADO NOVO E A DEMOCRACIA: O CASO DO EX-MUSEU DOS CTT E TLP

«Perdi a conta as vezes em que carinhosamente me ligava quando eu estava no fundo do poço [...]» (1)
Novo conservador e edifício sede exclusivo para o Museu dos CTT

Em 1959 assumiu funções de conservadora-chefe a Drª Maria da Glória Pires Firmino. Durante o período em que esteve à frente do museu (1959-1986), este foi transferido da Rua das Picoas, 7 – 2º andar e da Rua Castilho onde funcionavam respetivamente as exposições dos sectores do correio e de telecomunicações (encerradas em 1962), para a Rua de Dª Estefânia, 173-175, reabrindo ao público, nesta última morada, em 1967.
Este edifício pertencera ao Sr. Henrique Maufroy de Seixas, exímio colecionador de tudo o que respeitava à marinha e onde instalara dois andares com espécimes desta atividade. Digamos que o edifício da Estefânia, com interiores ricamente decorados, já tivera tradição nas lides do colecionismo, museologia e documentação. 
O primeiro edifício utilizado por inteiro pelos CTT para servir de museu e exposição permanente foi o da Rua de Dª Estefânia com uma área total de aproximadamente 745 metros quadrados, distribuídos por quatro pisos e ainda um Jardim com cerca  de 340 metros quadrados.
A exposição integrava uma mostra das três principais coleções: correios, filatelia e telecomunicações. Em princípio abriu-se uma pequena parte para exposição temporária mas esta solução acabou por ser posta de parte passando-se a expor as coleções apenas com carácter permanente, ou de grande duração, facto este que, em nosso entender, contribuiu para uma certa estagnação das ideias de renovação, experiência e conceitos de exposição. O museu era bastante frequentado pela população escolar e beneficiou do facto do tema das comunicações estar patente no programas curriculares do ensino básico e secundário.
Na Rua de Dª Estefânia, 173-175 esteve a exposição permanente, serviços técnicos e secretaria até maio de 1985, altura em que a mesma exposição encerrou subitamente ao público, alegadamente porque os CTT constataram que as instalações de água e eletricidade não ofereciam segurança para as coleções. O acervo foi conduzido para as reservas e depósitos dispersos pela cidade de Lisboa.
A exposição traduziu-se nos últimos anos num certo envelhecimento, facto que era reconhecido por alguns entendidos na comunicação e exposição. A conceção era demasiadamente técnica com séries de peças, quase ausência de imagens e objetos de contexto funcional.
No rés-do-chão, expunha-se uma coleção de imagens etnográficas de figuras típicas de Lisboa mas o enquadramento na exposição permanente do Museu dos CTT era precário. Devemos, porém, olhar para este conceito de exposição integrado no contexto temporal.
Em 1967, ano em que foi montada a exposição da Rua da Estefânia, a experiência e formação museológica em Portugal era incipiente. As universidades não tinham a valência de ensino museológico. Os orçamentos atribuídos aos museus eram reduzidos.
Através das Atas do “Colóquio APOM 76 – Panorama Museológico Português” verifica-se que os museus portugueses após uma intensificação das suas atividades de carácter ideológico no que toca à sobre-exaltação nacionalista tem epílogo na exposição d` “O Mundo Português”, de 1940. Decorrida esta apoteose, os museus começam a entrar em crise. O grande público, por sua vez, não se interessava por museus e exposições. As visitas eram, essencialmente, escolares do ensino básico.
Chegou-se aos anos 70 e o panorama museológico estava esgotado de ideias e de capacidade de renovação. Os recursos humanos tinham, grosso-modo, pouca formação. Nesse tempo brincava-se nos CTT e TLP com quem ia trabalhar para o museu dizendo-se, em tom jocoso que iam repousar, tal como as peças do museu. Obviamente, o dito não correspondia à verdade mas a imagem, embora falsa, pesava sobre as pessoas e o museu que era pouco visitado pelos recursos humanos das empresas e pelas famílias. 
O agitar das águas para uma nova política museológica
A mudança do paradigma político, da ditadura para a democracia com o 25 de abril de 1974 vem, também, a nível dos museus, “agitar as águas”. Alguns museólogos começam a apelar para novos valores, tais como a democraticidade e integração nos programas educativos e culturais.
A título de exemplo, Domingos Pinho Brandão no “Colóquio APOM 76” advoga o seguinte: “logicamente, um museu deverá ser uma escola de educação e cultura [...] não se destinando somente aos especialistas, mas a todo o homem mesmo ao menos culto, para que seja mais culto”. (2)
Estas palavras datam de 1976, por altura do colóquio citado. Eram tempos conturbados, em rápida alteração social, cultural e política. Daí a preocupação ao evocar uma ação mais interventiva na linha da democratização do ensino e do país. Na sua intervenção no colóquio, Pinho Brandão, refere a falta de meios, a maneira como fazer face às carências e deixa-nos uma perspetiva sobre o caminho que os museus deveriam seguir:
“Dever-se-á caminhar ainda para museus que constituam unidades de ação no domínio da investigação e estudo. Não temos as possibilidades de alguns museus estrangeiros, nem pessoal técnico e administrativo suficiente, nem dotações, nem meios [...] alguma coisa, porém, já se poderá ir fazendo, com paixão e sacrifício” (3). 
Não era, porém, só nestas áreas que urgia intervir e o próprio Domingos Brandão queixava-se da falta de legislação:
“[...] para além dos diversos tipos de intervenção que enumerei, não basta a boa vontade do Diretores e Conservadores dos Museus. É necessário que os seus estatutos lhes confiram a faculdade de intervir. A nova política museológica deve assegurar tão importante dimensão”. (4)
Notas
(1) in PPS Image Bank, sem indicação de autor, recebido por e-mail em 2014
(2) BRANDÃO, Domingos de Pinho. – Intervenção dos Museu nas Áreas da sua Localização in Atas do Colóquio APOM 76: Panorama Museológico Português – Carências e Potencialidades. Porto: 1 a 5 de dezembro de 1976, ed. APOM, 1979, p. 35
(3) Ibid. p. 37
(4) Ibid. p. 38
Fontes
-ANCIÃES, Alfredo Ramos - O Museu dos CTT. Lisboa: Arquivo UNL, 1988/1989. Disponível também em Arquivo do Grupo dos Amigos do Museu das Comunicações
-APOM. Colóquio APOM 76: Panorama Museológico Português – Carências e Potencialidades. Porto: 1 a 5 de dezembro de 1976, ed. APOM, 1979
-HUDSON, Kenneth – A Social History of Museums: What the Visitors Thought. Michigan: Humanities Press, 1975
-POMBA, Graça Maria Veloso Matias Ferreira – O Museu e o Ensino da História no C.P.E.S. Lisboa: Escola Preparatória Luís António Verney, ano letivo de 1971-72. Disponível também em CDI da Fundação Portuguesa das Comunicações. Estágio realizado no Museu dos CTT
RIVIERE, Georges-Henri – Muséologie Générale Contemporaine. Paris: Université de Paris, 1972

domingo, 26 de outubro de 2014

17 ARTE E COMUNICAÇÃO: SUA RELAÇÃO COM O PARÁCLITO

                 
“No Império do Divino Espírito Santo, as leis evangélicas serão finalmente realizadas, não só na sua letra mas no seu espírito. Na Terceira Idade […] não haverá necessidade de leis ou instituições disciplinadoras da fé, já que esta será universal e baseada diretamente na inspiração divina […] Qualquer plebeu será Imperador, já que a sabedoria divina a todos iluminará igualmente, ou seja todos beneficiarão de uma "inteligência espiritual” […]. (1)
Os Açores prosseguem a tradicional ligação religiosa e sociológica ao culto do Espírito Santo representado na forma de pomba (2), ave desde os tempos bíblicos associada à transmissão da informação e comunicação (3). 
Os patrimónios ligados ao Paráclito podem/devem dar origem a percursos associados à temática dos impérios com sua organização social, arquitetura e sinais característicos: coroas reais, bastões, pombas, flores-de-lis ….
A interpretação deste acervo traz à colação aspetos históricos: desde os primórdios do culto do Espirito Santo, a começar por Israel (4).  Chegado este culto à Europa, reforçado e reinterpretado pelo monge filósofo Joaquim de Fiore, é divulgado pelos franciscanos, com a ajuda da Rainha Santa Isabel de Portugal, seu esposo, o Rei D. Dinis e sucessivamente pelo Padre António Vieira, o poeta Fernando Pessoa, filósofo Agostinho da Silva, poetisa Natália Correia e pelas comunidades açorianas, incluindo as da diáspora que, desde o século XV, preservam as manifestações culturais (5) e o culto.
No meu recente percurso identifiquei dezenas de impérios e sinais sobre a arquitetura e calçadas, com elementos associados à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Estes elementos de arte, religião,  comunicação e cultura são muito característicos do Arquipélago açoriano constituindo uma marca peculiar de identidade.
A expressão artística dos sinais e o ponto/superfície em que se encontram varia de umas localidades para outras. Convém, pois, que os estudos, os roteiros e os percursos destes patrimónios destaquem as particularidades em cada império, igreja, capela, escola, edifício público ou particular.
Estudar e comunicar estas marcas açorianas é preciso para o reforço da economia e para que os turistas sintam que vale a pena repetir visitas e retransmitir as experiências a amigos e familiares.
Quanto à Horta/Faial impressionou-me do ponto de vista simbólico a igreja de Nossa Senhora das Angústias, sucessora do primeiro templo construído na Ilha (a ex-ermida de Santa Cruz). Verifiquei na calçada do átrio da igreja a iconografia que nos remete para os primórdios do povoamento, nomeadamente o brasão de Jos van Hurtere, flamengo (Jos D`Utra ou Dutra na grafia aportuguesada), um dos primeiros colonos a estabelecer-se no Faial e Pico, onde foi capitão donatário. Ao lado figura o brasão de sua esposa D. Beatriz de Macedo, criada na Casa do Infante D. Fernando – Duque de Viseu. Ambos os brasões estão acompanhados pela iconografia do Espírito Santo na forma da coroa e da pomba mensageira.
Estes elementos caracterizam, porventura, os valores simbólicos e culturais mais evidentes do Faial/Açores no que toca ao Paráclito, cujo culto difundido para diversas partes do mundo continua como um elo de união, convívio e comunicação.
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Notas:
(2)-A adoração da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade representada por esta ave está também associada à transmissão do sinal de paz, desde tempos pretéritos;  dilúvio/Arca de Noé, batismo de Cristo, até às comunicações columbófilas ou seja o transporte de columbogramas.
(3)“Das remotas eras em que uma pomba indicava aos fiéis o escolhido por Deus para governar a Igreja, até nossos dias, o Espírito Santo foi [inspirando com o] sopro divino […] Dessa vez, o Grande Eleitor havia decidido intervir de modo visível. Enquanto Fabiano se esgueirava por entre a assistência para se aproximar do centro da cena onde se desenrolavam os debates, uma pomba entrou por uma janela do recinto, esvoaçou elegantemente sobre os circunstantes e pousou suavemente sobre a sua cabeça: o Espírito Santo o havia escolhido!” Cf. A Pomba e os Cardeais in  http://www.arautos.org/novo-papa/site/interna/44564, http://www.arautos.org/novo-papa/site/interna/44564#sthash.dRArrP87.dpuf, acedidos em 10.9.2014 
(4)-Destaque para o batismo de Jesus Cristo em que aparece a figura da pomba.
(5)-Entrada do culto do Espírito Santo na Europa, locais específicos de adoração, ermidas e capelas, bodos/ágapes, folias, … Reforma e Contra-Reforma, Concílio de Trento, Poder real, refúgio, preservação e difusão do culto a partir dos Açores.
Fontes:
-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Visita a Carnide com o GAM-C - Grupo dos Amigos Museu das Comunicações em março de 2013. Documento disponível na Sede do Grupo.
-Bíblia Sagrada – Lisboa: Difusora Bíblica (Missionários Capuchinhos) 11ª ed., 1984
-Joaquim de Fiore e o Espírito Santo in http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_de_Fiore, acedido em 23.8.2014
-Jos van Hurtere e  D. Beatriz de Macedo in http://pt.wikipedia.org/wiki/Joss_van_Hurtere, acedido em 23.8.2014

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

16 FAIAL DAS COMUNICAÇÕES E DO SANTO ESPÍRITO


Entre o Faial e o Pico ouço uma canção no hidrofone. Será certamente o sinal de um cetáceo normal namorando  sua companheira (AA, agosto de 2014).

Situada no grupo central do arquipélago, a Ilha do Faial foi descoberta ou, quiçá, redescoberta por Gonçalo Velho Cabral em 1432, quem sabe se para cumprir a futura missão de bem acolher. Orgulhosa do passado e feliz por reabilitar patrimónios; com uma baía, a mais linda do mundo, segundo o que sinto e me dizem as fontes.
NAVEGADORES E AVENTUREIROS
No ADN dos habitantes do Faial reside um sentimento de bem acolher. Os navegadores e aventureiros que aportam à baía da Horta sentem o ensejo de aqui fazer escala e mesmo permanecer. A tradição do Peter Café Sport (1) como entreposto de correio e alimento é revelador de histórias reais. Os aventureiros do mar, mesmo os desconhecidos,  perguntam no Peter Café se têm correspondência, como se a Casa fosse uma central de comunicação à escala global. 
Mais recentemente e, hoje em dia, são reveladoras as aventuras do picoense/faialense Genuíno (sic) Madruga continuando a surpreender-nos e deliciar-nos com as suas viagens e investigações à volta do Mundo. Muitos são os que se dirigem ao restaurante/museu de Genuíno, na baixa da Horta, à procura de saberes, inspiração e aconchego para o corpo (cf. comentários 2 a 5 deste poste).
Na história da aviação, a Horta também tem os seus pergaminhos. A baía serviu como porto de hidroaviões; desde as viagens experimentais e pioneiras aos transportes comerciais com os célebres Clippers da Pan American.
OBSERVAÇÃO DE ESPÉCIES MARÍTIMAS
Nas atividades de pesca/baleação e indústrias derivadas, o Faial e o vizinho Pico foram uma referência. Desde a captura das espécies à transformação em produtos.
Atualmente continua o interesse na observação dos cetáceos contribuindo para o desenvolvimento do setor turístico. Estas atividades fazem uso frequente das comunicações, desde os vigias/postos de observação que utilizam como tecnologias: óculos/telescópios, sinais de bandeiras, foguetes, equipamentos radioelétricos e novos terminais de telecomunicações. Também na observação de espécies piscícolas locais e na defesa e assistência, as comunicações estão muito presentes.
ESTAÇÃO RADIONAVAL
A Estação Radionaval situada no monte entre o Hotel Faial (ex messe da comunidade americana dos cabotelegrafistas da Western Union) e o Observatório Príncipe Alberto do Mónaco (2) no alto do Monte das Moças funcionou desde 1928 a 2013. Foi o “melhor centro de propagação radionaval do arquipélago”(3).
A Marinha Nacional preserva importante património histórico, didático e museológico, cuja seleção, estudo, sistematização, divulgação e exposição estarão, certamente, a ser equacionados para bem da valorização identitária e turística do Faial.

Com a evolução tecnológica, nomeadamente a alteração das comunicações analógicas em digitais, esta Estação foi dispensada, um pouco à semelhança do que aconteceu com a Trinity House, ultrapassada com as novas tecnologias. O Poder Político, quiçá, secundado por Técnicos especialistas acharam que não valeria a pena reinvestir na renovação desta Central. Tal como aconteceu no território continental, S. Miguel também centralizou meios de outras Ilhas.
Contudo, o  sítio interessante da ex-Estação Radionaval tem valor paisagístico como miradouro, acrescido dos edifícios e equipamentos radioeletricos com importância histórica e interesse museológico. Parece que está previsto para o local a instalação de uma Escola de Pescas continuando a ser ali preservado e exposto, senão todo, pelo menos parte do património de comunicações: Recetores, emissores, telex`s, informação original ou cópia da mesma; aparelhos de medida e ensaio, energia/alimentação, ferramentas e mobiliário. Será mais um importante recurso para expor in situ as memórias das radiocomunicações navais, assistência às embarcações e populações. Os visitantes e investigadores, certamente, irão apreciar memórias de 85 anos.
ESTAÇÃO CABOTELEGRÁFICA REGIONAL E INTERCONTINENTAL
Mediadora de impulsos de ondas hertzianas que chegavam  atravessando montes, planaltos e vales submarinos.
Receber e comunicar está na alma e no sopro do espírito faialense 
A Trinity House era  essencialmente a casa de transito e operações telegráficas da Alemanha, Estados Unidos da América e Inglaterra mas por ali passavam comunicações relativas a vários outros países.
Esta Casa está a ser preservada para instalação de um museu que contribuirá para a renovação da imagem e da economia do Faial, procurando, em associação com outros atrativos, colmatar a perda da importância de outrora (finais do século XIX e até aos anos sessenta do século XX) tão bem caracterizada no seguinte extrato do conjunto de poemas de Pedro Silveira intitulados "Fui ao Mar Buscar Laranjas".
«[De] Horta Quase Réquiem” [a Fénix renascida]
Como isto foi grande, dinâmico, mercantil, aventureiro!
Homens de todas as raças no porto da Horta,
todas as línguas bandeiras […] e navios à carga, vozes, gritos,
o gemer dos guindastes […]
Era a mais alegre, a maior cidade pequena do Mundo!
Era riqueza de Londres
e de Nova York!
Era o requinte de Paris, o luxo
de Sanpetersburgo!
Todos mercavam, vendiam.
Embarcavam.
Tornavam.
[Estimada e desejada Horta]
O passado que esperas
em futuro renasça […]»

(SILVEIRA, Pedro -Fui ao Mar Buscar Laranjas - 1 (título do livro e poemas divulgados in O Porto da Horta na História do Atlântico … , ob. cit.)

O recurso patrimonial e turístico constituído pelo novo museu  com as peças específicas, aliadas à interpretação da urbanização contemporânea será uma maisvalia. Destaque-se que nem Lisboa (que começou com uma Estação Cabotelegráfica mais cedo do que o Faial e funcionando durante mais tempo (1870-1960`s) tem um projeto ou polo de museu cabotelegráfico tão assumido (4). É, pois, um motivo de orgulho para as populações do Faial e para os portugueses, a preservação e ativação de tão importante recurso. Ligado, por sua vez, a comunidades estrangeiras, ali se poderão rever nas suas identidades onde praticaram importante intercâmbio económico, cultural e social.
Lembro algumas cidades e zonas do globo relacionadas, direta ou indiretamente, com a Horta dos cabos submarinos: Carcavelos, Lisboa, São Miguel, Terceira, Flores, Pico, S. Jorge, Graciosa; Índia, Pacífico; Gibraltar, Países costeiros da Europa com predominância para a Inglaterra e do interior do continente através das redes aéreas (postes com fios de cobre) e redes subterrâneas de cabos de telecomunicações; S. Vicente – Cabo Verde, Guiné, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, África do Sul, Índia, Austrália; Madeira, Brasil; Irlanda, Estados Unidos da América, Canadá, Terra Nova ...
A cidade da Horta merece a criação de percursos pedestres ou com veículos não poluentes para visitar as diversas marcas, entre as quais destaco monumentos dedicados às telecomunicações: telegráficas e telefónicas via cabo, radionaval, rádios públicas, rádios privativas, rádios banda do cidadão (5) e postos de vigia do mar.
Verifiquei inclusivamente sinais nas calçadas e edifícios, relativos às comunicações, tal como a legenda “O Telégrapho” com interesse para figurar em percursos para os quais será editada informação sucinta (folhetos, pagelas, desdobráveis) disponível nos hotéis, autarquias, empresas e postos de turismo.
Um memorial no espaço público relativo a Marconi referindo a visita deste Prémio Nobel no dia 18 de julho de 1922 será de incluir nestes passeios, não obstante o próprio Marconi representar uma das formas de transmissão da comunicação que vieram contribuir para dispensar a Horta dos cabos submarinos.
Refira-se em abono da verdade que, se não fossem as radiocomunicações implementadas por Marconi - as inovações nos cabos e relés/repetidores iriam igualmente dispensar a Estação Cabotelegráfica da Horta, bem como dispensariam as comunidades de Técnicos que se fixaram no Faial, entre sensivelmente 1893 e 1969.
SEMANA DO MAR
A “Semana do Mar 2014” de 3 a 10 de agosto refletiu esse passado e festejou o presente com elementos culturais e etnográficos onde os transportes e comunicações estavam bem representados. Vários carros alegóricos com réplicas de hidroaviões, inclusivamente os Clippers e figuras históricas dos primeiros momentos da aviação transatlântica que aportaram no Faial; representação de Técnicos alemães, americanos e ingleses com as legendas das companhias cabotelegráficas sediadas na Horta; Telefonistas da rede de comutação manual dos CTT e Radioamadores com equipamento real e ao vivo.
Num dos pavilhões pude apreciar um vídeo e explicações de investigadores que operam no veiculo submarino dos Açores, demonstrando que também aqui se faz ciência, dando expressão ao novíssimo mapa português intitulado “Portugal é Mar” e sendo os Açores uma parte muito importante deste Portugal marítimo.
Fernando Pessoa diz-nos no seu poema (“O das Quinas” do livro Mensagem, verso sétimo) que “A vida é breve [mas] a alma é vasta”. Importa dar expressão a esta alma açoriana e portuguesa.


De Caminha ao Corvo, unidos pela tradição, língua/comunicação portuguesa que este ano comemora a bonita soma de 800 anos na versão oficial (6); o Faial será de novo um ponto de atração. Dizem que "nada acontece por acaso". Eu diria que também é necessária imaginação e querer para que as coisas sucedam. É preciso coordenar esforços e associar patrimónios de arte, diversão e ciência. A tradicional cultura, arte e religião ligada ao Espírito Santo poderá também contribuir para a realização de percursos/passeios pela Ilha. O Faial e os Açores têm muito património para comunicar.
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Notas:

  1. Café do Peter. Nome de batismo José Azevedo.
  2. Registe-se que este equipamento deveria igualmente ser musealisado e entrar nas marcas dos percursos turísticos, pelo valor histórico, a relação com o Mónaco e o Principado, o serviço que desempenhou, bem como a relação com as telecomunicações e os operadores da Estação Cabotelegráfica instalada na Trinity House da Horta.
  3. Segundo informação recolhida em agosto de 2014, esta Estação “era a que oferecia melhor propagação do Açores”. Está desativada sob o ponto de vista radioeletrico de comunicações navais.
  4. A Quinta de Santo António/Quinta Nova, ou Quinta dos Ingleses, tal como ficou conhecida deveria também ser classificada, tornando a S. Julians School de Carcavelos (ex Estação Cabotelegráfica) e/ou a referida Quinta num polo museológico, a par da Trinity House da Horta.
  5. Banda da Cidadão. Trata-se de uma banda de frequências hertzianas (radioeletricas) acessível a todos os cidadãos que queiram adquirir o equipamento e registar-se no serviço público regulado pelo ICP-ANACOM no caso português. Após a atribuição da licença o utente pode comunicar com outros em Portugal ou, algures, situados noutro ponto do Mundo, tendo à disposição cerca de 40 canais de frequências partilhadas.

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos –Transmissões Telegráficas Submarinas e a Relação com o Desporto Cultura e Recreio em Carcavelos e Horta-Faial in http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/default.aspx, acedido em 22.8.2014
-Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta -O Tempo dos Cabos Submarinos na Ilha do Faial  -Valor Universal do Património Local -Evocação de Marconi nos 90 Anos de Cidadão Honorário da Horta. Horta: Gráfica O Telégrapho, 2013
-Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta -Boletins: Nº 23, dezembro, 2010; Nº 24, junho, 2011; Nº 25, dezembro, 2011; Nº 26, dezembro, 2012; Nº 27, janeiro-junho, 2013; Nº 28, julho-dezembro, 2013.
-BARREIROS, Henrique Melo (professor colaborador da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta), a quem agradeço documentos e informações pessoais e o guiamento no percurso que fizemos em torno das marcas de “O Tempo dos Cabos Submarinos”.
-COSTA, Ricardo Manuel – “Breve Esboço sobre a História do Faial” in http://www.inventario.iacultura.pt/faial/horta/historia.html, 2007
LEONARDO, A.J.F.; MARTINS, D.R.; FIOLHAIS, C. – A Telegrafia Eléctrica nas Páginas de “O Instituto”, 2009. Disponível em https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/12323/1/A%20telegrafia.pdf, acedido em 7.4.2014
-COUTO, António – Velharias com História. O colecionismo como histórica e cultural in http://philangra.blogspot.pt/2013_02_01_archive.html, acedido em 21.8.2014
-GLOVER, Bill – History of the Atlantic & Undersea Communications from the first submarine cable to the worldwide fiber optic network, 2010 in http://atlantic-cable.com/CableCos/WesternUnion/index.htm, acedido em 22.8.2014
-MORENO, Roberto - GEOLÍNGUA in https://www.youtube.com/watch?v=aisI7SEry4c, acedido em 26.8.2014 
-Museu da Horta; Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta -O Porto da Horta na História do Atlântico: O Tempo dos Cabos Submarinos, Ed. do Museu da Horta; Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta. Impressão: Gráfica O Telégrafo. Criação Gráfica: JCS/Açores. Horta, 2011.