sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CAUSAS E PROCEDÊNCIAS PARA AS INVASÕES DA PENÍNSULA IBÉRICA


Img. "A Coroação de Napoleão" Expo Torres Vedras 200 Anos 
«O século XIX é marcado por uma rotura com o Antigo Regime e uma mudança profunda no paradigma político-social, fruto da revolução Americana e Francesa [em] que se destaca Napoleão Bonaparte o grande protagonista da propagação dos novos ideais através do expansionismo territorial que marcará esse século. / Perante a ameaça às velhas coroas europeias, estas nações, agrupadas em coligações declaram guerra à França. É neste contexto que surgem as Guerras Napoleónicas que se debatem com a oposição da Grã-Bretanha em franco desenvolvimento económico e industrial. / Mesmo após a derrota naval de Trafalgar, Napoleão continua a ambicionar apoderar-se da Europa e isolar economicamente a potente Grã-Bretanha. / Para isso, decreta, em 1806, o Bloqueio Continental. Nesta conjuntura, Portugal tornou-se um espaço estratégico militar altamente cobiçado, quer pelos ingleses, quer pelos franceses, devido à sua localização ao ocidente da Velha Europa. / O Príncipe Regente D. João enfrenta uma situação diplomática muito difícil. Foi necessário que a Espanha se aliasse à França Imperial, através do tratado de Fontainebleau para permitir a passagem das tropas napoleónicas pelo território espanhol [...]» (Leg. Mus. in Expo Torres Vedras, 200 Anos).


Img. "Bloqueio Continental"  GOOGLE.pt et al 

 

Descrição do Tratado de Fontainebleau:

«Por este tratado de 27 de Outubro de 1807, o ministro espanhol Manuel Godoy e o representante do Imperador Napoleão Bonaparte assinam o tratado secreto. Nele se estabelece a permissão da passagem das tropas francesas por Espanha mas também a partilha de Portugal.


174 AA Cumprir a Terra My FICH 002 LINHAS DE TORRES

LINHAS DE TORRES NO RESCALDO DA REVOLUÇÃO LIBERAL (I)



Nota prévia: A historiografia romântica e liberal, bem como a materialista / estruturalista, baseadas no culto dos heróis imperiais elevam ao pódio a figura de Napoleão. Esse romantismo velado pelo decurso do tempo numa imagem etérea consignada também pelos biógrafos e retratistas ao serviço de uma ideologia ou de uma conceção patriarcal e burguesa que se revê nos negócios e no ter mais do que no ser. Repare-se que até o nome termina em leão (Napo)leão. Este patronímico ajuda a criar um falso conceito, ou pelo menos questionável, sobre a figura de Bonaparte que só em parte é boa - Bona(parte).

É preciso ser ideologicamente irresponsável e insensível, junto do povo, sobretudo depois das lições de Trafalgar e das duas primeiras invasões à Península Ibérica, com dezenas de milhares de mortos, feridos e estropiados, insistindo sempre, mandando a pé e/ou a cavalo para a morte quase certa os seus concidadãos.

Note-se que a deserção das fileiras é punida com a pena de morte e que fugindo, os soldados têm pela frente vidas miseráveis, de sacrifício ou mesmo de morte. Ainda assim, muitos militares tentam e outros conseguem a fuga. Releve-se que os sacrifícios dos soldados são imensos e que só numa única batalha, uma das últimas, já de regresso e fuga, morrem em Toulouse, abril de 1814 milhares de militares; muitos cavalos perecem e perde-se um sem número de equipamento.

Napoleão não é bom Imperador, nem bom herói, ele sacrifica os outros, sacrifica Portugal, Espanha, França, entre outros povos, até às dezenas de milhares de vidas inocentes.

E o que traz de novo? No campo da cultura, a instituição dos museus públicos; o realce da noção de cidadão e alguns direitos no campo social que não compensam um crescente liberalismo económico, anticlerical, anti senhorial de família alargada, passando cada um ao desenrasque-se, deixando os pobres ainda mais pobres e desprotegidos.

Num patamar de perdas entre países; Portugal, por exemplo, ainda não recuperou Olivença, perdida por causa das investidas napoleónicas, nem recuperou vidas e um imenso património móvel que lhe foi, na altura, saqueado. No entanto a historiografia de tipo imperialista, de culto do herói romântico, continua na mente das pessoas e até nas escolas.

Figuras paternalistas e patrimoniais devem dar lugar a uma sociedade fratrimonial e matrizmonial, porque o Homem, em sua dignidade deve estar primeiro do que o homem na diminuta dimensão de cidadão encartado de contribuinte.

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As Linhas de Torres estão ligadas à terceira invasão francesa à Península Ibérica (Linhas de Torres), onde o general Massena, comandante do exército napoleónico, chega em Outubro de 1810. Ingleses e portugueses esperam por esta invasão e daí a decisão de construírem as linhas de defesa chamadas Linhas de Torres, a fim de bloquearem o acesso do inimigo à capital e permitirem a fuga do exército inglês em caso de extrema necessidade.

As Linhas de Torres são construídas em tempo recorde, mesmo a nível mundial, no espaço de alguns meses. As duas Linhas mais avançadas, considerando as invasões vindas do Norte ou de Leste são:

Primeira linha que passa por Torres Vedras (daí o nome) e se estende do Tejo (Alverca), Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Foz do rio Sisandro (Atlântico).

Segunda linha começa um pouco mais a jusante, também no Tejo (Póvoa de Santa Iria), Bucelas, Montachique, Lousa, Mafra, Ericeira e Ribamar.

Outras linhas têm sido pontualmente referidas nas envolventes do Forte de São Julião da Barra, estendendo-se, possivelmente entre várias localidades, até ao Alto de Barcarena, Queluz, Pontinha, Lumiar, Ameixoeira, Sacavém e no lado sul do Tejo, na envolvência de Almada; contudo não há ainda um contorno bem delineado da dimensão desta última estrutura. Neste âmbito, crê-se que a atribuição do nome à Alameda das Linhas de Torres no Lumiar tenha por base a proximidade de uma destas linhas ou deve-se ao caminho de acesso de Lisboa para as Linhas de Torres (1ª e 2ª) às quais era preciso aceder com regularidade.

Com tudo isto, convém estabebelecer algumas questões prévias e breves considerações:

-Quem foi efetivamente Napoleão Bonaparte?

Natural da Córsega, nasce apenas um ano após esta Ilha se ter transferido da República de Génova para a França. Pertence à antiga nobreza italiana, ou melhor genovesa. Frequenta a Escola Militar em Paris onde estuda estratégia militar e artilharia. Poucos anos após, um homem de baixa estatura mas de grandes ambições e sobretudo muito obstinado sobe, imerecidamente, em nosso entender, a general apenas com 27 anos.

-Que ambiente mental, cultural e político encontra?

Tudo, ou quase tudo, a Revolução de 1789 despoleta. Aos 35 anos Napoleão é Imperador de todos os franceses. Há quem o considere monarca iluminado por tentar e, em parte, conseguir aplicar as ideias do movimento filosófico do iluminismo.

Este obstinado constata que os Ingleses são os dominadores dos mercados e territórios. Várias figuras portuguesas veem com bons olhos o liberalismo da altura. O magnífico compositor Marcos Portugal é um desses intelectuais pró-franceses, melhor dizendo, pró-liberal que atua, de muito bom grado, para os generais e tropas francesas. Depois com a expulsão dos franceses, é acusado de jacobino e obrigado a ir-se juntar à corte no Rio de Janeiro, pois em Portugal, sem o seu séquito, não tem público para a música erudita.

(cont. em poste II subsequente)  

Palavras-chave: Invasão Peninsular, Linhas de Torres, Napoleão Bonaparte, Revolução Francesa

Fontes:

---ANCIÃES, Alfredo Ramos – 22.GUERRA PENINSULAR E LINHAS DE TORRES: UMA PERSPETIVA BASEADA NAS IDEOLOGIAS ENTRE O MERCANTILISMO E O LIBERALISMO http://cumpriraterra.blogspot.pt/2014/11/guerra-peninsular-e-linhas-de-torres.html 

---ANCIÃES, Alfredo Ramos – “030. A TELEGRAFIA TRADICIONAL NÃO-ELÉTRICA E O LUSO CONTRIBUTO DE FRANCISCO ANTÓNIO CIERA. 



---ANCIÃES, Alfredo Ramos – “131. CAPICUA 222 & TELEGRAFIA ÓTICA, SEMAFÓRICA OU AÉREA - O QUE É?”. http://cumpriraterra.blogspot.pt/2017/03/131-capicua-222-telegrafia-otica.html 

---ALMEIDA, Tereza Caillaux de – Memória das Invasões Francesas - Edição: Ésquilo, ISBN: 9789898092700, 2010

---ASSOCIAÇÃO Napolenónica Portuguesa et al “Linhas de Torres” - http://linhasdetorres.wordpress.com/2008/03/28/associacao-napoleonica-portuguesa/, acedido em 19-10.2011

---ASSOCIAÇÃO Napoleónica Portuguesa; GRUPO de Recriação Histórica de Almeida – “Linhas de Torres” . http://linhasdetorres.wordpress.com/2008/04/15/associacao-napoleonica-portuguesa-e-grupo-de-recriacao-historica-de-almeida/, acedido em 19.10.2011

 

---BRITO, Carla -  Análise da Obra: "Os fuzilamentos do 3 de Maio", de Francisco Goya”  http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2013/08/analise-da-obraos-fuzilamentos-do-3-de.html

 

---CIERA, Francisco António ; DIAS, Maria Helena – “Francisco António Ciera”  http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p48.html , acedido em 11.09.2011

 

---ISABEL, da Costa – “Fuzilamentos de 03 Maio 1808 em Madrid https://pt.slideshare.net/DACOSTAisabel/8-de-maio-goya

 

---GUIA da Cidade, et al - “Sé Catedral da Guarda e invasões francesas”. http://www.guiadacidade.pt/pt/poi-catedral-da-guarda-14600, acedido em 19.10.2011

---CLETO, Joel - “Mártires de Arrifana” - http://joelcleto.no.sapo.pt/textos/Comercio/MassacreemArrifana.htm , acedido em 19.10.2011

---CLÍMACO, Cristina. As Linhas de Torres Vedras. Invasão e Resistência. 1810-1811. Lisboa: Edições Colibri, Câmara Municipal de Torres Vedras, 2010

---“CLÍMACO, Cristina “A Armada de Portugal...” / Disponível em http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/l_armaee_du_portugal_ou_o_desconcerto_de_um_exaercito_cristina_claimaco.pdf, acedido em 14.09.2011

---CLÍMACO, Cristina --“L`armée du Portugal ou o desconcerto de um exército: Preparação e concretização de uma expedição a Portugal. 1810-2010 Linhas de Torres Vedras”. Comemoração bicentenário.  Torres Vedras: Nov. 2009 - Nov. 2010 / http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/l_armaee_du_portugal_ou_o_desconcerto_de_um_exaercito_cristina_claimaco.pdf, acedido em 03.10.2011

---FREIRE, Fernando et al - “Telégrafo Português de Francisco António CIERA na Atalaia - Vila Nova da Barquinha - Abrantes no ano de 1810”. http://atalaia-barquinha.blogspot.com/2010/02/o-telegrafo-de-ciera-ano-1810-abrantes.html, acedido em 14.10.2011

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---JONES, John T. Memoires sur les Lignes de Torres Vedras élevées pour couvrir Lisbonne en 1810. faisant suit aux Journaux des sièges entrepis par les allés em Espagne. Paris: Anselin, 1832

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--- LIMA, major-general António Luís Pedroso de Lima, et. al - “Bicentenário do Corpo telegráfico 1810-2010 “ s.l.: Blueprint, Ldª, 2010. Disponível também em http://www.exercito.pt/historiatm/Documentos/Livros/Bicenten%C3%A1rio%20do%20Corpo%20Telegr%C3%A1fico%201820-2010.pdf, acedido em 14.10.2011)

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--- KOCH, General Jean Baptiste Fréderic - Mémoires de Masséna redigées d`après les documents qu`il a laissée et ceux du dépôt de la guerre et du dépôt des fortifications. Paris: Paulin et Lechavalier, 1848-1850

---PELET-CLOZEAU, general Jean Jacques Germain. Mémoires sur ma campagne du Portugal 1810-1811. Paris: Librairie

--- PELET-CLOZEAU,  general Jean Jacques Germain;  SCHNEIDER, Christian -; Mémoires sur ma campagne du Portugal (1810-1811).. Paris: Editions Historiques Teissèdre, 2003

---VENTURA, António - Memórias de Massena - Campanha de 1810-1811 em Portugal“. Lisboa: Livros Horizonte, 2007

---MUSEU Militar et al - “Cronologia das invasões francesas, 1810 a 1813”. O portal da História. http://www.arqnet.pt/portal/portugal/invasoes/inv1810.html, acedido em 28-08-2011

--- NAPIER, William Francis Patrick - Histoire de la guerre de la péninsule et dans le midi de la France depuis l`année 1808 jusqu`à l `année 1814". Paris: Treutel et Wurtz, 1828-1844; também disponível em http://books.google.co.uk/books?id=VCZKepmKxwEC&printsec=frontcover&dq=bibliogroup:%22Histoire+de+la+guerre+dans+la+p%C3%A9ninsule+et+dans+le+midi+de+la+France,+depuis+l'ann%C3%A9e+1807+jusqu'%C3%A0+l'ann%C3%A9e+1814%22&hl=pt-PT&ei=BFR3TqKUGsOb1AXd2ryXCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false, acedido em 19.09.2011

---PIRES, Daniel; C.M.Setúbal et al.-  “Bocage poeta da liberdade”. Extraído da exposição bibliográfica dos 230 e 190 anos do seu nascimento e morte. Disponível em http://purl.pt/1276/1/liberdade.html , acedido em 26.09.2011

---SILVA, Carlos Guardado da - “As Linhas de Torres Vedras” http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/as_linhas_de_torres_vedras_carlos_guardado_da_silva.pdf, acedido em 18.09.2010

---SORIANO, José Luz Simão - “História da guerra e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal, compreendendo a história diplomática, militar e política deste reino desde 1777 até 1834”. Lisboa: Lisboa: Imprensa Nacional, 1866-1990). Disponível na BNP - Biblioteca Nacional de Portugal e referências em http://www.archive.org/details/historiadaguerr09sorigoog, http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Z019e0h6cMUJ:pt.wikipedia.org/wiki/Luz_Soriano+historia+da+guerra+e+do+estabelecimento+do+governo+parlamentar+em+Portugal+compreendendo+a+historia+diplomatica+militar+e+politica+deste+reino+desde+1777+ate+1834+Jos%C3%A9+da+Luz+Simao+soriano&cd=3&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt, http://purl.pt/12103/1/ acedidos em 20.09.2011

---VARIA - “Gazeta de Lisboa”, edições 1-52 [para contexto anterior às invasões peninsulares e biografia de Massena, Savary e Napoleão]. Disponível em http://books.google.pt/books?id=1WFVAAAAYAAJ&pg=PT25&lpg=PT25&dq=Savary+exercito&source=bl&ots=11OC5mb0HE&sig=LKyt4x5CiYP2JDWa3Fwxy9gKoh0&hl=pt-PT&ei=4bqMTrLeM6TT0QXM7NHmBQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&sqi=2&ved=0CCQQ6AEwAA#v=onepage&q=Savary%20exercito&f=false, acedido em 06.10.2011

---VIEIRA, José Manuel d` Oliveira et al -“Telégrafo Português de Francisco António Ciera no ano de 1810”. http://coisasdeabrantes.blogspot.com/2011/03/abrantes-militar-telegrafo.html, adecido em 14.10.2011

WIKI.. et al - “Campo dos Mártires da Pátria” https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_dos_M%C3%A1rtires_da_P%C3%A1tria

---WIKI.. et al - “Liberalismo económico”. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_econ%C3%B3mico, acedido em 29.08.2011

---WIKI.. et al - “Gomes Freire de Andrade”. http://pt.wikipedia.org/wiki/Gomes_Freire_de_Andrade), acedido em 15.09.2011

173 AA Cumprir a Terra

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A COLONIZAÇÃO HOLANDESA DO BRASIL ERA MELHOR QUE A PORTUGUESA?


«A COLONIZAÇÃO HOLANDESA DO BRASIL ERA MELHOR QUE A PORTUGUESA?»


[Não. A colonização Holandesa era apenas de pacotilha, enquanto a Portuguesa era como se fosse de raiz. A maioria dos colonos portugueses ali ficaram construindo e reconstruindo as suas Vidas e o Território como se a sua Pátria e a sua Mátria fossem efetivamente o Brasil. Isso faz toda a diferença. Alfredo. Anciães].

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«Quando se fala sobre o Brasil colonial, é importante olhar para o caso bastante interessante da colonização holandesa do Brasil, ocorrido entre 1630 e 1654. Neste período podemos destacar a figura de Maurício de Nassau, que governou o espaço baptizado de "Nova Holanda", então em posse de colonos holandeses. Apesar deste curto período de colonização quando em comparação com as outras colónias europeias da região, os brasileiros geralmente afirmam que a colonização holandesa foi melhor do que a portuguesa. Terá isto sido realmente verdadeiro?

Primeiro, é necessário analisar o contexto em que esta colonização ocorreu. A instalação dos holandeses na região deveu-se a uma invasão no contexto da guerra luso-holandesa. Em suma, a Holanda estava a aproveitar de forma oportunista a fraqueza do Portugal da União Ibérica ao atacar todos os pontos do seu Império marítimo. Será que isto influenciou de alguma maneira a colonização holandesa? Pode-se afirmar que sim, já que o plano holandês seria formar uma base militar no centro de uma zona de conflito, sendo que seriam necessárias estradas, fortificações e pontes, quer fosse para a manutenção das tropas quer para a movimentação das mesmas. A Holanda investiu de facto na região, tendo-se registado algum desenvolvimento e expedições de renome. Apesar disto, o desenvolvimento do território brasileiro era voltado, acima de tudo, para satisfazer o esforço de guerra do governo holandês.

Outro ponto pelo qual vale fazer um périplo é o argumento de que a colonização holandesa foi "melhor" pelo facto de ter tido uma maior tolerância para com os nativos do que a portuguesa. Este argumento, contudo, esquece que os Jesuítas já desenvolviam iniciativas de protecção dos indígenas desde há muito, a tal ponto que eles foram durante anos a barreira que impediu a destruição do povoamento indígena.

Outro ponto importante é o facto de o próprio governo holandês não estar interessado num real desenvolvimento da sua colónia, como já foi sublinhado. O seu objectivo primordial era transformar o território da Nova Holanda numa base militar. Ainda assim, Maurício de Nassau, o governador da colónia, resolver ir contra tais intentos. A partir de um determinado momento, Nassau decidiu realmente desenvolver economicamente a Nova Holanda, dotando-a de infra-estruturas materiais adequadas. O seu destino seria selado por essa ousadia: foi demitido pelo governo holandês por ter sido considerado incompetente. 

Outra questão pertinente, também bastante esquecida, é a de que o método de colonização normalmente adoptado pelo governo holandês nesta cronologia era um de exploração abusivamente intensiva, ou seja, os lucros da colónia revertiam em primeiro lugar para a metrópole, fazendo a fortuna obscena do governo holandês. Muitos afirmam que Portugal roubou o ouro do Brasil - embora o Brasil fosse terra portuguesa – enquanto a colónia não recebia nada em troca, algo que pode ser facilmente refutado ao analisarmos a grande riqueza das capitanias do centro-sul do Brasil. A presença em abundância do metal aurífero facilitou um enorme desenvolvimento do Brasil da época, como atesta a construção de inúmeros edifícios e infra-estruturas que fizeram a constituição do Brasil como um território articulado, coerente e desenvolvido. Só uma pequena parte do ouro minado do Brasil é que chegou efectivamente a Portugal. A Holanda, pelo contrário, retirava os lucros dos principais recursos e canalizava-os exclusivamente para o seu território, aplicando-os em assuntos que nada diziam respeito à colónia.  

Como conclusão, urge relembrar que a Holanda abandonou o território brasileiro assim que encontrou terras mais lucrativas nas Antilhas, algo que prejudicou e muito o ciclo do açúcar brasileiro. Se a Holanda realmente acarinhava o Brasil como muitos defendem, porque razão o abandonou após encontrar terras economicamente mais promissoras? A resposta é óbvia: a Holanda não tinha uma ligação cultural e civilizacional profunda com aquele território, apenas uma conveniente e estreita ligação económica.
Osório Costa» in https://realbeiralitoral.blogspot.pt/2017/11/a-colonizacao-holandesa-do-brasil-era.html?spref=fb quinta-feira, 9 de novembro de 2017
171 AA Cumprir a Terra
[Palavras-chave: Brasil, COLONIZAÇÃO HOLANDESA, COLONIZAÇÃO PORTUGUESA, ENSAIO, HISTÓRIA ]

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Caríssim@s Participantes em Nova Museologia


Saúde.

 

Na aula de 06.11.2017 foi concluída a apresentação dos estilos de colunas históricas; a minha segunda definição de Museu; Introdução à visita a realizar em 04.12.2017; Linhas de Torres e Quinta da Chamoura, Chamorra ou Chamourra (que segundo minha interpretação provirá de Chão da Moura ou Chama da Moura).

 

Na próxima aula de 13.11.2017 serão apresentadas: a primeira parte do conceito de Património; continuação de conceitos de Museu, incluindo a definição do ICOM (International Council of Museums) e se houver tempo falaremos de Jeorge Henri Rivière e Hugues de Varine, precursores da Nova Museologia.

 

Como tudo parece indicar não receberam, devidamente nos e-mails, os documentos da semana transata, reenvio-os novamente.

 

Palavras-chave: arquitetura, arte, história, museologia, nova museologia, património

 

Aproveito o ensejo para desejar dias felizes, plenos de realizações e de bons significados.

 

170 AA Cumprir a Terra