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sábado, 16 de novembro de 2019

IV - NOTAS PARA UM PERCURSO SOCIO-MUSEOLÓGICO


IV - Notas para um percurso socio-museológico da Quinta do Castelo e Consolata: Centro Missionário Padre Paulino.
Palavras-chave: África, bem cultural, Consolata, Centro Missionário Padre Paulino, fratrimónio, Historia, matrizmónio, Portugal, Ribeira de Barcarena, Ribeira das Jardas
Entre os bens culturais fratrimoniais em que participam os irmãos da Consolata e a população da envolvência, através da organização em hortas comunitárias, como se de uma cooperativa informal se tratasse ; e os bens da natureza que podemos classificar como matrizmónios, tais como: a Ribeira das Jardas / São Marcos / Barcarena, os terrenos, vegetação, aves, animais e o próprio clima do local. No conjunto apresentam-se os bens físicos e imateriais (incluem-se nestes bens imateriais, o clima e as relações de associação e amizade).
Os visitantes merecem uma visita, de preferência orientada por um(a) guia especializado(a) e orientado(a) por uma educação fratrimonial, conhecimentos básicos de biologia, agricultura, história e/ou museologia social. Através desta Quinta e da Irmandade da Consolata podemos fruir dos bens locais e até sermos contemplados com a descrição de viagens históricas ou da atualidade relacionadas com o espaço da Quinta, a arte plástica e o percurso de vida dos seus ex e atuais proprietários ou usufrutuários.
Na Quinta da irmandade da Consolata podemos apreciar os bens aqui produzidos e disponíveis (físicos ou imateriais), adquirir bens de consumo (mel, licores, informação, artesanato, …) e até fazer uma viagem virtual ao Próximo Oriente, África e Ásia. Parece muito o que se propõe com uma visita à Quinta do Castelo / Consolata: Centro Missionário Padre Paulino. No mínimo podemos beneficiar de uma apresentação dos temas relacionados com estes espaços: Economia e organização. Arte, embora com poucas peças, estas são, em meu entender, muito relevantes. Também podemos saber mais sobre a vida dos residentes e dos proprietários de hoje e de outrora. (Cf. Quinta do Castelo, Actividades Socioculturais in https://www.facebook.com/groups/1765418447076872/ )
 
Quanto a Mouzinho de Albuquerque

Encontrámos a referência, de que estas terras, hoje da Consolata: Centro Missionário Padre Paulino (t.r. http://www.consolata.pt/onde-estamos/) foram pertença das famílias “Albuquerque”. (cf. http://www.consolata.pt/1183 ; http://www.consolata.pt/centros-missionarios/)
Nesta condição, referem algumas fontes (cf. https://rouxinoldepomares.blogs.sapo.pt/tag/agualva) que aqui permaneceu prisioneiro, ainda que pontualmente, o célebre Gungunhana, ex Régulo ou Imperador da região de Gaza - Moçambique. Sendo, ao que consta, a família de Mouzinho proprietária nestas terras e ainda Mouzinho o principal responsável pela “tomada” deste irmão africano na vila de Chaimite. Torna-se, assim, possível e verossímil, o acolhimento deste chefe Moçambicano na Quinta do Castelo, antes de ser transferido para os Açores.
Mouzinho teve um percurso de formação: militar, administrador colonial e governador do distrito de Lourenço Marques (atual Maputo) – Moçambique, o que lhe confere um estatuto de relevância pessoal e social.
Em África podemos considerá-lo um distinto africanista, se comparado com outras figuras de governos europeus que contestaram em finais do século XIX e inícios do XXº a administração portuguesa. Não que essas figuras europeias fossem a favor das independências mas porque reivindicaram e, em boa parte conseguiram, eles próprios, estabelecer-se em África na condição de colonizadores e homens de negócios.
A questão do “Mapa-cor-de-Rosa” imposto por países europeus e o “Ultimatum” da Inglaterra a Portugal são dois episódios e dois processos documentais que ilustram o desiderato do imperialismo. Só que Portugal, mormente em regiões costeiras, já se encontrava em África, com mais ou menos administração, desde finais do século XV.
Mouzinho foi uma figura que prestou serviço público pela nação portuguesa, numa altura muito difícil e em contexto das políticas europeias - não de uma Europa unida, que ainda não se vislumbrava mas sim de uma Europa de nações, competitivas e, grosso modo, imperialistas.
Releve-se que no continente africano havia grandes extensões habitadas por povos ou tribos, que em muitos casos se opunham, entre si. A indefinição de fronteiras, um certo fratricídio das famílias de líderes locais; em contraposição a certa cobiça por nações europeias, são fatores que levam à transferência de comunidades da Europa que ali se estabelecem e instalam com administrações e equipamentos de defesa ou bélicos. Os europeus rasgam vias de comunicação e exploram recursos. Só que, a estes benefícios, bem ou mal, a historiografia veio classificá-los de obras do colonialismo e imperialismo.
Não estamos aqui a tecer críticas negativas ao conceito de colonialismo, até porque esta filosofia administrativa se estendia ao interior dos próprios territórios europeus. Exemplo: Na primeira metade do século XX e durante algumas décadas, ainda existia o conceito de “colono” mesmo em relação a regiões interiores de Portugal Continental Europeu. Nesta ótica foram chamadas, ainda no século XX, famílias das Beiras para colonizar o sul de Portugal.
O mapa da imagem supra mostra o desígnio do controlo britânico «a rota do Cabo ao Cairo». Data de 1913. Os ingleses conseguiram o controle de uma boa parte do continente africano. O «Mapa cor-de-rosa» na imagem infra mostra o desígnio da pretensão de Portugal com uma faixa de «Angola à contracosta». Portugal conseguiu, depois de muita negociação com os países europeus interessados, administrar Angola, Cabinda e Moçambique e não todo a área constante neste «mapa cor-de-rosa» datado de 1886.
Nos contextos de colonização, Cecil John Rhodes (1853-1902) foi um inglês (“homem de negócios, político e explorador” (cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cecil_Rhodes) que preconizou o imperialismo e o colonialismo. «Organizou a anexação pelos ingleses de um extenso território. Iniciador da guerra anglo-bóer (1899-1902).”
Consta ainda que Rhodes doou mil espingardas a Gungunhana para combater os Portugueses. Contudo Paiva Couceiro e Mouzinho de Albuquerque conseguiram vitórias, mesmo com homens em muito menor quantidade. Nestas disputas, Gungunhana, um chefe que alguma historiografia o classifica como imperador de Gaza - refugia-se (ou abriga-se voluntária e teatralmente) na localidade de Chaimite, deixando aos Portugueses a possibilidade de administrar o território, o que veio a acontecer, não obstante a disputa entre Europeus.
A questão da cobiça das extensas reservas naturais estava em causa, até para ajudar a alimentar as guerras mundiais que se seguiriam. Longe já iam os tempos da Renascença, da curiosidade em saber que mundos havia em Além-Mar, da procura de glórias pessoais e da expansão dos valores do Cristianismo.
O poeta moçambicano Mia Couto escreve e edita: «As Areias do Imperador - Mulheres de Cinza», faz descrições com certo interesse, embora não desprovido do sentimento laudatório de nacionalismo e de anti colonialismo. Nesta ótica desclassifica Mouzinho de Albuquerque para dar relevância a Gungunhana e, sobretudo, às resistências populares locais de Moçambique.
Se Gungunhana voltasse a esta vida, talvez fizesse humor do seu próprio destino. A forma como foi, ou se deixou capturar, as lutas fratricidas e tribais ; a não existência de um território de fronteiras definidas ; a não existência do conceito de Nação e Estado soberano, em África, no século XIX. Tudo isto permitiria a um Gungunhana "ressuscitado" alguma ironia em relação com o estatuto de atual de herói, embora que a título póstumo.

terça-feira, 30 de abril de 2019

"POR TEU LIVRE PENSAMENTO": Subsídio de como se cria um museu nacional tangível e imaterial

Gerar um Museu Nacional não é muito comum.
O primeiro Museu Nacional de Portugal nasce no Palácio Alvor da Rua das Janelas Verdes em Lisboa, na sede do actual Museu de Arte Antiga.
É frequente, a nivel internacional, os museus nascerem após uma exposição de notável referência. O 1º Museu Nacional foi buscar a motivação e a experiência à “Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola” em janeiro de 1882. Nesse tempo havia boas relações entre Espanha e Portugal, de modo que o rei D. Luiz e D. Maria Pia se associaram a D. Affonso e D. Maria Christina para tornarem possível a mostra com obras selecionadas dos dois países ibéricos.
Ao acto pouco habitaul de realização de exposições conjuntas entre diferentes países juntou-se o atractivo da novidade e utilização da luz eléctrica. Esta exposição foi uma das primeiras do Mundo a ser iluminada com a nova tecnologia. O para-museu permaneceria aberto à noite e era mais procurado do que de dia. Ao desejo de visitarem a exposição acrescia o fator maravilha, pela novísssima introdução da electricidade. O número de visitantes terá chegado a cerca de sessenta a cem mil entradas, se contadas as muitas borlas de gente do sector, da família e do Regime.
A exposição actual “POR TEU LIVRE PENSAMENTO” vai, também, originar um prodígio raro de criação de um novo Museu Nacional.

Os proveitos destes eventos são praticamente únicos em cada geração, se bem que há gerações que não têm o privilégio de ver nascer um Museu Nacional. Temos, pois, nestas gerações actuais, a sorte de poder assistir ao vivo e acores a este acontecimento, sendo que na actualidade contamos com a informação de que se trata de um feito predestinado. Sabemos, de antemão, que esta exposição vai dar origem ao Museu Nacional da Resistência e Liberdade, ao passo que no século XIX os visitantes da exposição de arte, não sabiam, nem faziam ideia de que ali e dali, do Palácio Alvor, sairia o primeiro Museu Nacional de Arte Antiga de Portugal.

A partir do dia 27 de Abril de 2019 podemos apreciar e questionar, como uma exposição temporária vai dar origem a um museu desta classificação, que verá a plenitude do lançamento no próximo ano, isto é, já em 2020.

Uma oportunidade a não perder este prólogo. (Vi)ver esta notável apresentação destinada a servir de parto a um dos raros museus nacionais. Quemquer que se reveja nos ideais de liberdade não dispensará este início de vida de uma organização destinada à difusão da consciência do livre pensar, de sentinela e de prevenção de eventuais tentativas de retrocesso civilizacional.

É de não perder o ensejo.

Junto apresentamos algumas imagens, recentes e de arquivo, bem assim como uma seleção de documentos introdutórios da autoria da equipa técnica, envolvida neste significativo esforço.

Conhecer o imprescindível, a nível da salvaguarda das liberdades fundamentais do ser humano e do ser português, é o propósito em ação.

Palavras-chave: bem cultural, exposição, memória, museu, Museu Nacional da Resistência e Liberdade, Portugal

Fontes acedidas em Abril, 2019:

 
Créditos imagens: 1 a 4 gentileza da DGPC / Organização da Expo` «Por Teu Livre Pensamento» ;
5 a 24 fotos arq. pessoal a partir de projeções e in loco AA
 
Fontes acedidas em Abril 2019:
 
ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Organizações Sociais da Memória: Um Modo Eficiente de Funcionamento” https://cumpriraterra.blogspot.com/2019/03/organizacoes-sociais-da-memoria-e-bens.html

MARQUES, Mariana et al - “E de uma exposição nasceu o primeiro museu nacional” https://www.dn.pt/artes/interior/e-de-uma-exposicao-nasceu-o-primeiro-museu-nacional-9032754.html

PORTUGAL – Direção-Geral do Património Cultural e Comité Executivo do Museu de Peniche – “Museu Nacional da Resistência e Liberdade”; Desdobrável da exposição “Por teu livre pensamento”, 24.04.2019

terça-feira, 16 de abril de 2019

Dame de Cœur em Paris a 2ª Roma do Ocidente

(gentileza da imagem Rodrigo Lavalle et al.)
Uma comemoração com armas outras que não as letais. Trata-se de uma celebração da luz e da cor; do gótico, do espírito (sopro divino), história e evocação de uma das mais emblemáticas obras do génio humano.

E agora o que fica depois da guerra e do incêndio?

Da guerra ficam as intenções de perdão, o exemplo e lição de paz, e entendimento; ficam as imagens, como as destes belos vídeos. Um deles, obtido através da dedicação do lusófono Max Petterson Monteiro. ( https://www.youtube.com/watch?v=cnNDJCqPrhg , em especial, do minuto 3.45 ao 6,57).

Aqui ficam as recordações (memórias de ouro e amor); ficam as criações, desde os estilos artísticos, às projeções das imagens científicas e técnicas de Rodrigo Lavalle https://www.conexaoparis.com.br/2017/09/26/espetaculo-na-catedral-de-notre-dame/ ;

Junto, deixo resumo descritivo a partir de um texto recebido por e-mail em 11.11.2018 e novamente recuperado, em linha, através dos links e fontes aqui indicadas.  

Monumento conhecido por Dame de Coeur, onde recentemente o “show de luzes, imagens e sons fez parte das comemorações do centenário do fim [armistício] da 1ª Guerra Mundial. Homenageia os milhares de soldados que perderam a vida na guerra. O espetáculo desenvolve-se a partir da história de uma enfermeira francesa que encontra um soldado americano agonizando num campo de batalha. Ele confessa à enfermeira o arrependimento de nunca ter conhecido a catedral de Notre Dame. São 25 minutos de projeções – acompanhadas por banda sonora – criadas pelo cenógrafo Bruno Seillier. Ele já havia idealizado espetáculos semelhantes para os Invalides, em 2012, e para a própria Notre Dame em 2011. Todo o processo levou 1 ano de planeamento e oito meses de trabalho […]. Além das projeções na fachada (cascatas, fogos de artifício, os reis e anjos da fachada dançando etc.), haverá também projeções no interior da catedral […]. Um evento de sonho!” (cf. LAVALLE, ob, cit. Os sublinhados são nossos) 

E agora que fica depois do incêndio de 15.04.2019? 

Fica, desde já a intenção e a vontade em reconstruir e recuperar. Ficará um controle futuro multi redobrado. Programas apertados e eficazes com mais vigilância e tecnologias de prevenção e segurança, porque a salvaguarda dos Bens culturais não começa e acaba logo que as Organizações de conservação e restauro tomam conta de um Bem. A salvaguarda é essencialmente um processo e deverá acompanhar, em permanência o Bem cultural, mormente em situações de obras, festas e demais ajuntamentos de pessoas.  

Palavras-chave: Bem cultural, comunicação, conservação, documentação, informação, musealização, processo, salvaguarda 

FONTES em linha, acedidas em 04.11.2018 e 16.04.2019 

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Da salvaguarda como processo”  https://cumpriraterra.blogspot.com/2019/01/da-salvaguarda-como-processo.html


-ANCIÃES, Alfredo Ramos – O 1º Grande conflito do século XX: Comunicações arte e armistício https://cumpriraterra.blogspot.com/2018/11/o-1-grande-conflito-do-seculo-xx.html  



de Cœurhttps://www.youtube.com/watch?v=cnNDJCqPrhg

terça-feira, 26 de março de 2019

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS DA MEMÓRIA: UM MODO EFICIENTE DE FUNCIONAMENTO

Aveiro – Bens Memoriais
Palavras-chave: bem cultural, comunicação, divulgação, memória, organização, produção, tratamento

Não deveriam fazer parte das organizações sociais da memória os arquivos, bibliotecas, museus, casas-museu e outras instituições afins:

-que não estão vocacionadas para a fruição no presente e a salvaguarda para o futuro,

-que não respeitam a valorização dos bens,

-que não incluem a inspiração, os talentos criativos e a sociabilização,

-que não informam, não comunicam, nem redistribuem o redistribuível, como exemplo: peças e bens em excesso.
Aldeia das Terras de Magriço e do Demo – Casa Memorial

De modo geral são organizações da memória certificadas ou de confiança, as entidades e instituições que obedecem a regras, parâmetros e funções em torno dos seguintes itens:
 
1-      Edição/criação/produção de bens culturais e serviços,

2-      elaboração de regras de funcionamento e participação na legislação, quando possível e necessário.

3-      salvaguarda dos bens em estado crítico,

4-      incorporação, preservação, conservação e restauro

5-      projetos e estudos,

6-      informação e divulgação dos bens e serviços,

7-      exposição permanente e/ou temporária mas regular dos bens culturais,

8-       comunicação permanente ou, pelo menos, frequente dos bens culturais,

9-      distribuição graciosa, ou venda de bens culturais e económicos relacionados com as memórias (tangíveis ou intangíveis).
 

Portaria para o complexo da Biblioteca Nacional de Portugal


Nesta ótica, os conceitos de cidadania estão associados às organizações sociais da memória. A melhor forma para estas organizações realizarem missões e objetivos de qualidade será através do estudo e do trabalho permanente ou, pelo menos, frequente e dedicado. Não acreditamos nos arquivos, bibliotecas, museus, casas-museu, casas da memória, associações e mesmo nos Estados que funcionam de forma autocrática em relação aos bens culturais e serviços. As formas meramente pontuais, e intermitentes de funcionamento, de algumas organizações da memória, não oferecem um serviço público de qualidade.

O futuro e suas esperadas gerações, bem como as gerações do presente, devem ser objeto de igual atenção.

As organizações sociais da memória podem e devem cooperar com as instituições afins. 
Terão em especial atenção o serviço e o respeito pelos participantes e utilizadores, mormente pelas populações locais, ou oriundas, que se reveem nos bens - móveis ou imóveis, no território e nos bens imateriais: língua, pronúncia, contos, festas, hábitos/costumes, processos de trabalho e trajes.

Cada um dos 9 pontos indicados carece de desenvolvimento;
Tal desdobramento, não cabe no presente artigo. Trata-se de uma mera base de reflexão e trabalho.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Dos Símbolos e das Artes em Liberdade


 Ao passar, passear, caminhar e expor o que importa é o propósito

001 Revestido do sentimento e da Bandeira Nacional. Eu próprio em Doa, Distrito de Tete, Moçambique

002. Imagem em dia de folga num aquartelamento provisório do mesmo distrito de Tete, onde exponho o sentimento de liberdade, reforçado com a legenda da camisola «Freedom». Já lá vão alguns anos, altura em que pensava e ainda penso ter cumprido, pelo lado militar, o dever para com a Nação, a Portugalidade e a Amizade entre os Povos da Lusofonia. Sabendo que nos últimos 20 anos do Império, os Territórios de Além Mar, apesar da Guerra, se desenvolveram mais do que em 100 anos precedentes e sem a extração desenfreada de recursos; foi / é para mim muito reconfortante ter participado nesse processo.

&

Quando passamos sobre uma imagem, não queremos dizer que a desrespeitamos. Já o pisá-la deliberadamente, aproveitando as câmaras e os holofotes é uma atitude bem diferente.

Ao tomarmos uma hóstia consagrada que representa o Corpo e o Sangue de Cristo, não estamos a desrespeitar Esse Corpo, nem a sugerir a ideia de canibalismo.

Assim, também, o episódio de um Hotel do Porto que queria ilustrar o chão com uma carpete estampada com a Bandeira Nacional, não teria a intenção de instigar / pisar malévola e deliberadamente o símbolo nacional por excelência. Aceitam-se, contudo, opiniões dos que pensam o contrário e de que o símbolo não deve ser plasmado, nem exposto no solo, especialmente se tratando de um espaço gerido por uma organização de tipo comercial.

003 Antiga Bandeira de Portugal, ainda exposta e apreciada no Território de Ceuta, em África

 Não curam as pessoas extrapolarem ou deduzirem intenções limitando a liberdade de divulgar. Quando passeamos sobre o chão fronteiro ao Monumento das Descobertas em Belém – Lisboa, não quer dizer que estamos a desrespeitar os símbolos e a informação existente no solo, sobre Portugal e o Mundo. Ao irmos para Belém passear, significará: admiração e apreço pelo local, pela arte e pela História, e não uma intenção de espezinhar. Os nossos símbolos, ainda que projectados no solo, também são cultura. Não me chocaria, por exemplo, ver a Bandeira Nacional na arte das calçadas portuguesas.

004 Bandeira de Portugal 1826-1910

Ao passearmos por cima das flores-de-lis - símbolos sagrados e até sugestivos dos valores nacionais de alguns países europeus, não quer dizer que desrespeitamos esses símbolos.

 

005 Flor-de-Lis no chão, frente ao Shopping Center de Massamá – Sintra

Nos gestos e nos propósitos, está a diferença. Não posso condenar, à partida, a divulgação e a exposição destes símbolos, a menos que queira dar argumentos a ditaduras, as quais fiscalizam, por tudo e por nada, a nossa conduta; quiçá quase sempre para nos tirarem a liberdade de ser e de viver.

006 Bandeira Nacional no edifício da Câmara Municipal de Lisboa

Há dias encontrei, ao pé dos contentores do lixo, uma imagem de Cristo e um livro com a Bandeira Nacional. Que interpretação deveria fazer da pessoa que depositou ali estes objectos? Nenhuma; simplesmente, porque não sei quais as razões e os sentimentos que estiveram na base da deposição ou exclusão. Nem devo questionar as atitudes que teriam os funcionários da limpeza. A liberdade é coisa muito bela e deve ser exercida com o sentido da responsabilidade e, para isso, é preciso apostar ainda mais na educação.

007 Núcleo central da Bandeira Nacional

Gosto da palavra símbolo, bem como dos seus significados em termos: artísticos, filosóficos e históricos. Vem isto ainda a propósito da questão da troca de bandeiras nos paços do concelho, aquando da efeméride dos 100 Anos da República, bem como do episódio da subtração de uma bandeira municipal, pelos monárquicos. Retirarem a Bandeira do Município que é tão simbólica, desde os corvos que acompanharam os restos mortais de São Vicente nos alvores da nacionalidade, não terá sido curial. Terá havido uma atitude deliberada, quiçá de “política” subterrânea, de fazer desaparecer a dita bandeira. Em democracia as “armas” para fazer adeptos devem respeitar as regras.


 008 Bandeira de Lisboa
      Por outro lado, experimentando a ideia de colocar-me no papel dos que praticaram a ação, tudo parece indicar que seria para questionar a legitimidade moral da retirada de outra Bandeira, a conotada com a Monarquia, na versão anterior a 1910, dos Paços do Concelho, por parte dos Republicanos. Com a subtração, os adeptos do Regime Monárquico pensariam ter exercido um acto de justiça por mãos próprias, dispensando os Tribunais.

A atitude positiva e respeitosa para com a arte e os símbolos é tudo; estejam a arte e os símbolos: no solo, nos veículos, nas casas, nas paredes, nos armários, ou simplesmente inacessíveis e velados em redomas de depósitos, de arquivos e museus tradicionais.

Liberdades com responsabilidades serão os melhores bens imateriais culturais. Ajudarão a criar as frátrias, herdeiras das pátrias esgotadas, onde as obras de arte, a produção, os símbolos e os valores serão integrantes de uma nova comunicação e uma outra redistribuição.

 Imagens 001, 002, 005, 006 Arquivo Pessoal; 003, 004, 007, 008 gentileza pt.wikipédia et al

 Palavras-chave: arte, bem cultural, expressão, fratrimónio, história, liberdade, símbolo


terça-feira, 29 de maio de 2018

BENS CULTURAIS LOCAIS E UNIVERSAIS: BENTO DE NÚRSIA ORGANIZAÇÃO TRABALHO E COMUNICAÇÃO



 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgIH71FPHXkJnHwkZX2u-NXEUN8cVTB0QQ02gN5MjkCReqh7yfo017yFbzxnYYLmd9FQepthPPiUIIxS_6A0-amJtSpPMl-sUsMgFtS_7O_FD_SfgbPTWkVLkYRw5B9vwa_X0T8gxYRwsw/s320/Sao+Bento+Ora+et+Labora+Vitral+igreja+Massama+DSCF0146.jpg
Comunicação, não é o mesmo que transmissão ou informação;

Comunicar é algo que (co)move/envolve as partes: pessoas e tudo o que vive. Pode até tratar-se de comunicação entre pessoas, animais, plantas e árvores (cf. S. Francisco e fontes infra) implicando respostas, a que no vulgo chamamos "feedbacks".

Se apenas vemos filmes, espectáculos, programas de televisão; usamos o facebook sem criatividade, enviamos mensagens sem retorno; fazemos passeios e viagens, sem troca de sinais, então estamos a fazer entretenimento: Podemos estar a cultivar-nos, informar-nos ou informar os outros; não estamos a comunicar.

Quando os ruídos impedem a comunicação, significa que precisamos adoptar medidas, quiçá de certo “isolamento”, o que em princípio, parece contraditório à comunicação. Contudo foi esta conduta que Bento de Núrsia adoptou aquando da crise do Mundo Romano/Ocidental com a entrada de “emigrantes e invasores” que marcaram a Europa dos finais da Idade Clássica, contribuindo para a Idade Média.

Bento de Núrsia torna-se padroeiro da Europa, venerado em milhares, senão dezenas de milhares de localidades do mundo, entre elas, Massamá/Sintra ; Seixas/Caminha, Minho.
Imagens: 1,2,3 - Massamá ; 3,5 e 6 - Seixas Caminha Minho


 “Quando se fala de Seixas, não se pode deixar de referir a Capela de São Bento e as tradições religiosas que lhe estão afectas. Isso porque, se mantêm até aos dias de hoje, a romaria e a festa que este Santo do Cristianismo promove na população, seja a local ou forasteira.” (cf. http://jf-seixas.com/historia/ acedido em 29.05.2018) ; “Esta capela fora do normal, de proporções grandes, tem a sua história baseada nos Freires Templários, remontando por isso à Idade Média em que se fixaram em Seixas ao edificar uma igreja dedicada ao culto de São Bento.” (cf https://www.visitarportugal.pt/distritos/d-viana-castelo/c-caminha/seixas/capela-sao-bento , acedido em 29.05.2018)

À organização, ecologia e trabalho, acrescente-se boa comunicação porque uma nova Europa é precisa. Aos ruídos e poluição nos media e transportes suceda uma filosofia como a inspirada a/por Bento de Núrsia, consolidada no saber e no (conhe)cimento "Ora et Labora".

 

Palavras-chave: arte, bem cultural, comunicação, Massamá, Nova Museologia, São Bento, Seixas Caminha

 

Outras fontes, acedidas em 29.05.2018:

 

--ANCIÃES, Alfredo - “COMUN(IC)(AÇÃO) EUROPA S. BENTO REORGANIZAÇÃO” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/06/79-comunicacao-europa-s-bento.html

ANCIÃES, Alfredo - “COMUNICAÇÕES ENTRE AS ÁRVORES E OUTRA NATUREZA” http://cumpriraterra.blogspot.com/2016/11/108comunicacoes-entre-as-arvores-e.html

--ANCIÃES, Alfredo - “COMUNICAÇÕES D`OUTRORA E UMA PERSPETIVA DE FUTURO – O CASO DE J.C.BOSE http://cumpriraterra.blogspot.com/2015/07/48-comunicacoes-doutrora-e-uma.html

--ANCIÃES, Alfredo – “LUSOFONIA E PRECURSORES DA RÁDIO: A TELEGRAFIA ATRAVÉS DAS ONDAS HERTZIANAS, TAMBÉM DITAS LANDELLIANAS”  http://cumpriraterra.blogspot.com/2017/03/lusofonia-e-precursores-da-radio.html

--VP VISITAR Portugal, et al- imagens “Capela de São Bento – Seixas Caminha” https://www.visitarportugal.pt/distritos/d-viana-castelo/c-caminha/seixas/capela-sao-bento