sexta-feira, 17 de maio de 2019

OS SÍMBOLOS E AS PASTORINHAS NO “EIXO AZUL E VERDE”


 

A CONFHIC é a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. É uma Obra Social e Fratrimonial com a Sede Mãe em Linda-a-Pastora (ou Lindas-as-Pastoras), perto de Lisboa. Ficam situadas nas faldas do Rio Jamor, cujo “Eixo Azul e Verde” está a ser valorizado. Este “Eixo” vem desde a Serra da Carregueira, Sintra e passa por três concelhos: Sintra, Amadora e Oeiras.
A casa destas Irmãs Hospitaleiras situa-se precisamente numa ex Quinta, dita de São Domingos ou Quinta dos Verdes porque pertenceu a um ascendente do poeta, escritor Cesário Verde. É mais um dos interessantes atrativos deste Território que está e precisa ser valorizado com investimentos, com o interesse e o reconhecimento pelas populações e por todos os que procuram estes recantos.
 
É, também, por aqui que nasce a lenda da “Linda Pastorinha” e daí, quiçá o nome da localidade “Linda-a-Pastora”.
Conta-se que nestas Terras, outrora navegáveis por pequenas embarcações, do Tejo, até à Nossa Senhora da Rocha. Poderá voltar a ser navegável, é uma questão de investimento.
Consta que uma linda pastora apascentava o seu rebanho e foi interpelada por um Senhor que ficou encantado pela beleza da Pastorinha e por estas Terras.
Conta-nos, ainda, o escritor Almeida Garrett uma versão da lenda da Pastorinha, que aqui adaptamos e salpicamos:
 
Senhor - “Linda pastorinha, que fazeis aqui?
Pastorinha – Procuro o meu gado que por aqui perdi.
Senhor – Tão gentil senhora a guardar gado!
Pastorinha – Senhor, já nascemos para este fado.
Senhor – Por estas montanhas em tão grande perigo! Diga-me, menina, quer vir comigo?  [… / …] Não tenha medo que o gado se perca, por aqui passarmos uma hora de sesta.
Pastorinha – Senhor, vá-se embora, não me dê tormento […] / Ai como vai grave de meias de seda! Olhe não as rompa por essa esteva.
Senhor – Pois adeus, ingrata Linda Pastora! Fica-te, eu me vou embora, pela serra fora.
Pastorinha – Venha cá, senhor, torne atrás correndo […] amor é cego, já está rendendo.
Cronista – Sentaram-se à sombra … tudo estava ardendo … Quando dizem que não querem, então, é que estão querendo!»
 
Foi nestas Terras que Almeida Garrett, o Homem das viagens e do turismo romântico, mas com certo sabor de naturalismo (passe a aparente contradição) visitou e nos diz:
«Namorei-me do sítio, por modo que ali passei o Verão todo: e dali fiz deliciosas excursões pelas vizinhanças […]»
Foi aqui, segundo conta Garrett, que recolheu uma versão da lenda da Pastorinha, nomeadamente através da lavadeira Francisca.
A interpretação desta lenda levar-nos-ia longe.
O que fazia por ali um senhor no meio das serras? Talvez proveniente de Lisboa. Um proto turista, ou um foragido? Um cristão, um moçárabe, ou um árabe?
Ao certo nunca chegaremos à verdade pura que dá fundo à lenda, mas talvez a vários fundos de verdades e inverdades cruzadas. A lenda tem este dom de se adaptar às realidades ou aos desejos de verdades. O Senhor poderia bem ser um foragido dos fluxos e refluxos das conquistas e reconquistas, entre mouros, cristãos e moçárabes. E daqui poderíamos partir para um dos contos da Cruz Quebrada, aqui perto de Linda-a-Pastora.
Cruz Quebrada, propositada, por alguém que não viu o símbolo da Cruz como bom presságio para a sua comunidade. E a Cruz Quebrada continuou a ser reflexo da História. A Cruz poderá ter sido quebrada nestas vindictas das pessoas que, de um momento para o outro, ficaram despojados dos seus bens, das suas referências e da sua cultura.

Que as cruzes, quebradas ou inteiras, sirvam como passadiços, de pontes e não de querelas. É o que fazem, desde o século XIX as novas pastorinhas de Linda-a-Pastora, servido com hospitalidade, o próximo, através do símbolo que nem precisam de ostentar, perante as obras que estes religiosos representam. Que os sinais, +++ ou
  , não importa de que credo, se unam, acolhendo e servindo o próximo, como fazem as Irmãs de Linda-a-Pastora ou os Irmãos de quaisquer Terras e Lugares.

sábado, 4 de maio de 2019

CRIAÇÃO DO MUSEU NACIONAL DA RESISTÊNCIA E DA LIBERDADE

Notas sobre o processo de criação do Museu Nacional da Resistência e Liberdade.

O edifício do Museu assenta na Praça-Forte de Peniche. Antes do século XVII já havia estruturas destinadas à vigia da costa, à semelhança do forte da Berlenga Grande.
 
       No Cabo Carvoeiro foi instalado o farol, sob a administração do Marquês de Pombal. O alvará de autorização e funcionamento de faróis data de fevereiro de 1758, sendo que o equipamento de alumiamento e sinalização só iniciou a atividade em 1790.
       O Farol da Berlenga situa-se a cerca de 10 quilómetros do Cabo Carvoeiro e a cerca de 13 do Forte de Peniche. Iniciou o funcionamento em 1840 com a mesma missão e função de outros faróis: Servir de segurança, referência e informação às embarcações e populações locais. Contudo o farol da Berlenga é um dos mais isolados no panorama nacional.
 
       
 
Os faroleiros necessitam de assistência: alimentação, saúde e comunicação. Para obviar a estas necessidades foi instalado, em Peniche e na Berlenga, um dos primeiros sistemas de telegrafia óptica inventado em Portugal. O modelo escolhido foi o de Francisco Siera, nascido em Lisboa e nomeado primeiro Diretor dos Telégrafos portugueses. Para o efeito de troca de mensagens foi colocado este telégrafo para a comunicação entre a ilha e a Península de Peniche. 
Não temos documentação que ateste o sítio exato da instalação; mas tudo leva a crer que estaria junto ao farol do Cabo Carvoeiro ou, talvez, dentro da Praça-Forte de Peniche, quiçá junto do núcleo edificado, chamado “Redondo”, por constituir um bom ponto estratégico de visibilidade e onde se situava o comando da guarnição da Praça-Forte.

 
A Berlenga Grande começou a ter ocupação com a instalação dos monges da Ordem de São Jerónimo, em 1515, ao tempo do reinado de D. Manuel I. O objetivo era auxiliar a navegação, sobretudo os náufragos. O forte de São João Batista, também na Berlenga, já é do tempo de D. João IV, depois da Restauração de 1640.
 
Fortes, faróis e telégrafos são equipamentos indispensáveis para a defesa da costa, das populações e ajuda à navegação marítima, quer pelas atividades de pesca, quer pelos transportes e economias. Daí que estes equipamentos façam parte da evolução urbanística, da toponímia e da história.
 
Os equipamentos também acompanham as necessidades das populações e administração do território. É assim que vemos a transferência de utilização da Praça-Forte: De baluarte da defesa, comunicações e pontualmente presídio, passou à função de prisão política no tempo do Estado Novo. A Revolução do 25 de Abril pôs subitamente fim a esta indesejada função, manifestada pelas populações.
 
A 27 de Abril de 1974 a Praça-Forte tem o seu primeiro dia de grande afluência e de festa, ao abrirem-se as portas. Finda a função de prisão, o equipamento não podia ficar desaproveitado. Recebe gente retornada das eis Províncias Ultramarinas. A função de memória vai tomando corpo e consciência, entre os amantes da Liberdade.
Entretanto, no Forte vai sendo instalado o Museu Municipal.
 
A Fortaleza e edificações são enormes e necessitam de assistência regular, enquanto os recursos da região e do país são escassos. É, então, pensado como potencial equipamento hoteleiro. Não faltariam interessados para o adquirir e ocupar. Acontece que as memórias e as reivindicações de baluarte monumental despertaram mais atenções. 


Frontão sobre uma janela no interior da capela da Praça-Forte, dedicada a Santa Bárbara. O estilo parece-nos ser de Mateus Vicente de Oliveira.

Os eis prisioneiros, as sua famílias e quem está sensível para as questões da Liberdade foram mais afirmativos e exigentes. Ganhou a reivindicação para ali ser instalado um «Museu da Resistência e da Liberdade” que obtém o estatuto inédito de classificação Nacional, mesmo antes de abrir.
Na realidade é a vitória do projeto que faz jus à Praça-Forte como Monumento Nacional, com o reconhecimento dos valores que Abril abriu. 
 
 
Aqui vai ser instalado o Museu em referência, já no próximo ano de 2020, sendo a atual exposição o prelúdio de inolvidável e imperdível interesse.
O “Atelier AR4, Arquitectura Ldª.” é o vencedor do concurso.
Diga-se de passagem de que nós vemos como adequado o projeto que leva à função de Museu Nacional. Será mais rentável do que propiamente aproveitado como unidade hoteleira.

Se bem que a venda e exploração proporcionaria dividendos e até poderia incluir um pequeno núcleo memorial.
Nada compensará o atual projeto, quer em termos de consciência das liberdades, quer mesmo de interesse para preservação de memórias e a motivação das pessoas que também trazem vantagens na vertente do turismo. Saliente-se que uns atrativos chamam outros. A polivalência cultural é bem-vinda.
 
Quanto a unidades hoteleiras elas já existem em Peniche e poderão ser desenvolvidas nesta cidade e nas imediações.
 
Estão de parabéns os que lutaram e trabalharam para este Museu Nacional que, ao mesmo tempo, também integra memórias e peças de interesse regional.
Por toda esta envolvência, a Praça-Forte de Peniche, as memórias locais e o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade constituem um local e um bem cultural a não perder.

Créditos imagens: 001 gentileza sítio « historiadastransmissoes » , 002 gentileza sítio Wikipedia / WikiMedia Foundation et al , 003 a 015 e 017 a 018 Arquivo pessoal AA; 016 Câmara Municipal de Peniche

Palavras-chave:

Berlenga Grande, Museu Nacional da Resistência e Liberdade, Peniche, Praça-Forte, Telégrafo ótico

Fontes:

-MediaWiki et al - “Farol do Cabo Carvoeiro” https://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_do_Cabo_Carvoeiro

-ASSOCIAÇÃO de Turismo Militar Português – “Farol do Cabo da Roca” https://www.turismomilitar.pt/index.php?lang=pt&s=pois&id=245&title=Farol_do_Cabo_Carvoeiro  

-PORTUGAL – Direção de Faróis da Marinha – “Farol da Berlenga” https://www.amn.pt/DF/Paginas/FaroldaBerlenga.aspx

-PORTUGAL –Direção-Geral de Património Cultural et alPraça-forte de Peniche” - https://pt.wikipedia.org/wiki/Praça-forte_de_Peniche 

-AFFONSO, Aniceto; LIMA, Pedroso de et al - “Telégrafo de Peniche”  https://historiadastransmissoes.wordpress.com/2011/11/15/telegrafo-de-peniche/ 

-ENGENHEIRO, Fernando - “Subsídio para a História do farol da Berlenga”  http://cabo-carvoeiro-historico.blogspot.com/2009/11/subsidios-para-historia-do-farol-da.html

PORTUGAL, Direcção-Geral do património Cultural et al - “Praça Forte de Peniche” https://pt.wikipedia.org/wiki/Praça-forte_de_Peniche

-ROCHA. Vitor – “História do Forte de Peniche” http://fortedepeniche.blogspot.com/2010/05/historia-do-forte-de-peniche.html

-SARAIVA, José Hermano; RTP et al - “A Bruma da Memória – Peniche” https://www.youtube.com/watch?v=mbONETgICxA

PORTUGAL, Património Cultural Português et al “Depoimentos de antigos presos políticos da Fortaleza-prisão de Peniche - https://www.youtube.com/watch?v=u8jeqqkVm3E&feature=youtu.be

terça-feira, 30 de abril de 2019

"POR TEU LIVRE PENSAMENTO": Subsídio de como se cria um museu nacional tangível e imaterial

Gerar um Museu Nacional não é muito comum.
O primeiro Museu Nacional de Portugal nasce no Palácio Alvor da Rua das Janelas Verdes em Lisboa, na sede do actual Museu de Arte Antiga.
É frequente, a nivel internacional, os museus nascerem após uma exposição de notável referência. O 1º Museu Nacional foi buscar a motivação e a experiência à “Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola” em janeiro de 1882. Nesse tempo havia boas relações entre Espanha e Portugal, de modo que o rei D. Luiz e D. Maria Pia se associaram a D. Affonso e D. Maria Christina para tornarem possível a mostra com obras selecionadas dos dois países ibéricos.
Ao acto pouco habitaul de realização de exposições conjuntas entre diferentes países juntou-se o atractivo da novidade e utilização da luz eléctrica. Esta exposição foi uma das primeiras do Mundo a ser iluminada com a nova tecnologia. O para-museu permaneceria aberto à noite e era mais procurado do que de dia. Ao desejo de visitarem a exposição acrescia o fator maravilha, pela novísssima introdução da electricidade. O número de visitantes terá chegado a cerca de sessenta a cem mil entradas, se contadas as muitas borlas de gente do sector, da família e do Regime.
A exposição actual “POR TEU LIVRE PENSAMENTO” vai, também, originar um prodígio raro de criação de um novo Museu Nacional.

Os proveitos destes eventos são praticamente únicos em cada geração, se bem que há gerações que não têm o privilégio de ver nascer um Museu Nacional. Temos, pois, nestas gerações actuais, a sorte de poder assistir ao vivo e acores a este acontecimento, sendo que na actualidade contamos com a informação de que se trata de um feito predestinado. Sabemos, de antemão, que esta exposição vai dar origem ao Museu Nacional da Resistência e Liberdade, ao passo que no século XIX os visitantes da exposição de arte, não sabiam, nem faziam ideia de que ali e dali, do Palácio Alvor, sairia o primeiro Museu Nacional de Arte Antiga de Portugal.

A partir do dia 27 de Abril de 2019 podemos apreciar e questionar, como uma exposição temporária vai dar origem a um museu desta classificação, que verá a plenitude do lançamento no próximo ano, isto é, já em 2020.

Uma oportunidade a não perder este prólogo. (Vi)ver esta notável apresentação destinada a servir de parto a um dos raros museus nacionais. Quemquer que se reveja nos ideais de liberdade não dispensará este início de vida de uma organização destinada à difusão da consciência do livre pensar, de sentinela e de prevenção de eventuais tentativas de retrocesso civilizacional.

É de não perder o ensejo.

Junto apresentamos algumas imagens, recentes e de arquivo, bem assim como uma seleção de documentos introdutórios da autoria da equipa técnica, envolvida neste significativo esforço.

Conhecer o imprescindível, a nível da salvaguarda das liberdades fundamentais do ser humano e do ser português, é o propósito em ação.

Palavras-chave: bem cultural, exposição, memória, museu, Museu Nacional da Resistência e Liberdade, Portugal

Fontes acedidas em Abril, 2019:

 
Créditos imagens: 1 a 4 gentileza da DGPC / Organização da Expo` «Por Teu Livre Pensamento» ;
5 a 24 fotos arq. pessoal a partir de projeções e in loco AA
 
Fontes acedidas em Abril 2019:
 
ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Organizações Sociais da Memória: Um Modo Eficiente de Funcionamento” https://cumpriraterra.blogspot.com/2019/03/organizacoes-sociais-da-memoria-e-bens.html

MARQUES, Mariana et al - “E de uma exposição nasceu o primeiro museu nacional” https://www.dn.pt/artes/interior/e-de-uma-exposicao-nasceu-o-primeiro-museu-nacional-9032754.html

PORTUGAL – Direção-Geral do Património Cultural e Comité Executivo do Museu de Peniche – “Museu Nacional da Resistência e Liberdade”; Desdobrável da exposição “Por teu livre pensamento”, 24.04.2019

terça-feira, 23 de abril de 2019

DIA MUNDIAL DO LIVRO E DOS DIREITOS DE AUTOR ou no conceito mais abrangente – Dia dos Bens Culturais Editoriais


«DIA MUNDIAL DO LIVRO E DOS DIREITOS DE AUTOR» ou no conceito mais abrangente – Dia dos Bens Culturais Editoriais.

Nota prévia:

«Caras educadoras leiam, leiam e debrucem-se sobre as páginas com os vossos alunos. Levem-nos a recontar, a continuar as histórias. Façam-nos memorizar lengalengas, trava-línguas, poemas e canções. Dramatizem enredos, encham as paredes de desenhos que os meninos fizeram após a vossa leitura, e o livro deixará de ser apenas um conjunto de páginas unidas por uma capa e fará parte das crianças, da aula, da escola. Não terá limites.» (cf. https://www.portoeditora.pt/espacoprofessor/paginas-especiais/educacao-pre-escolar/opiniao-pre/dia-mundial-do-livro/ . - o sublinhado é nosso)

«A palavra "livro" tem origem no latim. Vem de "líber", que era o nome dado à membrana que existe debaixo da casca das árvores. Uma espécie de papel primitivo […,] feito com essa membrana. O nome usado no inglês, "book", também tem a ver com árvore. Vem de "bok", palavra de raiz germânica que significa faia, um tipo de árvore.» (cf. http://www.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2012/10/de-onde-vem-a-palavra-livro ).

O livro é «[…] obra literária ou científica […] um conjunto de folhas ordenadas e ligadas entre si […] tem origem no entrecasco de certas árvores onde se escrevia. (cf. Mafalda Lopes da Costa in http://ensina.rtp.pt/artigo/a-origem-da-palavra-livro/ ) 


Desta ideia, optámos por desenvolver aqui a temática referente a - O Livro, ou seja à Bíblia, sendo que temos respeito por todos os livros em geral, incluindo, ou sobretudo, os sagrados, não importa de que credo.
Para lá das muitas referências lendárias, contidas no Antigo Testamento, a Bíblia no seu conjunto (Antigo e Novo Testamento) é a obra mais citada e divulgada. E, hoje em dia, não acontece por obrigatoriedade mas por livre adoção e opção.  

A Bíblia continua a ser objeto de estudo e de adaptação aos tempos: É assim que encontramos especialistas a estudar e traduzir esta obra a partir das primeiras edições. É o caso do professor doutor Frederico Lourenço, entre outros.
A Bíblia continua um dos maiores monumentos, sobretudo após reformada, ou revolucionada pelos Evangelhos: Marcos, Mateus, Lucas e João, ou seja, pelo Novo Testamento.  
«Mesmo para o trabalhador compulsivo que nunca está satisfeito com nada do que faz, há um dia (como foi o dia de hoje) para respirar fundo, para contemplar o trabalho realizado e para agradecer à fabulosa equipa da Quetzal a feitura deste primeiro volume da primeira Septuaginta (a) alguma vez publicada em português […]. Foi um privilégio, uma aventura e uma viagem da alma ser seu servil e devotado tradutor ao longo destas espantosas 1000 páginas […]» (cf. pág. Facebook de Frederico Lourenço, 18.10.2017)
 
(a)«Septuaginta é o nome da versão Bíblica hebraica traduzida em etapas para o grego […] entre o século III a.C. e o século I a.C., em Alexandria. Dentre outras tantas é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, lingua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A tradução fica conhecida como a Versão dos Setenta […] rabinos […] que trabalharam nela» (cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Septuaginta )
 

Quanto à Bíblia, produto editorial de relevância entre centenas de milhões de pessoas de mais de meio mundo; este livro tem o condão de condensar, em si, o significado de livro dos livros; eis porque a par da foto de capa de Fernão de Magalhães (perfazendo este ano o V Centenário da sua morte, decorrendo os eventos da primeira volta ao mundo).


Apresentamos aqui a Bíblia - o Livro dos Livros de autores diversos, embora pelos seus vários séculos de História, não esteja sujeita, de uma forma geral, às mesmas limitações de direitos das obras recentes. Contudo há trabalhos de tradução e de interpretação que devem ser citados e respeitados.

domingo, 21 de abril de 2019

TRADIÇÃO E INOVAÇÃO: OS SINOS E A COMUNIÇAÇÃO


Os sinos da Sé de Lisboa dão o sinal de início de Revolução.

 “Tlão … ressoam os bronzes da sé … tlão … badaladas, lentas no respirar suspenso … tlão … arrastadas no nervoso dos corações … tlão … seus semblantes rígidos, olhos vigilantes … tlão … cinco … as mãos aferradas às coronhas das pistolas … tlão … seis … dos punhos de punhais, dos cutelos … tlão … sete … ih! cum raio! … tlão … oito …

Ao soar da última pancada, as sentinelas vêem chegar um fidalgo que se apeia de pomposo coche, como a ter audiência com Sua Excelência o secretário de estado [Miguel de Vasconcelos] …” (1).
(1)CAMPOS, Fernando – O Lago Azul.- Viseu: Difel, S. A; Tipografia Guerra, 2007, 304 páginas.
Resumo crítico sobre esta Obra. O Autor Fernando Campos tem uma interessante veia literária, também de historiador, cientista e filósofo. Nesta obra– O Lago Azul, o autor descreve interessantes páginas de História de Portugal, nomeadamente sobre os descendentes de D. António Prior do Crato, proclamado Rei de Portugal após a morte de D. Sebastião. Fernando Campos põe o vento como narrador. O vento está em todo o lado, em toda parte. Nesta obra o vento descreve e toma partido, por vezes é maroto. Campos dá-nos a conhecer o destino do Prior. Põe em destaque o ambiente entre católicos e protestantes; o nascimento da Holanda, as paisagens suíças e o definhar de Portugal quando integrado na monarquia dos Filipes.  

Sinos de transmissão mensageira

Bens de importância primeira.

Comunicais atenção,

Dor, alegria aflição

Festa, folia, reunião. 

Desde tempos remotos se utilizaram os sinos. Regularmente ao alvorecer podia ouvir o toque das almas. Ao meio-dia e cinco, o Ângelus. Os fiéis respondiam com uma Avé Maria. Antes do cair da noite tocava a Trindades. Momentos para oração e recolhimento. À tarde tocava para o terço ou missa; aos domingos e dias santos tangiam sonoridades para as eucaristias. O último toque do dia fazia-se com o cair da noite. Era o toque das almas ou toque das Avé Marias. A estes toques de rotinas juntavam-se os toques horários.

Com a eletricidade, o velho relógio de carretos é substituído. As horas passam a ecoar através de altifalantes instalados na torre.

No dia de Páscoa tocam os sinos pela tarde enquanto decorre a passagem do compasso e passa a comitiva pelas casas transmitindo cumprimentos e Boa Nova: “Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia”.

Os sinos anunciam cerimónias e avisos: batizados, casamentos, enterros. Os toques a rebate acontecem em caso de fogos.

Distintos em mais de uma dezena de casos, os toques têm o seu código próprio. As várias sonoridades, ritmos e frequências determinam o tipo de informação. Podem tanger sons tristes ou alegres, lentos, rápidos ou ultra rápidos, dobrados ou singelos, fortes ou leves. Em caso de morte, permitem informar o tipo de pessoa: adulta ou criança. Hoje em dia continuam alguns destes trechos sonoros. Os sinos cumprem funções. De tão presentes e disponíveis, quase não damos pelo seu valor.

Nas últimas décadas os sinos perdem alguma importância, fruto de alterações na vida social e tecnológica. Relógios de pulso e telemóveis, hábitos diversos, televisão, informática e quebra de hábitos religiosos têm determinado alterações de rotinas e emergências.

Em algumas torres e casas de Sineiros decorrem exposições. Aqui, no Brasil e noutras partes do globo.
Torre e casa do Sineiro de Leiria. Imagem gentileza da CML

“As igrejas de São João del-Rei tem (sic) um interessante e peculiar sistema de comunicação através dos sinos. Sabe-se por exemplo, pelo repique, dobre ou toques onde será realizada a solenidade; se haverá procissão; hora de missa, quem será o celebrante e muitas outras informações. Nos dobres fúnebres fica-se sabendo se a pessoa falecida era homem ou mulher e até mesmo qual será o horário do funeral […]” Cf. OLIVEIRA: 2007).  

Devido a este património histórico, cultural e turístico, alguns sinos e toques têm vindo a ser classificados como Património Imaterial.  
Imagem da torre sineira da Beselga

É comum situar-se o início da utilização dos sinos por volta do século VI, altura em que começam a ser construídas igrejas nas povoações. O som era considerado a “Voz de Deus”. Afugentava perigos, unia as pessoas, dava segurança.

Dizia uma figura típica da minha Terra - o Alberto Pereira, mais conhecido por Alberto Francês.

“Não há sinos tão afinados como os da Beselga. [nas Terras de Magriço e do Demo] Quando bem repenicados parece que subimos ao céu”.

A este preceito escreve Miguel Torga caracterizando diferentes modos de operar os sinos. Em Novos Contos da Montanha (1966) diz este sóbrio Duriense:

“Os sinos tocavam festivamente, ia por toda a aldeia um alvoroço de noivado […] pela coragem com que puxavam a corda do badalo, pela maneira como repicavam ou dobravam, sabia-se a que terra pertencia o cadáver que baixava à cova. Cada aldeia enterrava singularmente os seus mortos. Os de Leirosa, bonacheirões, pacíficos, pobres, tocavam pouco, devagar, sem vontade e sem brio. Mas já os de Fermentões, espadaúdos, carreiros e jogadores de pau, homens de bigodaça […] davam sinais de outro modo, viril e triunfalmente.” (TORGA, Ob. cit. 12ª Ed. 1952, p. 41; 65) 

O sinos continuam a ser imprescindíveis mas, ainda que pudessem ser dispensados, conviria preservá-los como Bens culturais materiais e imateriais, instrumentos de comunicação e de recurso quando outros sistemas possam eventualmente falhar.

Torres e sinos vêm sendo objeto de salvaguarda e de aproveitamento para desdobramento de funções.

Imagem de torre sineira e de relógio da Horta - Faial. À curiosidade desta peça de arte e funcional acresce o facto de que é um dos poucos exemplares de torres sineiras independentes da arquitetura das igrejas, tal como acontece em Leiria, Penedono ...

O presidente do Cabido da Sé chegou a ouvir “modinhas populares” tocadas pelos sinos e, depois da implantação da República, há informações de que foi pedido ao sineiro "para tocar 'A Portuguesa' e outras melodias republicanas" (“Os sinos de Leiria têm histórias para contar; Sé de Leiria” in http://www.regiaodeleiria.pt/blog/2011/12/23/torre-da-se-os-sinos-de-leiria-tem-historias-para-contar-fotogaleria/; http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9_de_Leiria ) 

Torres, sinos e toques, orientam, informam, animam. Contribuem para a riqueza urbana, social e turística. 

Que a Páscoa continue em ressurreição, primavera, andorinhas, festas populares, sardinhas, união.  

Palavras-chave: comunicação, Páscoa, sinos, bens culturais  

Bibliografia / documentação: 

-CAMPOS, Fernando – O Lago Azul.- Viseu: Difel, S. A; Tipografia Guerra, 2007,  

Fontes em linha, acedidas em 13.04.2017 e 21.04.2019: 

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “038. Portugal é Memória é Presente é Mar e é Futuro” - http://cumpriraterra.blogspot.pt/2015/03/38-torres-e-sinos-que-tanto-dais.html  

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Os Sinos e a Páscoa” - https://cumpriraterra.blogspot.com/2017/04/038-os-sinos-e-pascoa-nas-terras-da.html  

-CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro; FONSECA, Maria Cecília Londres – “Património Imaterial no Brasil”  http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001808/180884POR.pdf  

-LEIRIA, Manuel; CLARO, Sérgio, et al. – “Os sinos de Leiria têm histórias para contar”  http://www.regiaodeleiria.pt/blog/2011/12/23/torre-da-se-os-sinos-de-leiria-tem-historias-para-contar-fotogaleria/ 

-OLIVEIRA, Silvana Toledo de “Turismo e património cultural em São João DelRei/MG”.- http://www.eca.usp.br/turismocultural/silvana.pdf