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domingo, 19 de maio de 2019

CASA DE CESÁRIO VERDE - MAIS UM ATRATIVO NO “EIXO AZUL E VERDE



 
       Neste percurso de Maio 2018, organizado a partir da USMMA – Universidade Sénior de Massamá e Monte Abraão acrescentaremos um olhar e observação particular para a Casa da Família Verde.
       Destaca-se o escritor pré modernista Cesário Verde, mui elogiado por Fernando Pessoa, como um dos importantes precursores da nova estética literária.
       Nesta Casa, onde viveu, descansou e inspirou Cesário, poderão imaginar, ou ver mesmo, importantes marcas da arquitetura e estatuária, pertencentes à ex Casa do poeta. Ali se podem imaginar e, quiçá, encontrar sinais do ex campanário e das argolas onde se prendiam os transportadores de quatro patas da altura.
       As Irmãs Hospitaleiras, proprietárias destes espaços e bens culturais, conseguiram preservar algumas marcas d`outrora; têm vindo a acrescentar outras que particularmente testemunham o importante valor social do trabalho da Irmandade, enriquecendo o “Eixo Azul e Verde”.
       Palavras-chave: Cesário Verde, CONFHIC, Eixo Azul e Verde, Linda-a-Pastora

sexta-feira, 17 de maio de 2019

OS SÍMBOLOS E AS PASTORINHAS NO “EIXO AZUL E VERDE”


 

A CONFHIC é a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. É uma Obra Social e Fratrimonial com a Sede Mãe em Linda-a-Pastora (ou Lindas-as-Pastoras), perto de Lisboa. Ficam situadas nas faldas do Rio Jamor, cujo “Eixo Azul e Verde” está a ser valorizado. Este “Eixo” vem desde a Serra da Carregueira, Sintra e passa por três concelhos: Sintra, Amadora e Oeiras.
A casa destas Irmãs Hospitaleiras situa-se precisamente numa ex Quinta, dita de São Domingos ou Quinta dos Verdes porque pertenceu a um ascendente do poeta, escritor Cesário Verde. É mais um dos interessantes atrativos deste Território que está e precisa ser valorizado com investimentos, com o interesse e o reconhecimento pelas populações e por todos os que procuram estes recantos.
 
É, também, por aqui que nasce a lenda da “Linda Pastorinha” e daí, quiçá o nome da localidade “Linda-a-Pastora”.
Conta-se que nestas Terras, outrora navegáveis por pequenas embarcações, do Tejo, até à Nossa Senhora da Rocha. Poderá voltar a ser navegável, é uma questão de investimento.
Consta que uma linda pastora apascentava o seu rebanho e foi interpelada por um Senhor que ficou encantado pela beleza da Pastorinha e por estas Terras.
Conta-nos, ainda, o escritor Almeida Garrett uma versão da lenda da Pastorinha, que aqui adaptamos e salpicamos:
 
Senhor - “Linda pastorinha, que fazeis aqui?
Pastorinha – Procuro o meu gado que por aqui perdi.
Senhor – Tão gentil senhora a guardar gado!
Pastorinha – Senhor, já nascemos para este fado.
Senhor – Por estas montanhas em tão grande perigo! Diga-me, menina, quer vir comigo?  [… / …] Não tenha medo que o gado se perca, por aqui passarmos uma hora de sesta.
Pastorinha – Senhor, vá-se embora, não me dê tormento […] / Ai como vai grave de meias de seda! Olhe não as rompa por essa esteva.
Senhor – Pois adeus, ingrata Linda Pastora! Fica-te, eu me vou embora, pela serra fora.
Pastorinha – Venha cá, senhor, torne atrás correndo […] amor é cego, já está rendendo.
Cronista – Sentaram-se à sombra … tudo estava ardendo … Quando dizem que não querem, então, é que estão querendo!»
 
Foi nestas Terras que Almeida Garrett, o Homem das viagens e do turismo romântico, mas com certo sabor de naturalismo (passe a aparente contradição) visitou e nos diz:
«Namorei-me do sítio, por modo que ali passei o Verão todo: e dali fiz deliciosas excursões pelas vizinhanças […]»
Foi aqui, segundo conta Garrett, que recolheu uma versão da lenda da Pastorinha, nomeadamente através da lavadeira Francisca.
A interpretação desta lenda levar-nos-ia longe.
O que fazia por ali um senhor no meio das serras? Talvez proveniente de Lisboa. Um proto turista, ou um foragido? Um cristão, um moçárabe, ou um árabe?
Ao certo nunca chegaremos à verdade pura que dá fundo à lenda, mas talvez a vários fundos de verdades e inverdades cruzadas. A lenda tem este dom de se adaptar às realidades ou aos desejos de verdades. O Senhor poderia bem ser um foragido dos fluxos e refluxos das conquistas e reconquistas, entre mouros, cristãos e moçárabes. E daqui poderíamos partir para um dos contos da Cruz Quebrada, aqui perto de Linda-a-Pastora.
Cruz Quebrada, propositada, por alguém que não viu o símbolo da Cruz como bom presságio para a sua comunidade. E a Cruz Quebrada continuou a ser reflexo da História. A Cruz poderá ter sido quebrada nestas vindictas das pessoas que, de um momento para o outro, ficaram despojados dos seus bens, das suas referências e da sua cultura.

Que as cruzes, quebradas ou inteiras, sirvam como passadiços, de pontes e não de querelas. É o que fazem, desde o século XIX as novas pastorinhas de Linda-a-Pastora, servido com hospitalidade, o próximo, através do símbolo que nem precisam de ostentar, perante as obras que estes religiosos representam. Que os sinais, +++ ou
  , não importa de que credo, se unam, acolhendo e servindo o próximo, como fazem as Irmãs de Linda-a-Pastora ou os Irmãos de quaisquer Terras e Lugares.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

QUELUZ: BENS CULTURAIS NA ENVOLVÊNCIA DO PALÁCIO


1ª parte: Queluz no “Eixo Azul e Verde»

Visita organizada na USMMA – Universidade Sénior de Massamá e Monte Abraão.  

Incluímos este estudo no âmbito geo-turístico-cultural, nomeadamente no «Eixo Azul e Verde»:

O Quartel RAAA1; O Bairro do Chinelo (designação popular), também conhecido por Bairro Almeida Araújo (designação oficial). Neste Bairro destacamos o Nº 33, propriedade histórica e patrimonial da família Silveira Machado Macedo e a sua relação com o Palácio. No Quartel fomos recebidos pelo Sr. Tenente Coronel --- responsável na Unidade RAAA1 – Regimento de Artilharia Anti Aérea Nº 1 e prosseguimos guiados pelo Sr. Capitão Santiago. Acolhidos com todo o primor, onde nos agraciaram com cafés, águas, sumos e biscoitos. Bem-hajam pela amabilidade. (Poderão relacionar a “descoberta” de documentação que se seguirá em Organizações da Memória com “O Nome da Rosa” de Umberto Eco. Vejam o meu post em http://cumpriraterra.blogspot.com/2016/08/89-d-o-nome-da-rosa-aos-padroes-de.html  )
 
A Artilharia Antiaérea tem, a nível geral, cerca de 200 anos de existência. Começa com a actividade balonista, os duelos no ar entre pilotos de aviões e os ataques a alvos em terra. Antes da arma antiaérea, a artilharia, em Queluz, começa em finais do século XIX com a artilharia a cavalo. Em Portugal a artilharia antiaérea tem aproximadamente 90 anos de existência

Hoje em dia a artilharia antiaérea tem como função a defesa contra os lançamentos de mísseis balísticos e também com a ameaça dos drones e outros veículos aéreos não tripulados. O RAAA1 tem ainda à sua responsabilidade as “salvas de canhões” e as honras às entidades de destaque, nacionais e estrangeiras, em visitas ou missões no nosso país.

COLECÇÃO E ACÇÃO CULTURAL DA UNIDADE: Para lá da colecção de artilharia no RAAA1, a ação cultural desta arma começa com o Arsenal do Exército em 1831, mormente com o Museu de Artilharia em 1876. O Museu Militar em Santa Apolónia conta no seu acervo com armas de várias idades e geografias do mundo; podemos ainda ali apreciar: documentação, estatuária, quadros alegóricos e feitos históricos pintados por Columbano Bordalo Pinheiro, entre outros autores. Na descrição do sítio da Câmara Municipal de Lisboa é referido que:

«É o museu mais antigo da cidade […]  Nas suas salas de grande beleza ornamental em talha, azulejaria e pintura, estão expostas valiosas coleções, com destaque para a de artilharia, considerada a mais completa do mundo». (cf. http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/museu-militar-de-lisboa )

MEMORIAL: Destaca-se no RAAA1, inclusivamente na Capela, o memorial relativo aos militares que entregaram a vida no incêndio da Serra Sintra, no ano de 1966. Ali se encontram imortalizados em memória esculpida e descritiva.

Também ali pudemos apreciar:

-Diversas outras memórias e marcas da Unidade, tais como: bens culturais de culto religioso e desportivo, incluindo espólio de Eusébio da Silva Ferreira, cidadão português e lusófono, nascido em Lourenço Marques, actual Maputo, cujos restos mortais repousam no Panteão Nacional de Santa Clara:

«E foi assim que o mancebo Eusébio da Silva Ferreira se tornou o recruta 1987/63 da 1.ª bateria de instrução do RAAF (Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa), com quartel em Queluz. Eusébio seria portanto duplamente artilheiro, dentro e fora dos estádios, disparando diferentes munições contra distintos alvos, balizas ao [sic] aeronaves, umas e outras preferentemente adversárias…» (cf. https://largodoscorreios.wordpress.com/2013/08/27/eusebio-o-artilheiro/ )

-Paixão do Senhor: Referente à participação desta unidade militar nas reposições culturais e de culto que antecedem o domingo de Páscoa. Com efeito, é habitual as populações de Queluz, Monte Abraão, Massamá, entre outras gentes vizinhas, ali se deslocarem para participarem no ponto alto do Tríduo Pascal. Trata-se de um cerimonial em que entram quadros alegóricos ao vivo, com pessoas da população e da Unidade, recriando a Sexta-feira Santa. A procissão de 2017 inclui o desfilar de pessoas e obras de arte inéditas ou pouco divulgadas, alusivas ao evento.

Santa Bárbara. Uma imagem da Igreja da Penha França foi exposta no Salão Infante D. Afonso no dia do Regimento, em 2002.
(Imagem do Paráclito in capela do RAAA1 associada à padroeira da Arma de Artilharia, Santa Bárbara)
No quadro presente destaca-se: a coroa, o porte da santa com espada, a palma e o cálice com uma hóstia sagrada. Na capela do RAAA1 existe outra pintura desta padroeira da Arma de Artilharia.

Natural do atual território da Turquia, santa Bárbara foi mártir cristã; executada pelo próprio pai que a decapitou para agrado e/ou ordem do imperador romano Marco Aurélio Valério Maximiano Hercúleo Augusto.

Não curou a maledicência deste pai e do imperador, já que Bárbara se imortalizou com a entrega da vida. Há aqui uma semelhança com a dádiva do próprio Cristo à Humanidade. E assim a fé no cristianismo continuou em crescendo, após as perseguições religiosas, ao invés do culto aos deuses pagãos que foi sendo suplantado. 

Tags: Artilharia, Bairro do Chinelo, bens culturais, Eixo Azul e Verde, Queluz, RAAA1