domingo, 14 de abril de 2019

ORIGEM E DIFUSÃO DO MILHO


 
Origem e Difusão do Milho (Zea mays L.)
 
na época dos Descobrimentos Portugueses
 
Maria Margarida de Almeida Perquilhas Teixeira
 
Âmbito da disciplina de “Museus e Organizações com Memórias”.
 
Colaboração do Prof. Alfredo Anciães na edição do texto
 
Universidade Sénior de Massamá e Monte Abraão
 
Ano letivo de 2018 / 2019
 
Massamá, Sintra – 2018 
 

Breves citações sobre a cultura do Milho : 

O Milho (Zea mays) é a cultura mais expandida mundialmente, cultivando-se quer entre os trópicos quer a norte quer a sul dos mesmos, Masefield (1970). Graças aos trabalhos de melhoramento do Milho consegue-se hoje cultivá-lo em quase todas as latitudes, nas zonas tropicais, subtropicais e temperadas, Sprague (1955). O Milho é cultivado desde 58º N (Canadá e Rússia) até 40º S; a maiores latitudes o fator limitante será a temperatura, Pinto (1978).

Requisitos climáticos da cultura do Milho, Manual Enciclopédico (1945): 

 temperatura ideal é entre 24ºC e 30ºC;

. para que haja floração é necessário, no mínimo, uma temperatura de 19ºC;
.para que ocorra fecundação a temperatura não deve ser superior a 35ºC, nem pode haver precipitação muito acentuada nem secura excessiva;
. para que Milho atinja a maturação, necessita de calor e quantidade adequada de horas de luz por dia.
Período crítico no que respeita a necessidades hídricas é entre a altura da formação da bandeira e polinização e a fase da formação do grão, em que necessita de bastante água, para proporcionar uma boa fecundação e assim não haver quebra acentuada de produção de grão de Milho, Horta (1981). 

Também para o milho germinar é essencial que a terra tenha alguma humidade (às vezes é necessário uma rega antes da sementeira); embora a temperatura ideal para a germinação seja à volta dos 15ºC, já pode ser semeado logo que a temperatura mínima seja superior a 10ºC (Abril / início de Maio, em Portugal). Colhe-se lá para Setembro / Outubro, sendo de evitar tempo frio e húmido, Horta (1981).

A cultura do Milho chega a ser ainda a base de alimentação de certos povos (sob a forma de farinha fubá e bebidas fermentadas), dos países em desenvolvimento, sobretudo na América Latina e África, - onde o Milho é usado pouco para gado (essencialmente porcos e aves), sendo só mais utilizado quando a produção de Milho excede as necessidades humanas, Litzenberger (1974) – mas tipicamente é usada como alimento para os animais, através de forragem ou ensilagem (massa verde e maçaroca com grão ainda mole) e na forma de rações a partir do grão maduro.   

&&&&&&&&&&&& 

Origem e difusão do milho: 

Pelos relatos históricos, consta que o Milho é originário das Américas Central e do Sul (México, Peru, Equador Bolívia), tendo de lá sido inicialmente trazido para a Europa por Cristóvão Colombo Horta (1981), que descobriu a América em 1492, numa viagem ao serviço de Espanha, mas graças aos conhecimentos náuticos Portugueses (dos ventos, correntes e navegação astronómica), Mini-enciclopédia (1995). Estudos arqueológicos revelam que o Milho já era cultivado há 5000 anos antes de Cristo pelos Aztecas, Mayas e Incas, Costa (1981).

Uma série de historiadores relata que o Milho terá sido introduzido em Espanha em 1519 e, poucos anos depois, um lavrador de Cadiz (local costeiro, entre Huelva e Gibraltar, a sul de Sevilha, Espanha) dava início à sua cultura em Portugal, no vale do Mondego, perto de Coimbra, passando a substituir, gradualmente, o milho alvo/miúdo (Panicum miliaceum), Costa (1981); este é originário da Ásia (Índia), constando que já no início do Neolítico era cultivado em toda a Europa, exceto no Sul, e que terá chegado até nós pelo Norte e difundido pelo Noroeste, Dias (1950).

A cultura do Milho foi-se expandindo por onde o clima se mostrava favorável, e com os Descobrimentos Portugueses e respetivas colonizações, foi-se difundindo por África, Índia e restante extremo Oriente.

Á medida que Portugal se expandia, quer por locais desabitados quer povoados por indígenas, ia colonizando e transportando, de uns sítios para outros, homens, juntamente com plantas agrícolas e gado que se iam adaptando às novas condições agro-climáticas, usando técnicas indígenas, sendo de uso na alimentação não só dos escravos como também dos brancos; em África e no Brasil o sustento da população era à base de Milho, feijão e mandioca, Brito (1997).

Segundo esta autora, a escravatura já existia com frequência em África, foi explorada pelos mouros e só depois é que Portugal iniciou o tráfico de escravos negros da costa ocidental de África para a América (menos povoada mas de terrenos mais ricos).

Segundo relata Ferrão (1992), o Milho da América terá passado do Brasil (onde já era cultivado por indígenas quando os Portugueses lá chegaram) para África ocidental, muito antes de ser cultivado em Portugal, sendo rápida a sua difusão no continente africano, sobretudo por dois motivos: 1) utilização semelhante a outras gramíneas designadas de “milhos” já lá cultivadas, mas de grão maior e geralmente mais produtivo e 2) clima tropical propício à sua cultura, com altas temperaturas e precipitação elevada.

Na opinião do mesmo autor, ao contrário de outros, os portugueses não terão conhecido o Milho pela primeira vez através de Espanha, mas sim quando descobriram o Brasil, tendo difundido a sua cultura primeiro por terras africanas, tropicais, e daí, nomeadamente da Guiné, terão trazido para Portugal, sendo consensual o facto de ter sido cultivado inicialmente na região de Coimbra.

Há, assim, duas opiniões diferentes quanto à origem da cultura do Milho de maçaroca em Portugal: uns dizem que teria vindo de Cádiz (Espanha) e outros argumentam que terá sido difundido primeiro do Brasil para a costa ocidental de África e só daí então para Portugal.

Provavelmente até o Milho encontrado por Cristóvão Colombo no México e trazido para Espanha seria de diferente tipo morfológico (altura da planta, cores e duração de ciclo vegetativo) do Milho descoberto no Brasil e só mais tarde introduzido em Portugal. Terão, pois, havido duas fontes distintas do início de cultivo do Milho em Portugal.

Quanto à difusão do Milho no Oriente, mantém-se em dúvida qual o respetivo papel de Portugal e de Espanha, mas, segundo Ferrão (1992), é suposto que tenham levado o “milho americano” para Oriente bastante cedo, pois era base da alimentação das populações.

Segundo cita Brito (1997), em meados do século XVI, os navegadores portugueses, na rota da Índia, Malaca e Japão, ajudaram os chineses contra a pirataria que abundava nos mares da China e, em troca, receberam em 1557 a península de Macau, primeira região chinesa com habitantes ocidentais.

Em Timor a cultura hoje mais difundida é a do Milho, que foi introduzida no século XVI; é a base da dieta alimentar da população, existindo diversas variedades de Milho com diferenças no tamanho do grão, cor e duração do ciclo vegetativo, Brito (1997).

Num aparte, quanto à duração do ciclo vegetativo da cultura do Milho, há variedades mais precoces que necessitam de 60 a 70 dias (2 meses) para amadurecer e outras mais tardias (algumas nem completam a maturação), levando 10 a 11 meses para completar o ciclo vegetativo, Sprague (1955). A utilização de híbridos mais precoces permitiu a expansão do cultivo de Milho para regiões de maiores latitudes, Pinto (1978).

Em inícios do século XVII, o Milho da América, tal foi o sucesso da sua cultura em Portugal, era a base da alimentação (fabrico de broa e papas de milho) do povo do Noroeste do país, Costa (1981).

A cultura do Milho prefere as zonas de regadio do centro e sul mas faz-se hoje em praticamente Portugal inteiro, sendo bem presente na paisagem agrícola das regiões de Entre-Douro e Minho e Beira Litoral. 

&&&&&&&&&&&& 

Cronologia sumária dos Descobrimentos Portugueses, Albuquerque et al (1992) : 

Reinado de D.João I (1385-1433) ]

1417-20  redescoberta do arquipélago da Madeira por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira.

1425        provável início da colonização da Madeira.

1427      descoberta do arquipélago dos Açores (exceto Flores e Corvo) por Diogo
              de Silves.

1431-32  início da colonização dos Açores. 

[ Reinado de D. Duarte (1433-1438) ]

1434  ….Gil Eanes dobra o Cabo Bojador.

… / Cronologia sumária dos Descobrimentos Portugueses, Albuquerque et al (1992) : 

[ Reinado de D.Afonso V (1438-1481) ]

[ Regência de D.Pedro (1439-1446) ]

1439  colonização sistemática dos Açores.

1446  Álvaro Fernandes chega aonde é hoje a Guiné-Bissau.

1452  descoberta das ilhas de Flores e Corvo, nos Açores, por Diogo de Teive.

1456  descoberta presumível de algumas ilhas de Cabo Verde, por Diogo Gomes
          e  Cadamosto.

1460 . possível descobrimento de algumas outras ilhas de Cabo Verde, por António de Noli.

1462  provável início de colonização da ilha de Santiago (Cabo Verde).

1468  colonização flamenga da ilha do Faial.

1471-2 provável descobrimento do litoral e ilhas do Golfo da Guiné, nomeadamente S.Tomé e Príncipe, por João de Santarém, Pedro Escobar e Fernão do Pó. 

… / Cronologia sumária dos Descobrimentos Portugueses, Albuquerque et al (1992) :

[ Reinado de D.João II (1482-1495) ]

1484      início do povoamento e colonização das ilhas de S.Tomé e Príncipe.

1485-6   D.João II não aceita plano de Cristóvão Colombo, de chegar à Índia navegando para Ocidente.

1487-8   descobrimento da passagem para o oceano Índico, por Bartolomeu Dias, que dobra o cabo da Boa Esperança, inicialmente conhecido por cabo das Tormentas, Mini-enciclopédia (1995).

1492-3   descoberta das ilhas da América Central, por Cristóvão Colombo.

1494      Tratado de Tordesilhas: partilha do mundo, descoberto e a descobrir, entre Portugal e Espanha.

[ Reinado de D.Manuel I (1495-1521) ]

1498      Vasco da Gama descobre o caminho marítimo para a Índia, com 3 naus e 1 naveta de mantimentos.

1500      Pedro Álvares Cabral, com destino para a Índia, chega ao Brasil, com 10 naus e 3 caravelas.

 1501 primeira expedição de reconhecimento da costa do Brasil, supostamente por Gaspar de Lemos.

1502 segunda viagem de Vasco da Gama à Índia com 20 naus; estabelece uma feitoria em Moçambique.

 1503 primeira viagem de Afonso de Albuquerque à Índia, com 3 naus.

1505    D. Francisco de Almeida parte para a Índia para ocupar o cargo de vice-rei, com 14 naus e 6 caravelas.

1506    segunda viagem de Afonso de Albuquerque à Índia.

1509    Afonso de Albuquerque substitui D. Francisco de Almeida no governo da Índia, mas fica só com o título de governador.

1510    Afonso de Albuquerque conquista Goa que mais tarde foi a sede do governo da Índia.

1511    Afonso de Albuquerque conquista Malaca, e constrói lá uma fortaleza.

1512    partem para a Índia cerca de 1200 portugueses por ano.

1513    Jorge Álvares parte de Malaca e alcança a China.

1515    os portugueses chegam a Timor.

Afonso de Albuquerque morre ao largo de Goa.

Lopo Soares de Albergaria passa a ser o novo governador da Índia.

1519    Fernão de Magalhães, português, parte para a primeira viagem de circum-navegação, ao serviço dos reis de Espanha.

 &&&&&&&&&&&& 

Dicionário enciclopédico referente ao texto :
 
Afonso de Albuquerque (1462-1515), considerado regra geral segundo vice-rei da Índia, desempenhou grandiosos feitos históricos portugueses no Oriente, Koogan Larousse Seleções (1979).-Cabo Bojador fica na costa ocidental de África, no Sara Ocidental, Mini-enciclopédia (1995).-Cabo da Boa Esperança situa-se no extremo sul da África do Sul, onde se juntam as águas do Atlântico e do Índico; conhecido, inicialmente, por Cabo das Tormentas, Mini-enciclopédia (1995).

Cristóvão Colombo (1451-1506) descobriu a América Central; segundo consta, natural de Génova (costa ocidental italiana, a sul de Milão); em 1476 fixou-se em Lisboa. Casou com a filha do navegador português Bartolomeu Perestrelo, governador da Madeira. Viajou várias vezes à Guiné com os marinheiros portugueses. D. João II recusou-lhe o plano de alcançar a Índia, navegando para ocidente, tendo sido apoiado pelos Reis de Espanha. Em 1492 chega ao golfo do México, arquipélago das Baamas, pensando ter alcançado o extremo Oriente. Fez mais 3 viagens (1493, 1498 e 1502) às Antilhas (Cuba, Haiti/República Dominicana, entre outras ilhas) e foz de Orenoco (rio da Venezuela), Mini-enciclopédia (1995).

Infante D.Henrique, o Navegador, 5º filho de D.João I e D.Filipa de Lencastre, (1394-1460).

Participou na conquista de Ceuta em 1415. Foi o grande impulsionador dos Descobrimentos.

Dedicou-se à ciência náutica fundando, em Sagres, uma escola de navegação. Fez reconheci  mentos na costa ocidental africana e foram navegadores da sua escola que descobriram e co  lonizaram as ilhas atlânticas portuguesas (Madeira, Açores e talvez algumas ilhas de Cabo Verde), Koogan Larousse Seleções (1979).

Pedro Álvares Cabral, navegador português, (1467/8-1520/6). Comandou a segunda armada rumo à Índia, por ordem de D. Manuel I, mas, por desvio da rota, descobre o Brasil, Koogan Larousse   Seleções (1979). 

&&&&&&&&&&&& 

Notas explicativas relacionadas com o texto:

-Caravela - “embarcação de velas latinas (de forma triangular)”, Costa e Melo (1997).

- Nau - “embarcação grande; antigo navio de vela”, Costa e Melo (1997).

- Naveta - “navio pequeno”, Costa e Melo (1997).

-Neolítico - “período pré-histórico, que vai desde cerca de 7000 anos antes de Cristo a cerca de 2500 anos antes de Cristo; idade da pedra polida; o homem do Neolítico iniciou a prática duma economia de produção e a domesticação de animais”, Mini-enciclopédia (1995).

-Zona tropical – entre o trópico de Câncer, no hemisfério norte,  +23º 27´ de latitude, e o trópico de Capricórnio, no hemisfério sul,  -23º 27´de latitude – caracterizada por altas temperaturas e precipitações elevadas, na estação húmida que se opõe à estação seca, sobretudo nas regiões junto ao equador, Mini-enciclopédia (1995). Equador é o círculo máximo perpendicular ao eixo da terra,  dividindo-a em 2 hemisférios, norte e sul, Loureiro e Patrício (sem data).

-Zonas sub-tropicais – situadas junto aos trópicos, até os 40º de latitude, Koogan Larousse Seleções (1979).

-Zonas temperadas – do norte (entre trópico de Câncer e o círculo polar Ártico que dista 23º 27´ do polo norte ,ou seja, de latitude igual a +66º 33´); do sul (entre trópico de Capricórnio e círculo polar Antártico que dista 23º 27´ do polo sul, isto é, de latitude igual a -66º 33´), Loureiro e Patrício (sem data). 

Nota Final: 

Apresentámos, neste trabalho, um ponto de partida para desenvolver e não um ponto de chegada definitivo. A origem e difusão do milho têm sido motivo de curiosidades várias. Um conhecimento que tem alimentado a história, a agronomia e todos os que se interessam pela consolidação e desenvolvimento do saber. 

Palavras-chave associadas à expansão e às viagens marítimas:  

1-arte: estatuária, escultura, motivo marítimo;

2-agronomia: alimentação, difusão, milho;

3-ciência e técnica: barca, descobrimento, caravela, galeão, canhão, nau; navegação, pólvora, remo, vela latina, vela larga ou arredondada (por alguns chamada quadrangular);

4-história: globalização, renascimento;

5-logótipos / sinais: bandeira, corvo (in logótipo de Lisboa – em memória do padroeiro São Vicente), cruz;

6-Portugal;

7-Viagem: curiosidade, documentação, exploração 

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& 

Lista Bibliográfica :

-Albuquerque, Luís de; Magalhães, Ana Maria e Alçada, Isabel (1992) Os Descobrimentos Portugueses. Viagens e aventuras. 2ªed. Volumes I e II. Caminho.  

-Brito, Raquel Soeiro de (1997) No Trilho dos Descobrimentos. Estudos geográficos. Comissão Nacional para as Comemorações  dos Descobrimentos Portugueses. Fundação Oriente. Lisboa.

-Costa, J. Almeida e Melo, A.Sampaio (1997) Dicionário da Língua Portuguesa. 7ªed. Dicionários Editora. Porto Editora.  

-Costa, José Paulo da (1981) O Milho e a sua cultura. Divulgação nº11. Direção-geral de extensão rural.

-Dias, Jorge (1950)  “O pio de piar os milhos” in Trabalhos de Antropologia e Etnologia.

-Ferrão, José E. Mendes (1992)  A aventura das plantas e os Descobrimentos Portugueses. Ed. Inst. de Invest. Científica Tropical, Comissão Nac. para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e Fundação José Berardo.

-Horta, José Manuel Carrajola (1981)  A cultura de milhos híbridos. INIA – ENMP. Elvas.

-Koogan Larousse Seleções (1979) Dicionário Enciclopédico. 1- Léxico comum; 2- Nomes próprios. Seleções do Reader’s Digest.

-Litzenberger, Samuel C. (1974) ed. Guide for field crops in the tropics and the subtropics. Office of Agriculture. Technical Assistance Bureau. Agency for International Development, Washington, D.C.20523.

-Loureiro, Júlio Leal de e Patrício, Amílcar A. (sem data) Compêndio de Geografia, vol.1- 3º ano. Porto Editora. Manual Enciclopédico do Agricultor Português. II parte: Agricultura. I- Cereais. 2 volumes. (1945) Ed. Gazeta das Aldeias, Porto.

-Masefield, G.B. (1970)  A Handbook of Tropical Agriculture. Oxford.

-Mini-enciclopédia (1995) Dir:Manuel Alves de Oliveira e Maria Irene Bigotte de Carvalho. 838p. Temas e Debates.

-Pinto, Pedro Jorge Cravo Aguiar (1978) Primeira aproximação a uma zonagem da cultura do milho em Portugal Continental.Rel. de actividade do aluno estagiário de curso de eng. agrónomo.

-Sprague, George F. (1955)ed. Corn and Corn improvement. Academic Press Inc., Publishers. New York, N.Y. 
  

sábado, 13 de abril de 2019

A PÁSCOA E OS ÍCONES


O conceito de ícone vem da cultura grega que significa imagem. No mundo pós grego clássico o conceito evolui e estabiliza na arte religiosa inclusivamente na cultura judaica, com a representação de figuras bíblicas nas grandezas bi e tri dimensionais.
Com o cristianismo, passa a entender-se como ícone, em especial, a arte pictórica. O Império Bizantino {séc. IV / XV (1453)} faz difusão de imagens, embora no século VIII tenha sido proibido o seu uso pelo imperador Leão III (séc. VIII). Depois o uso foi resgatado e restaurado pela imperatriz Teodora, esposa do imperador Teófilo (séc. IX).
Com a invasão muçulmana ao Império Bizantino, há uma queda na arte do território mas como consequência multiplicam-se as influências pela Rússia, leste da Europa - Central e Mediterrânica e pontualmente noutros sítios de influência religiosa cristã / ortodoxa ou cristã / católica.
Segundo frei António-José d`Almeida influenciado pelo Antigo Testamento, na versão Septuaginta - “Cristo Pantocrator” significa «Dominador de todas as potências terrestres e celestes» (cf. Is 6,3  e Ap 4,8). É assim, também, que frei António-José vai buscar a Primeira Carta de São Pedro (3,22), citada em relação a Cristo «tendo subido ao céu, está à direita de Deus, estando-lhe sujeitos os Anjos, as Dominações e as Potestades».
E reforça ainda a imagem do Pantocrator com a citação de uma das Cartas de São Paulo: «Todas as coisas estão submetidas» (1 Cor 15, 27) referindo-se a Cristo plasmado na imagem d`O Cristo Ressuscitado. Frei António-José acrescenta ainda sobre Cristo. É O «Senhor dos mortos e dos vivos» (Rm 14,9).
Em termos de tecnologia artística os ícones bizantinos baseiam-se em pequeninos mosaicos (*) coloridos e justapostos de forma a criar uma composição unitária das imagens pretendidas.
(*). Sugerimos uma reflexão sobre a origem do termo «mosaico». O mesmo deriva de «musa» ou «musas» - como semideusas continuadoras do «mouseion», instituição que dá origem aos conceitos / instituição «museu, museologia e afins».
É nesta vertente de atração e devoção pessoal pela imagética oriental que vemos um ícone no altar-mor da igreja de Massamá por influência do pároco Pe. Luís Cláudio que terá feito a seleção de imagens ou acolhido de bom grado o ícone em referência.
Faz-nos lembrar, particularmente neste Tempo,  a Páscoa, como “passagem” da figura d`O Cordeiro divino, para a figura d`O “Rei". O "Pantocrator".  

Boa Páscoa. Ótima Passagem.

Palavras-chave: arte, ícone, Massamá – Sintra, Pantocrator, Páscoa

Fontes:

ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Os Sinos e a Páscoa nas Terras da Lusofonia” https://cumpriraterra.blogspot.com/2017/04/038-os-sinos-e-pascoa-nas-terras-da.html

-ALMEIDA, frei António-José d` “Ícones: O Cristo Pantocrator”, p 472-473.- in Revista “Bíblica: onde a Bíblia se faz vida”.- Fátima: Difusora Bíblica (Franciscanos Capuchinhos), julho-agosto 2017

-ANDRADE, Ana Luíza Mello Santiago de ; InfoEscola et al. - “Império bizantino” https://www.infoescola.com/idade-media/imperio-bizantino/  

-CESAREIA, Eusébio de ; MediaWiki et al. – “Império Bizantino” https://pt.wikipedia.org/wiki/Império_Bizantino  

-DANIELA, Diana et al. – “O que é Mosaicohttps://www.todamateria.com.br/o-que-e-mosaico/  

-MEDIAWIKI et al. – “Ícone” https://pt.wikipedia.org/wiki/Ícone

quarta-feira, 10 de abril de 2019

FERNÃO DE MAGALHÃES OU O RECONHECIMENTO DA ESFERICIDADE DA TERRA E O DESENVOLVIMENTO DO SABER PRÁTICO


        Magalhães nasce em 1480 no concelho de Sabrosa. Alguns outros autores e localidades têm reivindicado o seu berço, tais como sucede som Ponte da Barca onde teve família e a freguesia da Sé do Porto de onde um dos seus avós era natural. Falece em 27 de Abril de 1521 em combate nas actuais Filipinas durante a primeira viagem de circum-navegação, realizada em sentido contrário às navegações habituais, isto é, rumando para ocidente, a fim de alcançar o oriente.
 
Monumento a Fernão de Magalhães na Praça do Chile – Freguesia de Arroios – Lisboa.

Projecto organizado e liderado por Fernão de Magalhães até ao local do incidente que o vitimou. A viagem fora iniciada em Setembro de 1519 executada com o apoio da coroa espanhola, no tempo de Carlos I (Carlos V da Alemanha ou Carlos de Habsburgo do Sacro Império Romano-Germânico). Os serviços de Magalhães foram primeiro oferecidos à coroa portuguesa, nomeadamente a D. Manuel I que na altura vivia rodeado de mordomias, criados, servos, conselheiros e intriguistas.
 

 
D. Manuel, demonstrou por Magalhães um desprezo e indiferença que terá magoado o Homem prático do terreno, o soldado, o marinheiro, curioso e estudioso. Mesmo assim, perante a infiferença do rei, Magalhães aproveita a oportunidade para perguntar ao monarca se não se importava que oferecesse os serviços a um outro rei cristão - ao que o rei anuiu, desvalorizando a proposta de Magalhães. Tudo parece indicar que D. Manuel terá reflectido após a saída de Magalhães do Paço da Ribeira. O “venturoso” acabou por mandar seguir os passos do navegador em Espanha. Consta que foi mesmo proposta a sua morte por um determinado bispo português, possivelmente para agradar ao monarca.

 
 Quando D. Manuel pressente a viabilidade do projeto de circum-navegação ser realizado sob a administração e financiamento de Espanha manda convencer o navegador a regressar a Lisboa com proposta de diversas garantias, para lá do mísero aumento de pensão que em primeira mão Magalhães solicitara em Lisboa, em presença do rei.

O navegador já havia assinado o seu nome no projeto de Sevilha, tutelado pelo então jovem Carlos I quando é abordado para regressar ao reino. Magalhães não volta atrás à palavra dada e a viagem ao Oriente em sentido contrário ao habitual tem mesmo início em 20 de Setembro de 1519
 
Sabe-se pelas fontes históricas, mormente pelas memórias do escrivão italiano Antonio Pigafeta que a preparação e realização da circumnavegação foi difícil, quer porque nunca havia sido realizada tamanha empresa, quer porque foi preciso desbravar mares e costas em sentido contrário ao realizado anteriormente. Depois de trabalhos mil e desconsiderações movidas pelas intrigas e invejas; quando todos, ou quase todos, incluindo Sebastião Del Cano, Magalhães acaba por encontrar o estreito que dá comunicação entre entre os dois grandes oceanos.

 
Magalhães chega, enfim ao objectivo –às terras das especiarias, sem passar por mares e terras na altura propriedade de Portugal. O navegador confiou na sua intuição, no astrómomo Rui Faleiro, na documentação consultada e nas muitas experiências anteriores no Oriente, durante quase uma década. Magalhães confiou, outrossim, no seu companheiro, na altura escravo Henrique que trouxera do Oriente (atuais Filipinas); confiou na lingua e comunicação do seu servo para estabelecer negociações. A comprovar a confiança no escravo, Magalhães propõe o batismo cristão com o nome de Henrique e inclui o mesmo Henrique como beneficiário em testamento. A proposta de alforria e participação na herança faz parte da palavra escrita e assinada por Magalhães em relação a Henrique. Tal não viria a acontecer, por morte prematura de Magalhães e por desabono de considerações dos homens que poderiam habilitar Henrique.
Ainda a homenagem ao incentivador das descobertas - O Infante D- Henrique. A coroa faz parte do monumento a Fernão de Magalhães
 
A experiência na Ásia e a bravura como guerreiro, no Norte de África também incentivam Magalhães a correr novos perigos e desafios.  Mas as intrigas em Lisboa e em Sevilha pelos seus opositores, portugueses e espanhóis, ciosos e invejosos, tendo projetado a sua morte, fazem do projecto de Magalhães uma empresa muito mais delicada do que à partida seria expectável.
        Como pajem e criado do paço em Lisboa, ao tempo de D. João II, Magalhães adquirira muito tacto e informação que o habilitaria à viagem mais dificil, problemática e dramática de sempre; algo comparável à empresa de Bartolomeu Dias, mas mais complexa ainda. Tal como anteriormente foi preciso contar com a competição e as rivalidades das comunidades islâmicas no Oriente, onde faziam negócios locais e expedições pelas vias terrestres.
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 
Note-se que, tanto Magalhães, como alguns dos seus colaboradores portugueses já haviam navegado entre milhares de homens de espada e centenas de bombardeiros com artilharia de canhão. Magalhães participara antecipadamente no Oriente, entre outras localidades: em Goa, Cochim. Quíloa, Cananor e Malaca), tendo-se alistado na armada comandada pelo vice-rei dom Francisco de Almeida.

Após a sua morte, por emboscada e traição, a viagem é dirigida por Juan Sebastian del Cano que fazia parte da expedição e era à partida uma das últimas escolhas de Carlos I. Remarque-se, aliás, que Del Cano desobedeceu às ordens de Carlos V ao regressar pela via da rota do Oriente, concedida a Portugal.
 
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 
«Homenagem da República do Chile em 1950»  por reconhecimento do pioneirismo, trabalhos de ciência, técnica e exploração geográfica da autoria de Fernão de Magalhães.

Posteriormente esteve no Norte de África (Azamor) onde ficou ferido e deficiente numa perna. Alcançou honras pela bravura em combate. Um diferendo com o monarca português levou-o a oferecer os seus conhecimentos e serviços a Carlos I de Espanha.

Além da experiência prática nas viagens e localização de Terras Magalhães estudara cartografia em Lisboa, o que lhe permitiu conhecimentos para alcançar o arquipélago das Molucas por via contrária à habitual. O principal objectivo era o negócio com a Ásia. Poder provar que o arquipélago das especiarias seria alcançado sem passar pelos mares reservados a Portugal por força do Tratado de Tordesilhas.

A riqueza das Molucas devia-se à importante fonte de especiarias muito lucrativas. Era, além do mais, preciso saber a quem pertenciam essas Ilhas, tendo em conta Tordesilhas.
 
 
Placa toponímica «Praça do Chile» em reconhecimento da homenagem desta República, incluido a oferta do monumento em memória de Fernão de Magalhães

A viagem de Magalhães, não permitiu apenas o óbvio – comercializar com o Oriente: Tornou evidente a esfericidade da Terra e deu origem à redefinição dos limites da demarcação dos direitos de posse e conquista de territórios de além-mar. O arquipélago das Molucas passou a figurar como referência para Espanha e Portugal por via do estabelecimento do antimeridiano de Tordesilhas. Daqui resultou mais um Tratado – o de Saragoça, realizado a 22 de Abril de 1529, onde voltam a ser delimitados corredores e propriedades entre as duas coroas ibéricas.
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 
O conhecimento é por natureza imaterial, volátil e transmissível. Da Ibéria e do Oriente o saber vai difundir-se e entrecruzar-se com saberes de outros povos, de cá e de lá, tendo ainda em conta o lastro cultural da Renascença que por essa altura se difunde pela Europa.

O prosseguimento dos Tratados foram possíveis porque na altura se geraram relações propícias entre os dois reinos ibéricos devido à política de casamentos, nomeadamente de Carlos I com Isabel de Portugal filha de dom Manuel I e de dom João III com Catarina de Áustria, irmã de Carlos I. E na sequência da “prova” das Molucas para o lado de Espanha, dom João III negociou os direitos destas ilhas, comprando-as por 350.000 ducados. Mais uma vez Portugal reforça o controle dos negócios das especiarias, da arte de marear em longas escalas e do “saber com experiências feito”, como diria o poeta Luís Vaz de Camões.
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 

Fontes:

-ALBUQUERQUE, Luís de – Os Descobrimentos Portugueses. - S.L.: Selecções do Reader`s Digest, SARL; Publicações Alfa, SARL, 1985

-BNP et al -  Expo` "Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães" de 07.02 a 13.05.2019 na Biblioteca Nacional de Portugal

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Fernão de Magalhães”.- blogs Sol acedidos em 2011 e até à suspensão desta plataforma por alegados motivos de gestão económica do Jornal.

-DOMIMGUES, Mário – Fernão de Magalhães.- 3ª ed. - Barcelos: Companhia Editora do Minho; Livraria Civilização –Editora.- Porto, 1980

-MEDIAWiKI et al.- “Carlos I de Espanha” https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_I_de_Espanha

Posted: terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011 2:04 por AlfredoRamosAnciaes Editar

Arquivado em: Portugal, Descobrimentos, Ciências náuticas, Fernão de Magalhães, Península Ibérica,

Seguem-se comentários na primeira edição do post de Alfredo Ramos Anciães na plataforma do Jornal Sol em 2011:


ProfetaPolitico said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifNestas épocas deu-se o pontapé de saída para a era que agora vivemos, a globalização, e os Portugueses estiveram presentes. Os mares e os rios eram na altura as grandes auto-estradas do conhecimento e hoje, as mesmas auto-estradas transferiram-se para as ondas magnéticas, para o espaço, o conhecimento tecnológico e nestes campos estamos infelizmente um pouco atrasados. Mas dado a pre-disposição dos Portugueses em adaptar as mudanças, tenho fé que ainda possamos apanhar o barco. As energias renováveis foram uma boa e excelente aposta. Sei, falta a nível das mentalidades, mas vamos ter fé. Abraços P.P. # Fevereiro 8, 2011 12:11


avomilu said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Amigo. Como sempre continuo aprendendo contigo. Agradeço as palavras sempre lindas que escreves. Beijo milu # Fevereiro 8, 2011 16:39


AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifOlá Profeta, Obg pela visita. Na realidade Magalhães foi um dos mais valentes soldados, um Homem de ciência e de experiência, um Homem de carácter e respeito ao contrário do que por vezes possa parecer. Na realidade ele foi oferecer os seus serviços a Espanha depois de os oferecer primeiro a ao rei dom Manuel I. Como este tivesse recusado, Magalhães ainda lhe pergunta se poderia ir oferecer os mesmos serviços a outro monarca católico. Dom Manuel respondeu-lhe que sim, embora essa não fosse a sua vontade como mais tarde se veio a reconhecer ao arrepender-se e mandar regressar Magalhães ao reino. Nesta altura já Magalhães tinha dado a sua palavra ao monarca espanhol e os preparativos estavam a avançar.Isto prova que na vida as indecisões podem custar caro. Por outro lado e visto de outro ângulo, porque é que Portugal haveria de ficar com todos os "louros" na ciência e Descobrimentos? A ganância desmedida não será também uma iniquidade? # Fevereiro 8, 2011 18:15


ahbruto said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifMeu caro Fred. Magalhães era de um tempo, em que ser português valia alguma coisa... Um abraço. Ahbruto. # Fevereiro 8, 2011 21:24


AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Cara ahbruto. Tem razão. Os portugueses de Quinhentos, apesar de serem apenas cerca de um milhão, desenvolveram várias ciências náuticas, astrónomas, matemáticas, cartográficas, linguísticas ... difundiram conhecimentos e comunicações entre povos, contribuindo para a civilização e convivências. Não obstante tiveram que sofrer e fazer a guerra, ser servos e fazer servos. Era inevitável. Ainda hoje no século XXI isso acontece entre vários povos do mundo. Quanto ao nosso tempo, esperamos que haja cada vez mais portugueses neste nosso século a fazer a diferença contribuindo para invenções e criando riquezas e solidariedades. Abraço. Fred. # Fevereiro 9, 2011 13:04


Zory said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Boa tarde . fred. Não tenho comentado, mas leio religiosamente e com bastante assiduidade os seus posts. Leituras essas que me alimentam a alma quando me relembram textos da Bíblia Sagrada. Grata lhe fico por isso. Como o de hoje, avivando a lembrança da nossa História com nomes de Gente Grande, figuras notáveis que é bom enaltecer e recordar, vem mais um exemplo da sua entrega e propósito de valorizar o que é nosso. Bem haja! Cá voltarei sempre. Cumprimentos. Zory


# Fevereiro 9, 2011 17:01

AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Olá Zory. Seja bem-vinda e obrigado pela sua partilha. CMPTS. Fred. # Fevereiro 9, 2011 22:37


Brutus said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifExcelente post! Parabens pelo seu poder de síntese narrativa histórica. Ao mesmo apenas acrescentaria que, além de primeiro ter oferecido os seus serviços a D. Manuel, o mesmo pretendia que lhe fosse dado o comando no Oriente e o correspondente título e honrarias de Vice-rei e como tal lhe foi naturalmente negado, mas só alguns historiadores o referem. Daí ter-se então oferecido (a troco de alguma coisa...) ao monarca castelhano, para provar que as Molucas cabiam na metade que lhe fora conferida pelo Tratado de Tordesilhas.  Claro que 'nuestros hermanos' não possuíam a nossa ciência náutica, designadamente para medir longitudes, pois, de contrário, o Brasil não seria o que é hoje... Um abraço.


# Fevereiro 11, 2011 15:04

AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifOlá Brutus. Desconhecia essa reivindicação, em concreto, de Magalhães. Uma coisa é certa, Magalhães ao tratar com o monarca português fê-lo educadamente mas sem qualquer subserviência como que se fosse tratar com um Deus.  Já nessa altura Magalhães é descrito como pessoa que vestia sempre de preto, senhor de si, personalidade bastante vincada. Sabia do que falava ao querer atingir o Oriente navegando para Ocidente mas não tinha a certeza nem ninguém, na altura, se ía encontrar os obstáculos de uma América muito extensa para sul e se na mesma América haveria ou não comunicação entre os dois Oceanos. O Estreito de Magalhães foi descoberto e alcançado com imensas dificuldades. Magalhães teve de enfrentar vários motins a bordo, várias traições entre uma tripulação de diversas nacionalidades; condenados e marginais da altura. Venceu todas essas "guerras" menos uma - a da traição quando foi apanhado numa emboscada de Índios. Enfim, dos cerca dos 237 homens que seguiam na expedição regressaram apenas "18 espectros" como nos conta o cronista italiano Pigafeta que também seguia a bordo. Obrigado pela sua intervenção. Abraço. fred


# Fevereiro 11, 2011 17:53

Zory said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Bom dia. Vim aqui ao Seu espaço e aproveitei fazer leituras de trás, de que sempre gosto e me confortam. Cá virei sempre. Obrigada. Até breve! Cumprimentos. Zory


# Fevereiro 14, 2011 8:43

AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Olá Zory. Sempre bemvinda. Também a visitarei as suas memórias e descrição que considero interessantes. CMPTS. fred


# Fevereiro 19, 2011 1:59