sábado, 13 de abril de 2019

A PÁSCOA E OS ÍCONES


O conceito de ícone vem da cultura grega que significa imagem. No mundo pós grego clássico o conceito evolui e estabiliza na arte religiosa inclusivamente na cultura judaica, com a representação de figuras bíblicas nas grandezas bi e tri dimensionais.
Com o cristianismo, passa a entender-se como ícone, em especial, a arte pictórica. O Império Bizantino {séc. IV / XV (1453)} faz difusão de imagens, embora no século VIII tenha sido proibido o seu uso pelo imperador Leão III (séc. VIII). Depois o uso foi resgatado e restaurado pela imperatriz Teodora, esposa do imperador Teófilo (séc. IX).
Com a invasão muçulmana ao Império Bizantino, há uma queda na arte do território mas como consequência multiplicam-se as influências pela Rússia, leste da Europa - Central e Mediterrânica e pontualmente noutros sítios de influência religiosa cristã / ortodoxa ou cristã / católica.
Segundo frei António-José d`Almeida influenciado pelo Antigo Testamento, na versão Septuaginta - “Cristo Pantocrator” significa «Dominador de todas as potências terrestres e celestes» (cf. Is 6,3  e Ap 4,8). É assim, também, que frei António-José vai buscar a Primeira Carta de São Pedro (3,22), citada em relação a Cristo «tendo subido ao céu, está à direita de Deus, estando-lhe sujeitos os Anjos, as Dominações e as Potestades».
E reforça ainda a imagem do Pantocrator com a citação de uma das Cartas de São Paulo: «Todas as coisas estão submetidas» (1 Cor 15, 27) referindo-se a Cristo plasmado na imagem d`O Cristo Ressuscitado. Frei António-José acrescenta ainda sobre Cristo. É O «Senhor dos mortos e dos vivos» (Rm 14,9).
Em termos de tecnologia artística os ícones bizantinos baseiam-se em pequeninos mosaicos (*) coloridos e justapostos de forma a criar uma composição unitária das imagens pretendidas.
(*). Sugerimos uma reflexão sobre a origem do termo «mosaico». O mesmo deriva de «musa» ou «musas» - como semideusas continuadoras do «mouseion», instituição que dá origem aos conceitos / instituição «museu, museologia e afins».
É nesta vertente de atração e devoção pessoal pela imagética oriental que vemos um ícone no altar-mor da igreja de Massamá por influência do pároco Pe. Luís Cláudio que terá feito a seleção de imagens ou acolhido de bom grado o ícone em referência.
Faz-nos lembrar, particularmente neste Tempo,  a Páscoa, como “passagem” da figura d`O Cordeiro divino, para a figura d`O “Rei". O "Pantocrator".  

Boa Páscoa. Ótima Passagem.

Palavras-chave: arte, ícone, Massamá – Sintra, Pantocrator, Páscoa

Fontes:

ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Os Sinos e a Páscoa nas Terras da Lusofonia” https://cumpriraterra.blogspot.com/2017/04/038-os-sinos-e-pascoa-nas-terras-da.html

-ALMEIDA, frei António-José d` “Ícones: O Cristo Pantocrator”, p 472-473.- in Revista “Bíblica: onde a Bíblia se faz vida”.- Fátima: Difusora Bíblica (Franciscanos Capuchinhos), julho-agosto 2017

-ANDRADE, Ana Luíza Mello Santiago de ; InfoEscola et al. - “Império bizantino” https://www.infoescola.com/idade-media/imperio-bizantino/  

-CESAREIA, Eusébio de ; MediaWiki et al. – “Império Bizantino” https://pt.wikipedia.org/wiki/Império_Bizantino  

-DANIELA, Diana et al. – “O que é Mosaicohttps://www.todamateria.com.br/o-que-e-mosaico/  

-MEDIAWIKI et al. – “Ícone” https://pt.wikipedia.org/wiki/Ícone

quarta-feira, 10 de abril de 2019

FERNÃO DE MAGALHÃES OU O RECONHECIMENTO DA ESFERICIDADE DA TERRA E O DESENVOLVIMENTO DO SABER PRÁTICO


        Magalhães nasce em 1480 no concelho de Sabrosa. Alguns outros autores e localidades têm reivindicado o seu berço, tais como sucede som Ponte da Barca onde teve família e a freguesia da Sé do Porto de onde um dos seus avós era natural. Falece em 27 de Abril de 1521 em combate nas actuais Filipinas durante a primeira viagem de circum-navegação, realizada em sentido contrário às navegações habituais, isto é, rumando para ocidente, a fim de alcançar o oriente.
 
Monumento a Fernão de Magalhães na Praça do Chile – Freguesia de Arroios – Lisboa.

Projecto organizado e liderado por Fernão de Magalhães até ao local do incidente que o vitimou. A viagem fora iniciada em Setembro de 1519 executada com o apoio da coroa espanhola, no tempo de Carlos I (Carlos V da Alemanha ou Carlos de Habsburgo do Sacro Império Romano-Germânico). Os serviços de Magalhães foram primeiro oferecidos à coroa portuguesa, nomeadamente a D. Manuel I que na altura vivia rodeado de mordomias, criados, servos, conselheiros e intriguistas.
 

 
D. Manuel, demonstrou por Magalhães um desprezo e indiferença que terá magoado o Homem prático do terreno, o soldado, o marinheiro, curioso e estudioso. Mesmo assim, perante a infiferença do rei, Magalhães aproveita a oportunidade para perguntar ao monarca se não se importava que oferecesse os serviços a um outro rei cristão - ao que o rei anuiu, desvalorizando a proposta de Magalhães. Tudo parece indicar que D. Manuel terá reflectido após a saída de Magalhães do Paço da Ribeira. O “venturoso” acabou por mandar seguir os passos do navegador em Espanha. Consta que foi mesmo proposta a sua morte por um determinado bispo português, possivelmente para agradar ao monarca.

 
 Quando D. Manuel pressente a viabilidade do projeto de circum-navegação ser realizado sob a administração e financiamento de Espanha manda convencer o navegador a regressar a Lisboa com proposta de diversas garantias, para lá do mísero aumento de pensão que em primeira mão Magalhães solicitara em Lisboa, em presença do rei.

O navegador já havia assinado o seu nome no projeto de Sevilha, tutelado pelo então jovem Carlos I quando é abordado para regressar ao reino. Magalhães não volta atrás à palavra dada e a viagem ao Oriente em sentido contrário ao habitual tem mesmo início em 20 de Setembro de 1519
 
Sabe-se pelas fontes históricas, mormente pelas memórias do escrivão italiano Antonio Pigafeta que a preparação e realização da circumnavegação foi difícil, quer porque nunca havia sido realizada tamanha empresa, quer porque foi preciso desbravar mares e costas em sentido contrário ao realizado anteriormente. Depois de trabalhos mil e desconsiderações movidas pelas intrigas e invejas; quando todos, ou quase todos, incluindo Sebastião Del Cano, Magalhães acaba por encontrar o estreito que dá comunicação entre entre os dois grandes oceanos.

 
Magalhães chega, enfim ao objectivo –às terras das especiarias, sem passar por mares e terras na altura propriedade de Portugal. O navegador confiou na sua intuição, no astrómomo Rui Faleiro, na documentação consultada e nas muitas experiências anteriores no Oriente, durante quase uma década. Magalhães confiou, outrossim, no seu companheiro, na altura escravo Henrique que trouxera do Oriente (atuais Filipinas); confiou na lingua e comunicação do seu servo para estabelecer negociações. A comprovar a confiança no escravo, Magalhães propõe o batismo cristão com o nome de Henrique e inclui o mesmo Henrique como beneficiário em testamento. A proposta de alforria e participação na herança faz parte da palavra escrita e assinada por Magalhães em relação a Henrique. Tal não viria a acontecer, por morte prematura de Magalhães e por desabono de considerações dos homens que poderiam habilitar Henrique.
Ainda a homenagem ao incentivador das descobertas - O Infante D- Henrique. A coroa faz parte do monumento a Fernão de Magalhães
 
A experiência na Ásia e a bravura como guerreiro, no Norte de África também incentivam Magalhães a correr novos perigos e desafios.  Mas as intrigas em Lisboa e em Sevilha pelos seus opositores, portugueses e espanhóis, ciosos e invejosos, tendo projetado a sua morte, fazem do projecto de Magalhães uma empresa muito mais delicada do que à partida seria expectável.
        Como pajem e criado do paço em Lisboa, ao tempo de D. João II, Magalhães adquirira muito tacto e informação que o habilitaria à viagem mais dificil, problemática e dramática de sempre; algo comparável à empresa de Bartolomeu Dias, mas mais complexa ainda. Tal como anteriormente foi preciso contar com a competição e as rivalidades das comunidades islâmicas no Oriente, onde faziam negócios locais e expedições pelas vias terrestres.
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 
Note-se que, tanto Magalhães, como alguns dos seus colaboradores portugueses já haviam navegado entre milhares de homens de espada e centenas de bombardeiros com artilharia de canhão. Magalhães participara antecipadamente no Oriente, entre outras localidades: em Goa, Cochim. Quíloa, Cananor e Malaca), tendo-se alistado na armada comandada pelo vice-rei dom Francisco de Almeida.

Após a sua morte, por emboscada e traição, a viagem é dirigida por Juan Sebastian del Cano que fazia parte da expedição e era à partida uma das últimas escolhas de Carlos I. Remarque-se, aliás, que Del Cano desobedeceu às ordens de Carlos V ao regressar pela via da rota do Oriente, concedida a Portugal.
 
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 
«Homenagem da República do Chile em 1950»  por reconhecimento do pioneirismo, trabalhos de ciência, técnica e exploração geográfica da autoria de Fernão de Magalhães.

Posteriormente esteve no Norte de África (Azamor) onde ficou ferido e deficiente numa perna. Alcançou honras pela bravura em combate. Um diferendo com o monarca português levou-o a oferecer os seus conhecimentos e serviços a Carlos I de Espanha.

Além da experiência prática nas viagens e localização de Terras Magalhães estudara cartografia em Lisboa, o que lhe permitiu conhecimentos para alcançar o arquipélago das Molucas por via contrária à habitual. O principal objectivo era o negócio com a Ásia. Poder provar que o arquipélago das especiarias seria alcançado sem passar pelos mares reservados a Portugal por força do Tratado de Tordesilhas.

A riqueza das Molucas devia-se à importante fonte de especiarias muito lucrativas. Era, além do mais, preciso saber a quem pertenciam essas Ilhas, tendo em conta Tordesilhas.
 
 
Placa toponímica «Praça do Chile» em reconhecimento da homenagem desta República, incluido a oferta do monumento em memória de Fernão de Magalhães

A viagem de Magalhães, não permitiu apenas o óbvio – comercializar com o Oriente: Tornou evidente a esfericidade da Terra e deu origem à redefinição dos limites da demarcação dos direitos de posse e conquista de territórios de além-mar. O arquipélago das Molucas passou a figurar como referência para Espanha e Portugal por via do estabelecimento do antimeridiano de Tordesilhas. Daqui resultou mais um Tratado – o de Saragoça, realizado a 22 de Abril de 1529, onde voltam a ser delimitados corredores e propriedades entre as duas coroas ibéricas.
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 
O conhecimento é por natureza imaterial, volátil e transmissível. Da Ibéria e do Oriente o saber vai difundir-se e entrecruzar-se com saberes de outros povos, de cá e de lá, tendo ainda em conta o lastro cultural da Renascença que por essa altura se difunde pela Europa.

O prosseguimento dos Tratados foram possíveis porque na altura se geraram relações propícias entre os dois reinos ibéricos devido à política de casamentos, nomeadamente de Carlos I com Isabel de Portugal filha de dom Manuel I e de dom João III com Catarina de Áustria, irmã de Carlos I. E na sequência da “prova” das Molucas para o lado de Espanha, dom João III negociou os direitos destas ilhas, comprando-as por 350.000 ducados. Mais uma vez Portugal reforça o controle dos negócios das especiarias, da arte de marear em longas escalas e do “saber com experiências feito”, como diria o poeta Luís Vaz de Camões.
Legenda in expo` «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» na BNP
 

Fontes:

-ALBUQUERQUE, Luís de – Os Descobrimentos Portugueses. - S.L.: Selecções do Reader`s Digest, SARL; Publicações Alfa, SARL, 1985

-BNP et al -  Expo` "Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães" de 07.02 a 13.05.2019 na Biblioteca Nacional de Portugal

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Fernão de Magalhães”.- blogs Sol acedidos em 2011 e até à suspensão desta plataforma por alegados motivos de gestão económica do Jornal.

-DOMIMGUES, Mário – Fernão de Magalhães.- 3ª ed. - Barcelos: Companhia Editora do Minho; Livraria Civilização –Editora.- Porto, 1980

-MEDIAWiKI et al.- “Carlos I de Espanha” https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_I_de_Espanha

Posted: terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011 2:04 por AlfredoRamosAnciaes Editar

Arquivado em: Portugal, Descobrimentos, Ciências náuticas, Fernão de Magalhães, Península Ibérica,

Seguem-se comentários na primeira edição do post de Alfredo Ramos Anciães na plataforma do Jornal Sol em 2011:


ProfetaPolitico said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifNestas épocas deu-se o pontapé de saída para a era que agora vivemos, a globalização, e os Portugueses estiveram presentes. Os mares e os rios eram na altura as grandes auto-estradas do conhecimento e hoje, as mesmas auto-estradas transferiram-se para as ondas magnéticas, para o espaço, o conhecimento tecnológico e nestes campos estamos infelizmente um pouco atrasados. Mas dado a pre-disposição dos Portugueses em adaptar as mudanças, tenho fé que ainda possamos apanhar o barco. As energias renováveis foram uma boa e excelente aposta. Sei, falta a nível das mentalidades, mas vamos ter fé. Abraços P.P. # Fevereiro 8, 2011 12:11


avomilu said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Amigo. Como sempre continuo aprendendo contigo. Agradeço as palavras sempre lindas que escreves. Beijo milu # Fevereiro 8, 2011 16:39


AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifOlá Profeta, Obg pela visita. Na realidade Magalhães foi um dos mais valentes soldados, um Homem de ciência e de experiência, um Homem de carácter e respeito ao contrário do que por vezes possa parecer. Na realidade ele foi oferecer os seus serviços a Espanha depois de os oferecer primeiro a ao rei dom Manuel I. Como este tivesse recusado, Magalhães ainda lhe pergunta se poderia ir oferecer os mesmos serviços a outro monarca católico. Dom Manuel respondeu-lhe que sim, embora essa não fosse a sua vontade como mais tarde se veio a reconhecer ao arrepender-se e mandar regressar Magalhães ao reino. Nesta altura já Magalhães tinha dado a sua palavra ao monarca espanhol e os preparativos estavam a avançar.Isto prova que na vida as indecisões podem custar caro. Por outro lado e visto de outro ângulo, porque é que Portugal haveria de ficar com todos os "louros" na ciência e Descobrimentos? A ganância desmedida não será também uma iniquidade? # Fevereiro 8, 2011 18:15


ahbruto said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifMeu caro Fred. Magalhães era de um tempo, em que ser português valia alguma coisa... Um abraço. Ahbruto. # Fevereiro 8, 2011 21:24


AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Cara ahbruto. Tem razão. Os portugueses de Quinhentos, apesar de serem apenas cerca de um milhão, desenvolveram várias ciências náuticas, astrónomas, matemáticas, cartográficas, linguísticas ... difundiram conhecimentos e comunicações entre povos, contribuindo para a civilização e convivências. Não obstante tiveram que sofrer e fazer a guerra, ser servos e fazer servos. Era inevitável. Ainda hoje no século XXI isso acontece entre vários povos do mundo. Quanto ao nosso tempo, esperamos que haja cada vez mais portugueses neste nosso século a fazer a diferença contribuindo para invenções e criando riquezas e solidariedades. Abraço. Fred. # Fevereiro 9, 2011 13:04


Zory said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Boa tarde . fred. Não tenho comentado, mas leio religiosamente e com bastante assiduidade os seus posts. Leituras essas que me alimentam a alma quando me relembram textos da Bíblia Sagrada. Grata lhe fico por isso. Como o de hoje, avivando a lembrança da nossa História com nomes de Gente Grande, figuras notáveis que é bom enaltecer e recordar, vem mais um exemplo da sua entrega e propósito de valorizar o que é nosso. Bem haja! Cá voltarei sempre. Cumprimentos. Zory


# Fevereiro 9, 2011 17:01

AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Olá Zory. Seja bem-vinda e obrigado pela sua partilha. CMPTS. Fred. # Fevereiro 9, 2011 22:37


Brutus said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifExcelente post! Parabens pelo seu poder de síntese narrativa histórica. Ao mesmo apenas acrescentaria que, além de primeiro ter oferecido os seus serviços a D. Manuel, o mesmo pretendia que lhe fosse dado o comando no Oriente e o correspondente título e honrarias de Vice-rei e como tal lhe foi naturalmente negado, mas só alguns historiadores o referem. Daí ter-se então oferecido (a troco de alguma coisa...) ao monarca castelhano, para provar que as Molucas cabiam na metade que lhe fora conferida pelo Tratado de Tordesilhas.  Claro que 'nuestros hermanos' não possuíam a nossa ciência náutica, designadamente para medir longitudes, pois, de contrário, o Brasil não seria o que é hoje... Um abraço.


# Fevereiro 11, 2011 15:04

AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gifOlá Brutus. Desconhecia essa reivindicação, em concreto, de Magalhães. Uma coisa é certa, Magalhães ao tratar com o monarca português fê-lo educadamente mas sem qualquer subserviência como que se fosse tratar com um Deus.  Já nessa altura Magalhães é descrito como pessoa que vestia sempre de preto, senhor de si, personalidade bastante vincada. Sabia do que falava ao querer atingir o Oriente navegando para Ocidente mas não tinha a certeza nem ninguém, na altura, se ía encontrar os obstáculos de uma América muito extensa para sul e se na mesma América haveria ou não comunicação entre os dois Oceanos. O Estreito de Magalhães foi descoberto e alcançado com imensas dificuldades. Magalhães teve de enfrentar vários motins a bordo, várias traições entre uma tripulação de diversas nacionalidades; condenados e marginais da altura. Venceu todas essas "guerras" menos uma - a da traição quando foi apanhado numa emboscada de Índios. Enfim, dos cerca dos 237 homens que seguiam na expedição regressaram apenas "18 espectros" como nos conta o cronista italiano Pigafeta que também seguia a bordo. Obrigado pela sua intervenção. Abraço. fred


# Fevereiro 11, 2011 17:53

Zory said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Bom dia. Vim aqui ao Seu espaço e aproveitei fazer leituras de trás, de que sempre gosto e me confortam. Cá virei sempre. Obrigada. Até breve! Cumprimentos. Zory


# Fevereiro 14, 2011 8:43

AlfredoRamosAnciaes said: http://comunidade.sol.pt/Themes/Blogs/paperclip/images/spacer.gif Olá Zory. Sempre bemvinda. Também a visitarei as suas memórias e descrição que considero interessantes. CMPTS. fred


# Fevereiro 19, 2011 1:59

quarta-feira, 3 de abril de 2019

BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL (BNP) EX REAL BIBLIOTECA PÚBLICA - III


A BNP incorpora obras da Real Mesa Censória e de diversos conventos extintos em 1834. Cito aqui, em especial, um dos maiores bibliófilos de sempre e a nível mundial - frei Manuel do Cenáculo que está na origem da prospeção interna e internacional de tudo o que era importante e bibliograficamente editado, procedendo à respetiva aquisição.

Mais de 15.000 códices (manuscritos em pergaminho ou madeira) compõem as edições raras, preservadas na BNP.

Em termos de supra coleções ou fundos documentais definimos cinco:

 1-Bens culturais organizados em fundos ou coleções de “documentos dos séculos XI a XX”, nomeadamente arquivos da administração central e local, judiciais, notariais, de família e eclesiásticos, sobretudo das Ordens Religiosas.

2-“Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC)”. São cerca de 200 espólios de escritores e outras personalidades, dos séculos XIX - XX.

3-“Cartografia e Iconografia”: Cerca de 124.000 títulos.

4-“Música”: Coleção com mais de 50.000 peças dos “séculos XII a XX”, entre partituras impressas ou manuscritas, libretos, programas e cartazes.

5-“Leitura para Deficientes Visuais”: O serviço de Leitura para Deficientes Visuais possui e produz, desde 1969, obras em Braille e livros sonoros. Cerca de 13.000 peças são destinadas ao serviço público para Deficientes Visuais. 

&
O projeto do Museu do Livro foi transformado em espaços temáticos de exposições temporárias

A descrição e a gestão documental assentam na base de dados informatizados - PORBASE, versão 5. Outrora uma plataforma difícil de operar, mesmo para os técnicos. Atualmente, a versão em ambiente Windows é uma plataforma de dados “amigável” que contém o catálogo em linha e muito mais.

A BNP Colabora e coopera com as Bibliotecas Nacionais das antigas províncias ultramarinas.

Quanto a autores ligados à construção e decoração da BNP referimos onze nomes, entre outros:

1- Porfírio Pardal Monteiro – realiza o projeto de arquitetura.

2- António Pardal Monteiro – substitui o seu tio, por morte, na condução dos trabalhos.

3- Leopoldo de Almeida – escultor dos baixos-relevos da fachada principal.

4- Lino António – executa os frescos do átrio principal.

5-Raúl Lino – na supervisão das obras de arte.

6- Guilherme Camarinha – é o responsável pela tapeçaria da sala de leitura geral, em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre.

7-Joaquim Machado de Castro – Obra-prima / estátua de D. Maria I no átrio do 3º piso junto ao espaço de exposições, também dito museu do livro.
 
Das seguintes obras, todas ao ar livre, no recinto da frontaria da BNP

8- Álvaro de Brée – escultor português, especialmente ligado a Barcarena / Oeiras e Lisboa, executa a figura de Eça de Queirós.

9- Joaquim Martins Correia – executa as esculturas de Fernão Lopes e Gil Vicente. (Não confundir este escultor com o professor escultor Joaquim Emídio de Oliveira Correia, mais conhecido por Joaquim Correia).

10- Euclides Vaz – escultura de Luís Vaz de Camões.

11-António Duarte – esculturas exteriores em bronze (donzela e rapaz).
 
             Obra-prima com a representação de D. Maria I. Executada em 1783 por Joaquim Machado de Castro e seus discípulos. Esta escultura foi propriedade do Marquês de Ponte de Lima. Doada em data posterior à Real Biblioteca Pública da Corte e transferida para a Biblioteca Nacional de Portugal. São de apreciar os pormenores dos rendilhados e outros. Dá ideia de trabalho em filigrana.
  
 
Esculturas de Joaquim Martins Correia
 
 
Esculturas de Luís de Camões por Luiz Vaz  e de Eça de Queiroz por por Álvaro de Brée
 
 
Esculturas em bronze por António Duarte
          Representam figuras idealizadas do Estado Novo

Em cima são os heróis e/ou figuras impares da História, em baixo são os ideais da lusitanidade da altura, nas imagens dos dois jovens.

 Palavras-chave. Biblioteca Nacional de Portugal, biblioteconomia, Estado Novo, historicismo, modernismo, Real Biblioteca Pública
 
Referências acedidas em 11.03.2019:

--ACADEMIA das Ciências de Lisboa, et al. – “Academia das Ciências de Lisboa https://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_das_Ciências_de_Lisboa )

--ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Em visita de estudo à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP)


--BNP et al. – “Edifício da BNP é monumento de interesse público” http://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=766%3Anoticia-edificio-da-bnp-classificado-como-monumento-de-interesse-publico&catid=163%3A2013&Itemid=795&lang=pt

--FRANÇA, José Augusto, et al. – “A arte em Portugal no século XX” ; “António Duarte” https://pt.wikipedia.org/wiki/António_Duarte


--MANUFACTURA de Tapeçarias de Portalegre, et al. – [Guilherme Camarinha desenha e coordena a tapeçaria da sala de leitura geral] http://www.mtportalegre.pt/pt/artists/view/10/2 

--PASCOAL, Ana Mehnert et al.  Baixo-relevo de Álvaro de Brée ‘Três Musas’-  http://memoria.ul.pt/index.php/Baixo-relevo_de_%C3%81lvaro_de_Br%C3%A9e_%E2%80%98Tr%C3%AAs_Musas%E2%80%99 

--TORRES, João Romano et al. “Joaquim Machado de Castro” http://www.arqnet.pt/dicionario/machadocastro.html

--WIKIMEDIA et al. – “Lino António” https://pt.wikipedia.org/wiki/Lino_António

Publicada por Alfredo Anciaes à(s) 06:29 https://resources.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif