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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

127. MUSEUS E MUSEOLOGIAS: CONCEITOS E MODALIDADES

Museus tradicionais -  trabalham com: 1) coleções, 2) públicos, 3) e edifícios.

Novos museus sociais - trabalham com: 1) patrimónios, 2) comunidades, 3) e territórios.
  




Fotos: Georges Henri Rivière (em cima, foto da esq. e figura do lado direito); Hugues de Varine (em cima, lado direito); Sede da Fundação Portuguesa das Comunicações, Patrimónios e Museu (em baixo).



Os novos museus sociais adotam uma visão democrática de funcionamento. Podem assumir a modalidade de ecomuseus de aldeias, de bairros e todos os que envolvam as comunidades como fazendo parte dos projetos, ações, gestão e fruição dos resultados.
Há museus de particulares, de fundações e outras entidades que, sendo tradicionais, adotam algumas formas da museologia social: são os museus que se relacionam com as vivências das populações (a) .


Hugues de Varine foi um dos primeiros teóricos da nova museologia social. Propôs a nova instituição social (ecomuseu) na primeira metade da década de 70 (séc.xx). A ideia já vinha de alguns anos, quando o próprio Hugues de Varine se reuniu com Georges Henri Rivière, seu amigo e colega (b).
Na modalidade de novo museu/social os membros de uma comunidade tornam-se parceiros/colaboradores, podendo ser, contudo, assistidos por um museólogo e outros técnicos, caso seja necessário.

Palavras-chave: museologia social, museologia tradicional, museu social

………………………..

(a)Um exemplo destes museus intermediadores, que leva o museu aos bairros e traz os bairros: moradores e frequentadores, com seus patrimónios e fratrimónio (cf. Anciães; Chagas) e saberes aos museus é o Museu das Comunicações com sede na Rua do Instituto Industrial, Lisboa, na envolvência dos bairros: Bica/São Paulo/Ribeira, Santos/Madragoa.

(b)Estes dois técnicos foram membros gestores no ICOM International Council of Museums (Conselho Consultivo dos Museus) uma organização inserida na UNESCO/ONU).

Fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “126. Gestão das Memórias – Recursos Sociais e Patrimoniais” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2017/02/125-gestao-das-memorias-recursos.html

-WIKIMEDIA, Foundation et al. – “Georges Henri Rivière” https://fr.wikipedia.org/wiki/Georges_Henri_Rivi%C3%A8re_(mus%C3%A9ologue ; ------------ “Hugues de Varine” https://fr.wikipedia.org/wiki/Hugues_de_Varine

Fotos - ANCIÃES, A (edifício sede da Fundação Portuguesa das Comunicações e Museu); RIVIÈRE, G. H (foto de grupo); VARINE, H. (retrato) in https://fr.wikipedia.org/wiki/Georges_Henri_Rivi%C3%A8re_(mus%C3%A9ologue ; https://fr.wikipedia.org/wiki/Hugues_de_Varine ..

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

GESTÃO DE MEMÓRIAS E BENS MUSEAIS. CASO DE ESTUDO


Fundação Portuguesa das Comunicações / Museu e CDI

 TÓPICOS / RESUMO:

Recolher, trabalhar, preservar e expor memórias e patrimónios, envolve método, estudo, sensibilidade e conhecimentos de vária natureza. A abordagem sistémica seguinte pode ser um auxiliar, quiçá um começo de organização.

Ponto 0 (zero). O ambiente, as oportunidades e as ameaças. Os Governos, as nacionalizações, as privatizações e consequências sobre os Patrimónios.

1.O informal: cultura informal das Organizações, imagem nas memórias dos públicos, confiança no desenvolvimento dos projetos, imagem dos responsáveis e outros colaboradores.

2.A relação com o institucional. Ministérios, Direções, Institutos, normalização, regulação, Poder local, sistemas de ensino formal e informal.

3.Estratégia Administração Gestão Produção:

Estratégia e Administração: conhecimentos da envolvência. Ideia sobre a missão/visão/finalidades (cf. ponto 6. extrapolando …).

Formas de alcançar os objetivos. Calendarização dos projetos e ações. Recursos humanos e coordenação de projetos.

Reflexão e adaptação da missão, finalidades/visão; planos, projetos, objetivos; pontos de controlo e repartição de recursos.

Formação em: museologia / patrimónios, estudo dos paradigmas museais; cidadania, gestão, relações públicas, marketing e comunicação.

Produção de: documentação, exposições e serviços.

4.Equipamentos e espaços adequados.

5.Conhecimento dos Patrimónios com valor social/comunitário para serem fruídos sob quaisquer dos pontos de vista: científico, técnico, económico, documental, artístico, ambiental, lazer e comunicação.
6.Fratrimónios: Bens / valores sociais, usados ou consumidos no nosso tempo, nossa comunidade ou com as quais nos relacionamos, lembrando o bodo e o ágape (cf. Joaquim de Fiori, Agostinho da Silva, Natália Correia, Papa Francisco, Mário Chagas et al.); bem como a participação nos e com grupos musicais, teatro, folclore e outras associações de carácter económico, cultural e social.

Massamá – Festas populares

Extrapolando para o caso da FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações / Museu e Centro de Documentação e Informação apresento os quadros referentes à “missão e visão”.
(quadro / imagem, gentileza da Fundação Portuguesa das Comunicações)

 Missão, visão e finalidades nem sempre são inequivocamente discerníveis entre si. Não raro, as finalidades confundem-se com a missão. Em 1993 aquando dum estudo para a constituição da Fundação das Comunicações (então ainda não tinha o adjetivo de Portuguesa) definimos as finalidades do seguinte modo:


As finalidades apontam para a razão fundamental da existência da Fundação / Museu, conforme expresso no excerto infra: 
«Pretende-se que a Fundação [em que se insere o Museu das Comunicações, ex Museu dos CTT] constitua uma tribuna de reflexão sobre o papel e o impacto das Comunicações Portuguesas.
A Fundação deverá, ainda, contribuir para a construção de uma Imagem Global das Comunicações. Promovendo a sua identificação como componente fundamental do tecido económico social e cultural nacional e internacional» (a)
………
(a) Anexo ao DE000293CI, Nº 293, de 25.05.1993 e entrada em vigor 01.06.93, documentação da Fundação das Comunicações, com a colaboração de Drª Maria da Graça Ennes e Drª Maria João Vasconcelos. Cf. Ainda ANCIÃES, 1992-1994, ob cit, p.16 e Anexo I, p.2.7

Os quadros/imagens seguintes são gentileza da FPC.





7. Salvaguarda. Ações de proteção no terreno / locais de utilização ou guarda; proteção jurídica/legislativa e para-musealização.

8.Conservação preventiva e restauro. Projetos dos edifícios adequados às funções de guarda, acomodação e movimentação dos patrimónios.

9.Documentação Informação e Comunicação. A Comunicação está no final da abordagem sistémica. Não significa que seja menos importante do que os outros pontos. Ela é essencial. Sem a comunicação/divulgação todos os números supra citados ficariam sem o interesse social. Os valores culturais e económicos devem ser comunicados a toda a Sociedade envolvente para que a mesma possa, caso queira, participar.

Com base nos pressupostos apresento a FPC como caso de estudo de ações viradas para os públicos e para as populações. A FPC com os seus Recursos têm levado o Museu aos Bairros, onde se relacionam com as populações e com os patrimónios; trazem os Bairros ao Museu; apostam na ótica das novas museologias e na gestão pró cidadania.

Tags: Fundação Portuguesa das Comunicações, gestão, memória, Museologia Social, Museu das Comunicações, Nova Museologia
…………………..
Fontes:
-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Fundação das Comunicações/Museu: Subsídios para Uma Abordagem Sistémica e Definição de Projectos. Âmbito: pós.grad. em Museologia Social do Instituto Superior de Matemáticas e Gestão. Lisboa: ISMAG – ULHT, 1992-1994
------------ Estudo, sugestões e Relatório de Estágio nos Sub-núcleos de Documentação do Património Museológico de Telecomunicações.- Lisboa: CDI-CTT; FPC, 1992-1993
---------------FPC Fundação Portuguesa das Comunicações. Museu das Comunicações, et al -Desdobrável institucional, s.d. disponível na FPC em 2016-2017 …
---------------Gestão de Memórias e Bens Museais. Caso de Estudo  http://cumpriraterra.blogspot.pt/2017/02/125-gestao-das-memorias-recursos.html

sábado, 17 de setembro de 2016

95.NOVA MUSEOLOGIA O QUE É ?

        Tal como o nome indica; proveniente do grego museion (museu) + logia (logos, conhecimento) - é uma disciplina que divulga saberes da instituição museu, sua organização, desde a definição da missão, os projetos e ações.
        A museologia evoluiu muito a partir dos anos 60`s (século xx). De tradicional, maioritariamente elitista, torna-se em social e democrática. Trata de conhecimentos relativos ao Homem / Humanidade e suas manifestações culturais.
        A nova museologia, também dita museologia social, torna-se numa disciplina ou ciência que promove e participa no concreto, nos problemas das sociedades agrícolas, de pastores, de aldeia, de fábrica, de bairro, de grupos sociais discriminados pelo não ter e pelo ser: orientação sexual, religião …
        A história da museologia, especialmente a social, desce do estádio olímpico, atinente ao tempo/templo das musas, ou seja do museion deificado para reis, filósofos, ou para um curto número de cidadãos das democracias atenienses ou outras. Passa pelos gabinetes de curiosidades para a educação dos príncipes e das elites. Vai ao encontro dos problemas educativos, especialmente da educação não formal. Assume a vertente organizadora, documental e conservadora.
        Não menos importante é a matriz comunicadora da nova museologia, abraçada pelos museólogos, populações e colaboradores para fazerem passar as mensagens e os conhecimentos com registo mais eficaz no intelecto/memória/coração (cor + ação), do que através de qualquer outro médium, visto que a nova museologia social/integral insiste/persiste (isto é, faz morada afetiva) na e com a comunicação.
        A museologia social, melhora a qualidade do “aqui e agora” (CHAGAS, 2016), ou seja, a qualidade fratrimonial, procurando, simultaneamente, o registo patrimonial do longo prazo.
        O novo museu e nova museologia social são integrais, não só porque integram pessoas mas porque fazem uso dos vários médiuns para chegar aos fins que são: a comunicação, a valoração/valorização das pessoas e do meio com que se relacionam ou poderão relacionar-se.
      Pelos novos museus integrais passam várias tecnologias / vários médiuns, incluindo os virados à observação / contemplação, isto é, os que contemplam a relação do Homem com as “peças/objetos” da economia, da ciência, tecnologia, letras, memórias e afetos.
        Em conclusão: a nova museologia, social ou integral, é um fórum aglutinador de cidadania, de participação, de fratrimónio, de património e de desenvolvimento sustentado.

        Tags: cidadania, fratrimónio, museologia social, nova museologia, novo museu, participação, património.
       
Fontes biblio-arquivísticas:

MENSCH, P. - “Museus em Movimento: Uma Estimulante Visão Dinâmica Sobre Interrelação museologia-museus”, Cadernos de Sociomuseologia, nº 1, 49-54, 1990

MOUTINHO, Mário. - “A construção do objeto museológico”, Cadernos de Sociomuseologia, nº 4, 1994

PRIMO, Judite  - “Museus locais e Ecomuseologia: Estudos do Projeto para o Ecomuseu da Murtosa2000, in Cadernos de Sociomuseologia, nº 30

Fontes em linha, consultadas em 17.09.2016:

ANCIÃES, Alfredo Ramos 88.Museologia em Acção (Tradicional Nova e Social) --- . 89.D `O Nome da Rosa` Aos Padrões de Memórias: Conservadas e Acesas --- 90.Museus Museion Musas e Epopeias em Um Contexto --- 91.Portugal Social Museal --- 92. Museu em Acção: O Novo Museu é um Museu Integral --- 93.Ritos e Contos Também Entram na Museologia Social em Acção --- 94.Arte e Novas Musealidades, http://cumpriraterra.blogspot.pt/

ANTUNES, Manuel de Azevedo – “Pelos Caminhos da Museologia em Portugal“ Revista Iberoamericana de Turismo- RITUR, Penedo, Número Especial, p. 142-156, out. 2015, Também disponível em https://www.academia.edu/16918796/Pelos_Caminhos_da_Museologia_em_Portugal ; http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur

GOMES, Maria de Fátima Figueiredo Faria - O Museu Como Vetor da Inclusão Cultural,  http://www.museologia-portugal.net/files/upload/mestrados/maria_fatima_farias.pdf 

QUEROL, Lorena Sancho – “Para Uma Gramática Museológica do (re)Conhecimento: Ideias e Conceitos em Torno do Inventário Participado” Sociologia, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Vol. XXV, 2013, pág. 165-188, 2013; também disponível em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/11484.pdf

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

93. RITOS CONTOS MEMÓRIAS TAMBÉM ENTRAM NA MUSEOLOGIA SOCIAL EM ACÇÃO


       O «VERBO RELATAR» em artigo apresentado por Mendonça (in Revista do Expresso, 13.9.2016) também significa fratrimónio partilhado, do “aqui e agora”. (CHAGAS, 2016).

       Relatar significa divulgar memórias recentes e antigas; construídas e reconstruídas, funcionando como um antídoto contra esquecimentos.
       Mendonça conta que «Havia um célebre mestre que tinha um rito para que Deus o atendesse: ele caminhava até um ponto da floresta, acendia uma fogueira, recitava uma prece e Deus atendia-o. As gerações passaram. Primeiro a prece foi esquecida. Mas tinham ainda o ponto da floresta e a fogueira: e Deus atendia-o na mesma. Depois a fogueira caiu no esquecimento, mas restou o lugar na floresta onde Deus os atendia. Por fim, também esse lugar foi esquecido. Já não havia memória da oração, da fogueira e do ponto da floresta. Mas havia o relato da história. E sempre que ela era contada, Deus atendia.»
       Como vemos neste conto, ou relato, como prefere Mendonça; não se salvaram todas as memórias, todos os patrimónios que este rito e estas estórias nos proporcionam, mas salvaguardou-se o essencial nas memórias repetidas, partilhadas e relatadas, à semelhança das memórias e patrimónios transformados em belas lendas, que nos ajudam a viver, interpretando o mundo material e o não tangível; iluminando o conhecimento e o reconhecimento.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

91. PORTUGAL SOCIAL MUSEAL


       A USMMA – Universidade Sénior de Massamá e Monte Abraão com instalação na Casa Animada, junto ao Jardim Salgueiro Maia, Massamá, vai ter uma disciplina que porá em prática: conceitos / valores de cidadania e participação, majorando / cumprindo, assim, a interdisciplinaridade que trabalha à volta deste leque de conhecimentos, em espírito cooperativo dos valores da Pólis.

        A disciplina terá o nome abreviado:

 «Portugal Museal»

 e a designação mais completa:

 «Portugal Social Museal»

        Foram pensados ainda outros possíveis e alternativos títulos, tais como:

 3-«Portugal Social e Museal do Local ao Multiversal

 4-Portugal Social Museal Novo e Tradicional

 5-Museologia: Tradicional Nova e Social

 6-Do Museion ao Museu Integral

 7-Museologia Social em Acção

 8-Museologia Social e Comunitária

 9-Museologia Social Participativa

 10-Museologia da Cidadania e da Participação

 11-Das Memórias Preservadas às Memórias Acesas*

 12-Dos Patrimónios aos Fratrimónios*».

       
         E destina-se concretamente à divulgação do conhecimento acerca dos museus tradicionais e novos. Conhecer os museus por fora, como visitantes, e por dentro: nas reservas, organização e funcionamento.

       Pontualmente divulgar-se-á conhecimento e práticas de organizações afins aos museus, tais como: Arquivos, Bibliotecas, Centros e Serviços de Documentação e Informação. Começar-se-á nas raízes da Grécia Antiga e Clássica para, brevemente, passarmos aos casos e Organizações em Portugal. Porém, o destaque será sempre dado às proximidades – Lisboa, Sintra, Massamá-Monte Abraão e envolvimento.
       Tags: Cidadania, Ciências Documentais, Museologia Social, Nova Museologia, Participação.


       Do Território Populacional e Biblio-Museal MassAbraense, em 30.8.2016


       AA – Alfredo Anciães

       Com um Abraço de Fratrimónio.


 ...............................................................

Nota: Cf. Conceitos a itálico* com Mário de Sousa Chagas, actual Presidente do MINOM – Movimento Internacional para uma Nova Museologia in facebook, p. exemplo.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

88.MUSEOLOGIA EM ACÇÃO (Tradicional Nova e Social)

Com esta capicua interrogo(me). Os Museus e a Museologia são para Gente Velha?
Museologia é uma receita para o conhecimento e a prática da cidadania.
“Jovem, os Teus Pensamentos

São o Teu Jardim

Se pudesse dar-te um conselho,

Jovem [de qualquer idade]que me lês,

Esse seria o estímulo,

A proveitosa lição

De muita experiência

Que procuraria transmitir-te.” […]

(«Viagens no Meu Jardim» / Augusto de Castro)

 Museus clássicos e territórios ecomusealizados:

O que entendo como Museologia Social  (*) em Acção?
É uma teoria, uma ferramenta e uma prática. Convive com os valores da cidadania e da participação das populações. É ciência porque de ciências múltiplas se serve; também de artes e letras. Museologia Social em Acção é como um plasma, composto de conhecimentos vários. Destina-se aos mais e aos menos jovens. Não tem limites em termos de idades.

A mente precisa de ocupação;

Como o corpo necessita de acção.
A Museologia tem-se revelado como uma das formas de inclusão social, de interpretação e também de gestão dos acervos de interesse comum: quer sejam materiais ou imateriais;
Os museus tradicionais com suas administrações, não foram, e não são, instituições inteiramente inócuas. Serviram, e servem, objectivos dos seus criadores, instituidores e financiadores. A Museologia Social em Acção, de cidadania e participação desenvolve vontades e conhecimentos. Pode ajudar os museus, quer os tradicionais instalados entre paredes, quer os de território (ecomuseus, museus de sítio, de aldeia, de município) a prosseguir fins sociais e comunitários.
No século XX assistimos à expansão do número de museus, ecomuseus, bibliotecas, arquivos, centros de interpretação, de documentação e informação; parques, jardins e demais equipamentos públicos, mormente de carácter local.
A Museologia Social em Acção funciona como um chapéu agregador: de vontades, meios e equipamentos. Os conhecimentos desta disciplina habilitarão para práticas sociais participadas, desenvolvendo capacidades de gestão, relação, saberes e saberes-fazeres. Incentiva desafios e vontades para os vencer. 
……………………………….

(*) Título aqui recriado a partir dos pensamentos de «Museologia Social» surgidos após as últimas décadas do século XX, onde destaco: Alfredo Tinoco, André Desvallées, António Nabais, César Lopes,  Fernando Moreira, François Mairesse, Georges Henri Rivière, Henrique Gouveia, Graça Filipe, Hugues de Varine, Manuel Antunes, Maria Célia Santos, Mário Chagas, Mário Moutinho, et al.

Outras fontes:

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Fundação das Comunicações/Museu: Subsídios para uma Abordagem Sistémica e Definição de Projectos. Lisboa: ISMAG – Instituto Superior de Matemáticas e Gestão / U. Lusófona, 1993; 88pp ; ------- Subsídios para uma Prática Museológica: Da Incorporação à Exposição. Lisboa: ISMAG - Instituto Superior de Matemáticas e Gestão / U. Lusófona, 1993; 132 pp. 

-ANTUNES, Manuel de Azevedo – “Pelos Caminhos da Museologia em Portugal“. Revista Iberoamericana de Turismo- RITUR, Penedo, Número Especial, p. 142-156, out. 2015.

Em linha –

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Museus Arquivos Bibliotecas: Produtores Gestores de Informação e Documentação http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/06/77-museus-arquivos-bibliotecas.html   ------- Para uma museografia com objectos descartáveis. Cadernos de Sociomuseologia nº 08 (1996): Actas V Encontro Nacional Museologia e Autarquias CM Lisboa http://recil.grupolusofona.pt/handle/10437/1789

-DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François; Graça Filipe / ICOM et al - Conceitos-chave de Museologia  http://icom.museum/fileadmin/user_upload/pdf/Key_Concepts_of_Museology/Conceitos-ChavedeMuseologia_pt.pdf

-INFOGLOBO Comunicação e Participações S.A - Celebridades gravam áudio-guias para museus e pontos turísticos http://oglobo.globo.com/boa-viagem/celebridades-gravam-audio-guias-para-museus-pontos-turisticos-15202563

-SANTOS, Cláudio  Museologia Social: a Formação de um Conceito http://ensaiosmuseologicos.blogspot.pt/2011/08/museologia-social-formacao-de-um.html
-UNESCO, et al – Sobre o papel dos Museus […] Mesa Redonda de Santiago do Chile. Santiago do Chile, 1972 https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=mesa+redonda+de+santiago+do+chile+1972

quinta-feira, 30 de junho de 2016

58. DA LUZ E DA RÁDIO: CISTER ALCOBAÇA PORTU|G(RA)AL

58. DA LUZ E DA RÁDIO: CISTER ALCOBAÇA PORTU|G(RA)AL


       Entre 2015 e 2016 comemoram-se 80 anos de radiodifusão pública em Portugal. O evento de oito décadas da Rádio e de 9 séculos da Ordem de Cister não podiam passar ao de leve, como acontecimentos banais.

       O destino, a sorte, ou o acaso, fizeram com que participasse na pré-avaliação e pré-informatização da coleção de radiodifusão que, em boa hora, José Madeira Neves recolheu e cuidou; a Câmara Municipal adquiriu e preservou.

Imagens 1 e 2. Recorte do cartão gentileza do Sr. José Madeira Neves; Dir. Museu das Comunicações - Cristina Weber e Câmara Municipal de Alcobaça

       Em 1098 nasce em Cister, Dijon – França uma nova comunidade religiosa (1). Após cerca de dezassete anos, Bernardo instala-se num outro sítio, ermo de gente, e que viria a ser conhecido por Claraval. Tudo indicando que este nome vem de “Clara Vallis”, vale claro ou vale da luz, conotado com um significado bíblico e/ou religioso, à semelhança do que aconteceria com a Luz de Benfica / Carnide, em Portugal (2).

       É no “vale claro” ou vale da luz, próximo de Cister, que a comunidade se desenvolve, pese embora a intenção inicial de São Bernardo ser apenas a de se retirar para meditar, orar, levar uma vida simples e frugal que a Ordem de Cluny já não estaria nas melhores condições de proporcionar.  
Imagem 3. Convento de Alcobaça

       Contudo a nova Ordem de Cister atraiu, desde o início, grande adesão de membros e visibilidade. Fruto das condições e da História é solicitada para povoar, defender, desenvolver e até conquistar ou reconquistar (3).

       Hoje em dia há várias terras que adotam a designação Terras de Cister com base no património edificado e cultural; arroteamentos, secagem de pântanos, obras de hidráulica, metalurgia, mineração, piscicultura e comunicações, entre outras obras. 

Imagem 4. Rio Alcôa que poderá estar na origem do nome Alcobaça


       A Ordem de Cister desenvolveu os correios para intercâmbio entre os vários locais de implantação; caminhos e pontes foram melhorados, nomeadamente para as visitas: regulares e pontuais das redes de conventos no âmbito nacional, peninsular e europeu.

       Alcobaça pertencia à Casa-Mãe de Cister e torna-se, ela própria no século XVI, como Casa-Mãe da Ordem em Portugal. Nesta linha de pensamento é pertinente, na atualidade, alargar as transmissões e as comunicações no espaço e no tempo, expondo documentos e memórias que as rádios da região e a imprensa podem trazer à colação.

       Há quem diga que nada acontece por acaso e, neste aparte, é oportuno trazer o caso da concretização, a breve trecho, da abertura dum espaço museológico de rádio e comunicações em Alcobaça.

       Em meu entender o novo museu da rádio deverá alargar a exposição a outros patrimónios, que não só da rádio. Para lá dos equipamentos radioelétricos e musicais, poderá expor e divulgar a toponímia, incluindo marcas na paisagem, inclusive sobre a telegrafia visual com fachos de luz, como na localidade do Facho, Celas, Alcobaça; bem como o percurso dos correios monacais, as cartas e os textos de história local; as tecnologias da escrita, até às estações de rádios e imprensa atuais da região.

Imagem 5. Antiga Casa Vazão, onde será instalado o novo Museu de Alcobaça

Como nasceu o projeto do museu da rádio em Alcobaça?

       Resultou, em primeira instância, do labor de um colecionista e técnico, o Sr. José Madeira Neves que recolheu, colecionou e preservou durante anos um acervo que denominou “Espólio Colecção Madeira Neves – Casa das Máquinas Falantes”. A Autarquia foi sensível ao trabalho meticuloso do munícipe, adquiriu o acervo, fez uma pré-avaliação, peça a peça, e registou a informação em base de dados, dando-lhe uma mais-valia.

      Um Museu da Luz Rádio Pessoas e Comunicações (4) pode plasmar estas valências. A coleção tem, desde já, um espólio que inclui peças de música, telefonia, telégrafo, fonógrafos, rolos de cera, altifalantes, amplificadores, recetores, incluindo do tipo militar, televisões, gravadores e leitores de bobinas de fita, cabina/locutório, máquinas fotográficas clássicas, leitores óticos, entre outros espécimes.

       Este acervo terá nascido com uma primeira ideia de coleção de recetores de radiodifusão, evoluindo para o conceito de “máquinas falantes”. Em 2016 poderá ver a luz do dia já com um conceito mais abrangente na ótica das tecnologias, comunicações, cultura musical e entretenimento. Terá um olhar especial para os patrimónios do universo cisterciense, mormente das trinta e cinco casas da Ordem que contámos só no espaço nacional (5). Demonstrará que o desenvolvimento dos correios e as comunicações terrestres, muito ficou a dever aos monges brancos, porque os mosteiros mantinham comunicações entre si, especialmente entre a Casa-Mãe e as associadas (6).

       A exposição será instalada na Rua Araújo Guimarães, envolvência do Jardim do Amor, do Arco de Cister e do Mosteiro. Há que dar vida a estes acervos, envolvendo o tecido humano e cultural, nomeadamente o comércio, associações musicais e etnográficas, entre outras organizações, porque todas usam e são produtoras de património e comunicações.

       Não basta ter um sonho, é preciso trabalhar em cima dele para que o sucesso seja uma realidade. 

        Espera-se que em 2016 este acervo possa ser apreciado em boas condições de leitura e interpretação. 

       Sucessos mil ao novo museu da luz, rádio, pessoas e comunicações.


Um Bom Natal

Com a Luz e a Estrela,

De Belém a Éfeso, Meca, Oriente, Europa, Cister, Claraval,

 África, Ásia, Austrália, Américas

Alcobaça, Portugal


Aprecie esta estrela de cinco pontas que brilha com a luz do sol, da lua e dos candeeiros. Não gasta energia. É produto nacional e de modestos calceteiros portugueses. É simples, deixa-se pisar e é duradoura. Para lá desta ligeira descrição contem diversos significados que deixo ao critério de quem a vê. Com ela desejo, felicidades e venturas mil.

 
       Tags: Alcobaça, Comunicações, História local, Museologia Social, Museu da Rádio, Terras de Cister, Portugal

 Notas:

       (1) Ordens religiosas são comunidades que podem ser de leigos ou clérigos, contudo, consagrados. Usam vestes características. Nos seus hábitos diários entram rotinas: levantar, orar, trabalhar/cuidar, retiro/reflexão/reclusão, recreio/comunicação, deitar. Existem quatro tipos de ordens religiosas: a) Monásticas: com homens ou mulheres, vivendo na comunidade dos mosteiros. Os Cistercienses, entre vários outros, estão inseridos nesta classificação; b)Mendicantes: com homens ou mulheres que vivem agrupados em comunidades de conventos, contudo têm uma vida menos isolada do que outros monges. Atuam ativamente no mundo secular, em obras com os pobres necessitados, serviço religioso de missas, procissões evangelização, etc. Os Franciscanos e Dominicanos, entre outros, pertencem a esta classificação; (c)Regrantes: são ordens de cónegos. Ex. de Santo Agostinho; d) Regulares: são os clérigos consagrados, vivendo em comunidade. Ajudam o clero secular nas paróquias, nas atividades da liturgia (missas), nos vários sacramentos e exercem a evangelização. Exemplo, os Jesuítas e os frades crúzios.

       (2) Repare-se que também o Mosteiro de Nossa Senhora da Luz de Carnide – Lisboa esteve na alçada dos monges cisterciences (no caso, de Seiça, concelho da Figueira da Foz), só em fase posterior o Mosteiro de Nossa Senhora da Luz passou para a órbita da Ordem de Cristo de Tomar.

       (3) São Bernardo, cognominado de Claraval, esteve pontualmente envolvido na ideologia das cruzadas. Quando analisadas de modo descontextualizado, as cruzadas parecem ter sido um erro histórico. No entanto devemos olhar para as raízes e o desenvolvimento do processo da Reconquista que teve como resultado o desabrochar de Portugal e o desenvolvimento do comércio entre o Ocidente e o Oriente. As cruzadas foram uma reação ao processo de expulsão e acantonamento forçado a que estiveram sujeitas as populações refugiadas nas regiões montanhosas, sobretudo das Astúrias. Hoje em dia, ambas as civilizações: de raiz islâmica e cristã deviam pedir mutuamente perdão porque ambas prevaricaram em invasões e barbarismos. O reinício de uma nova Era de mútua aceitação, paz e prosperidade é preciso.

       (4) Esta é uma das designações possíveis que aqui incluímos - Museu da Luz Rádio Pessoas e Comunicações. Será mais abrangente do que apenas um museu baseado na mera referência técnica dos aparelhos de rádio. Cabe, porém, aos responsáveis uma designação que seja o mais consensual possível entre autarcas e população.

       (5) Datas aproximadas do início do funcionamento destas comunidades religiosas cistercienses nos seguintes locais. O “H” significa Homens e o “M” Mulheres:

- Lafões (H) 1138
- Tarouca (H) 1143
- Sever (H) 1144
- Alcobaça (H) 1153
- Salzedas (H) 1156
- São Pedro das Águias (H) 1170
- Santa Maria de Aguiar (H) 1174
- Tomarães (H) 1172
- Fiães (H)1175
- Stª Maria de Bouro (H) 1174
- Maceira Dão (H) 1188
- Seiça (H) 1195;
- Stª Maria da Júnias (H) 1209;
- Stª Maria de Ermelo (H) 1250;
- Stª Maria da Estrela (H) 1220;
- S. Paulo de Frades ou de Almaziva (H) 1221;
- Colégio do Espírito Santo ou de S. Bernardo (H) 1550;
- Nª Srª do Desterro (M) 1590
- Colégio de Nª Srª da Conceição de Alcobaça (H) 1648
- Lorvão (H) 1206
- Stª Maria de Celas (M) 1214
- Arouca (M) 1223
- Stª Maria de Cós (M) 1249
- S. Salvador de Bouças (M)
- S. Bento de Cástris, Évora (M) 1275
- Stª Maria de Almoster (M) 1278
- S. Dinis, Odivelas (M) 1295
- S. Bento de Xabregas (H) 1492)
- S. João de Vale Madeiro (M) 1530
- S. Bernardo ou Nª Srª da Conceição de Portalegre (M) 1530
- S. Bernardo de Tavira ou Nª Srª da Piedade de Tavira (M) 1530
- Nª Srª da Nazaré do Mocambo (M) 1653
- Tabosa de Sernancelhe (M) 1692
- Nª Srª do Desterro (H) 1763 (reconstrução)
- Real Misericórdia de Nª Srª da Nazaré, Setúbal (M) 1771
(cf.  Mapa e lista de Mosteiros Cistercienses em Portugal “Ordem de Cister. Herança cultural em Portugal e na Europa” -http://www.snpcultura.org/ordem_cister_heranca_cultural_portugal_europa.html, aced. 7.12.2015)

       (6)Após o encerramento forçado, por altura do Regime Liberal, tudo parece indicar que há vontades e condições para algumas destas comunidades cistercienses se voltarem a instalar em Portugal. 

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Fontes:
- Anciães, Alfredo Ramos; Câmara Municipal de Alcobaça  -  Avaliação da coleção de recetores de rádio, telégrafos, amplificadores, altifalantes, telefones, microfones e televisão. Sintra / Alcobaça, 2007

- Franco, José Eduardo – O Esplendor da Austeridade. Lisboa: INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011. “Tema: História, Antropologia, Sociologia, Economia e Política”, Portugal; Terras de Cister.

Documentos em linha -

- Anciães, Alfredo Ramos -  Museu de Comunicações: Relação com os Patrimónios Locais e os Media -http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2014/02/03/PARA-UM-MUSEU-NACIONAL-DAS-COMUNICA_C700D500_ES.aspx

- Anciães, Alfredo Ramos -   Museu de Comunicações: Relação com Turismo Economia Identidade e Museologia -http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/archive/2014/02/16/COMUNICA_C700D500_ES-E-DESCOBERTAS.aspx

- Anciães, Alfredo Ramos - TSF e Rádio Pública no Antes de 25 de Abril 1974 -  http://comunidade.sol.pt/blogs/alfredoramosanciaes/default.aspx?p=4



- Alcobaça ganha Museu da Rádio / Sara Vieira / Sociedade /Partilhar / Twitter Facebook  / 17:23 - 05 Outubro 2015 05 Out, 2015 /


- Câmara de Alcobaça adquire lojas armazéns Vazão para instalar o futuro museu da rádio -http://www.pportodosmuseus.pt/2015/10/06/camara-de-alcobaca-adquire-lojas-armazens-vazao-para-instalar-o-futuro-museu-da-radio/




- Museu da rádio será instalado nos antigos armazéns Vazão - http://www.oalcoa.com/museu-da-radio-sera-instalado-nos-antigos-armazens-vazao/
- Museu das Rádio em Alcobaça - http://www.regiaodeleir

- Ordem de Cister. Herança cultural em Portugal e na Europa -http://www.snpcultura.org/ordem_cister_heranca_cultural_portugal_europa.html

Imagens: -
        1 a 2. José Madeira Neves, Dir. Museu das Comunicações - Cristina Weber; Câmara Municipal de Alcobaça;
        3 a 6. Arq. pessoal AA