domingo, 16 de fevereiro de 2014

04 MUSEU DE COMUNICAÇÕES: RELAÇÃO COM O TURISMO ECONOMIA IDENTIDADE E MUSEOLOGIA

 

          “Nem a aridez da Ciência Antropológica, nem as flores da Literatura. O [...] objectivo é diferente: É de uma natureza mais positiva; tende a facilitar a comunicação entre os povos e a transportar o pensamento escrito de um canto do Mundo ao outro” (extrato traduzido do francês proferido pelo rei D. Luís no Congresso da União Postal Universal, reunido em Lisboa no dia 11 de fevereiro de 1885)
 

          Nota prévia: Não temos indicação de que os patrimónios  de  correios, telecomunicações e filatelia estejam a ser geridos com falta de zelo. No entanto convém acautelar sobre os eventuais perigos que ligam estes acervos a privatizações.
 

          O conhecimento que nos chega informalmente de Inglaterra, em situações semelhantes, deixa-nos apreensivos.  Estão em causa peças dos CTT e PT e a breve trecho poderá ser a vez da TAP, RTP (Rádio e Televisão). Deixamos aqui um alerta sobre as incertezas em relação ao espólio museológico e documental e, simultaneamente, indicamos vantagens em preservar e gerir estes valores num museu nacional.

          Portugal tem patrimónios que refletem o quanto interagimos com outros povos, desde o século XV. As memórias dão-nos alma, identidade e possibilidade de realizar valor económico, tratando estes acervos como recursos. Estamos a pensar em patrimónios tangíveis e intangíveis dos CTT, PT, ANACOM e FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações, entre outros da área das comunicações e dos transportes afins. Em termos históricos referimo-nos também aos acervos de telecomunicações das ex-empresas integradas na PT: TLP – Telefones de Lisboa e Porto, CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi e TDT – Teledifusora de Portugal (1). Estes acervos museológicos prevalecem à guarda na Fundação Portuguesa das Comunicações. 

          Sendo o turismo, uma das nossas atividades mais lucrativas, faz sentido criar um museu nacional das comunicações.  Além de peças originais poderá usar réplicas. Exemplo a “Carta de Pero Vaz de Caminha” sobre o descobrimento ou achamento do Brasil e os primeiros contactos com novas terras, populações e culturas. Faria sentido que esta Carta estivesse em exposição permanente, ou de longa duração, em contexto das comunicações, transportes e descobertas.

          O Museu das Comunicações, Museu dos Transportes e Comunicações, Museu Nacional da Imprensa, Museu do Cabo Submarino, Arquivo do Ultramar, Biblioteca Nacional de Portugal, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Embaixadas, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Museu de Marinha, Museu Maynense, Museu da Medicina - são alguns exemplos com preciosas peças de comunicação e descobertas que poderão alimentar exposições temporárias e de longo prazo num futuro museu nacional das comunicações transportes e descobertas e, enquanto isso não puder acontecer, que seja ativada uma rede de patrimónios afins.

          Recorrendo às novas museologias, podemos expor ideias e conceitos, materializar o imaterial ou o que já não existe, concebendo/construindo peças que visualizem, por exemplo, as primeiras trocas e comunicações de Portugal com vários povos do mundo. Estas relações constituem atos de comunicação; logo, é pertinente alargar o âmbito de ação para dar mais força e visibilidade às peças museológicas, atrair mais públicos e justificar investimentos.

          Será a oportunidade para Portugal ter o merecido, necessário e há muito aguardado museu com as temáticas da história, descobertas, encontros e relações com vários povos. Neste museu poderão participar, só para exemplo, nomes portugueses nossos conhecidos e revisitados, tais como:

- Cristiano Bramão (inovador na telegrafia e telefonia), Maximiliano Herrmann (inovador e construtor na telegrafia, telefonia, caminhos de ferro e eletrificação); Guilhermino Augusto de Barros (político e diretor da Direção Geral dos Correios Telégrafos e Faróis); Godofredo Ferreira (autor, compilador e organizador de documentação da história dos correios e telecomunicações); Gago Coutinho (cientista, inovador, cartógrafo, navegador e pioneiro na 1ª viagem aérea de Portugal ao Atlântico Sul); Sacadura Cabral (cartógrafo e aviador, colaborou na 1ª viagem aérea de Portugal ao Atlântico Sul);

- Mas também outros portugueses e do espaço lusófono que investigaram, descobriram, inventaram, organizaram, comunicaram e se destacaram, tais como:  

          - D. Dinis (rei poeta, impulsionador da marinha, letras e instituidor da língua portuguesa com que Portugal passou a comunicar oficialmente); Infante D. Henrique (o impulsionador das descobertas e comunicações com povos de além-mar); Vasco da Gama (pioneiro no Oriente por via marítima); Pedro Álvares Cabral (navegador, descobridor, iniciador das relações entre povos brasílicos e portugueses); Fernão de Magalhães (pioneiro na primeira viagem de circum-navegação);

          Fernão Vaz Dourado (na cartografia mundial); Garcia de Horta (nas descobertas e experimentalismo renascentista europeu); Marquês de Pombal (na ciência, educação, relações externas e expansão do Brasil); Luís de Camões (vida e obra); Afonso de Albuquerque (na Ásia, nos casamentos mistos, na vastidão do mar português e na diplomacia); Alexandre Rodrigues Ferreira (na ciência, comunicação e “viagem filosófica” ao interior do Brasil);

          Domingos Vandelli (italiano que fez de Portugal a sua segunda Pátria, colaborou na ciência e no ensino); frei José Mayne (na ciência, religião, filosofia e ensino); frei Manuel do Cenáculo (na “biblioteca nacional”, ciência, arqueologia e defesa do património); António Raposo Tavares (“último grande bandeirante”,  o conhecimento e a expansão do Brasil); D. Pedro IV de Portugal e I Imperador do Brasil (proporcionou a continuação das relações/comunicações e a lusofonia); Fernando Pessoa (vida e obra, especialmente o contributo para a cultura da língua portuguesa); Aristides de Sousa Mendes (direitos humanos, comunicação, diplomacia e cidadania), Egas Moniz (comunicações e desenvolvimento da medicina neurológica), Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (2) .... ;

          Mais recentemente Eusébio da Silva Ferreira e Cristiano Ronaldo, ambos fenómenos da cultura moderna – o futebol que implica a comunicação de massas e entre vários povos do mundo.

Acreditamos que a cooperação de museus, núcleos, arquivos e bibliotecas com o Museu das Comunicações reorganizado (3) em Museu Nacional, ou nele colaborante, será uma mais valia para a imagem e a economia de Portugal.

 

Notas:
(1) Teledifusora de Portugal. Organização anteriormente gerida pela RTP para a difusão do sinal de televisão. Transitou há pouco mais de uma década para a PT.
(2) Rómulo de Carvalho (conhecido pelo pseudónimo António Gedeão) organizou o Museu Maynense da Academia de Ciências de Lisboa e sintetizou, no seu poema “Pedra Filosofal”, a ciência, técnica, arte, descobrimento(s), viagem e comunicação.
(3) Um velho e experiente gestor de patrimónios de interesse público dizia que “Os Museus renovam-se, transformam-se e modernizam-se ao serviço das suas coleções e do público que servem” (Les Musées se renovent, se transforment, se modernisent au servisse de leurs colections, au servisse du public qu`ils tentent de séduire” – Landais, HubertDirecteur des Musées de France in Faire un Musée: Comment Conduire une Operation Museographique? – Paris: La Documentation Française, 1986

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

03 MUSEU DE COMUNICAÇÕES: RELAÇÃO COM OS PATRIMÓNIOS LOCAIS E OS MEDIA

"O mensageiro anuncia - "a ordem será reposta": Cada um, segundo a suas responsabilidades obterá o que lhe conferem os seus merecimentos" (cf. Mal 2,17 - 3,5).
 
          Poderão fazer parte dum futuro Museu Nacional dos Media e das Comunicações os seguintes exemplares de acervos civis, militares, públicos e de culto, designadamente: documentação e instrumentos ligados à escrita - antiga e moderna, em quaisquer dos suportes: pedra, argila, papiro, papel, madeira …; inscrições epigráficas e paleográficas, cartas comuns, comerciais, diplomáticas, de amizade, de guerra e de amor; bilhetes-postais, aerogramas, boas-festas, cartões de felicitações e telefónicos, selos, vinhetas e outras marcas de porte e entrega; arte ligada às comunicações, equipamentos de transporte  do correio tradicional e novos meios eletrónicos.

          Igualmente de interesse são as imagens, desde os sinais de fumo aos espécimes de percussão, telegrafia semafórica (1) e elétrica; sítios, toponímias, edifícios, equipamentos de telefonia, rádio, televisão, dados, transmissão, documentação descritiva e técnica e das ciências de comunicação, incluindo semiologia.

          Só uma pequena parte dos locais emblemáticos das comunicações estão musealizados. Vários estão na memória das populações e/ou nas toponímias. Podem ser objeto de musealização, especialmente em cooperação entre entidades, como as Autarquias, Ministérios, Empresas, Agência Nacional para Cultura Científica e Tecnológica - Ciência Viva, Fundações, Museu das Comunicações e da Imprensa.

          Alguns topónimos, edificações e equipamento móvel merecem preservação e tratamento. É pertinente estudar, integrar peças e documentos, marcas relacionadas com as antigas funções de comunicação e informação através da criação de um núcleo de museu nos Açores, outro na Madeira e um Museu Nacional das Comunicações. O objetivo é valorizar os patrimónios, inventariar, integrar em rede, pôr todos estes acervos em diálogo/comunicação, divulgar, conservar e propor classificação. Junto apresentamos alguns exemplos, entre outros, que poderão fazer parte mas, para já, referimos os que poderão vir a ser tratados por:

 

Um Núcleo de Museu Nacional das Comunicações nos Açores

          Tratará os itens acima referidos, bem como:

          Os Caminhos do Facho: na Horta, Praia da Vitória e Santa Maria;

          Os Picos do Facho: na Graciosa, Santa Maria, Monte Brasil de Angra do Heroísmo;

          A Estrada do Facho em Praia da Vitória.

          O posto de sinais ou posto semafórico no alto do Pico do Facho do Monte Brasil-Angra do Heroísmo-Ilha Terceira encontra-se dotado com réplicas de equipamentos, constituindo um exemplo para vários outros locais onde existiu e/ou existe património idêntico.

 

Um Núcleo de Museu Nacional das Comunicações na Madeira

          Tratará os itens referidos no primeiro e segundo parágrafos deste artigo e os abaixo indicados:

          Os Caminhos do Facho: em Câmara de Lobos, Porto Santo e Ribeira Brava;

          O Monte do Facho no Machico;

          Os Picos do Facho: no Machico, Porto Santo e Funchal;

          Os Miradouros do Pico do Facho: em Porto Santo e Machico;

          A Estrada do Facho em Câmara de Lobos;

          A Rua do Pico do Facho em Porto Santo.

 

Uma Sede de Museu Nacional no Continente

          Trabalhará com os itens tradicionais de correios, filatelia, escrita, imprensa e telecomunicações e outros patrimónios indicados no primeiro e segundo parágrafos deste artigo, bem como se ocupará de locais, toponímias e edificações espalhados pelo território continental, dos quais destacamos -

          Os Montes do Facho: em Barcelos, Foz do Arelho (com miradouro), Santo Tirso, São Martinho do Porto – Alcobaça (com miradouro), Vila Nova de Famalicão, Melgaço, Lama – Barcelos (datando da época romana), Braga e Roriz;

          Os Montes de Vigia: em Vila Nova de Mil Fontes, Serpa, Odemira e Beja;

          As Torres de Vigia: em Penamacor, Palmela, Monte de Santa Quitéria em Felgueiras, Peniche, Oliveira de Frades, Quinta das Lapas em Torres Vedras (inclui legendas em latim, pelo que demonstra mais um atrativo) e torres de vigia inseridas nos castelos;

          A Ponta da Vigia no local arqueológico de Torres Vedras, também utilizado nas comunicações semafóricas.

          Vários Montes de vigia e do facho foram cristianizados com a denominação de santos e a construção de capelas ou ermidas, outros apresentam caminhos e trilhos de percursos pedonais e BTT. Em Vila Nova de Famalicão foi construído um parque de aerogeradores elétricos que podem conviver com a preservação e musealização do sítio outrora ao serviço das comunicações.

          Nossa Senhora do Facho e Monte do Facho na Serra de Oliveira - Barcelos, onde outrora existira uma Citânia. Neste local construíram uma capela a nossa Senhora representada com um facho de luz na mão direita. A devoção a Nossa Senhora levou à organização de festas, romarias e ao cumprimento de promessas. “Nossa Senhora do Facho, / Mãe de Jesus, Homem Deus. / Atende, dá bom despacho /Ao clamor dos filhos teus”. (2)

          Caminhos do Facho: em Afife, São Lourenço do Douro - Marco de Canaveses, Frende - Baião, Pardilhó - Murtosa, Vila Flor, Seixas - Viana do Castelo, São Martinho do Porto, denotando que por ali perto existiram sítios e equipamentos de comunicação.

          Estradas do Facho: em Santana – Sesimbra e São Martinho do Porto - Alcobaça.

          Ruas do Monte do facho: em Caldas da Rainha, Penafiel, Santo Tirso;

          Monte da Luz em Leixões onde funcionou um antigo farol e capela com estação semafórica, telegráfica elétrica e telefonia (3).          Faróis da linha de costa de Portugal continental e ilhas. Outrora foram ocupados por guardas e oficiais antes da automatização e digitalização. A Direção Geral de Faróis / Marinha tem-se ocupado da preservação dos edifícios e equipamentos mas o seu trabalho seria mais divulgado e fruído se integrado num Museu Nacional das Comunicações. 

          O Farol de Santa Marta em Cascais foi em boa hora musealizado em resultado de protocolo entre a Direção de Faróis/Marinha e a Câmara Municipal de Cascais. É um exemplo de sucesso de musealização de farol.

          “Talegre ou Telegre” na Serra do Sirigo - Penedono onde existe um marco geodésico. Tudo indica que o sítio serviu outrora como relé de telecomunicações semafóricas.  

          Torre de Vigia da Quinta das Lapas em Torres Vedras. Preserva parte da torre com legendas em latim, o que demonstra a antiguidade e raridade que se crê datar do século XVIII ou anterior.

          Serra do Facho e Miradouro do Facho na Praia da Vitória – Ilha Terceira - Açores

          Rota do Facho em Macedo de Cavaleiros. Tal como o nome indica, esteve ao serviço das telecomunicações semafóricas. O antigo lugar do facho acabou por denominar este percurso entre Carrapatas e a Serra de Bornes.

          Torre de Vigia de Peniche (4). Trata-se de um núcleo de observação e comunicação entre a Península do Baleal, Nazaré, Berlengas, farol do Cabo Carvoeiro, Consolação, Cabo da Roca e Serra de Sintra. Ainda se mantém uma construção, com uma área de cerca de 300 m2, incluindo torre e edificações associadas em relativo bom estado de conservação.

          Centros emissores de radio e teledifusão e sua envolvente. Alguns destes centros recetores/retransmissores incluem edifícios para os equipamentos e para serviço de controlo e oficinas. Alguns dos edifícios serviram de habitação para guardas/técnicos, especialmente antes do controlo à distância e digitalização. A Estação Terrena de Satélites de Alfouvar – Sintra e os Centros Emissores de Monsanto-Lisboa e Trevim-Lousã têm sido objeto de curiosidade da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica – Ciência Viva onde os visitantes mostram muito interesse em adquirir conhecimento. Existem ainda outros centros recetores/retransmissores, geralmente nas serras de Portugal, que despertam interesse, inclusivamente na vista e interpretação da paisagem.   

          O estudo do termo Almenara leva-nos a uma das teorias que remete para a origem da denominação da freguesia do Lumiar – Lisboa. Baseia-se no termo árabe al – menara ou almenara (5) que significa “o sítio da luz, lanterna, farol, facho e/ou torre onde se acendia o facho” para transmitir/comunicar à distância. Daí terá evoluído para Lumiar, representativo de lugar de luzes. Na Idade Média, o Lumiar era percorrido por linhas de água em comunicação com o Tejo. Tudo parece indicar que nos pontos altos havia postos de comunicação com o mar e a costa (6). Aliás, o escudo do brasão desta freguesia é composto por uma série de fachos e um galhardete, representativos das comunicações semafóricas/visuais. Outras teorias podem ser consideradas na significação do brasão. Porém, aquela teoria é a que se nos apresenta com mais consistência.

          De época recente, existe uma rede nacional de postos de vigia ao serviço da Direção Geral de Florestas com equipamento de observação e telecomunicações. Também de época relativamente recente existe uma rede nacional de postos de vigia do Instituto Geográfico Português com equipamento de observação e telecomunicações. Algumas destas estações/postos de vigia podem ser musealizadas ou no mínimo serão fornecedores de informação e aparelhos de interesse museológico, após a retirada do serviço.

 

Patrimónios relacionados com as Linhas de Torres

          Designadas Linhas de Torres ou de Torres Vedras, por aí terem começado, encontramos alguns postos de sinais telegráficos para-musealizados, podendo ser apreciados in-situ e/ou nos museus municipais de Torres, Bucelas, Loures, Mafra, Biblioteca de Sobral de Monte Agraço, Biblioteca e coleções museológicas de Arruda dos Vinhos, Museu e Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira. Estes municípios, museus e bibliotecas estão integrados no projeto PILT – Plataforma Intermunicipal para as Linhas de Torres. Um futuro Museu Nacional das Comunicações poderá ter como recurso uma rede local de informação e comunicação que ponha todos os núcleos de comunicações em relação.

São de destacar, desde já, os locais base, de comunicação semafórica destas Linhas:

- O Centro de Interpretação das Linhas de Torres e do Forte do Alqueidão (Concelho de Sobral do Monte Agraço), com observatório de paisagem, marcas, desenhos e indicação de distâncias entre fortes com comunicação semafórica/visual;

- A Ermida e Serra do Socorro (Mafra) com observatório de paisagem, área de exposição sobre a história local e das comunicações das Linhas de Torres, marcas e réplicas de telégrafos semafóricos;

- Forte de São Vicente, Castelo e Museu Municipal Leonel Trindade com importante núcleo das Linhas de Torres e comunicações do concelho;

- Monte Grandela - Montachique (Loures) onde existiu um forte e um telégrafo semafórico, cerca do atual marco geodésico e posto de observação da paisagem;

- Museu da Vinha e do Vinho de Bucelas, contendo um núcleo de interpretação das Linhas de Torres associado;

- Torreões dos castelos de Lisboa e de Abrantes, entre outros postos de retransmissão com interesse, para núcleos museológicos das comunicações e observatório da paisagem.

          Embora não muito desenvolvidos na temática das comunicações, é todavia de louvar o esforço daquelas autarquias, museus e bibliotecas no trabalho já realizado. Há cerca de 20 anos não havia quase nada na temática das comunicações que cativasse os turistas nacionais e estrangeiros, especialmente os ingleses, sempre muito interessados por tudo o que respeita às Linhas de Torres ou defesa de Lisboa.   

         Todas estas marcas, conhecimentos, saberes, toponímias e equipamentos merecem estudo, valorização e exposição num Museu Nacional dos Media e das Comunicações. O Turismo e o desenvolvimento do nível de vida e cultural das populações serão os beneficiários.

 

Notas:

(1) Entendemos como telegrafia semafórica, a transmissão de informação e comunicação e o registo da informação, usando como meios, aparelhos ou equipamento de tecnologia pré-elétrica (ou não elétrica). As designadas telegrafias: visual e ótica, constituem, em nosso entender, subdivisões de telegrafia semafórica. Cf. Etimologia de semáforo e semafórico em http://letratura.blogspot.pt/2006/02/etimologia-semforo.html, acedido em 30.1.2014 e monografia A hereditariedade em face da educação / Octavio Domingues – São Paulo – Rio: Editora Proprietária Comp. Melhoramentos de S. Paulo, s. d. (col. Bibliotheca da Educação, vol. VI), p. 151


(3) Cf. Entrada/link “Estação Semafórica e Telegráfica do Monte da Luz em Leixões”. Este edifício ainda se encontra no local, embora com algumas alterações e está classificado como Imóvel de Interesse Municipal, um dos primeiros a ser construído como farol e estação semafórica, registando diversas memórias.

 


(5) Cf. dic. http://www.priberam.pt/dlpo/almenara, acedido em 24.1.2014).

(6) Cf. Nova Monografia do Lumiar / Rosa Maria Trindade César Ferreira e Fernando Afonso de Andrade e Lemos, 2009

Fontes bibliográficas:

-Anciães, Alfredo Ramos; Janeira, Ana Luísa (coord), et all. “A comunicação à distância que conseguem”. in Agenda 2001. Os nossos avós. Lisboa: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2000. Formato livro com textos e imagens de património;  O mundo das colecções dos nossos encantos:  “Quando os objectos falam das telecomunicações”. Porto Alegre: Episteme / Revista nº 21, suplemento especial, jan./jun. 2005, págs 129-143. Com o apoio do CICTSUL Universidade de Lisboa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados, Grupo Interdisciplinar em Filosofia e História das Ciências e Câmara Municipal de Montemor-o-Novo. Anexo ao livro um CD “Verbi Gratia” nº 20. Especial sobre Coleccionismo da revista Episteme uma revista brasileira de filosofia e história das ciências.

-Domingues, Octavio - A Hereditariedade em face da educação. São Paulo/Rio: Editora Proprietária Comp. Melhoramentos de S. Paulo, s. d. (col. Bibliotheca da Educação, vol. VI). Para o conceito de biophoros e e por analogia - semaphoros ou semáforos.

-Direcção de Faróis da Marinha Portuguesa - Faróis de Portugal. S. L.: Ed. Ciência Viva, Agência Nacional para a Cultura Científica e tecnológica, 2003

-Louro, Maria Regina ; Vilhena, João Francisco - Faróis de Portugal. Lisboa: Gradiva – Publicações, Ldª, 1995 

Fontes em linha:

-Centros recetores e retransmissores de radiodifusão e teledifusão:  http://www.cienciaviva.pt/veraocv/engenharia/eng2008/index.asp?accao=showactivconcelho&id_concelho=462,  acedido em 3.2.2014



-Etimologia de semáforo e semafórico em http://letratura.blogspot.pt/2006/02/etimologia-semforo.html, acedido em 30.1.2014


-Nossa Senhora do Facho – Monte do Facho – Barcelos - http://jornaloliveira.blogspot.pt/2007/06/senhora-do-facho.html, acedido em 29.1.2014

-Plano de Atividades 2013 do Instituto Português do Mar e da Atmosfera - http://www.ipma.pt/export/sites/ipma/bin/docs/institucionais/plano_actividades_ipma_2013.pdf, acedido em 28.1.2014


Posted: segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014 1:04 por AlfredoRamosAnciaes Editar

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

02 MUSEU DE COMUNICAÇÕES: PATRIMÓNIOS DAS COMUNICAÇÕES DE PORTUGAL - QUE FUTURO?


       As comunicações organizadas constituem um dos fatores mais relevantes das civilizações. Permitiram e permitem a troca e difusão do pensamento, cultura, ciência, arte, economia e informação sobre tudo o que se passa no mundo, incluindo meteorologia, condições para a prática de agriculturas, telemedicina, exploração do espaço celeste, navegabilidade náutica/aérea, transportes terrestres...


       As comunicações estiveram presentes nas viagens dos Descobrimentos, no conhecimento e exploração dos continentes, na relação com os povos e nas trocas de produtos. Continuam a estar presentes, quer na forma tradicional de escrita, quer na forma telefónica, telegráfica, dados, vídeo e televisão.


       Nos últimos 20 anos, o setor das comunicações foi o que mais cresceu. A evolução até ao estádio da digitalização foi lenta. Algumas tecnologias não passaram de experimentais, mas outras houve que duraram décadas ou séculos, tal como o transporte das mensagens em suporte físico.


       O correio começou por ser transportado por mensageiros a pé. A maratona, por exemplo, foi um episódio de corrida numa extensão de 42 km para que Feidípedes entregasse a mensagem da vitória dos Gregos sobre os Persas. Estávamos no ano de 490 antes de Cristo. De tão dura prova para transportar a correspondência, o mensageiro morreu logo após a missão da entrega. Deixou-nos, porém, uma marca cultural. A maratona é hoje uma prova de desporto de alta competição. Muitos outros mensageiros anónimos arriscaram e deram a vida para “entregar a carta a Garcia”.


Aos correios privativos dos reis, senhores, conventos, bispos e instituição papal, sucederam-se os correios públicos, com uso de novos meios de transportes, organização e tecnologias. Até os pombos-correios foram aproveitados para o transporte físico de columbogramas, especialmente no ambiente militar, em que era demasiado arriscado ou mesmo impossível o transporte por via terrestre.


       As telecomunicações começaram com o uso do fogo, fumos e sons, evoluindo para a transmissão de sinais e mensagens elaboradas através da telegrafia visual, com auxílio de instrumentos óticos, para captarem os sinais a longas distâncias.


       Com a descoberta da eletricidade e o invento dos meios de armazenar a energia em pilhas e baterias, as telecomunicações puderam chegar até aos confins do mundo; primeiro com a utilização de fios elétricos, seguiram-se os cabos de cobre e fibra ótica. Mas onde não havia fios nem cabos também o homem e a ciência conseguiram contornar as dificuldades. Hertz e Marconi, para apenas referir dois nomes, foram determinantes na desmaterialização das transmissões, aplicando a via radioelétrica entre os percursos.


       O desenvolvimento das tecnologias de comutação (isto é a possibilidade de troca de mensagens entre os muitos e diferentes números de assinantes do serviço de telecomunicações) também se sucedeu, primeiro com a intervenção de Telefonistas, na era da comutação manual; depois com os vários sistemas automáticos eletromecânicos e atualmente com os sistemas de tecnologia digital.


       O Museu das Comunicações com patrimónios dos CTT, PT (e as empresas nelas fundidas), a ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações e a própria Fundação Portuguesa das Comunicações são proprietários de um acervo museológico de décadas e, em alguns casos de séculos, testemunhos do longo processo das comunicações e de uma parte da nossa identidade.


       Este património, ciosamente guardado e preservado pelos nossos antecessores e pelas gerações atuais, poderá estar em risco devido às privatizações do setor das comunicações, acrescendo às privatizações a possível deslocalização das sedes das empresas, algures para o exterior - Xangai ou Pequim, Cidade do México, Rio de Janeiro ou São Paulo, Nova Iorque, Paris ou Luanda...


       Se este património com centenas de milhares de peças fez parte do nosso desenvolvimento e da nossa ciência, pois que  muitas peças foram inventadas ou manufaturadas / fabricadas / editadas em Portugal e são parte das nossas memórias; porque não nacionalizar este património, tal como se fez com a arte (Museu Nacional de Arte Antiga, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu Nacional Machado de Castro, Museu Nacional Soares dos Reis, Museu Nacional do Azulejo); com o traje (Museu Nacional do Traje); com o teatro (Museu Nacional do Teatro); com a etnologia (Museu Nacional de Etnologia); com a arqueologia (Museu Nacional de Arqueologia) e com os coches (Museu Nacional dos Coches) - criando-se o Museu Nacional das Comunicações ou uma versão ainda mais lata -  um Museu Nacional das Comunicações, Transportes e Descobertas! porque todos estes itens estão relacionados com as comunicações e tecnologias afins.


       O setor privado, detentor do património, poderá alegar que continuará a apoiar e preservar os valores patrimoniais e museológicos. Contudo, sabemos que a sua vocação está particularmente virada para os negócios onde as estratégias assentam no lucro quanto mais imediato melhor. Deste modo vemos como possíveis algumas formas deste património ser poupado às instabilidades nos negócios, às diferentes sensibilidades na conservação e divulgação. Importa que este valor histórico continue ao serviço da ciência, ensino e lazer, de todas as pessoas que vivem em Portugal e espaço lusófono ou dos que nos visitam em férias e trabalho.


       A solução mais eficaz será o Estado negociar a nacionalização do património com os proprietários - CTT, PT, ANACOM, FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações e outras entidades detentoras de acervos relevantes e de interesse nacional. Outra via possível e intermédia permitiria as entidades detentoras de patrimónios continuarem com a propriedade dos mesmos, mas com garantias de que as peças classificadas não sairiam do país e seriam bem preservadas e divulgadas.
Há outras soluções, aqui não abordadas, que podem ser implementadas para minorar os riscos resultantes das privatizações e entidades particulares que, ou não estão vocacionadas, ou não têm os meios suficientes para proteger os valores de interesse nacional.


       Esperando que, entre o período de estudo, reflexão e decisão, não haja perdas de tempo nem a dispersão dos valores que refletem um dos padrões de identidade que os nossos antepassados nos legaram com muito esforço e carinho.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

VOLTAR A LIGAR

             
Palavras-Chave: Doutrina Social da Igreja, Economia Social, Papa Francisco, Religião.

 
O título deste artigo deriva do latim religio que significará voltar a ligar ou religar; reeleger e religião. Segundo a “ciência” dos positivistas (1) parece não haver transcendência no que toca ao género humano e ao cosmos (2); enquanto na época pós-moderna os cientistas admitem que quanto mais portas se abrem na investigação, outras mais se apresentam para abrir, quer isto dizer que, foi perdida a arrogância “científica” dos finais do século XIX e inícios do XXº. 

Se interpretarmos a vida como uma sequência de fases entre nascimento, evolução e morte, teremos uma explicação simplista da existência e da evolução; porém, a maioria dos seres humanos parece não se satisfazer com a hipótese da vida poder ser apenas uma sequência de três estádios evolutivos. De uma forma geral, quanto mais evoluímos mais questões colocamos. Não nos contentamos com explicações redutoras e, por isso, continuamos à procura de significados; o bem, o mal, a religião, o sacrifício em favor de causas nobres, o abandono de pessoas e bens e a poluição que levam à entropia (3) e ao empobrecimento de pessoas, solos e mares. À medida que o mal evolui as sociedades procuram o equilíbrio no bem, condenando aquele, corrigindo comportamentos iníquos e ilegítimos, recorrendo à religião e à Lei. Não é por acaso que às antigas Escrituras correspondentes ao Antigo Testamento e à Tora se chama Lei; e o Corão contém um conjunto de Normas e Leis.

Na vida civil existem conjuntos de Leis, a começar pelas Constituições. Contudo percebemos que a Constituição ou Carta Magna não é suficiente para a ordem pública e a eliminação das desigualdades. Segundo a “Lei do pêndulo” (4) o comportamento humano oscila entre uma situação de religiosidade ou teísmo e a oposta de ateísmo. Numa situação intermédia há um período de abrandamento de crenças. Por vezes chama-se a esse posicionamento uma atitude agnóstica.

A teoria, também dita lei do pêndulo induz-nos a pensar que, a uma situação de religiosidade, sucede o enfraquecimento, o descrédito até voltar para o lado da incredulidade e ateísmo. Depois deste curso, um outro se inicia, repetindo-se as mesmas fases. Acontece que, no mundo atual, o ser humano ainda não conseguiu uma forma de vivência baseada na justiça social; daí a procura de consolos na religião, uma forma de voltar a ligar o que outrora se desligou pela ânsia do ter, desrespeito pelo semelhante e violação da “Lei divina”. (5)

Não será por acaso que após as crises mundiais dos mundos, capitalista e socialista, há quem interprete que estamos atualmente no dealbar da “Terceira Igreja” de que fala Frei Bento Domingos (6).  A educação é a esfera social/cultural que mais tempo leva a ser interiorizada, daí que não é de estranhar o tempo de crises religiosas e económicas/financeiras, motivo que nos leva a crer que, pela mesma teoria do pêndulo, este se encontra próximo da posição superior/negativa, não podendo aí fixar-se; logo o pêndulo regressará a um reassumir dos valores religiosos.  

O advento da “III Igreja” e de um Papa que está a revelar-se próximo dos cidadãos (Leigos, na expressão tradicional da Igreja) irá provocar mudanças no seio do papado e das estruturas eclesiais, como também a nível social. Esperamos que também ocorram boas notícias na economia e na finança.


«Esta economia mata» (7). A expressão podemo-la encontrar na “Alegria do Evangelho” (Evangeli Gaudium), 53 do Papa Francisco, uma das expressões que mais tem sido divulgada, após a eleição do Papa e a publicação da exortação apostólica: «Por conseguinte, ninguém pode exigir-nos que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocuparmos com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos preocuparmos com os acontecimentos que interessam aos cidadãos […]». (8).

Se estivermos atentos às novas publicações biblioteconómicas e jornalísticas encontramos uma grande procura pela divulgação do pensamento de Francisco I que, para lá da sua própria mensagem, se baseia em precursores. Digamos que Francisco veio expor a mensagem com frescura, coragem, resiliência, inovação, frontalidade e doçura de carácter. Se interpretarmos o tempo ou a História como um tempo estrutural de longa duração, verificamos que o “Advento da Terceira Igreja” não é um fenómeno exclusivo deste novo Papa, embora ele tenha imprimido uma novidade e aceleração do processo, incluído um retomar da Rerum Novarum (9). Este marco da DSI - Doutrina Social da Igreja, levado à letra teria evitado crises e revoluções nos países. Logo, a posição, a insistência e a inovação por parte do Papa Francisco corresponde no fenómeno religioso a um reforço e readaptação da mensagem para voltar a ligar o equilíbrio que se perdeu. Será o tempo de retoma do diálogo, consciencialização e luta, esperemos que justa e pacífica. Poderemos, porventura, provar que a entropia também é reversível.
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(1) Sistema filosófico de que Augusto Comte foi o principal impulsionador, baseado em  factos e experiências. Exclui a metafísica e o sobrenatural.

(2) «A partir da renascença scientifica do seculo XV, o espirito humano recebeu um alimento abundante e fortificante. A educação do espirito humano, começada anteriormente pelos gregos, tinha sido interrompida por um tempo de estacionamento, um longo sommno intelectual de quatorze seculos. Onde se origina esse tempo de estacionamento? Não procurarei aqui sabel-o, ainda que a causa d`ele seja evidente para quem conhece a historia real e não essa outra historia fabricada intencionalmente pelos theologos e philosophos». (cf. O Homem segundo a Sciencia / Luiz Büchner. Porto: Livraria Chardron de Lelo & Irmão, Ldª, 1912, p.2.- o texto original data de Darmstadt, maio, 1869).  
(3) Sobre o conceito de entropia cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Entropia, http://www.brasilescola.com/fisica/entropia-segunda-lei.htm, acedidos em 26.12.2013


(6) Sobre a “Terceira Igreja” Por cf. Jornal “O Público” de  15.12.2013, disponível também em http://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-advento-da-terceira-igreja-1616280, acedido em 25.12.2013.


(7) Cf. Jornal Económico 26.11.2013, disponível também em http://economico.sapo.pt/noticias/esta-economia-mata_182478.html, acedido em 25.12.2013.

(8) Papa Francisco - A Alegria do Evangelho: Exortação Apostólica Evangeli Gaudium. Prior Velho: Paulinas Editora, 183.

(9) "Das Coisas Novas", encíclica do Papa Leão XIII, 1891), sobre as condições das classes trabalhadoras (cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Rerum_Novarum, acedido em 25.12.2013.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

01 O MUSEU DE COMUNICAÇÕES: GESTÃO DE COLEÇÕES DE CORREIOS E TELECOMUNICAÇÕES - FASE ROMÂNTICA


Les Musées se renovent, se transforment, se modernisent au servisse de leurs colections, au servisse du public qu`ils tentent de séduire” (1)
 

FASE ROMÂNTICA

          A primeira referência ao museu postal data do ano de 1878, à qual se liga o nome do conselheiro Guilhermino Augusto de Barros, de quem destacamos as seguintes palavras:

          “Quanto à Biblioteca e Museu Postal procurarei ir coligindo quanto lhe respeita e for possível obter, compenetrando-me do pensamento civilizador que inspira tal lembrança” (2). Destaca-se que a então designação de museu postal era abrangente, incluindo os patrimónios de correios, mas também, de telecomunicações e faróis, sendo que nesta fase inicial que caraterizamos de romântica a maioria dos objetos museológicos recolhidos pertenciam aos setores de comunicações à distância (telecomunicações) com ou sem fios.

          O ano de 1878 foi de particular importância para os Correios Telégrafos e Faróis dado que além de várias realizações, referidas no relatório postal do ano económico de 1877-1878 os Correios Telégrafos e Faróis contaram, a partir de 1877, com mais dois órgãos de importância para a documentação, memória, gestão e cultura. Foram esses órgãos, a biblioteca e o museu postal.

          Qual a evolução do museu postal dos Correios Telégrafos e Faróis?

          Desde as primeiras notícias sobre a criação do museu e até 1934 pouco se sabe. Contudo o centro de documentação e informação e o museu da Fundação Portuguesa das Comunicações têm no seu acervo um núcleo de objetos que são resultantes da atividade coletora nos Correios Telégrafos e Faróis do século XIX e foi essencialmente com essas peças que se (re)inaugou o museu em 11.11.1947. Passada a fase inicial, o museu deixou de ser referido na documentação de gestão.

          Com a ação de Godofredo Ferreira (3) e de Luís de Albuquerque Couto dos Santos (administrador-geral e correio-mor dos CTT entre 1933 e 1965) veio de novo a encarar-se a viabilidade do museu. Em 1947 é (re) inaugurado como se nunca tivesse existido, pois não lhe fazem referência à fase anterior.

          No ofício de 18 de setembro o Diretor dos Serviços Administrativos dos Correios Telégrafos e Telefones dirigiu-se ao Ministro das Obras Públicas e Comunicações nos seguintes termos:

“Para ocupar o lugar de Conservador Chefe do Museu dos CTT criado [ficaria melhor usar o termo (re)criado ou (re)inaugurado] por sua Ex.ª o Ministro de 14 do mês de Julho p. p.º, tenho a honra de indicar a Vª Exª o nome do Sr. Dr. Mário Gonçalves Viana”.   

          O ofício prossegue referindo o vasto curriculum vitae do Dr. Mário Viana, assim concluindo:

          “Parece-me, pois, que ele [Mário Gonçalves Viana] estará em ótimas condições para ocupar o cargo de Conservador-Chefe do nosso Museu e dar-lhe forma e organização que o tornem, em breve, uma desvanecedora realidade” (4).

Obs.: Faz em dia de São Martinho - 11/11, 66 anos (1947-2013) que foi (re) inaugurado o museu da atividade postal e telecomunicações que começou por se chamar Museu Postal, depois Museu dos CTT, Museu CTT da Comunicações e finalmente Museu das Comunicações depois de integrar patrimónios dos Correios Telégrafos e Faróis, CTT, TLP,Teledifusora de Portugal, Marconi, PT e ANACOM

Notas:

(1)    Landais, Hubert – Directeur des Musées de France in Faire un Musée: Comment Conduire une Operation Museographique?

(2)    Barros, Guilhermino Augusto de – in O Museu dos CTT Português. Lisboa: Ed. dos Serviços Culturais dos CTT, 1973, p. 9

(3)    Godofredo Alberto dos Santos Ferreira (1886-1981) ficou célebre nos CTT como autor de várias obras e exímio compilador de documentos históricos que trouxeram ao arquivo histórico e ao museu dos CTT uma das maiores contribuições para a divulgação da memória da empresa.

(4)    Ofício in processo individual do arquivo biográfico dos funcionários dos CTT.

sábado, 19 de outubro de 2013

Marcas na Beiraltíssima: Terras do Demo e de Magriço - Preparação de Visita

Palavras chave: Aquilino Ribeiro; Arquitetura românica; Castelos da Beira; Correio antigo; Frei Roque do Soveral; João Rodrigues “Tçuzu”; Magriço; Marialva; Marquês de Pombal; Moimenta da Beira, Penedono; Sernancelhe; Telegrafia heliográfica; Trancoso.

Objetivos: Conhecer patrimónios, de forma a que possamos fruí-los e retransmitir a informação aos nossos familiares e amigos. Porventura já todos vimos, algures na televisão, ou ouvimos falar do património em referência, mas isso não resultou em verdadeiro acumular de saber, talvez devido à velocidade com que nos passaram as imagens e as palavras.  


Privilegiando o conhecimento adquirido in loco, visitaremos, aldeias, vilas, casas, museus, bibliotecas, castelos, conventos, igrejas, casas de câmara, pelourinhos, cadeias antigas, etc. Falaremos, nos locais apropriados, sobre Magriço (Álvaro Gonçalves Coutinho) e da sua família – os Fonseca/Moura/Coutinhos, bem como abordaremos o nome de João Rodrigues (Tçuzu “O intérprete”), autor do primeiro dicionário japonês-português (ca. 1603) e também da primeira gramática da língua nipónica (ca 1604), bem como de uma História do Japão.  


Teremos umas palavras sobre frei Roque do Soveral, natural de Sernancelhe, que escreveu a primeira História do Santuário da Luz, foi Geral da Ordem de Cristo em Tomar e pregador notável, entre outros atributos. Em frente às Casas dos Carvalhos, em Sernancelhe, falaremos da família do Marquês de Pombal e do solar dos Carvalhos, onde o próprio Marquês, antes de o ser, viveu com seu avô, não sendo, porém, certo que ali tenha nascido.


Aquilino Ribeiro será evocado frente à casa onde nasceu (Carregal-Sernancelhe), ou na sede da Fundação que tem o seu nome, situada a alguns quilómetros da terra natal (Soutosa-Moimenta da Beira). Falaremos de personalidades e do tempo da arquitetura românica (igrejas, castelos, pontes) no povoamento, reconquista e forais que estiveram na base da independência e da autonomia das populações. Haverá referências ao transporte e distribuição de correio rural, a pé e a cavalo, bem como às linhas heliográficas que serviram as terras da Beira e Trás-os-Montes.


Será distribuída, à partida ou no local, informação que documentará com mais pormenor o percurso. Se perguntarmos à maioria das pessoas quem era o Magriço, provavelmente não nos saberão dizer muita coisa e, no entanto, acerca deste cavaleiro podemos tecer informação sobre o espírito cavalheiresco; a lealdade, mas também podemos relacionar com a aventura, o desejo de conhecimento de outras terras e de outras gentes, tal como Camões no-lo deu a conhecer.


Alfredo Ramos Anciães, Sintra, 2013