segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Marcas Patrimoniais em Carnide e Luz de Lisboa
Começou assim o culto à Senhora da Luz que veio a sobrepor-se
(ou impor-se ?) ao culto do Espírito Santo e contribuir para o esmorecimento
deste, até o esquecimento, não obstante ter sido venerado e estimado em Carnide
durante mais de 3 séculos. Falaremos, pois, na origem do culto ao Espírito
Santo com fontes bíblicas, na sua autonomização/divinização e expansão, a
partir do Pentecostes, e da entrada em Alenquer, Carnide, encosta do Castelo de
Lisboa e tantos outros locais de Portugal, acabando por esvanecer-se, em parte
também, devido à “concorrência” de outras santidades.
Falaremos da origem do culto a Nossa Senhora da Luz,
da Purificação ou da Candelária com raizes em Israel mas sendo igualmente um fenómeno
de divulgação quase exclusivo da portugalidade.
Abordaremos motivações para o apoio ao culto mariano
e outros santos, a que não serão alheios factores como os ligados à Contra-Reforma e ao
Concílio de Trento. E ainda a popularidade do culto, festas e folias à volta do
Espírito Santo que, em muitos casos, deixou de agradar ao clero, bem como ao
poder político. Tal popularidade e manifestações à volta do Espírito Santo tornaram-se
perigosas (ou, pelo menos, pensaram ser perniciosas) para a manutenção da
ordem, como veremos. Daí a extinsão ou apagamento destas manifestações em
Portugal continental, acabando por se salvarem nos Açores e no Brasil onde,
longe da corte e do clero mais “ortodoxo”, sobreviveram, não obstante algumas proibições
conhecidas e a retirada de apoios do clero nos espaços de culto, nas procisões
e nas folias.
Este culto em Carnide leva-nos ainda a falar das
teorias milenaristas do cisterciense Joaquim de Fiori mas também das suas
raizes judaicas, bandarristas (de Bandarra – célebre sapateiro de Trancoso, de
que há marcas em Carnide), do padre António Vieira, de Fernando Pessoa, António
Quadros e Agostinho da Silva, que não se cansava em falar no século XIII, idade
por excelência do culto ao Espírito Santo e na ideia de que o Homem não nasceu com
a finalidade de trabalhar.
Tal como aconteceu com o culto de Nossa Senhora da
Luz, o culto do Divino Espírito Santo (hoje em dia alterado), também é um
fenómeno de divulgação mundial, essencialmente a partir de Portugal.
Aproveita-se para uma breves palavras sobre o modo como o conceito de Espírito
Santo evoluiu até ser considerado Deus, a par do Pai e do Filho, com identidade
e vontade própria e sobre o modo como este culto chegou a Portugal.
Falaremos também da monumentalidade que existiu em Carnide
até 1755 e teceremos ligeiras palavras sobre outros patrimónios construídos
após o Terramoto. Apontaremos os vários conventos
ou casas religiosas e as novas funções que desempenham. Veremos marcas deixadas pelo Correio-Mor e outras dos
correios e telecomunicações ao tempo do Estado Novo.
Falaremos ainda na infanta D. Maria (1521 - 1577) filha do rei D. Manuel I, uma das
infantas mais ricas e mais belas do mundo de então; apresentaremos algumas poesias
de Camões (que se pensa ter frequentado Carnide) motivadas pelo amor impossível
ou interditado à mesma infanta que repousa na capela-mor da Igreja. Abordaremos
as marcas rurais deixadas na toponímia, tais como azinhagas, quintas,
arqueologia e aquitectura, bem como a urbanização com a passagem de Carnide
para o Município de Belém (1852 - 1885).
Enfim, teremos
uma palavra em relação à gestão autárquica nas últimas décadas, bem como sobre a
restauração e a animação num espaço histórico que sendo alfacinha está tão perto e tão longe de Lisboa. Perto fisicamente, e, longe do
ponto de vista psicológico, remetendo-nos para uma certa raiz de ruralidade que
os poderes locais têm acautelado como marcas de valorização e de identidade.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
EM CARNIDE: DA ANUNCIAÇÃO AO NASCIMENTO
O estudo e divulgação de todo o retábulo do altar-mor, seria um
trabalho longo e extravasaria o título aqui atribuído: “da anunciação ao
nascimento”. Daí que tivéssemos selecionado só os dois quadros citados.
Trata-se de painéis ao estilo
renascença/maneirista atribuídos a Francisco Venegas, castelhano, chamado “o
meu pintor” por Filipe II e/ou a Diogo Teixeira, português, datados por volta
de 1590. Nesta obra são evidentes os saberes histórico-religiosos e o talento
artístico, possivelmente dons do Espírito Santo que teve culto durante décadas
em Carnide e acabou por ser absorvido pelo culto a Nossa Senhora da Luz (*).
Voltando aos dois quadros, junto apresentamos um possível
contexto histórico:1 - Quadro ao fundo, do lado direito “Anunciação do Anjo Gabriel a Maria”. A temática corresponde ao 1º dos mistérios gozosos: O Anjo anuncia a Maria que ela será mãe do filho de Deus.
Esta
é a uma das primeiras imagens e episódios da
história do cristianismo. Representa um momento crucial da humanidade, coincidindo
com o início do declínio do império romano tal como transparece no seguinte
extrato:
«Maria, exemplo de mãe e serva do Senhor! Obediente aos mandamentos
religiosos, inspirada pelo Espírito Santo, dissera o seu "SIM" para abrigar em seu
ventre o Salvador do Mundo – Jesus Cristo, o Messias. Sabia, entretanto,
antecipadamente, da caminhada crucial que atravessaria naquele contexto
opressivo e excludente do império romano. Mas confiante, o consagrava, o
entregava, com amor incondicional».
“Naquele
tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada
Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o
nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó
cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela
perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe
o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber
no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e
vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai
David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo
respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá
sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado
Filho de Deus […]. Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim
segundo a tua palavra». E o anjo retirou-se de junto dela”. (Cf
http://www.tuespetrus.org/?page_id=688); http://liturgiadiariacomentada.blogspot.pt/2011/02/apresentacao-do-menino-jesus-ao-templo.html,
acedidos
em 30.11.2012 ; (Lc 1,26-38 ; Mt 1,18-25).
2 - Quadro do lado direito, por cima do anterior – “Nascimento de Jesus”. Corresponde ao 3º
mistério gozoso: “Jesus nasce numa gruta,
em Belém. Antes que o menino nascesse José […] que era um homem justo e não
queria difamá-la [a sua esposa Maria],
resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto eis que um anjo do
Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse: «José filho de David, não temas
receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo.
Ela dará à luz um filho e pôr-Lhe-ás o nome de Jesus; porque ele salvará o povo
dos seus pecados» ” (Mt 1,19-21).
“E quando eles ali chegaram [vindos
em viagem para serem recenseados],
completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que
envolveu em panos e recostou numa manjedoira, por não haver lugar para eles na
hospedaria. Na mesma região, encontravam-se uns pastores, que pernoitavam nos
campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. O anjo do senhor
apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu em volta deles, e tiveram muito
medo. Disse-lhes o anjo: «Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que
o será para todo o povo. Hoje na cidade de David, nasceu-vos um salvador
[…]»”(Lc 2,6-11)
Na envolvência arquitetónica deste quadro pode
ver-se, ao fundo, algumas colunas clássicas. Característica do estilo renascença/maneirismo.
É evidente que no local simples e rústico em que consta ter nascido Jesus, não
havia arquitetura clássica, trata-se, pois, duma recriação ao gosto, dos
pintores, patrocinadores e sociedade da época (finais do século XVI). As
personagens ao redor do Menino Jesus são sua mãe, pai "adotivo" e,
possivelmente, os pastores que vieram, em primeiro lugar, para o visitar e
adorar segundo a interpretação das escrituras ditas sagradas.
(*) Há, em nosso entender, várias outras razões para que
vários locais de culto ao Espírito Santo tenham sido extintos, quer em Carnide,
quer noutras partes de Portugal e da Europa. Mas para explicar essas razões
teríamos de recuar ao Concílio de Trento, à Reforma e Contra-reforma religiosas
e à particularidade ideológica, tipo judaica e messiânica, com que o culto se
instalou na Europa nos séculos XIII e XIV, tendo-se tornado demasiado popular
para os gostos dos poderes civis e religiosos.
Fontes:
-Imagem do
retábulo in O Santuário da Luz – Glória de Carnide / António de Sousa Araújo.
Lisboa, Edição da Paróquia de Carnide, 1977 -Evangelhos: Mateus - 1,18-25 ; 1,19-21; 2,1-12 . Lucas - 1,26-38 ; 2,1-20 ; 2,6-11
-Fontes em linha www:
-http://www.tuespetrus.org/?page_id=688), acedido em 30.11.2012.
-http://liturgiadiariacomentada.blogspot.pt/2011/02/apresentacao-do-menino-jesus-ao-templo.html, acedido em 03.112.2012.
- Encíclica «Redemptoris Mater», §§ 7, 10 «Salve, ó cheia de graça» - João Paulo II (1920-2005) in Evangelho Quotidiano, http://mail.sapo.pt/webmail/imp/message-dimp.php?ajaxui=1&mailbox=SU5CT1g&uid=42361&uniq=1354981804565, acedido em 08.12.2012)
domingo, 28 de outubro de 2012
CASTANHAS DA BEIRALTÍSSIMA E PATRIMÓNIO ENVOLVENTE
“Quentes
e boas – Boas e quentes” são as castanhas
de Penedono e Sernancelhe. Esta segunda localidade
tem como slogan “Sernancelhe – capital da castanha”. Um dia referi este slogan,
junto do Dr. Rui Bastos, ex Presidente da Casa do Concelho de Penedono. Ele
respondeu-me imediatamente – “mas as castanhas de Penedono são melhores”.
Penedono
e Sernancelhe (concelhos do Douro Sul, distrito de Viseu) têm a particularidade
de produzir, provavelmente as castanhas mais doces e saborosas de Portugal e do
mundo.
A par
deste galardão, os dois concelhos da Beira interior têm um património apreciável.
Deixo aqui apenas umas ligeiras referências de nomes de família e de monumentos
históricos.
Consta
que Penedono foi o berço do “Magriço” – Álvaro Gonçalves Coutinho. Esta figura da
História terá nascido num primitivo palácio da família Fonseca Coutinhos (1) ou no castelo da mesma vila, de que
seu pai Gonçalo Vasques Coutinho foi alcaide, bem como do castelo de Trancoso,
localidade a que pertenceu Penedono e que também reivindica o nascimento de Magriço.
O Magriço deu origem à denominação dos
bravos jogadores que em 1966 disputaram o campeonato de futebol mundial em
Inglaterra, obtendo para Portugal o melhor resultado de sempre (3º lugar),
nesta modalidade. O mesmo Magriço, também conhecido como o “Capitão dos Doze de
Inglaterra” vem referido nos Lusíadas de Luís de Camões, canto I - estrofe 12:
«Por estes vos darei um Nuno fero
/ Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço / Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero
/ A cítara para eles só cobiço / Pois pelos Doze Pares dar-vos quero / Os
Doze de Inglaterra e o seu Magriço / Dou-vos também aquele ilustre Gama /
Que para si Eneias toma a fama ».
No canto VI – estrofes 38 a 41 faz-se a
preparação para o episódio Magriço/Doze de Inglaterra e mais concretamente nas
estrofes 42 a 69, Camões desenvolve o feito
cavalheiresco com referências ao Magriço de que citamos a estrofe 53, como
exemplo:
«Já
do seu rei tomado têm licença / Para partir do Douro celebrado / Aqueles que
escolhidos por sentença / Foram do Duque Inglês experimentado / Não há na
companhia diferença / De cavaleiro, destro ou esforçado / Mas um só, que Magriço
se dizia / Destarte fala à companhia [...] » (sublinhados nossos)
Quanto
a Sernancelhe, destaco a sua igreja matriz, templo românico, que conta com uma
publicação recente da autoria do monsenhor Cândido Azevedo. Sernancelhe
(concelho) é também a terra que viu nascer o escritor Aquilino Ribeiro, que
conta com um cenotáfio em sua memória no panteão nacional de Santa Clara –
Lisboa.
Natural
do concelho de Sernancelhe será, também, o missionário, comerciante, diplomata,
político e historiador – João Rodrigues (o tçuzzu em japonês ou intérprete, em
português), autor da primeira Gramática da Língua Japonesa e História da Igreja
no Japão.
Na imagem
anexa pode ver-se a medalha com a figura do castelo de Penedono, editada por
altura do V aniversário da Casa do Concelho. O recipiente é uma cestinha de
artesanato local da freguesia da Beselga – Penedono, feita de junça, isto é, um tipo
específico de palha colhida no planalto e serras de Trancoso. Nesta vila
histórica – medieval casou o rei D. Dinis com a raínha D. Isabel de Aragão (a
raínha santa, filha de D. Pedro de Aragão e de D. Constança).
Esta
micro-região de Sernancelhe, Penedono e Trancoso faz parte da “Beiraltíssima”
como lhe chamou o prof. José Hermano
Saraiva. A festa anual da castanha em Sernancelhe tem lugar na vila
durante três dias nos finais de Outubro. Também na Casa de Penedono, em Lisboa
ou Almada realiza-se uma festa/convívio, com castanhas, vinho e animação, por
volta do dia de São Martinho no mês de Novembro.
A
gastronomia da micro-região Beiraltíssima, também conhecida por Terras do Demo
ou de Magriço é excelente, motivo para uma visita. Durante o Outono podemos encontrar castanhas
de qualidade impar e apreciar os ares puros, bem como os patrimónios:
natural, artesanal, edificado e imaterial.
(1) Segundo
o Dr. Artur Lambert da Fonseca que realizou uma genealogia e se
considera descendente dos antepassados de Álvaro Gonçalves Coutinho “O Magriço”,
genealogia que eu próprio vi em sua casa
de Fonte Arcada - Penafiel; os Coutinhos antes de entrarem no Couto de Leomil,
Penedono e Trancoso, teriam como apelido o patronímico de Fonseca. Há, porém, quem alegue que o patronímico era Rodrigues.
Fontes:
- Os Lusíadas / Luís de Camões, José Hermano Saraiva, José António Lima e Henrique Monteiro. Edição Expesso, com o apoio do Grupo Totta, em 10 volumes, [Lisboa]: 2003, Trata-se de uma obra com descrição em português actual. Nela consta o episódio de O Magriço e Os Doze de Inglaterra nos cantos e estrofes acima referidos.
- Camões. Os Doze de Inglaterra. Episódio do Canto VI de Os Lusíadas. Paráfrase, Ilustrações e Estudo do Torneio Medieval / Luís de Camões, Jorge Tavares. Porto: Lello & Irmão - Editores, 1985.
- O Magriço in http://tradicional2.blogs.sapo.pt/1056.html, acedido em 28.10.2012
- O Magriço, Bandarra e Trancoso in http://bandarra-bandurra.blogspot.pt/2011/08/magrico-nasceu-em-trancoso.html?showComment=1351444468247, acedido em 28.10.2012
- Penedono in http://www.cm-penedono.pt/noticia.php?id=301, acedido em 28.10.2012
- Trancoso in http://www.cm-trancoso.pt/concelho/Paginas/Historia.aspx, acedido em 28.10.2012
sábado, 6 de outubro de 2012
A TERMINOLOGIA DA LUZ - O BRASÃO DE CARNIDE - FONTE ERMIDA E IGREJA
Imagem do brasão. Gentileza do sítio da Junta de Freguesia
O brasão de armas espelha a história de Carnide. A barretina representa o Colégio Militar, os dois pimenteiros representam terra de hortas e agricultura e o cântaro vermelho evocará a VIDA e a FONTE local sobre a qual foi erguida a ermida e a igreja. As três torres lembram a antiguidade deste termo de Lisboa, elevada a freguesia e paróquia.
A flor-de-lis está tradicionalmente associada à simbologia religiosa. Este
símbolo representa a Trindade e O Espirito Santo que teve no próprio Largo da LUZ
o local de culto na ERMIDA, antes da Reforma do Concílio de Trento e depois na
IGREJA DA LUZ construída sobre a Ermida. A flor-de-lis também representa o anjo
Gabriel como comunicador e anunciador a Maria de que iria dar à LUZ o Deus
Filho.
Portal da Antiga Ermida, ainda existente, sob a Igreja da Luz
A terminologia da LUZ aparece no anúncio da Encarnação pelo anjo Gabriel a
Maria, o que pode ser constatado na iconografia maneirista de Francisco Venegas
e/ou Diogo Teixeira patente no retábulo do altar-mor da capela-mor da IGREJA da
LUZ.
«Hás-de conceber no teu seio e dar à LUZ um filho, ao
qual porás o nome de Jesus» (Lucas 1:31, segundo
a aparição do anjo S. Gabriel à mãe de Cristo).
Contudo, a terminologia da LUZ evoluiu. Jesus é a verdadeira FONTE de LUZ. Ele
resplandece através de Sua mãe e dos homens e mulheres de esperança:
«Eu sou a LUZ do mundo» disse Jesus. «Quem me segue não
andará nas trevas, mas terá a LUZ da vida» (Jo 8, 12). «Jesus [é a ] Palavra viva que ILUMINA e dá sentido à nossa humanidade
[…]. O mundo precisa de esperança e LUZ; de homens e mulheres que sejam LUZEIROS
de esperança […]» (Revista Audácia, Novembro 2011, p.13-14).
Fonte milagrosa de Nª Srª da Luz, antiga fonte da Machada, remodelada. Foto
obtida no último dia das festividades de Setembro 30.09-2012
Só em 1885 Carnide foi definitivamente considerada parte do espaço urbano
da cidade de Lisboa, o que demonstra a função predominantemente rural como retiro
de nobres e burgueses da capital e local de culto, primeiro do Espirito Santo que
tinha lugar na Ermida de Carnide e depois deu lugar ao culto de Nª Srª da Luz
na Igreja implantada sobre a Ermida, ao estilo renascença/maneirista, igreja
esta que ficou amputada após o terramoto de 1755. Mesmo no que resta, a Igreja da
Luz permanece um monumento valioso e atrativo na capela-mor e no espaço
adjacente.
A terminologia da LUZ encontra-se disseminada pelas freguesias de Carnide, Benfica
e S. Domingos de Benfica onde se encontra o estádio da LUZ. Note-se que, o
estádio de um dos maiores clubes do mundo (Sport Lisboa e Benfica) designa-se
estádio da LUZ, denominação derivada do culto a Nª Sª da LUZ existente na
proximidade, no Largo da LUZ, Carnide.
Brasão da Infanta D. Maria de Portugal na fachada sul da igreja, junto à milagrosa fonte

Imagem da infanta D. Maria de Portugal com cerca de 20 anos de idade. Fonte: Cortesia de montalvoeascienciasdonossotempo & Fundação Oriente/JDACT
Antigo Hospital da Luz
Cruz da Ordem de Cristo e imagem de Nª Senhora da Luz
Legenda do portal do antigo Hospital da Luz.
A parte inferior foi modificada e nela foi colocada uma nova legenda referente ao novo proprietário do edifício
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Nesta foto tirada no arquipélago de Bazaruto, na costa centro oriental de Moçambique em 2005, encontro-me eu - ex. 1º Cabo Anciães e dois meninos que faziam questão em me acompanhar, independentemente de lhes dar algo ou não.
A população desta ilha, embora pouco habitada, é muito amável. Vivem essencialmente da pesca e recolha de marisco na costa. Algumas pessoas estão empregadas nos dois hoteis: Indigo Bay Island Resort e Pestana Resort Hotel (de gestão portuguesa, este segundo), inseridos na paisagem protegida. Outra ilha mais pequena associada a esta é a ilha de Santa Carolina onde ainda vi algumas estruturas em decadência do tempo em que para ali ía descansar alguma população de ex "colonos" portugueses para aliviarem o stress da vida quotidiana. Vi ainda um piano que já não debitava som que pudesse fazer música. As paredes da casa estavam meio esburacadas com as próprias ondas do mar. Havia a média de uma praia para cada família. A areia é finíssima e muito limpa e as águas desta costa do Índico são geralmente muito pacíficas, como pode ver-se na foto. É um autêntico paraíso para relax. Quando cheguei à ilha os recepcionistas do Pestana Hotel, incluindo a população local, cobriram-me com uma coroa de flores; tinham duas toalhas para me limpar o suor, uma com perfume; água, espumante e bolachas.
Quando estive em ambiente de guerrilha, entre 1971 e finais de 1973 não fazia a mínima ideia de que um dia iria voltar a Moçambique nas circunstâncias que acima descrevi. DEUS ajudou-me. Se puder voltarei para abraçar aquele povo e aquela terra, incluindo Lourenço Marques (Maputo), Beira e Gorongoza. Gostaria também de revisitar a zona de Dôa e aldeamentos, onde fiz a comissão militar. Um abraço e que não faltem sonhos e recursos, embora este tempo de crise e troycas ande nebulado. Esperemos que venha uma espécie de milagre que nos salve. Vamos fazer tudo para merecermos o milagre.
Um abraço para os meus amigos.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
O CONVENTO DO ESPINHEIRO & ÉVORA
Situa-se a 2 minutos de
Évora e mantém o ambiente de retiro e sentimento de devoção a Nossa Senhora do
Espinheiro que consta ter aqui aparecido a um pastor. A história deste Monumento
remonta ao século XV. Está atualmente convertido em unidade hoteleira,
turística e religiosa através da sua linda igreja.
Texto o fotos do A. deste blog. Revisão de MA
quarta-feira, 25 de julho de 2012
PARTICIPA O SERVIÇO PRISIONAL PORTUGUÊS NA EDUCAÇÃO DO HOMEM E NA MELHORIA DE CONDIÇÕES DE VIDA E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL ?
Em tempos defendi a ideia de que o nosso
sistema prisional estava errado, pois refletia o erro que vinha do sistema
judiciário que condena o Homem a uma reclusão onde não produz para o pagamento
do mal feito à sociedade. Esta abordagem teve lugar numa ocasião em que
encontrei dois velhos amigos: Um juiz conselheiro e outro Oficial de Marinha e licenciado
em Direito. À partida, eu não estaria habilitado para discutir sobre o sistema
judicial com entidades com o perfil em referência. Contudo sabemos que a realidade
é tantas vezes mais complexa do que imaginamos e o facto de se estar numa
determinada área de conhecimentos, isso não significa que outro cidadão de área
menos afim não possa exprimir e defender um ponto de vista.
Alegava eu que tínhamos em Portugal instalações
prisionais em excesso, pois, segundo a minha opinião, apenas cerca de 20% (a) dos
reclusos perigosos deveriam estar encerrados entre quatro paredes. Os restantes
poderiam cumprir pena cá fora exercendo serviços sociais ou outros mas de onde
descontariam uma parte significativa do salário como pagamento ao Estado, em
conta do mal que fizeram contra a sociedade e o património.
Os meus amigos que, em minha opinião, estudaram,
grosso modo, pelos manuais saídos das ideologias liberal e capitalista não
concordaram comigo e a conversa manteve-se durante mais de uma hora. Recentemente
tive conhecimento que uma determinada Diretora do Estabelecimento Prisional de
Pinheiro da Cruz praticava uma educação e gestão dos serviços dos reclusos
virada para os estudos, formação e produção, visando não só a inclusão social,
como a participação em atividades económicas.
O que eu propunha para a inclusão e participação económico-social fora das quatro paredes prisionais, isto é, no meio social externo, o estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz fá-lo intra-muros produzindo de forma coordenada, bens agrícolas e pecuários para consumo no estabelecimento e também para fornecimento ao exterior, mormente para os Bancos Alimentares Contra a Fome. Paralelamente a esta produção, o estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz faz formação escolar, juntamente com atividades de “mecânica, carpintaria, serralharia … “(Cfr. Revista Activa, junho de 1012 “Prémio Mulher Activa”, pp. 44-52 & http://activa.sapo.pt/vida/Premio_Activa/2012/05/24/nomeada-premio-mulher-activa-2011-ana-paula-ramos-diretora-estabelecimento-prisional-pinheiro-da-cruz, acedido em 25.07.2012). Verifico assim que a discussão sobre o sistema prisional e a educação do Homem deve levar-nos a refletir e a procurar as melhores soluções para o desenvolvimento pessoal. (Veja também: https://www.google.com/#hl=pt-PT&gs_nf=1&tok=Hco-BHjcuQw0QkOrjMm_7w&pq=estabelecimento%20prisional%20de%20pinheiro%20da%20cruz&cp=62&gs_id=62&xhr=t&q=estabelecimento+prisional+de+pinheiro+da+cruz+com+pes+de+barro&pf=p&sclient=psy-ab&oq=estabelecimento+prisional+de+pinheiro+da+cruz+com+pes+de+barro&gs_l=&pbx=1&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_qf.&fp=bbda83052f4c6443&biw=984&bih=561, sobre ex Director, ficheiro acedido no google, em 28.0702102.
Não concordo com as cadeias participantes
nas condições para uma escola do crime, ao serem permeáveis à entrada de droga
e ao permitirem a divulgação intra-muros das melhores técnicas de exercer o
crime. A gestão das cadeias deve, pois, ser questionável e entregue a quem
melhores resultados encontre para tornar o sistema não só como punição, mas
sobretudo como inclusão, socialização e produção.
(a) E aqui entro com este número de 20% que me
vem da mera intuição ou baseada em informação de que não tenho presentemente a
fonte. Logo, este número vale o que vale, é aleatório e questionável.
De refletir será, também, o conteúdo informativo
que anda por aí a circular em e-mail de que desconheço a autoria. Veja no seguinte
comentário.
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