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terça-feira, 30 de abril de 2019

"POR TEU LIVRE PENSAMENTO": Subsídio de como se cria um museu nacional tangível e imaterial

Gerar um Museu Nacional não é muito comum.
O primeiro Museu Nacional de Portugal nasce no Palácio Alvor da Rua das Janelas Verdes em Lisboa, na sede do actual Museu de Arte Antiga.
É frequente, a nivel internacional, os museus nascerem após uma exposição de notável referência. O 1º Museu Nacional foi buscar a motivação e a experiência à “Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola” em janeiro de 1882. Nesse tempo havia boas relações entre Espanha e Portugal, de modo que o rei D. Luiz e D. Maria Pia se associaram a D. Affonso e D. Maria Christina para tornarem possível a mostra com obras selecionadas dos dois países ibéricos.
Ao acto pouco habitaul de realização de exposições conjuntas entre diferentes países juntou-se o atractivo da novidade e utilização da luz eléctrica. Esta exposição foi uma das primeiras do Mundo a ser iluminada com a nova tecnologia. O para-museu permaneceria aberto à noite e era mais procurado do que de dia. Ao desejo de visitarem a exposição acrescia o fator maravilha, pela novísssima introdução da electricidade. O número de visitantes terá chegado a cerca de sessenta a cem mil entradas, se contadas as muitas borlas de gente do sector, da família e do Regime.
A exposição actual “POR TEU LIVRE PENSAMENTO” vai, também, originar um prodígio raro de criação de um novo Museu Nacional.

Os proveitos destes eventos são praticamente únicos em cada geração, se bem que há gerações que não têm o privilégio de ver nascer um Museu Nacional. Temos, pois, nestas gerações actuais, a sorte de poder assistir ao vivo e acores a este acontecimento, sendo que na actualidade contamos com a informação de que se trata de um feito predestinado. Sabemos, de antemão, que esta exposição vai dar origem ao Museu Nacional da Resistência e Liberdade, ao passo que no século XIX os visitantes da exposição de arte, não sabiam, nem faziam ideia de que ali e dali, do Palácio Alvor, sairia o primeiro Museu Nacional de Arte Antiga de Portugal.

A partir do dia 27 de Abril de 2019 podemos apreciar e questionar, como uma exposição temporária vai dar origem a um museu desta classificação, que verá a plenitude do lançamento no próximo ano, isto é, já em 2020.

Uma oportunidade a não perder este prólogo. (Vi)ver esta notável apresentação destinada a servir de parto a um dos raros museus nacionais. Quemquer que se reveja nos ideais de liberdade não dispensará este início de vida de uma organização destinada à difusão da consciência do livre pensar, de sentinela e de prevenção de eventuais tentativas de retrocesso civilizacional.

É de não perder o ensejo.

Junto apresentamos algumas imagens, recentes e de arquivo, bem assim como uma seleção de documentos introdutórios da autoria da equipa técnica, envolvida neste significativo esforço.

Conhecer o imprescindível, a nível da salvaguarda das liberdades fundamentais do ser humano e do ser português, é o propósito em ação.

Palavras-chave: bem cultural, exposição, memória, museu, Museu Nacional da Resistência e Liberdade, Portugal

Fontes acedidas em Abril, 2019:

 
Créditos imagens: 1 a 4 gentileza da DGPC / Organização da Expo` «Por Teu Livre Pensamento» ;
5 a 24 fotos arq. pessoal a partir de projeções e in loco AA
 
Fontes acedidas em Abril 2019:
 
ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Organizações Sociais da Memória: Um Modo Eficiente de Funcionamento” https://cumpriraterra.blogspot.com/2019/03/organizacoes-sociais-da-memoria-e-bens.html

MARQUES, Mariana et al - “E de uma exposição nasceu o primeiro museu nacional” https://www.dn.pt/artes/interior/e-de-uma-exposicao-nasceu-o-primeiro-museu-nacional-9032754.html

PORTUGAL – Direção-Geral do Património Cultural e Comité Executivo do Museu de Peniche – “Museu Nacional da Resistência e Liberdade”; Desdobrável da exposição “Por teu livre pensamento”, 24.04.2019

terça-feira, 26 de março de 2019

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS DA MEMÓRIA: UM MODO EFICIENTE DE FUNCIONAMENTO

Aveiro – Bens Memoriais
Palavras-chave: bem cultural, comunicação, divulgação, memória, organização, produção, tratamento

Não deveriam fazer parte das organizações sociais da memória os arquivos, bibliotecas, museus, casas-museu e outras instituições afins:

-que não estão vocacionadas para a fruição no presente e a salvaguarda para o futuro,

-que não respeitam a valorização dos bens,

-que não incluem a inspiração, os talentos criativos e a sociabilização,

-que não informam, não comunicam, nem redistribuem o redistribuível, como exemplo: peças e bens em excesso.
Aldeia das Terras de Magriço e do Demo – Casa Memorial

De modo geral são organizações da memória certificadas ou de confiança, as entidades e instituições que obedecem a regras, parâmetros e funções em torno dos seguintes itens:
 
1-      Edição/criação/produção de bens culturais e serviços,

2-      elaboração de regras de funcionamento e participação na legislação, quando possível e necessário.

3-      salvaguarda dos bens em estado crítico,

4-      incorporação, preservação, conservação e restauro

5-      projetos e estudos,

6-      informação e divulgação dos bens e serviços,

7-      exposição permanente e/ou temporária mas regular dos bens culturais,

8-       comunicação permanente ou, pelo menos, frequente dos bens culturais,

9-      distribuição graciosa, ou venda de bens culturais e económicos relacionados com as memórias (tangíveis ou intangíveis).
 

Portaria para o complexo da Biblioteca Nacional de Portugal


Nesta ótica, os conceitos de cidadania estão associados às organizações sociais da memória. A melhor forma para estas organizações realizarem missões e objetivos de qualidade será através do estudo e do trabalho permanente ou, pelo menos, frequente e dedicado. Não acreditamos nos arquivos, bibliotecas, museus, casas-museu, casas da memória, associações e mesmo nos Estados que funcionam de forma autocrática em relação aos bens culturais e serviços. As formas meramente pontuais, e intermitentes de funcionamento, de algumas organizações da memória, não oferecem um serviço público de qualidade.

O futuro e suas esperadas gerações, bem como as gerações do presente, devem ser objeto de igual atenção.

As organizações sociais da memória podem e devem cooperar com as instituições afins. 
Terão em especial atenção o serviço e o respeito pelos participantes e utilizadores, mormente pelas populações locais, ou oriundas, que se reveem nos bens - móveis ou imóveis, no território e nos bens imateriais: língua, pronúncia, contos, festas, hábitos/costumes, processos de trabalho e trajes.

Cada um dos 9 pontos indicados carece de desenvolvimento;
Tal desdobramento, não cabe no presente artigo. Trata-se de uma mera base de reflexão e trabalho.

terça-feira, 17 de julho de 2018

MEMÓRIAS E MUSEU. UMA DIALÉTICA CULTURAL


Tags: Memória, Museologia Social, Museu, Museu da Descoberta, Museu dos Descobrimentos ; (imagem supra gentileza RTP)

As posições andam extremadas. Que os sistemas de guarda, preservação e difusão da memória não são inócuos verificou-se no programa «Prós e Contras» da RTP1, conduzido pela expertise de informação Fátima Campos Ferreira, em 16.07.2018.

O aceso debate fica inconclusivo pelo melindre histórico e mental, ao que se junta a política de esquerda, direita e moderada.

Os museus, como tantas instituições e pessoas, filiam-se num duo genético: uma organização promovida inicialmente por uma figura masculina que é tradicionalmente detentora do poder, pelo saber acumulado. Os museus foram prosseguidos (pelo menos na tradição), pelas musas. Estas femininas inspiradoras mudam a conduta e a gestão das organizações.

«museus vinculados às musas por herança materna (matrimónio) são "lugares de memória" ; mas por herança paterna (património) são configurações e dispositivos de poder. Assim, os museus são a um só tempo: herdeiros de memória» através das musas e de poder com homens concretos e em divergência.. (cf. Chagas, Mário; versão doc. in Univ. Lusófona, Lisboa, 2000).

Cremos que a instituição Museu será das últimas a perder influência, após a Família e a Religião. Acerca da memória residente nas pessoas, é ainda Chagas a referir (doc. cit) «a memória que foi o dispositivo detonador do novo, agora é utilizada […] para comemorar, para garantir a ordem […] a memória agora é usada pela burguesia e vai penetrar com ou sem sutileza (sic, termo Br.) nas escolas, nos museus, nas bibliotecas, nos arquivos, na produção artística, religiosa, filosófica e científica».

A montante e a jusante dos museus estão as memórias do passado em ebulição com as sensações do presente. Vive-se, em Portugal, mais acentuadamente na capital, uma dialética social, política e museal, porque uma nova síntese é precisa, onde as pessoas, o museu e as memórias são cruciais para um paradigma cultural mais justo, onde os turistas, os investigadores e residentes se respeitem na compreensão mútua do Presente e da História dos Povos.

 

sexta-feira, 29 de junho de 2018

011 Museu é memória


(Minhas definições de museu. Descrição nº 11)

São cinco tradicionais sentidos (residentes nos olhos, nariz, boca e ouvidos, todos na face ou próximos. O 5º, o do tacto reside essencialmente nas mãos). Todos estes sentidos proporcionam memórias, no entanto acrescentamos as recordação dos afectos, a intuição, a aritmética e a computação que proporcionam a capacidade para podermos utilizar a tabuada e fazer cálculos de cabeça, isto é, desprovidos dos equipamentos auxiliares da memória: 
 Museu é reconhecimento.

 O conceito de memória deriva da musa semi-deusa Mnemosyne da qual resulta o termo memória. Museu é também a representação e a evocação. Um exemplo repetido dezenas de milhares de vezes ao dia tem momento alto na expressão:

«Fazei isto em memória de Mim» (1 Coríntios; Lucas 22:19)

 É interessante notar que a memória celebrada evoluiu de uma semi-deusa para um Deus, que é uno e trino (singular e plural); que passou do feminino (Musa) para o masculino (Pai, Filho e Espírito São), tal como a sociedade se tornou patriarcal e patrimonial. Contudo o resgate da memória permitirá reequacionar os conceitos.
  A memória trará ao de cima as Mães, em paralelo com o Pais, os Filhos e os Irmãos, todos envolvidos no mesmo Espírito.
  A memória e o museu com outros sistemas de registo: arquivos, bibliotecas; memórias orais individuais e sociais serão factores niveladores e libertadores.
   Que as memórias ganhem luz na chama dos bens culturais e fratrimoniais é o desiderato dos profissionais e responsáveis pelos museus e novas museologias.


Tags: conceito, memória, museologia, museu

sábado, 1 de abril de 2017

140.UM MÚTUO E SENTIDO AGRADECIMENTO


Palavras-chave: acompanhamento, fratrimónio, gratidão, memória, sociomuseologia, plenitude, solidão

001.Taninha cinzenta e de olhos verdes na parede do seu quintal

    Hoje venho falar de gratidão. Pode-se / deve-se ser grato em situações diversas. Agradecer nunca é demais, mesmo que tenhamos dado mais do que recebido. Ser grato é reconhecer na outra parte a bondade. Assim procedendo com este espírito, não haverá espaço para guerras, violências, misérias e desigualdades gritantes.

002.No hall de entrada da casa de campo

    Em sexta-feira 31.03.2017 chega o dia da plenitude. Taninha fica, oficialmente, registada com este nome no dia da sua entrega total. O registo foi o da única e última consulta que teve na vida, seguida imediatamente do processo de adormecimento perpétuo. É certo que a batizei com este nome Taninha e assim a chamei durante 11 anos (a primeira capicua numérica que conheço). Taninha partiu com cerca de 16 anos de vida.

    Até aos cerca dos seis, os protetores não lhe deram um nome. Era apenas a gata. Por motivos da partida do seu primeiro protetor resolvi acompanhá-la mais de perto e dar-lhe um nome - Taninha, diminuitivo afetivo derivado de Antoninho, em memória do seu primeiro protetor.



003.No combarro, junto a um teto de cabanal
    É certo que fiz centenas de fotos à Taninha: na rua, na casa de campo, no quintal, nas árvores, para onde subia quando jovem, sobre os muros, em cima da estrutura elevatória duma bomba de tirar água, na terra, entre as flores; a descansar, a dormir, etc. e cada uma dessas fotos tem o nome digitalizado de Taninha; mas a única e, simultaneamente, última vez que alguém, de forma burocrática escreveu o seu nome foi no Hospital veterinário de Fernão Ferro, onde imediatamente entraria em dormição ab eterno.
004.Com o filho aos quinze dias de vida
    A médica assistente decidiu que era justo pormos a guerreira (no bom sentido de luta na vida) desligada do padecimento.

    A guerreira sofreu muito no último ano de vida. Primeiro, pelo relativo abandono, após o seu segundo protetor ter ficado impossibilitado de a acompanhar, por motivos de saúde. Porém, nunca faltou alimento a Taninha; no entanto aprendi aqui que a solidão dói e mata. Juntou-se a esta solidão os anos de vida e a não assistência médica. Mal informados e não suficientemente sensibilizados de que os gatos intermitentemente de quintal, de rua e de casa, também precisam de assistência.

005.sobre um monte de cavacos

    Taninha não era da minha responsabilidade, nem “propriedade”, apenas no campo moral; contudo, além de a acompanhar durante anos, mesmo morando à distância de 50 km, não pude deixá-la entregue à agonia até ao fim. No sentido que aprendi e reforcei com o estudo e formação em sociomuseologia, não descarto o conceito de fratrimónio(a) da relação natureza-homem ; natureza-animal, isto é da mútua entrega entre o homem e as espécies: bichos/aves/animais, ou mesmo espécimes do reino vegetal.
    Aprendi que bichos/aves/animais não agem apenas por puro interesse pela sobrevivência alimentar. Poderia referir aqui vários exemplos. Apenas aponto um caso referente à Taninha. Comparecia sempre quando ia vê-la, entre intervalos de cerca de duas semanas. Ouvia o carro, reconhecia o trabalhar e aparecia sempre: vinha do seu descanso, de qualquer sítio em que se encontrasse: na rua, casa, quintais. Sei que não comparecia exclusivamente pelo comer porque não lhe faltava boa alimentação prestada por um vizinho.

006.em cima duma mesa de quintal

    Taninha partiu sexta-feira, dia 31.03.2017. A jovem médica veterinária que a assistiu foi de uma humanidade inultrapassável.

    Pergunta-me se quero assistir ao processo de “dormição”. Ou se quero passar para a sala de espera, até que o facto esteja consumado. Digo-lhe que quero assistir a tudo, não por sentimento mórbido. Passa-me pela ideia de que a Taninha prefere que não a abandone no momento culminante.

007.em cima da bomba do poço

    Assim foi. Resolvi partilhar a agonia e a despedida até ao último segundo. Imediatamente antes da dormição Taninha mia 3 vezes. Não é habitual miar e não é um miar aflitivo é, em meu entender, uma mensagem de que está a comunicar o carinho e agradecimento naquele momento; que não é de pura finitude. É um momento de culminação da plenitude, entre o que Taninha deu e sofreu.

    Analisado à luz da filosofia cristã, lembro um mestre que tive nos anos 80, o Prof. Doutor de História das Mentalidades da Idade Clássica e Média - Luís Ribeiro Soares. Num determinado dia o mestre profere o seguinte pensamento que me marca: “o neo-platonismo é um cristianismo, ou vice-versa".  Aprofundando o pensamento cheguei à conclusão de que é no sinal mais (+) do Cristianismo que se baseia o sentido pleno do sofrimento, aquele que não está em nossa vontade contrair ou evitar mas que é redentor.


008.em cima duma estrutura elevatória de água

    Acredito na fé.,passe o pleonasmo, não só por motivos práticos e úteis de vida. Em conclusão, sem fé, provavelmente, não teria acompanhado a Taninha até ao último degrau do seu calvário. OBRIGADO também Taninha por tudo o que me deste. Repousa agora as tuas cinzas no lugar que te preparei.

…………………

(a)Fratrimónio é a “partilha do aqui e agora”, como sintetiza, e muito bem, o museólogo, presidente do MINOM – Movimento Internacional para uma Nova Museologia - Mário de Sousa Chagas. É fratrimónio, em meu entender, a doação daquilo que cada parte presta ou comuta com a outra. Não importa se a outra parte é nosso semelhante ou se é uma entidade, sensível e sensitiva, como é o caso dum felino.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

GESTÃO DE MEMÓRIAS E BENS MUSEAIS. CASO DE ESTUDO


Fundação Portuguesa das Comunicações / Museu e CDI

 TÓPICOS / RESUMO:

Recolher, trabalhar, preservar e expor memórias e patrimónios, envolve método, estudo, sensibilidade e conhecimentos de vária natureza. A abordagem sistémica seguinte pode ser um auxiliar, quiçá um começo de organização.

Ponto 0 (zero). O ambiente, as oportunidades e as ameaças. Os Governos, as nacionalizações, as privatizações e consequências sobre os Patrimónios.

1.O informal: cultura informal das Organizações, imagem nas memórias dos públicos, confiança no desenvolvimento dos projetos, imagem dos responsáveis e outros colaboradores.

2.A relação com o institucional. Ministérios, Direções, Institutos, normalização, regulação, Poder local, sistemas de ensino formal e informal.

3.Estratégia Administração Gestão Produção:

Estratégia e Administração: conhecimentos da envolvência. Ideia sobre a missão/visão/finalidades (cf. ponto 6. extrapolando …).

Formas de alcançar os objetivos. Calendarização dos projetos e ações. Recursos humanos e coordenação de projetos.

Reflexão e adaptação da missão, finalidades/visão; planos, projetos, objetivos; pontos de controlo e repartição de recursos.

Formação em: museologia / patrimónios, estudo dos paradigmas museais; cidadania, gestão, relações públicas, marketing e comunicação.

Produção de: documentação, exposições e serviços.

4.Equipamentos e espaços adequados.

5.Conhecimento dos Patrimónios com valor social/comunitário para serem fruídos sob quaisquer dos pontos de vista: científico, técnico, económico, documental, artístico, ambiental, lazer e comunicação.
6.Fratrimónios: Bens / valores sociais, usados ou consumidos no nosso tempo, nossa comunidade ou com as quais nos relacionamos, lembrando o bodo e o ágape (cf. Joaquim de Fiori, Agostinho da Silva, Natália Correia, Papa Francisco, Mário Chagas et al.); bem como a participação nos e com grupos musicais, teatro, folclore e outras associações de carácter económico, cultural e social.

Massamá – Festas populares

Extrapolando para o caso da FPC - Fundação Portuguesa das Comunicações / Museu e Centro de Documentação e Informação apresento os quadros referentes à “missão e visão”.
(quadro / imagem, gentileza da Fundação Portuguesa das Comunicações)

 Missão, visão e finalidades nem sempre são inequivocamente discerníveis entre si. Não raro, as finalidades confundem-se com a missão. Em 1993 aquando dum estudo para a constituição da Fundação das Comunicações (então ainda não tinha o adjetivo de Portuguesa) definimos as finalidades do seguinte modo:


As finalidades apontam para a razão fundamental da existência da Fundação / Museu, conforme expresso no excerto infra: 
«Pretende-se que a Fundação [em que se insere o Museu das Comunicações, ex Museu dos CTT] constitua uma tribuna de reflexão sobre o papel e o impacto das Comunicações Portuguesas.
A Fundação deverá, ainda, contribuir para a construção de uma Imagem Global das Comunicações. Promovendo a sua identificação como componente fundamental do tecido económico social e cultural nacional e internacional» (a)
………
(a) Anexo ao DE000293CI, Nº 293, de 25.05.1993 e entrada em vigor 01.06.93, documentação da Fundação das Comunicações, com a colaboração de Drª Maria da Graça Ennes e Drª Maria João Vasconcelos. Cf. Ainda ANCIÃES, 1992-1994, ob cit, p.16 e Anexo I, p.2.7

Os quadros/imagens seguintes são gentileza da FPC.





7. Salvaguarda. Ações de proteção no terreno / locais de utilização ou guarda; proteção jurídica/legislativa e para-musealização.

8.Conservação preventiva e restauro. Projetos dos edifícios adequados às funções de guarda, acomodação e movimentação dos patrimónios.

9.Documentação Informação e Comunicação. A Comunicação está no final da abordagem sistémica. Não significa que seja menos importante do que os outros pontos. Ela é essencial. Sem a comunicação/divulgação todos os números supra citados ficariam sem o interesse social. Os valores culturais e económicos devem ser comunicados a toda a Sociedade envolvente para que a mesma possa, caso queira, participar.

Com base nos pressupostos apresento a FPC como caso de estudo de ações viradas para os públicos e para as populações. A FPC com os seus Recursos têm levado o Museu aos Bairros, onde se relacionam com as populações e com os patrimónios; trazem os Bairros ao Museu; apostam na ótica das novas museologias e na gestão pró cidadania.

Tags: Fundação Portuguesa das Comunicações, gestão, memória, Museologia Social, Museu das Comunicações, Nova Museologia
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Fontes:
-ANCIÃES, Alfredo Ramos – Fundação das Comunicações/Museu: Subsídios para Uma Abordagem Sistémica e Definição de Projectos. Âmbito: pós.grad. em Museologia Social do Instituto Superior de Matemáticas e Gestão. Lisboa: ISMAG – ULHT, 1992-1994
------------ Estudo, sugestões e Relatório de Estágio nos Sub-núcleos de Documentação do Património Museológico de Telecomunicações.- Lisboa: CDI-CTT; FPC, 1992-1993
---------------FPC Fundação Portuguesa das Comunicações. Museu das Comunicações, et al -Desdobrável institucional, s.d. disponível na FPC em 2016-2017 …
---------------Gestão de Memórias e Bens Museais. Caso de Estudo  http://cumpriraterra.blogspot.pt/2017/02/125-gestao-das-memorias-recursos.html

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

«PARTI PARA UMA NOVA VIAGEM»


Partiu para uma nova viagem um Homem realmente Bom, como se pode ler na nota do cartão póstumo aqui anexo. Retirou-se por altura do ex-Presidente Mário Soares. O seu corpo esteve na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Avenida de Berna, Lisboa, onde foi realizada vigília e missa de corpo presente. Foi a incinerar em Barcarena no dia 9.1.2017.
 
Meu colaborador superior, no sentido em que o conheci como gestor de Serviços. Primeiro na DMCCA - Direcção de Marketing e do Património Cultural do Conselho de Administração e no GIACICA (Gabinete de Imagem e Acção Cultural Institucional do Conselho de Administração) dos CTT, em finais dos anos 80`s. Mais tarde em 2005/2006 na Fundação Portuguesa das Comunicações. Nesta última Organização colaborámos diariamente, durante vários meses.
O Dr. Carlos Bernardo era um Homem de baixa estatura física, media cerca de 1,60m, se tanto, no entanto e como diz o jargão popular, os homens não se medem aos palmos. Como pessoa boa, íntegra e culta era gigante.

Vivia mal com a iniquidade e a corrupção que conhecera no país e nas empresas. Vária do conhecimento público, até pela imprensa; outra referida em meios mais pequenos. Por não se prestar a iniquidades e corrupções foi, algumas vezes, transferido de serviços.
Quando no final do ano transato telefonei para marcarmos o almoço habitual de Natal do nosso grupo, atende-me a esposa informando-me que o marido estava com problemas de saúde.

Amigo do seu amigo e com grande consideração por e em quem confiava. No último período de trabalho em que colaborámos assiduamente, o Dr. Carlos Bernardo estava destacado com a função de controlar o meu trabalho e equipa.
Deu-se a incidência de, por caso inédito na História das telecomunicações, as tecnologias serem completamente alteradas em poucos anos, produto da reconversão do analógico em digital, numa época de explosão da utilização destas tecnologias.

Por esta razão e ainda:
pela privatização das empresas; pela separação das áreas de correios e telecomunicações; pelas políticas culturais adotadas com a criação de uma FPC (Fundação Portuguesa das Comunicações); pelo desenvolvimento da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações); pela criação de uma Fundação Portugal Telecom e por via da minha própria passagem à aposentação, foi imprescindível tratar da conferência, catalogação e entrega do património de Comunicações aos CTT, à PT, à ANACOM e à FPC.

Uma quantidade inédita de mais de dezassete mil registos informativos, só de telecomunicações, correspondentes a cerca de cinquenta mil peças, tudo a realizar em tempo record, relativamente ao megaprojeto. Como a função de controlo se revelava desnecessária, o Dr. Carlos Bernardo não perdia oportunidade de ajudar na desinstalação, reinstalação e transporte de peças das áreas de reserva e acomodação para as mesas de catalogação e vice-versa, sem quaisquer preconceitos de sujar mãos e roupa.
Se já eramos respeitadores e de confiança mútua, com o projeto de patrimonialização e entrega às entidades, ficámos mais amigos e nunca deixámos de festejar a amizade sobretudo nos finais de ano.

Foi, pois, com muita dor que me despedi fisicamente do Homem Bom.
“Boa viagem” caro Amigo e boa estada perante o Altíssimo.
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Tags: ANACOM, CTT,  FPC, Fundação PT, memória, património de comunicações, saudade

terça-feira, 25 de outubro de 2016

103. NO PRINCÍPIO


Do Rio Lete às Memórias Sem Fim.

No princípio terá havido um acordo entre os homens e o divino. O acordo previa atribuições de capacidades e provisões necessárias ao desenvolvimento da vida.

Estamos dotados com inteligência, discernimento, intuição e membros: superiores e inferiores, a fim de nos permitir a mobilidade, a recoleção, as sementeiras, as colheitas, as manufaturas, o fabrico e a oração.

Nos benefícios recebidos inclui-se, pois, o essencial para a vida em sociedade e em comunhão com a natureza: água abundante no planeta e repartida pelos mares, lagos, rios, subsolo e atmosfera. O ar abundante por toda a parte; sol e luz, também abundantes; terra, minerais, fogo, animais e natureza vegetal.

Com tudo isto, Deus (e/ou d`euses) e os homens acharam que o acordo era bom, pois incluía o importante e com abundância. O resto, os homens tratariam de granjear. Também faria parte do acordo um pequeno esforço dos homens para o aperfeiçoamento do físico, da alma, do espírito e da natureza envolvente.

Os homens apenas tiveram que pagar um pequeno preço que foi aceite como justo e fundamental com base no mérito e não no medo ou na reverência.

Achou-se que tudo o que pudéssemos conquistar com base no medo não seria valorizado para a missão a que o homem se propôs cumprir.

Qual foi o preço que o homem aceitou pagar, ou pagar-se? Foi precisamente o princípio do esquecimento.

Para emergirmos à terra e ganharmos méritos tivemos que esquecer tudo: inclusive que viemos por vontade própria do acordo inicial.

Tudo o que conquistamos e fazemos de bem, no âmbito do esquecimento do acordo prévio, tem a máxima virtude.

Na mitologia que serve para interpretarmos o mundo diz-se que o esquecimento à nascença se deve à passagem pelo rio Lete, o rio mitificado.

Depois da passagem pelo Lete a nossa mente torna-se quase numa tábua rasa de memórias. Porém, em ação de graça, Deus (e/ou os d`euses) não nos deixam desprovidos das aptidões para desenvolver novas memórias, quiçá sem limite de capacidades.

Assim, temos a possibilidade de construir e restaurar memórias fundamentais para a estada no mundo: sejam memórias táticas, olfativas, visuais, auditivas e digitais que nos permitem estudar, decorar, realizar, criar e salvar, ou voltar a esquecer tudo e repetir os ciclos terrenos.

Tags: ciclos, esquecimentos, deuses, memórias, mitologias, vidas

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Fontes acedidas em 22.10.2016 :

-7Graus - Esquecimento http://www.sinonimos.com.br/esquecimento/
-Bíblia Sagrada, Livro Génesis. Lisboa: Ed. Difusora Bíblica (Missionários Capuchinhos), 1984 


SuaPesquisa.Com et al - Mitologia grega http://www.suapesquisa.com/mitologiagrega/