Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens

sábado, 13 de abril de 2019

A PÁSCOA E OS ÍCONES


O conceito de ícone vem da cultura grega que significa imagem. No mundo pós grego clássico o conceito evolui e estabiliza na arte religiosa inclusivamente na cultura judaica, com a representação de figuras bíblicas nas grandezas bi e tri dimensionais.
Com o cristianismo, passa a entender-se como ícone, em especial, a arte pictórica. O Império Bizantino {séc. IV / XV (1453)} faz difusão de imagens, embora no século VIII tenha sido proibido o seu uso pelo imperador Leão III (séc. VIII). Depois o uso foi resgatado e restaurado pela imperatriz Teodora, esposa do imperador Teófilo (séc. IX).
Com a invasão muçulmana ao Império Bizantino, há uma queda na arte do território mas como consequência multiplicam-se as influências pela Rússia, leste da Europa - Central e Mediterrânica e pontualmente noutros sítios de influência religiosa cristã / ortodoxa ou cristã / católica.
Segundo frei António-José d`Almeida influenciado pelo Antigo Testamento, na versão Septuaginta - “Cristo Pantocrator” significa «Dominador de todas as potências terrestres e celestes» (cf. Is 6,3  e Ap 4,8). É assim, também, que frei António-José vai buscar a Primeira Carta de São Pedro (3,22), citada em relação a Cristo «tendo subido ao céu, está à direita de Deus, estando-lhe sujeitos os Anjos, as Dominações e as Potestades».
E reforça ainda a imagem do Pantocrator com a citação de uma das Cartas de São Paulo: «Todas as coisas estão submetidas» (1 Cor 15, 27) referindo-se a Cristo plasmado na imagem d`O Cristo Ressuscitado. Frei António-José acrescenta ainda sobre Cristo. É O «Senhor dos mortos e dos vivos» (Rm 14,9).
Em termos de tecnologia artística os ícones bizantinos baseiam-se em pequeninos mosaicos (*) coloridos e justapostos de forma a criar uma composição unitária das imagens pretendidas.
(*). Sugerimos uma reflexão sobre a origem do termo «mosaico». O mesmo deriva de «musa» ou «musas» - como semideusas continuadoras do «mouseion», instituição que dá origem aos conceitos / instituição «museu, museologia e afins».
É nesta vertente de atração e devoção pessoal pela imagética oriental que vemos um ícone no altar-mor da igreja de Massamá por influência do pároco Pe. Luís Cláudio que terá feito a seleção de imagens ou acolhido de bom grado o ícone em referência.
Faz-nos lembrar, particularmente neste Tempo,  a Páscoa, como “passagem” da figura d`O Cordeiro divino, para a figura d`O “Rei". O "Pantocrator".  

Boa Páscoa. Ótima Passagem.

Palavras-chave: arte, ícone, Massamá – Sintra, Pantocrator, Páscoa

Fontes:

ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Os Sinos e a Páscoa nas Terras da Lusofonia” https://cumpriraterra.blogspot.com/2017/04/038-os-sinos-e-pascoa-nas-terras-da.html

-ALMEIDA, frei António-José d` “Ícones: O Cristo Pantocrator”, p 472-473.- in Revista “Bíblica: onde a Bíblia se faz vida”.- Fátima: Difusora Bíblica (Franciscanos Capuchinhos), julho-agosto 2017

-ANDRADE, Ana Luíza Mello Santiago de ; InfoEscola et al. - “Império bizantino” https://www.infoescola.com/idade-media/imperio-bizantino/  

-CESAREIA, Eusébio de ; MediaWiki et al. – “Império Bizantino” https://pt.wikipedia.org/wiki/Império_Bizantino  

-DANIELA, Diana et al. – “O que é Mosaicohttps://www.todamateria.com.br/o-que-e-mosaico/  

-MEDIAWIKI et al. – “Ícone” https://pt.wikipedia.org/wiki/Ícone

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Dos Símbolos e das Artes em Liberdade


 Ao passar, passear, caminhar e expor o que importa é o propósito

001 Revestido do sentimento e da Bandeira Nacional. Eu próprio em Doa, Distrito de Tete, Moçambique

002. Imagem em dia de folga num aquartelamento provisório do mesmo distrito de Tete, onde exponho o sentimento de liberdade, reforçado com a legenda da camisola «Freedom». Já lá vão alguns anos, altura em que pensava e ainda penso ter cumprido, pelo lado militar, o dever para com a Nação, a Portugalidade e a Amizade entre os Povos da Lusofonia. Sabendo que nos últimos 20 anos do Império, os Territórios de Além Mar, apesar da Guerra, se desenvolveram mais do que em 100 anos precedentes e sem a extração desenfreada de recursos; foi / é para mim muito reconfortante ter participado nesse processo.

&

Quando passamos sobre uma imagem, não queremos dizer que a desrespeitamos. Já o pisá-la deliberadamente, aproveitando as câmaras e os holofotes é uma atitude bem diferente.

Ao tomarmos uma hóstia consagrada que representa o Corpo e o Sangue de Cristo, não estamos a desrespeitar Esse Corpo, nem a sugerir a ideia de canibalismo.

Assim, também, o episódio de um Hotel do Porto que queria ilustrar o chão com uma carpete estampada com a Bandeira Nacional, não teria a intenção de instigar / pisar malévola e deliberadamente o símbolo nacional por excelência. Aceitam-se, contudo, opiniões dos que pensam o contrário e de que o símbolo não deve ser plasmado, nem exposto no solo, especialmente se tratando de um espaço gerido por uma organização de tipo comercial.

003 Antiga Bandeira de Portugal, ainda exposta e apreciada no Território de Ceuta, em África

 Não curam as pessoas extrapolarem ou deduzirem intenções limitando a liberdade de divulgar. Quando passeamos sobre o chão fronteiro ao Monumento das Descobertas em Belém – Lisboa, não quer dizer que estamos a desrespeitar os símbolos e a informação existente no solo, sobre Portugal e o Mundo. Ao irmos para Belém passear, significará: admiração e apreço pelo local, pela arte e pela História, e não uma intenção de espezinhar. Os nossos símbolos, ainda que projectados no solo, também são cultura. Não me chocaria, por exemplo, ver a Bandeira Nacional na arte das calçadas portuguesas.

004 Bandeira de Portugal 1826-1910

Ao passearmos por cima das flores-de-lis - símbolos sagrados e até sugestivos dos valores nacionais de alguns países europeus, não quer dizer que desrespeitamos esses símbolos.

 

005 Flor-de-Lis no chão, frente ao Shopping Center de Massamá – Sintra

Nos gestos e nos propósitos, está a diferença. Não posso condenar, à partida, a divulgação e a exposição destes símbolos, a menos que queira dar argumentos a ditaduras, as quais fiscalizam, por tudo e por nada, a nossa conduta; quiçá quase sempre para nos tirarem a liberdade de ser e de viver.

006 Bandeira Nacional no edifício da Câmara Municipal de Lisboa

Há dias encontrei, ao pé dos contentores do lixo, uma imagem de Cristo e um livro com a Bandeira Nacional. Que interpretação deveria fazer da pessoa que depositou ali estes objectos? Nenhuma; simplesmente, porque não sei quais as razões e os sentimentos que estiveram na base da deposição ou exclusão. Nem devo questionar as atitudes que teriam os funcionários da limpeza. A liberdade é coisa muito bela e deve ser exercida com o sentido da responsabilidade e, para isso, é preciso apostar ainda mais na educação.

007 Núcleo central da Bandeira Nacional

Gosto da palavra símbolo, bem como dos seus significados em termos: artísticos, filosóficos e históricos. Vem isto ainda a propósito da questão da troca de bandeiras nos paços do concelho, aquando da efeméride dos 100 Anos da República, bem como do episódio da subtração de uma bandeira municipal, pelos monárquicos. Retirarem a Bandeira do Município que é tão simbólica, desde os corvos que acompanharam os restos mortais de São Vicente nos alvores da nacionalidade, não terá sido curial. Terá havido uma atitude deliberada, quiçá de “política” subterrânea, de fazer desaparecer a dita bandeira. Em democracia as “armas” para fazer adeptos devem respeitar as regras.


 008 Bandeira de Lisboa
      Por outro lado, experimentando a ideia de colocar-me no papel dos que praticaram a ação, tudo parece indicar que seria para questionar a legitimidade moral da retirada de outra Bandeira, a conotada com a Monarquia, na versão anterior a 1910, dos Paços do Concelho, por parte dos Republicanos. Com a subtração, os adeptos do Regime Monárquico pensariam ter exercido um acto de justiça por mãos próprias, dispensando os Tribunais.

A atitude positiva e respeitosa para com a arte e os símbolos é tudo; estejam a arte e os símbolos: no solo, nos veículos, nas casas, nas paredes, nos armários, ou simplesmente inacessíveis e velados em redomas de depósitos, de arquivos e museus tradicionais.

Liberdades com responsabilidades serão os melhores bens imateriais culturais. Ajudarão a criar as frátrias, herdeiras das pátrias esgotadas, onde as obras de arte, a produção, os símbolos e os valores serão integrantes de uma nova comunicação e uma outra redistribuição.

 Imagens 001, 002, 005, 006 Arquivo Pessoal; 003, 004, 007, 008 gentileza pt.wikipédia et al

 Palavras-chave: arte, bem cultural, expressão, fratrimónio, história, liberdade, símbolo


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Fernando de Bulhões – Singular Santo e Doutor Cognominado António


001 Santo António. Igreja de Massamá - Sintra
Santo António foi e é um Bem Cultural em quase todo o Mundo de cultura de tipo ocidental e não só. Nasce em Lisboa nos finais do século XII, junto à Sé. A fé e o acaso levam-no até à Península Itálica onde vem a falecer na localidade de Pádua em 1231.

Com fama de santo milagreiro, canonizado poucos meses após a morte, cujo processo foi dos mais rápidos da História, devido ao apreço e notoriedade de que gozava.
002 Voz do Operário - Lisboa
Para lá de santo é dos poucos Doutores da Igreja, sendo o único português a receber esta insígnia.

Foi, também, e a nível mundial, o primeiro Doutor dos Frades Menores da Ordem dos Franciscanos.

Dotado de excelentes dons de Comunicação

A Ordem dos Franciscanos aproveita estes dons do Santo português para a transmissão de mensagens. Reconhecendo que: “Falava numa língua e era compreendido por todos […] independentemente da nacionalidade de cada um. Houve casos de se juntar até 30 mil pessoas num só sermão!”.
Voz do Operário - Lisboa
Quando os opositores desdenharam da sua popularidade e comunicação, consta que António se ausentou e foi pregar aos peixes. “[…] O resultado foi surpreendente: milhares de peixes de variados tipos e tamanhos aproximaram-se com a cabeça fora da água […] e falou para eles […]” (cf. Arautos entrada infra)
Na Arte tem representação em vários suportes: na forma de escultura, pintura, desenho, numismática, filatelia e museografia, com destaque para o Museu da Cidade, Museu Antoniano de Lisboa e Igreja de Santo António, junto à Sé.
Carnide - Lisboa
Tendo crescido junto à Matriz e estudado na vizinhança, em São Vicente de Fora, não admira a densidade de representação artística na cidade. São dignas de nota as manifestações populares do enfeite das ruas, escadinhas, largos e outros espaços públicos com destaque para os bairros e sítios com antiguidade.

O mês de junho marca, por assim dizer, as festas estivais onde comparecem conterrâneos e residentes de várias partes do mundo, reunidos pelo cunho religioso, artístico, etnográfico, histórico e copiosa animação.
Tags: arte, comunicação, fé, festas populares, Lisboa, museologia, Pádua, Santo António

Fontes em linha:

- ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Festas juninas – do paganismo ao popular” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2015/06/45-festas-juninas-do-paganismo-ao.html , acedida em 13.06.2018

- Arautos do Evangelho; Bento XVI et al. – “Santo António” http://www.arautos.org/especial/27004/santo-antonio.html , acedida em 13.06.2016

 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

DA QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE E DE COMO A VISÃO DE IMPÉRIO INFLUENCIOU A EUROPA E A EXPANSÃO PORTUGUESA



001 São Bento

 Destaco três importantes figuras na defesa e preservação da romanidade que possibilitaram a elevação da Europa:

 Figura 1- Bento de Núrsia (*480; +547). (Cf. Anciães, Alfredo Ramos e bibliografia anexa ao post em referência in. http://cumpriraterra.blogspot.com/2018/05/bens-culturais-universais-bento-de.html )

002 Clóvis

Figura 2- Clóvis (cª *466; +511) Primeiro rei Franco convertido ao catolicismo por influência da sua mulher, Clotilde de Borgonha. O início da dinastia merovíngia é relativamente contemporânea de São Bento. A acção deste monge com o seu exemplo e a sua organização social muito influenciou a Europa no pós queda do Império romano.

 

O reino de Portugal recebeu influência destes organizadores. A Comunidade e Regra de São Bento foram introduzidas no nosso País, nomeadamente nas regiões de Entre Douro e Minho e Coimbra. «[…] Assim como o Império bárbaro submeteu o Império Romano pela força, S. Bento, pela fé, pela palavra, submete todo o Império bárbaro. Há uma inversão» (cf. Os beneditinos em Portugal […] in http://www.mosteirodesingeverga.com/mosteiro/antiga_congregacao.html).

Portugal conta inclusivamente com o primeiro Conde, D. Henrique de Borgonha e seu filho - o primeiro rei – D. Afonso Henriques, ambos favoráveis às ordens monásticas e militares que estariam presentes nas reconquistas e na expansão.

 Figura 3- Carlos Magno (*742, Liège, Reino Franco ; +814, Aachen, Alemanha). Com a influência desta figura e sucessores, a Europa reorganiza-se e amplia as bases culturais que iriam fazer do velho continente um motor de globalização.

003 Imperador Carlos Magno

 A arte como recurso prático e simbólico demonstra como a Europa é herdeira da romanidade. A primeira catedral no centro/norte da Europa, situada em Aachen, localidade também conhecida por Aix-la-Chapelle na designação franca e ainda Aquisgrano, em português. Nesta catedral situada na Alemanha, junto aos Países Baixos, repousam os restos mortais do primeiro rei da dinastia carolíngia.

 SIMBOLOGIAS ROMANO-EUROPEIAS

 

A catedral de Aachen encontra-se alterada em relação ao original. No entanto, nela prevalecem elementos importantes datados da Idade Média, incluindo a capela palatina. Em minha opinião, esta catedral prossegue uma imagem de Império, através da arte e cerimoniais de coroações de reis e imperadores à maneira da latinidade e romanidade. A edificação e ornamentação inserem-se numa estratégia de aliança da realeza com o Papa, como forma de imaginário, saudosista e identitário do Império Romano, visando, assim, prosseguir o legado de Roma. Nesta catedral está patente a influência cristã da romanidade, segundo a recomendação dos concílios: Niceia, 325 (1); Constantinopla, 381 (2); Éfeso, 431 (3); Calcedónia, 451 (4); Constantinopla II, 553 (5); Constantinopla III, 680-681 (6) e Niceia II, 787 (7).

A descrição sumária que aqui apresento, visa destacar características locais, de influência do norte. Exemplo: o estilo gótico. Trata-se duma obra mandada edificar por Carlos Magno, cerca do ano 790 e continuada pelos seus sucessores. Nesta Catedral encontra-se a sepultura de Carlos Magno, também designado Imperador do Ocidente.

Considera-se que o título imperial passou dos romanos para o reino Franco, em 800 d. C., o papa Leão III coroou o rei dos francos, Carlos Magno, imperador e este, por protecção à Igreja católica, na qualidade de patrício dos romanos e por força da sua dignidade imperial, condenou os perseguidores do pontífice à morte, condenação que foi retirada por intervenção do próprio papa.” (8).
Bens Culturais da Humanidade

Na capela mantêm-se os traços bizantinos e germânicos. A catedral recebe uma das primeiras classificações da Unesco como Património da Humanidade e isso deve-se, certamente, ao seu significado, como obra-prima da Europa, de influência romana e cristã. Consta que a capela palatina tem origem no tempo do pai de Carlos Magno (Pepino, o Breve) para servir de guarda e veneração de relíquias; entre elas, uma de singular importância. Trata-se da capa de São Martinho de Tours (Panónia, *316 ; Gália, +397). Crê-se que a própria designação de capella, hoje associada a pequeno templo, provém exatamente da função inicial de acolhimento e preservação da capa, como peça relíquia, com que o santo ficou célebre ao dividir o seu manto com um pobre encontrado no caminho. Outro aspeto em comum com o Império Romano é o facto da estrutura da capela se basear na Basílica de São Vital de Ravena (império romano, actual Itália). Consta ainda que os mármores das colunas e os bronzes das grades do interior foram importados de Itália. Contudo são introduzidos alguns novos elementos, característicos da nova geografia da Europa que iria apostar no estilo em altura, dando origem à arte gótica, sem prejuízo de fazer de Aachen/Aix-la-Chapelle/Aquisgrano uma continuação de referências do Império Romano

 A charola do Convento de Cristo de Tomar será influenciada na analogia arquitectural com a capela palatina da catedral de Aachen

A planta e alçados interiores com oito lados simbolizam a eternidade, o poder celestial na Terra, o dia seguinte ao da criação e ainda o número preferido pelos Cavaleiros Templários (9).

Nos mosaicos da capela, figura Cristo rodeado por anciãos. - uma imagem semelhante à que aparece no Livro da Revelação/Apocalipse, segundo São João. Esta marca é, pois, outro ponto de contacto da fé sanjoanina, prosseguida pelos Templários. Temos portanto na capela da catedral de Aachen e de Tomar um sinal bíblico acerca do tempo em que foi escrito este Livro do Apocalipse (séc. 1 d.C.), retransmitido para o mundo cristão. O trono de Aachen está construído em mármore, proveniente da capital Romana. Também as colunas de capitéis coríntios foram importadas por Carlos Magno da cidade de Ravena. Tudo para imitar o Império Romano. Desde Carlos Magno, século VIII, até 1531, foram coroados na Catedral de Aachem três dezenas de monarcas.

 Outras simbologias patentes na arte


004 Imperador Carlos Magno

Sublinho ainda que a figura/retrato de Carlos Magno (cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Magno;  acedido em 8.11.2014) apresenta a mão direita segurando uma espada e a esquerda detém um globo contendo uma cruz. Será uma versão precoce dos cruzados e templários. Lembra a Ordem de Cristo com a futura esfera armilar portuguesa. No escudo de armas com fundo azul, aparecem três flores-de-lis que representam as monarquias francas e são também um sinal de unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ou seja, está aqui representado o conceito/mistério da Santíssima Trindade: as três folhas da flor-de-lis estão unidas com um laço natural. Este conceito de unidade da Trindade vinha-se revelando desde o Concílio de Constantinopla do ano de 381 (v. notas infra, concílios 1 a 7).

 

Unidade dos Poderes Político-Religioso

O poder político franco-germânico e o papado uniram-se como forma de contornar a situação vulnerável da Europa, sobretudo após o poder de Constantinopla se ter distanciado da antiga Roma. As vantagens resultarão positivas para os dois lados – os povos da Europa procuram continuar a cultura e religião do antigo Imperio, em torno da figura pontifícia que passa a representar a unidade e a autoridade perdidas com as invasões e as disputas de poder.

 

A queda e desmoronamento do Império Romano foram, portanto, relativos

Constata-se que houve várias formas de continuidades de influência e de poder à maneira romana, nomeadamente com as dinastias merovíngia e carolíngia. Estas continuidades são prosseguidas nas realezas e reinos da Europa da Idade Média e Moderna e, em parte, no mundo onde os Europeus se estabeleceram e relacionaram.

Neste ponto de vista, parece-nos que o Império Romano e a latinidade/romanidade não desapareceram. Contudo, daqui resultará um certo choque de civilizações, entre o cristianismo e o islamismo, por exemplo, sendo que as comunidades islâmicas viram desaparecer alguns dos territórios que haviam conquistado durante a Idade Média.
Tags: Aix-la-Chapelle, Aachen, Arte, Carlos Magno, Charola, Convento de Cristo de Tomar, Clóvis,  Roma Antiga, São Bento

Notas

Concílios de:

(1)Niceia, 325.  “Condena o Arianismo e proclama a igualdade de natureza entre o Pai e o Filho”. É também deste Concílio que sai a oração do Credo.

(2)Constantinopla, 381. “Afirma a natureza do Espírito Santo e estabelece que o bispo de Constantinopla receberá honras logo após o de Roma”.

(3)Éfeso, 431. “[…] Afirma […] a maternidade divina de Maria”

(4)Calcedónia, 451.  “[…] Afirma a unidade das duas naturezas completas e perfeitas em Jesus Cristo, humana e divina […]”.

(5)Constantinopla II, 553. “[…] Condena os ensinamentos de Orígenes […]”.

(6)Constantinopla III, 680-681. “[…] Dogmatiza as duas naturezas de Cristo condenando o  monotelismo […]”.

(7)Niceia II, 787. “[…] Regula a questão da veneração de imagens (ícones) condenando os iconoclastas [os que são contra a existência de imagens…]”, logo este Concílio torna possível a continuação da veneração de imagens personificadas ou endeusadas.

(8)Cf. Lista dos Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico -  http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_imperadores_do_Sacro_Imp%C3%A9rio_Romano-Germ%C3%A2nico

(9) A primeira sede dos Cavaleiros Templários foi na Mesquita de Al-Aqsa no chamado Monte do Templo, em Jerusalém. Os Cruzados que aqui se instalaram chamaram-lhe Templo de Salomão, por o mesmo ter sido construído sobre as fundações do Templo dedicado a este Profeta. Por esta via, os Cavaleiros que foram na Cruzada e aqui se instalaram passaram a ser conhecidos por Cavaleiros do Templo ou Templários.

Fontes

-Einhardi, Vita Karoli - Oeuvres Complètes d`Eginhard. Paris: Société de l`Histoire de France, 1840, pp. 83 a 85.
-Imagens: 001 - Arq. pessoal AA; 002 a 004 in Wiki

Documentos em linha, acedidos em 07-06-2018

 

-ANCIÃES, Alfredo Ramos – “Simbologias Romano-Europeias: O Exemplo da Catedral de Aachen” http://cumpriraterra.blogspot.com/2014/12/a-imagem-do-imperio-romano.html Cumprir a Terra , acedido em 07.06.2018)



-Brasão de armas do Sacro Império Romano-Germânico e da Alemanha -  http://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%A3o_de_armas_da_Alemanha;

-Carlos Magno -  http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Magno; acedidos em 8.11.2014;

-Charola Templária do Convento de Cristo de Tomar - http://www.conventocristo.pt/pt/index.php?s=white&pid=186;




-Joias e símbolos medievais. A Coroa de Carlos Magno / Plineo Corrêa de Oliveira - https://joiasesimbolosmedievais.blogspot.com/2010/01/coroa-de-carlos-magno-joia-adequada-ao.html

-Lista dos Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico -  http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_imperadores_do_Sacro_Imp%C3%A9rio_Romano-Germ%C3%A2nico;


-Património Cultural da Humanidade – a Catedral de Aachen - http://www.germany.travel/pt/cidades-e-cultura/patrimonio-mundial-da-unesco/catedral-de-aachen.html;

terça-feira, 29 de maio de 2018

BENS CULTURAIS LOCAIS E UNIVERSAIS: BENTO DE NÚRSIA ORGANIZAÇÃO TRABALHO E COMUNICAÇÃO



 
https://3.bp.blogspot.com/-OYtS_TZGhgI/V3RNkxTu7gI/AAAAAAAAAsc/52jg1Fvjo244O8Wb7Dt5Q0242Pz1qiTdQCLcB/s320/Sao%2BBento%2BOra%2Bet%2BLabora%2BVitral%2Bigreja%2BMassama%2BDSCF0146.jpg
Comunicação, não é o mesmo que transmissão ou informação;

Comunicar é algo que (co)move/envolve as partes: pessoas e tudo o que vive. Pode até tratar-se de comunicação entre pessoas, animais, plantas e árvores (cf. S. Francisco e fontes infra) implicando respostas, a que no vulgo chamamos "feedbacks".

Se apenas vemos filmes, espectáculos, programas de televisão; usamos o facebook sem criatividade, enviamos mensagens sem retorno; fazemos passeios e viagens, sem troca de sinais, então estamos a fazer entretenimento: Podemos estar a cultivar-nos, informar-nos ou informar os outros; não estamos a comunicar.

Quando os ruídos impedem a comunicação, significa que precisamos adoptar medidas, quiçá de certo “isolamento”, o que em princípio, parece contraditório à comunicação. Contudo foi esta conduta que Bento de Núrsia adoptou aquando da crise do Mundo Romano/Ocidental com a entrada de “emigrantes e invasores” que marcaram a Europa dos finais da Idade Clássica, contribuindo para a Idade Média.

Bento de Núrsia torna-se padroeiro da Europa, venerado em milhares, senão dezenas de milhares de localidades do mundo, entre elas, Massamá/Sintra ; Seixas/Caminha, Minho.
Imagens: 1,2,3 - Massamá ; 3,5 e 6 - Seixas Caminha Minho


 “Quando se fala de Seixas, não se pode deixar de referir a Capela de São Bento e as tradições religiosas que lhe estão afectas. Isso porque, se mantêm até aos dias de hoje, a romaria e a festa que este Santo do Cristianismo promove na população, seja a local ou forasteira.” (cf. http://jf-seixas.com/historia/ acedido em 29.05.2018) ; “Esta capela fora do normal, de proporções grandes, tem a sua história baseada nos Freires Templários, remontando por isso à Idade Média em que se fixaram em Seixas ao edificar uma igreja dedicada ao culto de São Bento.” (cf https://www.visitarportugal.pt/distritos/d-viana-castelo/c-caminha/seixas/capela-sao-bento , acedido em 29.05.2018)

À organização, ecologia e trabalho, acrescente-se boa comunicação porque uma nova Europa é precisa. Aos ruídos e poluição nos media e transportes suceda uma filosofia como a inspirada a/por Bento de Núrsia, consolidada no saber e no (conhe)cimento "Ora et Labora".

 

Palavras-chave: arte, bem cultural, comunicação, Massamá, Nova Museologia, São Bento, Seixas Caminha

 

Outras fontes, acedidas em 29.05.2018:

 

--ANCIÃES, Alfredo - “COMUN(IC)(AÇÃO) EUROPA S. BENTO REORGANIZAÇÃO” http://cumpriraterra.blogspot.pt/2016/06/79-comunicacao-europa-s-bento.html

ANCIÃES, Alfredo - “COMUNICAÇÕES ENTRE AS ÁRVORES E OUTRA NATUREZA” http://cumpriraterra.blogspot.com/2016/11/108comunicacoes-entre-as-arvores-e.html

--ANCIÃES, Alfredo - “COMUNICAÇÕES D`OUTRORA E UMA PERSPETIVA DE FUTURO – O CASO DE J.C.BOSE http://cumpriraterra.blogspot.com/2015/07/48-comunicacoes-doutrora-e-uma.html

--ANCIÃES, Alfredo – “LUSOFONIA E PRECURSORES DA RÁDIO: A TELEGRAFIA ATRAVÉS DAS ONDAS HERTZIANAS, TAMBÉM DITAS LANDELLIANAS”  http://cumpriraterra.blogspot.com/2017/03/lusofonia-e-precursores-da-radio.html

--VP VISITAR Portugal, et al- imagens “Capela de São Bento – Seixas Caminha” https://www.visitarportugal.pt/distritos/d-viana-castelo/c-caminha/seixas/capela-sao-bento